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1.2. TANZİMAT DÖNEMİNDE (1839-1876) ORTAÖĞRETİM

1.2.1. Rüştiyeler

A guerra ao escarro se espalhou em vários países, inclusive no Brasil. Em 28 de setembro de 1901, a Liga Paulista dirigiu ofícios aos Secretários: do Interior e Justiça, da Fazenda e da Agricultura do Estado de São Paulo solicitando que os mesmos proibissem a varredura a seco nas repartições sob suas subordinações, principalmente nas escolas e colégios. A limpeza deveria ser processada, diariamente, através de panos úmidos, para que os bacilos da tuberculose não entrassem em suspensão no ar e, assim, fossem inalados por pessoas sadias. O oficio solicitava, ainda, a proibição de escarrar no soalho ou nas paredes, devendo para isso ser instalado número suficiente de escarradeiras higiênicas do melhor modelo, de preferência as escarradeiras coletivas de manejo simples e limpeza fácil

recomendando aos homens usar bigodes para a proteção contra as poeiras contaminadas pelos bacilos. A Secretaria de Saúde de Paris baixou portaria proibindo e multando as mulheres que usassem saias longas, pois levantavam poeiras contendo o bacilo da tuberculose.

ROSEMBERG, José. “Tuberculose - Aspectos Históricos, Realidades, seu Romantismo e Transculturação”. In: Boletim de

Pneumologia Sanitária. 7(2):7, jul/dez de 1999, p. 22.

310 DARMON, Pierre. “É proibido escarrar”. In : LE GOFF, Jacques. (org). As Doenças Têm História. Lisboa, Terramar, 1985, pp.251-252.

como as de: Troinot, Ribard, Knoff ou Prdohl, com líquidos anti-sépticos para impedir a dessecação dos produtos expectorados.311

Por sua vez, Bento Bueno, Secretário do Interior e da Justiça, endereçou circulares aos diretores das escolas, grupos escolares e demais repartições subordinadas à sua Secretaria, solicitando providencias para serem colocadas escarradeiras, em número suficiente, nas diversas dependências dos edifícios, com a orientação de serem lavadas e desinfetadas diariamente. Além disso, solicitou que nos pontos mais visíveis fossem afixados cartazes com dizeres de: “Proibido escarrar no soalho e nas paredes”. O Secretário da Fazenda, Dr. Francisco Malta, e o Secretário da Agricultura, Candido Rodrigues, tomaram as mesmas medidas.312

Prosseguindo a guerra ao escarro, a Liga Paulista endereçou, na mesma ocasião, oficio à diretoria da Estrada de Ferro Central do Brasil nos seguintes termos.

A guerra ao escarro epitomisa a prophylaxia essencial da tuberculose como enfermidade popular e condensa tudo o que de mais eficaz se póde fazer no sentido de restringir promptamente as ocasiões de contaminação. Por isso a Associação Paulista dos Sanatórios populares para tuberculosos faz um appello á administração dessa importante via-ferrea a fim de que seja formalmente prohibido escarrar no solo das estações, das plataformas e no soalho dos wagons, collocando-se no interior daquellas e destes cartazes visíveis em que esta interdicção seja assignalada em grossos caracteres e em differentes línguas. Para tornar exeqüível esta prohibição a administração installará quanto antes nas estações e nos carros, escarradeiras hygienicas, elevadas de 1 metro sobre o solo ou suspensas ás paredes por meio de ganchos apropriados, as quaes conterão líquidos antisepticos de modo a impedir a deseccação do escarro, e que serão diariamente esvasiadas e fervidas em água.313

Em 2 de outubro de 1901, a Liga endereçou aos gerentes e proprietários de estabelecimentos industriais da capital de São Paulo, uma circular solicitando que fossem afixados, em pontos visíveis dos estabelecimentos industriais, cartazes vistosos e legíveis recomendando a todos os operários a não escarrarem no solo. Alegava que a tuberculose devastava, anualmente, as classes proletárias por serem os operários mal alimentados e viverem pessimamente alojados.314

Além desses ofícios e circulares, a Liga Paulista mandou imprimir 2.000 cartazes contendo noções essenciais à educação higiênica contra a tuberculose e os

311 “Hygiene das escolas e das Repartições Publicas” – Oficio encaminhado em 28 de setembro de 1901 ao Exmo. Sr. Dr. Secretário dos Negócios do Interior do Estado de São Paulo, pela Associação Paulista dos Sanatórios populares. In: Defesa

Contra a Tísica. 1(1):37, maio de 1902.

312 Ibidem, pp.38-39.

313 “Hygiene das vias ferreas” - Oficio encaminhad0, em 28 de setembro de 1901, à Diretoria da Estrada de Ferro Central do Brasil, pela Associação Paulista dos Sanatórios populares. In: Defesa Contra a Tísica. 1(1):40-41, maio de 1902.

314 “Hygiene das fabricas e officinas” Circular encaminhada, em 2 de outubro de 1901, aos gerentes e proprietários de estabelecimentos industriaes da capital. In: Defesa Contra a Tísica. 1(1):43, maio de 1902.

distribuiu pelos cafés, confeitarias, farmácias e restaurantes. Fez, também, pequenas etiquetas com os mesmos dizeres e as distribuiu com os droguistas, proprietários de papelaria, negociantes de cigarros a fim de que eles distribuíssem com os seus fregueses. Alguns desses dizeres eram referentes à guerra ao escarro, como:

A tuberculose ou tísica como a maior parte das moléstias do apparelho respiratório transmitte- se pelos escarros deseccados e reduzidos a poeira.

Não escarreis, pois, no chão das ruas, no pavimento das habitações, das casas de negocio, dos mercados, das igrejas, das escolas, das repartições publicas, dos bonds, das estações e wagons das estradas de ferro: é um costume repugnante e sempre perigoso.315

A Liga solicitou o apoio da imprensa diária e a maior parte dos jornais da capital inseriu em suas páginas, por muito tempo, essas máximas de profilaxia contra a tuberculose criando no espírito popular uma consciência sanitária. A Liga, também, solicitou medidas legislativas municipais para assegurar a higiene dos estabelecimentos públicos e dos locais de aglomerações. Assim, em 13 de outubro de 1901, encaminhou oficio ao Conselho Municipal solicitando a votação de uma lei que proibisse escarrar nos teatros, igrejas, hotéis, casas de pensão, circos, frontões, prados de corridas, cafés, confeitarias, mercados, etc., sendo necessário que esses estabelecimentos instalassem escarradeiras higiênicas coletivas, contendo liquido anti-sépticos, elevadas de 1 metro sobre o solo ou suspensas nas paredes. Solicitou que a prefeitura mandasse colocar nas ruas, em pontos diversos junto aos passeios, recipientes do mesmo gênero destinados a recolher a expectoração dos transeuntes. Não esquecendo do comércio de gêneros alimentícios, pois as poeiras contendo bacilos facilmente contaminavam os alimentos, exigiu certas precauções para resguardá-los.316