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2. MATERYAL ve METOT

2.2. Metot

2.2.12. Sodyum Dodesil Sülfat Poliakrilamid Jel Elektroforezi (SDS-PAGE)

3.2.1.8. PvLM1Tg1 ve PvLM2Tg1 Genlerinin Ekspresyonlarının Yapılması

Conhecer e refletir sobre o que era o Estado para Lutero, bem como analisar sua

relação com ele, torna-se essencial para compreender as propostas que ele faz para reforma na

educação escolar. Por isso, tanto a relação de Lutero com o Estado, como sua relação com a

educação serão tratadas em capítulos específicos sobre o tema, para maior aprofundamento.

Entretanto, cabe uma exposição inicial sobre a origem do pensamento político de

Lutero e a formulação de sua doutrina, que vai permear toda a sua relação com o Estado. A

posição específica de Lutero sobre o Estado e sobre os seus representantes acaba se

mostrando em toda a sua trajetória enquanto reformador, pois em vários momentos ele

recorria às autoridades, fosse mediante os príncipes, as autoridades locais ou os conselheiros.

Contudo, é na sua “doutrina dos dois reinos” que sua visão sobre o Estado mais se explicita.

Nela, Deus teria estabelecido dois tipos de governo entre os homens: o espiritual

(representando a mão direita de Deus), usando a Palavra para que os homens se tornem bons,

e o secular (a mão esquerda), que faz uso da espada com esse mesmo objetivo.

Sendo assim, para se compreender sua concepção sobre os dois reinos e depois chegar

à formulação de Estado, é necessário, segundo Cesca (1998, p. 53), considerar seu

pensamento metafísico e antropológico, analisando a ordem natural e a ordem sobrenatural.

original, sendo sinal de imperfeição. Com a redenção de Cristo, é possível que o homem seja

resgatado e elevado para a ordem espiritual, isto é, sobrenatural.

Dentro desta perspectiva, o Estado, como uma instituição, pertence ao mundo sensível,

tendo sido necessária sua criação por Deus para intervir na ordem natural corrompida. O

Estado, então, tem origem divina, é sempre assistido por Deus e em seu nome deve impor a

ordem, mesmo que com a repressão (o uso da espada, conforme as palavras de Lutero).

Contudo, o Estado não deveria envolver-se somente com as realidades sensíveis, “senão que

também com as espirituais, com as ciências, as artes, a educação etc” (Ibid., p. 54).

Esse pensamento de Lutero pode ter suas origens na sua formação como monge da

Ordem Agostiniana e um severo crítico à escolástica aristotélica. Tendo esse dado como

ponto de partida, Cesca (1998) fez um estudo que buscou analisar essas origens em Platão, no

estoicismo, em Santo Agostinho, Egídio Romano e Guilherme de Occam.

Segundo esse autor, o pressuposto do pensamento político de Platão está em seu ponto

de vista das duas ordens. Nele se encontra a distinção entre o Mundo das Idéias e o Mundo

das Sombras, entre as formas espirituais e a matéria, o eterno e o temporal; distinção que

prepararia as diferenciações entre as duas ordens que o Cristianismo posteriormente assumiria

(Ibid., p. 57). A própria organização da República refletiria essa distinção, sendo que a classe

dos governantes (filósofos) representaria o espírito e as outras duas, o mundo sensível. Aos

filósofos, os que contemplam as idéias, cabem o poder temporal de organizar a cidade, a

educação, legislar e zelar pelo cumprimento da lei; eles possuem ambos os poderes, espiritual

e temporal, mas o primeiro lhes foi dado derivado do segundo.

Para Platão, as duas ordens existiam em uma única, formando temporal e espiritual um

único conjunto, mantendo-se o temporal como derivado do espiritual devido à imperfeição do

Mundo das Sombras. A existência do Estado também encontra aí sua justificativa: por causa

viver em uma sociedade organizada: “o poder político existe por causa da imperfeição dos

homens” (Ibid., p. 58).

No estoicismo também existia uma distinção entre duas ordens, classificadas como a

universal e a particular. De um lado, haveria uma ordem universal, em que está a alma

universal, o sumo bem, a lei natural; de outro, os seres particulares, microcosmos, partículas

da alma universal, que deveriam aceitar a lei natural, negando a própria vontade e se

desprendendo das coisas. Sendo assim, o particular apresenta-se como produto do universal e

quem está na ordem natural encontra-se em harmonia com todas as partes que a compõe.

Contudo, por causa daqueles que não se submetem a esta ordem torna-se necessário uma

“organização positiva da sociedade, que é o Estado. [...] é a imperfeição dos homens que

justifica a existência do Estado” (Ibid., p. 59).

Com o advento do Cristianismo, novos conceitos são introduzidos, sendo que, nos

primeiros séculos, Santo Agostinho se apresenta como o pensador que mais procurou

empregar o uso da razão para entendê-los, além da sua formação filosófica marcada pelo

platonismo e pelo estoicismo. Seu pensamento político encontra-se especialmente em sua

obra “A Cidade de Deus”, na qual apresenta duas cidades: o amor a Deus e o amor a si

próprio, a cidade celestial e a cidade terrena, o bem e o mal, correspondendo à ordem

sobrenatural e à ordem natural, respectivamente.

O Estado, portanto, teria sua origem na corrupção da ordem natural, fruto do pecado

original. Se a sua existência se justifica no pecado, ele seria uma derivação imperfeita,

contudo, sempre uma derivação do Supremo Bem que, quanto maior a corrupção da

sociedade, mais estará longe do Absoluto, sendo maior a necessidade do Estado usar sua força

sobre os súditos. “A função do Estado será, portanto, administrar o envolvimento com as

A Ordem Agostiniana, fundada por Santo Agostinho, procurou manter-se fiel às suas

idéias, acreditando que o temporal era produto do eterno e, por isso, o Estado era instituído

pelo poder espiritual, eclesiástico, ou seja, diretamente por Deus. Por causa dessa concepção,

competia à Igreja ter a plenitude do poder e, sendo assim, não somente do religioso, mas

também do político e do econômico (Ibid., p. 62).

Como representante dessa Ordem e apresentado por Cesca (1998) como alguém

presente na origem do pensamento político de Lutero, encontra-se Egídio Romano (1243-

1316). Este formula sua doutrina política como “reação à burguesia emergente e ao

fortalecimento dos ascendentes Estados Modernos”, explicando o surgimento do Estado como

uma existência da divisão dos bens econômicos. Com a corrupção, conseqüência do pecado

original, a comunicação entre os homens deixou de ser possível, sendo necessária a criação do

Estado que, conforme aumentou a corrupção do homem, encontrou na violência e na

dominação a sua forma de exercer o poder. O Estado teria sido instituído pela natureza

humana (concordando com Aristóteles que o homem é um animal político e por esse motivo a

formação do Estado é uma exigência da natureza humana) e, como seu produto, mostra-se

como manifestação da corrupção; por isso seria necessário também resgatar o estado da

ordem natural e elevá-lo à ordem espiritual. Ele se justifica, portanto, se elevado à ordem

natural e subordinado à Igreja, pois “todo o poder vem diretamente de Deus, que o transmite à

Igreja e esta, ao Estado” (Ibid., p. 63).

A principal função do Estado seria, então, a de inserir-se na ação da Igreja e servi-la,

pois, não tendo sentido em si mesmo ele passa a tê-lo na Igreja; o poder secular apresenta-se

como subordinado ao espiritual, tanto em sua origem, como em seu campo de ação. Os dois

poderes são distintos e atuam em campos diferentes, à semelhança do corpo e da alma no

Já uma outra ordem criada por São Francisco de Assis, em 1214, denominada “Ordem

Franciscana”, defendia a necessidade do poder espiritual viver desprendido dos bens deste

mundo e, por isso, a Igreja não deveria possuir bens materiais e nem exercer o poder secular,

que caberia unicamente ao Estado. Contudo, como na Ordem Agostiniana, o poder secular é

instituído por Deus e por isso deve estar sob orientação da Igreja (Ibid., p. 62).

Guilherme de Occam, como representante dessa Ordem, foi o iniciador do

nominalismo, defendendo que a experiência religiosa é separada do saber racional, o que o

levou à posição de separação entre Igreja e Estado, como duas esferas distintas. A origem do

Estado se encontraria no direito dos homens se apropriarem dos bens temporais, direito que

inexistia antes do pecado original, visto que não havia necessidade da propriedade de

qualquer coisa temporal. Sendo assim, “com o poder de apropriação é que surge a

organização da sociedade e do Estado. [...] O direito de dispor das coisas é de origem divina,

pois veio de Deus Criador; o Estado é também de origem divina, mas de Deus Conservador”

(Ibid., p. 64). Diante dessa posição, Deus teria instituído o Estado por ter visto que sua criação

estava voltada à corrupção e dissolução, necessitando conservá-la; a função do Estado se

restringiria a regular esses direitos de apropriação dos bens temporais, que são naturais,

anteriores ao Estado.

O Estado seria independente da Igreja desde sua origem, pois Deus teria dado ao

homem o poder de organizá-lo. Assim, o poder do imperador não viria do papa, mas de Deus,

que o dá ao povo que, usando de sua liberdade, escolhe seus representantes. Embora distintos

e separados em origem e atuação, deve haver uma harmonia entre ambos, visando ao bem

comum de todos. Seguindo a tradição patrística platônica, aos perfeitos o Estado apresenta-se

como desnecessário, visto que esses não se apropriam dos bens, mas apenas exercem um

Tendo apresentado uma reflexão sobre esses pensadores, Cesca (1998) conclui seu

estudo sobre a origem do pensamento político-educacional de Lutero, afirmando que este teve

suas origens no platonismo e no estoicismo assimilados ao Cristianismo por Santo Agostinho

e que passaram às ordens religiosas, Agostiniana e Franciscana, apesar de manter alguns

pontos de divergência.

No que é comum aos pensamentos e doutrinas apresentadas, destaca-se o dualismo,

um pressuposto metafísico, antropológico e também teológico que considera distinta e

separada a ordem natural da sobrenatural, o sensível do espiritual, o secular do religioso, o

temporal do eterno, o corpo da alma. Esse dualismo se manifesta no pensamento de Lutero, na

concepção da origem do Estado e de sua relação com a Igreja.

Em Lutero, a separação entre o sensível e o espiritual é radical e o Estado apresenta-se

como algo necessário, visto que a natureza humana é má e corrompeu toda a ordem natural. A

função do Estado seria, então, a de reprimir sua depravação e conduzi-la à ordem

sobrenatural.

No entanto, Lutero se afasta de Santo Agostinho e se aproxima mais da linha de

pensamento franciscana, ao caracterizar o Estado como uma instituição divina (do Deus

Conservador e Repressor) e não dependente do poder da Igreja. Entre Igreja e Estado haveria

uma linha de continuidade, não na sua origem, mas na sua finalidade (Ibid., p. 66).

Apesar de todas essas influências, Lutero, ao elaborar suas doutrinas e pensamentos e

agir no decorrer do movimento da Reforma, amplia algumas questões, expressando sua

própria interpretação do que consistem essas instituições e principalmente sua interpretação

da Bíblia: “Lutero inseriu-se assim, numa corrente representada na Idade Média,

justificações teológicas, ao aplicar Romanos 1317

unicamente à autoridade secular e não às

autoridades eclesiásticas” (LIENHARD, 1998, p. 216).

A formação do conceito de Estado para Lutero, bem como o uso desse termo em suas

obras e, principalmente, sua relação com os poderes seculares e as atribuições que ele dá a

estes, são temas de uma análise mais aprofundada no capítulo 5. Contudo, mostrou-se

necessário conhecer as origens de seu pensamento político para uma melhor compreensão de

suas idéias e propostas sobre a atuação do Estado na sociedade e, conseqüentemente, para a

educação escolar, como propõe analisar este trabalho.