• Sonuç bulunamadı

II. BÖLÜM: FON VEREN KURULUfiLARIN

2. AB Komisyonu’nca desteklenen projelerde raporlama • Emel Kurma

2.2. Raporlar›n sunumuna iliflkin genel öneriler

Para a realização da análise, sentimos a necessidade de nos afastarmos dos dados, tendo em vista um distanciamento positivo do campo, ou seja, do momento da coleta, já que o afastamento pontual dos dados pode oportunizar o nascimento de ideias e a “especulação” que na medida certa contribuem com a investigação. Entretanto, sentimos certa insegurança em lidar com a grande quantidade de material coletado no módulo.

quadros de escuta, nos debruçamos sobre a origem do trabalho, ou seja, sobre o planejamento do módulo “Práticas Pedagógicas”, pois, segundo Bogdan e Biklen (1994), faz-se necessário tomar decisões desde a coleta de dados. E a orientação para a coleta de dados nessa pesquisa coincide com a organização pedagógica dos encontros entre pesquisador-formador e professores em formação.

Inicialmente, analisamos a sequência didática e a sua operacionalização, identificando os momentos recorrentes e, por conseguinte, inerentes ao processo de articulação dos tópicos de estudo com a vida, a formação e a prática profissional que culminava com a escrita e a socialização do trabalho biográfico.

Após a análise da sequência didática e o registro das observações, partimos para a leitura incansável das produções dos participantes da pesquisa e verificamos que alguns professores não tinham realizado todas as narrativas e/ou preenchido os quadros de escuta. Além disso, lidar com todos os dados significaria analisar um corpus composto por cento e vinte (90) narrativas e sessenta (60) quadros de escuta, o que exigiria um tempo que não dispúnhamos.

Em um primeiro momento, nos direcionamos para vários professores, mas, posteriormente, verificando o que seria de maior interesse para nossa investigação, partimos para o segundo procedimento de análise. Então, selecionamos os participantes da pesquisa a partir da frequência aos encontros e das atividades realizadas (narrativas autobiográficas e quadros de escuta) previstas no módulo.

Segundo Bogdan e Biklen (1994, p.221), à medida que vamos lendo os dados, observamos que “repetem-se ou destacam-se certas palavras, frases, padrões de comportamento, formas dos sujeitos pensarem e acontecimento”. As leituras constantes oportunizaram o registro de algumas recorrências, concretizando o terceiro procedimento de análise.

O registro das observações foi realizado, inicialmente, em um documento coletivo, contendo o registro integral das observações e que se caracteriza como fundamental para a articulação/comparação dos dados. Entretanto, consideramos conveniente organizá-los por participante da pesquisa, daí o terceiro procedimento de análise. Organizamos um dossiê para cada participante, contendo tanto os dispositivos de formação (narrativas e quadros) quanto os registros realizados durante a análise (observações e categorias).

Os dossiês oportunizaram a construção do perfil dos participantes da pesquisa que, por tratar-se de professores em formação, e, por conseguinte, de

aprendizagem de adultos, inspiraram a articulação com os estudos de Charlot (2000). Este afirma que para compreender as relações que as pessoas estabelecem com o saber faz-se necessário conhecer a origem social, o mercado, o sistema escolar e as formas culturais que envolvem os sujeitos. Inspirados por Charlot (2000), partimos para o quinto procedimento de análise.

Caracterizamos os participantes da pesquisa através do registro de eventos observados mediante a leitura do conjunto dos dados. Entretanto, não organizamos através dos aspectos apresentados por Charlot (2000). Destacamos os elementos que melhor explicitavam a maneira como os professores pesquisados escreviam sobre as suas relações com o saber ao longo da vida:

a) origem e convivência familiar; b) relações com o trabalho; c) relações com a escola e d) eventos sociais/culturais.

O trabalho de pesquisa que diz respeito, concomitantemente, a uma prática de formação (embasada nas narrativas autobiográficas) e elaborada com/para professores, faz vir à tona a operacionalização de procedimentos de mediação biográfica, que consiste no acompanhamento do trabalho biográfico com vistas a auto(trans)formação dos sujeitos envolvidos.

Os processos de acompanhamento, concretizados no módulo, permitiu dar visibilidade às dimensões da mediação biográfica, então partimos para o quinto procedimento de análise. Filtramos os fatos, situações ou eventos narrados nas três etapas do módulo - processos de formação, percurso profissional, e aprendizagens no módulo “Práticas Pedagógicas” - de acordo com as três dimensões da mediação biográfica - iniciática, maiêutica e hermenêutica.

Finalmente, debruçamo-nos sobre os quadros de escuta, partindo para o sexto e último procedimento de análise que se desenvolveu mediante inúmeras leituras e corresponde ao estabelecimento de relações entre os quadros de escuta, os movimentos anteriores às narrativas e as próprias narrativas autobiográficas, identificando coincidências e elementos novos, isolados e/ou relacionados ao módulo em sua integralidade (todas as atividades).

Os procedimentos de análise descritos anteriormente correspondem à maneira como lidamos com os dados e que, por conseguinte, suscitaram respostas buscadas, ou não, no início do trabalho. Pudemos tanto descrever a situação de

formação que vivenciamos em sua totalidade quanto apresentar procedimentos de mediação biográfica articulados a dois dispositivos pedagógicos, um conhecido e utilizado no âmbito da pesquisa – a narrativa autobiográfica - e outro inédito que consideramos promissor – o quadro de escuta.

4 MEDIAÇÃO BIOGRÁFICA: AUTOFORMAÇÃO E HETEROFORMAÇÃO

Nas histórias de vida em formação, adota-se o modelo de co-

investimento dialógico entre a pessoa que narra e o grupo, entre

eles e quem os acompanha. Ele se opõe a outros modelos

(auto)biográficos, entre os quais: o de auto-investimento, no qual

o narrador sozinho decide sobre o ato de narrar, interpretar e dar

destino à sua narrativa, e o modelo de investimento na vida de

outrem, realizado numa ruptura com o trabalho do sujeito.

Maria da Conceição Passeggi

Este capítulo tem como objetivo apresentar e discutir os três eixos nos quais realizamos a análise dos procedimentos de mediação biográfica no contexto do módulo “Práticas Pedagógicas”: o percurso do módulo e os procedimentos de mediação biográfica; as relações inerentes ao formador, ao narrador e os saberes nas dimensões de mediação biográfica e, por último, o quadro de escuta como dispositivo de mediação biográfica.

A relação entre mediação biográfica e coconstrução de sentidos orienta a experiência desenvolvida no módulo “Práticas Pedagógicas” uma vez que as decisões relativas ao ato de narrar e trabalhar sobre a narrativa não dependem do narrador, mas das orientações do formador. A organização do módulo conduz a procedimentos que dão conta da evocação, compreensão e interpretação de experiências tanto a partir das (inter)ações previstas e conduzidas pelo formador quanto das (inter)ações que se originam da/na própria formação.

Nesse sentido, a mediação biográfica possibilita o coinvestimento dialógico entre o pesquisador-formador, o grupo e o professor em formação, pois todos

contribuem uns com os outros no processo de ressignificação das experiências e, por conseguinte, para uma nova perspectiva de formação – a auto(trans)formação docente.

Inspiramo-nos, para a análise dos dados, nos estudos de Passeggi (2008; 2011) sobre grupos reflexivos e mediação biográfica, os de Josso (2010) sobre experiência e formação de formadores, bem como os de Delory-Moberger (2006; 2008; 2012) sobre ateliês biográficos e biografização. Trata-se de clarificar, como sugere Passeggi (2007) que

[...] a formação não é monopolítica, mas se realiza, conforme teoriza Pineau (2004), em diferentes movimentos de aprendizagem: com alguém mais experiente, heteroformação, com os pares, co- formação, com o entorno natural, social, institucional, eco-formação, e, essencialmente, no processo laborioso do (re)conhecimento da capacidade de aprender consigo mesmo a aprender: a autoformação.

Benzer Belgeler