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2.2. Haber Alma ve Bilgi Edinme Özgürlüğü

2.2.2. Radyo ve Televizyon Yayınları

O desempenho eleitoral da Frente de Esquerda nas eleições nacionais de 2006 constatou seu baixo rendimento político-eleitoral. Heloisa Helena ficou em terceiro lugar na disputa presidencial, com cerca de 7% dos votos (6.575.393). A Frente de Esquerda lançou candidaturas em todos os vinte e seis estados brasileiros mais o Distrito Federal. Foram lançados 734 candidatos a cargos eletivos no pleito de 2006. Esse número representa em torno de 4,1% das candidaturas nacionais deferidas naquele pleito. Porém apenas seis (6) candidatos27 de partidos que compuseram a Frente de Esquerda obtiveram cargos eletivos. O PCB fez um deputado estadual, e o PSOL fez os outros cinco, sendo dois deputados estaduais e três deputados federais, representando cerca de 0,4 % do número de vagas disponíveis.

Nas eleições de 2008, mesmo já dissolvida a Frente de Esquerda, com seus antigos componentes coligando-se em eventuais casos, seu desempenho analisando a quantidade total de número de eleitores que votaram nos partidos que compõem a Frente de Esquerda, demonstra o fraco poder de conseguir angariar o apoio das camadas da sociedade civil organizada e também a

26 O Militante Comunista é um militante de fato e de tempo integral, e não apenas “um filiado”, este visto como um indivíduo que tem pouca participação nas esferas partidárias. É a militância política atrelada a uma militância social que apregoa a esquerda radical. Para buscar uma inserção na massa social, a militância deve procurar participar ativamente das entidades populares que se relacionem com seu trabalho, estudo, moradia ou militância social, ou com a linha de atuação política do partido. Vale ressaltar que há a possibilidade de os militantes exercerem, “sempre que possível”, cargos de direção nessas entidades populares, nas quais os partidos buscam inseri-los, destacando, assim, o caráter tático e/ou estratégico ainda presente em suas diretrizes partidárias. Essa é a razão da importância histórica e instrumental do filiado-militante do partido.

amplitude do grande eleitorado nacional. Isso revela a frágil função a que os mesmos se propõem representar, conforme pode ser comprovado na analise do processo eleitoral de 2008, para o cargo executivo majoritário de Prefeito, conforme o quadro abaixo.

Quadro 7: Votação Nacional dos partidos de esquerda radical, nas eleições de 2008, para os cargos de Prefeito.

PARTIDO Nº Total de votos obtidos por

partido (em milhões de votos)

% Total de votos em 2008

PCB 63.785 0,05%

PSOL 795.275 0,66%

PSTU 75.573 0,06%

SOMATÓRIO 934.633 0,95%

Fonte: Relatório TSE eleições 2008, Brasília, 2009. Páginas 102-103.

Em um universo total de 99.545.795 milhões de votos válidos para o cargo em disputa, os partidos de esquerda radical somados conseguiram representar 934.633 mil eleitores, menos de 1% dos votos válidos em disputa para esse pleito especifico, além de não conseguir eleger prefeitos em nenhum dos mais de cinco mil municípios existentes em todo território nacional.

A possibilidade real ou potencial da gestão do poder político, a relativa estabilização da situação social e, em conseqüência, a menor participação política das massas fizeram com que os partidos que reivindicavam a representação dos operários, para melhor desempenho, tiveram que abrandar os apelos de classe em beneficio de uma imagem de si mesmos que pudesse merecer a aceitação de vários setores da sociedade. Essas características táticas historicamente usadas pelos partidos socialistas e comunistas de caráter marxista para a propaganda eleitoral. As orientações de seus lideres (sejam dirigentes ou parlamentares) com vistas à participação política de base voltada para a educação moral e política das massas se tornaram quase que supérflua. Em contraposição, acentuou-se o profissionalismo político das campanhas dos partidos, onde tornou- se essencial a escolha dos candidatos com vistas ao sucesso eleitoral do partido (BOBBIO, 2004: 903). Acentuam-se, portanto a orientação e o empenho maciço em ampliar a influência do partido para além das próprias bases tradicionais e a importância sempre crescente da atividade parlamentar (BOBBIO, 2004: 902) é aspecto ainda “pouco desenvolvido” nas estratégias eleitorais dos partidos que compuseram a Frente de Esquerda.

Portanto, a mudança na composição social dos eleitores incide em

uma acentuada desideologização, uma redução da bagagem ideológica do partido e uma concentração da propaganda nas questões de valor, nos temas gerais, partilhados em linhas de principio por setores extremamente

amplos do eleitorado: a) “o desenvolvimento econômico”, “a defesa da ordem pública” etc. b) uma maior abertura do partido às influências dos grupos de interesse; c) a perda de peso político dos filiados e um declínio acentuado do papel da militância política da base; d) o fortalecimento do poder organizativo dos lideres que passam a se apoiar, para o financiamento da organização e para manter ligações com o eleitorado, muito mais nos grupos de interesse externos do que nos filiados. e) relações partido-eleitorado tornam-se mais fracas e descontinuas, não mais ancoradas numa forte inserção social (PANEBIANCO, 2005: 512)

Segundo Panebianco, o eleitorado torna-se social e culturalmente mais heterogêneo, mais independente, menos controlável pelos partidos, criando dessa forma uma espécie de coação para transformação das diretrizes históricas irremovíveis das organizações de esquerda radical.

As mudanças da estrutura social e nos sistemas de comunicação política contribuem para erosão das subculturas políticas tradicionais, “congeladas” durante muito tempo, graças a força do estabelecimento organizativo dos partidos burocráticos de massa. A área do eleitorado fiel se contrai; diminuem as grandes identificações de partido [...] o eleitorado adquire maior independência em relação ao partido [...] E esse é o principal desafio que obriga os partidos a se organizar, por meio de processos imitativos e de

acordo recíproco, com base no modelo profissional-eleitoral

(PANEBIANCO, 2005: 519).

Percebemos aqui o retorno ao dilema e também obstáculo que permeiam a vida eleitoral dos partidos de esquerda radical atrelados invariavelmente a sua origem, reaparecendo os conflitos entre a manutenção da pureza ideológica e a vitoria nas eleições. O partido burocrático classista (socialista, comunista de caráter marxista) e sua forte institucionalização organizativa interna (como demonstrado no segundo capítulo) mostra a dificuldade de romper (se é que há essa vontade de ruptura) com essa característica originária atrelada ao forte teor ideológico classista a transformar-se em partido profissional-eleitoral, internamente mais flexível do ponto de vista de dogmas e atuação em espaços menos estreitos. A transformação comportaria, portanto, um processo de desinstitucionalização das diretrizes propostas por sua imutável estrutura organizativa, para que pudesse incorporar novas demandas de caráter menos sectário.

Essa inflexão dos partidos de esquerda radical pode ser medida pelo pouco impacto que esse número de votos (a dimensão eleitoral) tem sobre a organização, ou seja, não há mudança na postura política desses partidos: nem a sua plataforma política, nem relativização de seus

discursos e manifestos políticos que são publicizados e influência a organização em suas relações com o ambiente externo, por exemplo, as mudanças nas estratégias eleitorais: como abertura a coligações, busca por unir-se a coalizão de governo e alterações pontuais em aspectos de sua linha ideológica.

Isso se evidencia, por exemplo, no segundo turno da campanha presidencial de 2006, quando os partidos de esquerda, além de não unificar suas propostas em um programa de governo, também não conseguiram unificar seus discursos, mantendo-o sectário, restringindo, por exemplo, suas possibilidades de atuação numa futura composição governamental, ao não apoiarem o candidato de centro-esquerda no pleito do referido ano.

Benzer Belgeler