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1.2. TANZİMAT DÖNEMİNDE (1839-1876) ORTAÖĞRETİM

1.2.2. İdâdîler

Os cartazes foram utilizados na guerra contra a peste branca com o intuito de promover a educação sanitária e induzir os tuberculosos a procurarem tratamento especializado. Foram emitidos pelas ligas filantrópicas e pela IPT do DNSP.

Fazendo uma análise de suas imagens, pode-se observar as representações da peste branca de diferentes maneiras. A imagem da mulher foi fartamente utilizada, ora, como uma deusa da mitologia grega, ora, como a redentora, a protetora da pátria. Os ideais da revolução francesa foram amplamente divulgados em diversos países do mundo, inclusive no Brasil, e sua alegoria, Marianne,319 re-

apropriada pelos higienistas da França e do Brasil para simbolizar a guerreira condutora dos soldados na luta contra o bacilo de Koch.

A imagem da morte, representada pela caveira com a foice, foi, também, re- apropriada para representar a tuberculose, com a finalidade de incutir a idéia de que a tísica era uma doença mortal, ceifadora de vidas na fase em que o homem é mais produtivo, ou seja, o adulto jovem.

319 Marianne é a figura alegórica (uma mulher) que representa a República Francesa, sendo portanto uma personificação nacional. Sob a aparência de uma mulher usando um barrete frígio, Marianne encarna a República Francesa e representa a permanência dos valores da república e dos cidadãos franceses: Liberté, Égalité, Fraternité (Liberdade, Igualdade e Fraternidade). Marianne é a representação simbólica da mãe pátria, simultaneamente enérgica, guerreira, pacífica e protectora e maternal. O seu nome provém, provavelmente, da contracção de Marie e de Anne, dois nomes muito frequentes no século XVIII entre o população feminina do Reino de França.

FIGURA 11

CARTAZ DA INSPETORIA DE PROFILAXIA DA TB (DNSP)-1920

Fonte: RIBEIRO, Lourival. A Luta... Op. cit., p. 91.

O cartaz da figura 11, de 1920, focalizando o escarro, mostra que a tuberculose se propaga pelo mesmo, seco, reduzido à poeira e inalado. Dita normas para as pessoas não escarrarem no chão e sim na escarradeira, latrina, etc. Ele foi editado pela IPT do DNSP. A referida Inspetoria foi criada por Carlos Chagas, em 1920, e dirigida durante muitos anos por Plácido. Barbosa.320

FIGURA 12

CARTAZ DA LIGA BAHIANA CONTRA A TUBERCULOSE-1923.

Fonte: RIBEIRO, Lourival. A Luta... Op. cit., p. 73.

O cartaz da figura 12, de 1923, editado pela Liga Bahiana contra a Tuberculose (LBCT), traz a cruz de braço simples e não a de braço duplo, como aqueles editados a partir do final dos anos 20. O cartaz chama a atenção para a profilaxia contra a tuberculose orientando os meninos educados a nunca disseminarem a doença. Podemos observar que não fala da doença como causadora de morte. Orienta, apenas, quanto à profilaxia da mesma.

FIGURA 13

CARTAZ DA INSPETORIA DE PROFILAXIA DA TB (DNSP)

Fonte: Revista Manguinhos – História, Ciências e Saúde. v.1, nº.1, 1994.

O cartaz da figura 13, editado pela IPT, mostra a “imagem da morte”, representada pelo esqueleto com a foice sombreando de preto o mapa do Brasil, e outra imagem de uma mulher semi-nua, com roupas esvoaçantes como uma deusa, limpando com um pano a sombra escura. Há uma clara alusão à escravidão do Brasil (abolida em 1888) quando compara a tuberculose a uma mancha negra. As mensagens escritas, educativas, estão em sua parte inferior e chamam a atenção para a tuberculose como a mais grave das doenças, no Rio de Janeiro, que mais

mata, enfraquece e torna a vida insuportável. Ao mesmo tempo dá o endereço da IPT e dos dispensários que deviam ser procurados em caso de sintomas da doença. As mensagens escritas, mais chamativas, estão em letras garrafais, em cima e abaixo da imagem central, convocando as pessoas a lutarem contra a tuberculose. Todo o cartaz é cercado por várias imagens da cruz vermelha de braço duplo, ícone da cruzada contra o flagelo no mundo inteiro. Na visão de Pedro Soares, a mulher representa Eros, o deus grego que no panteão romano é chamado de cupido, e a caveira Tânatos, deus da morte na mitologia grega.321 Evocando deusas da mitologia

grega, como Perséfone322, a imagem da mulher foi fartamente utilizada nesses

cartazes.

Os cartazes editados a partir da década de 1930, pela IPT e pela LPCT, apresentavam uma nova roupagem ao usarem imagens mais chamativas e não apenas dizeres. A imagem feminina, respaldada nos princípios de Augusto Comte que referendava a mulher como melhor representante dos sentimentos da humanidade, estava sempre presente nos mesmos. Também vista como a guerreira e protetora da pátria a imagem da mulher foi utilizada.

É interessante observar que no Brasil, na grande maioria dos cartazes, a tuberculose era representada pela imagem da morte, retratada por uma caveira com uma foice. Essa imagem foi copiada dos cartazes da Europa. A imagem da tuberculose associada a um monstro devorador de vidas, muito presente nos cartazes europeus, foi pouco retratada no Brasil. Clemente Ferreira, sempre, em seus discursos falava da tuberculose como um terrível minotauro devorador de vidas, mas este minotauro não foi retratado nos cartazes da Liga Paulista.

321 SOARES, Pedro Paulo. “A Dama Branca e suas faces: a representação iconográfica da tuberculose”, In: Revista

Manguinhos – História , Ciências e Saúde. 1994, vol. 1, pp. 127-34.

322 Perséfone ou Koré corresponde à deusa romana Proserpina ou Cora. Era filha de Zeus e de Deméter, tendo nascido antes do casamento de seu pai com a deusa Hera.

FIGURA 14

CARTAZ DA INSPETORIA DE PROFILAXIA DA TB ((DNSP)-1922

Fonte: FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Memória da Tuberculose –

Acervo de depoimentos orais. RJ, Casa Oswaldo Cruz, 1993, p. 5.

No cartaz da figura 14, de 1922, identifica-se, no centro, um grupo de mulheres simbolizando a luta contra o mal. Uma imagem feminina, portando em uma mão uma tocha de fogo e na outra uma espada, encontra-se no meio em posição de luta contra a tuberculose, aqui representada por animais. Duas colunas retratam quadrinhos com mensagens mostrando de um lado os aliados da tuberculose e do outro os inimigos. A cruz vermelha está na roupa da mulher na parte superior do cartaz. É interessante observar que a IPT já usava esta insígnia em 1928. Segundo Tulo Hostilio, este foi o mais belo cartaz editado no Brasil e integrou o programa das festividades do centenário de sua independência.

FIGURA 15

CARTAZ DA COMISSÃO CONTRA A TUBERCULOSE NA FRANÇA

Fonte: CHRETIEN, Jacques. La tuberculose Parcours Imagé, Tome 2, Regards, Paris, Hauts-de-France, 1995, p. 79.

No cartaz da figura 15, editado pela Comissão Contra a Tuberculose na França (CCTF), observa-se uma mulher com uma criança no braço esquerdo e, mostrando, com a mão direita, um selo com as datas 1927-1928. Embaixo, pode-se ler: “Salvar a infância é salvar a França”. “Comprai o selo antituberculoso”. A campanha começava em 1 de dezembro e terminava no dia 5 de fevereiro. O cartaz traz embaixo o valor do selo (10 centavos). Aqui no Brasil, também, usava-se o termo Selo “antituberculoso” e não “antituberculose” como seria o mais correto.

FIGURA 16

CARTAZ DA LIGA PAULISTA CONTRA A TUBERCULOSE–1927

Fonte: RIBEIRO, Lourival. A Luta... Op. cit, p.136.

No cartaz da figura 16, editado pela LPCT, em 1927, observa-se uma mulher com uma criança no braço esquerdo e, mostrando, com a mão direita, um selo com a efígie de Azevedo Lima.323 A cruz vermelha de braço duplo está no véu que lhe

cobre a cabeça. Com este cartaz se fazia a propaganda da Liga Paulista e convocava as pessoas a comprarem o selo “antituberculoso”. A campanha começava em dezembro e terminava no dia 31 de janeiro. O cartaz traz, embaixo, o

valor do selo (100 reis). Esta campanha foi a primeira, das 14, que a Liga Paulista promoveu em São Paulo.

É interessante observar a semelhança com o cartaz editado na França, no mesmo ano, (figura 15) evidenciando a prática dos tisiólogos brasileiros de copiarem os cartazes das campanhas contra a tuberculose editados na Europa. Observamos que a mulher traz a mesma criança no braço esquerdo e mostra, com o braço direito, um selo. A diferença está no selo. Até a expressão “Selo antituberculoso” é a mesma.

A imagem da mulher é representada, neste cartaz, não como uma guerreira, mas como a protetora da infância ameaçada pela tuberculose.

FIGURA 17

CARTAZ DA INSPETORIA DE PROFILAXIA DA TUBERCULOSE

Fonte: RIBEIRO, Lourival. A Luta... Op. cit, p.152.

No cartaz da figura 17, pode-se observar, no centro, a imagem de uma mulher com roupas esvoaçantes e trazendo sobre o ombro esquerdo um relógio marcando duas horas. Ao lado ler-se: “Cada duas Horas ella faz uma victima”. Esta frase tem o sentido de evidenciar que a tuberculose é a maior das doenças e a que mais mata. Observa-se que, mesmo mostrando a tuberculose como uma doença mortal, o cartaz traz, também, mensagens que a mesma é curável e pode ser prevenida, desde que sejam tomados cuidados profiláticos. Nas laterais, mensagens enfatizam que a

tuberculose se propaga pelo escarro, pelos perdigotos, pela poeira, pelo uso de utensílios de mesa e orienta como prevenir estes meios de contágio.

Mostra que a tuberculose tem cura, se diagnosticada e tratada no início, e orienta sobre o charlatanismo dizendo para fugir de anúncios de remédios prodigiosos, pois o único tratamento eficaz era o higieno-dietético.324

Embaixo, podemos ler os famosos “10 mandamentos contra a tuberculose”, todos relacionados à prevenção, enfocando o fortalecimento do corpo através de uma alimentação saudável, do repouso, de exercícios e da abstenção de drogas como o álcool e o fumo.

Abaixo, vem a mensagem que a IPT, os Dispensários e os Centros de Saúde forneciam os esclarecimentos sobre a doença, examinavam e tratavam os tuberculosos pobres. Neste cartaz a imagem da mulher é mostrada como uma deusa da mitologia grega.

324 O tratamento higieno-dietético consistia no repouso, na boa alimentação e nos ares das montanhas. Foi bastante utilizado nos sanatórios da Europa e, entre nós, nos sanatórios de Campos do Jordão, onde o tuberculoso permanecia vários anos isolado esperando a negativação do escarro. Na realidade, a cura dava-se pelas próprias defesas orgânicas que nestas condições especiais eram ativadas.

FIGURA 18

CARTAZ DA COMISSÃO CONTRA A TUBERCULOSE NA FRANÇA

Fonte: CHRETIEN, Jacques. La tuberculose Parcours Imagé, Tome 2, Regards,Paris, Hauts-de-France, 1995, p.48.

No cartaz da figura 18, editado pela CCTF, pode-se ver a imagem de uma caveira envolta em um manto branco com uma foice dizimando a população, como um flagelo. Em cima, em letras garrafais “Um Grande Flagelo” e embaixo “A Tuberculose”. As campanhas de profilaxia contra a tuberculose, aqui no Brasil, foram influenciadas pelas da Europa, com já frisei. Pode-se observar no cartaz da figura 13, editado pela IPT, semelhanças com este da figura 18. A imagem da caveira com a foice foi muito utilizada nas campanhas aqui no Brasil.

FIGURA 19

CARTAZ DA COMISSÃO CONTRA A TUBERCULOSE NA FRANÇA

Fonte: CHRETIEN, Jacques. La tuberculose Parcours Imagé, Tome 2, Regards,Paris, Hauts-de-France, 1995, p.53

No cartaz da figura 19, também, editado pela CCTF, observa-se a imagem de uma mulher suspendendo uma criança com as mãos e com os pés esmagando um animal asqueroso representando a tuberculose. A mensagem escrita manda esmagar a tuberculose e salvar a infância. No imaginário dos tisiólogos, a tuberculose era vista como um monstro devorador de crianças e adultos. A mulher aparece em, praticamente, todos os cartazes como a redentora que está pronta para proteger a população da tuberculose.

FIGURA 20

CRUZ VERMELHA DE BRAÇO DUPLO – CRUZ DE LORENA

Fonte: CHRETIEN, Jacques. La tuberculose Parcours Imagé, Tome 2, Regards,Paris, Hauts-de-France, 1995, p. 3