3.2. Antalya'da Radyo Dinlenen Mekânlar
3.2.3. Radyo Dükkânları ve Tamir Atölyeleri
Na década de 1980, o Brasil optou pela substituição do federalismo centralizado por um modelo federativo descentralizado, com o objetivo de resolver o problema da relação intergovernamental. Assim, com a Constituição de 1988, foi dada maior autonomia aos governos subnacionais, os municípios passaram a ser reconhecidos como entes federados com diretos e deveres no mesmo nível dos demais entes governamentais. Bem como os municípios, os estados também ganharam mais poder econômico e político. Ocorreu uma redistribuição das receitas em detrimento do governo federal e houve também remanejamento nas despesas, aumentando a responsabilidade dos municípios e estados. “A nova Carta estabeleceu competências comuns para União, estados e municípios nas áreas de saúde, assistência social, educação, cultura, habitação e saneamento, meio ambiente, proteção do patrimônio histórico; combate à pobreza e integração social dos setores desfavorecidos, e educação para o trânsito. Legislação complementar deveria deinir as formas de cooperação entre os três níveis de governo (Constituição Federal, Art.23 apud ALMEIDA, 2000, p.4).
Com a descentralização, as estratégias de desenvolvimento regional e local podem ser traçadas pelas três esferas, deixando de ser assunto unicamente do governo central, gerando múltiplas alternativas de políticas públicas. Porém as desigualdades existentes no País impedem que tais políticas sejam tomadas da melhor forma. Como exemplo, pode-se citar a política de incentivos iscais com o objetivo de atrair empresas para o local. Essa estratégia, utilizada pelos estados brasileiros, icou conhecida como “guerra iscal”, pois os estados brasileiros começaram a disputar de forma desordenada e sem coordenação, a implantação de empresas nos seus estados, caracterizando uma situação de federalismo competitivo. Os adeptos a esse modelo de federalismo competitivo argumentam
a importância da concorrência entre os níveis de governo, dizendo evitar a centralização de poder e maior eiciência de gestão pública. Porém, os críticos apontam a fragilidade que esse modelo tem para países com desigualdades, como é o caso do Brasil. Conforme aponta Rocha e Faria:
Em países heterogêneos econômica, política e socialmente, como é caso do Brasil, o modelo competitivo tem maximizadas as suas fragilidades. Caso governos subnacionais adotem políticas de bem-estar amplas e eicientes, eles acabam atraindo pessoas de outras localidades (efeito welfare magnets). Alguns entes federados poderiam deixar de investir em políticas sociais, incentivando sua população a se servir dos serviços fornecidos por outros estados ou municípios (comportamento free rider). A implementação de políticas de redistribuição de renda entre regiões também icaria diicultada. A competição poderia redundar também em guerra iscal, já que os entes federados podem se valer da possibilidade de conceder isenção iscal para atrair investimentos, instaurando assim uma dinâmica que acaba por enfraquecer a todos (2004, p.8).
Com o processo de descentralização, os entes subnacionais passaram a ter maior autonomia inanceira. Com esse poder dado aos municípios e estados, observou-se um excesso de gastos realizado por estes governos, principalmente municipais, e um aumento da dívida dessas esferas. Este endividamento foi resultado de uma política descentralizada com falta de planejamento e de coordenação. Em 2000, foi criada a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), que ao contrário do que muitos defendem ao dizer que a LRF engessou o orçamento, principalmente dos municípios, Amaral Filho (2004, p.17) deiniu bem o objetivo da lei ao dizer que “tem o papel saudável de coordenar e alinhar as políticas inanceiras executadas pelos três níveis de governo, inibindo assim a má gestão dos recursos públicos e o desequilíbrio macroeconômico”. Na verdade, a descentralização no Brasil não pode ser analisada de forma generalizada, visto que o País apresenta grandes disparidades, implicando em efeitos diferentes para cada região.
Como visto, a descentralização iscal e administrativa trouxe consigo alguns problemas, como o aumento do endividamento dos estados e municípios, incapacidade de gastos em investimento de municípios com pequeno poder de arrecadação, municípios maiores que concentram grandes problemas sociais penalizados pelo aumento da despesa com transferências de assistência e previdência. Nesse período, notou-se também um aumento na carga
tributária, devido à crise iscal-inanceira, bem como pelos novos paradigmas institucionais e produtivos.
Conforme Amaral Filho (1996), o federalismo deve mobilizar a
automação, a cooperação, o equilíbrio estrutural e a coordenação. No Brasil, a descentralização ofereceu maior autonomia para os estados e municípios, porém de maneira descoordenada e sem uma política de desenvolvimento regional de compensação para amenizar a desigualdade e sem regras e estímulo para cooperação. Na verdade, o federalismo brasileiro ainda está em processo e por isso incompleto. A mudança da lei deinindo o País como uma federação com tendência cooperativa é apenas o começo de um processo que requer um longo tempo para que este passe a agir como tal. O governo federal tem papel importante nesse começo, deinindo as regras de forma adequada, atribuindo as responsabilidades e limitações dos governos subnacionais, assumindo o papel de coordenador.
No tocante à cooperação, no Brasil ainda é incipiente a ideia de fazer política pública em parceria. Atualmente, há uma atenção maior na agenda local sobre cooperação intermunicipal, para discutir as fragilidades e os impasses dos municípios na promoção de políticas sociais e estrutural. Como visto anteriormente, o Brasil apresenta possibilidade de seguir um padrão cooperativo de relações intergovernamental, através de convênios e consócios administrativos, participação em órgãos e colegiados de outros entes, convênios de cooperação, consórcios públicos e outros. Mas para essas práticas é preciso haver mobilização dos atores, construir as formas de cooperação entre os agentes políticos, é preciso que os municípios se organizem, apresentem projetos e busquem os investimentos.