1. GİRİŞ
1.1. Gastropoda Sınıfı Hakkında Genel Bilgiler
1.1.1. Pulmonata (Akciğerli Salyangozlar)
ESTRATÉGICA NO CAPITALISMO INTERNACIONAL
A China no capitalismo contemporâneo ocupa a condição de potência no sistema interestatal; considerada a locomotiva da economia mundial, atualmente possui a segunda maior economia do mundo. O grande crescimento do seu PIB provocou alterações na divisão internacional do trabalho. Há uma dinâmica singular do desenvolvimento asiático, de modo que categorias de análise ocidentais não se enquadram adequadamente na análise do desenvolvimento chinês. A explicação para a singularidade histórica está na formação social chinesa, quando da inserção no sistema capitalista. Num primeiro momento, a China constituiu-se como um Estado-nação socialista como forma de reação às forças imperialistas ocidentais; porém, frente ao esgotamento da sustentação do maoísmo, a China pós-Deng Xiaoping passou a desenvolver estruturas capitalistas de produção.
Assim como em outros países do leste asiático, como o Japão e a Coreia do Sul, há uma estratégia de desenvolvimento em que existe uma relação de subordinação das forças de mercado em relação ao Estado-nação, na qual os atores econômicos são transformados em ferramentas para a realização de um objetivo previamente traçado pelo Estado. A forma estratégica como está sendo conduzida a inserção da China no sistema capitalista mundial por meio da aliança entre a burocracia do PCC e a burguesia chinesa tem como objetivo-chave a preocupação em manter autonomia em relação aos grandes conglomerados empresariais, assim como sustentar a soberania política em relação às principais potências do sistema interestatal.
O contato histórico inicial da China com as estruturas do sistema capitalista internacional ocorreu em meados do século XIX, quando houve a intervenção de potências industriais, processo já narrado no capítulo anterior, no qual esses Estados centrais passaram a interferir diretamente nas formas de produção interna do país asiático. Nesse contexto histórico, o leste asiático foi integrado à economia capitalista mundial; os países dessa região, que até então mantinham autonomia de poder frente às potências capitalistas ocidentais, transformaram-se, com exceção do Japão, em países periféricos.1
1 O Japão realizou, na segunda metade do século XIX, a Revolução Meiji, que representou um arranjo
institucional proporcionado pelas classes dirigentes que estabeleceu uma política de desenvolvimento baseada na forte centralização política. No final daquele século, o Japão passou a realizar ações imperialistas em seus vizinhos, como as guerras contra a China em 1894 pela disputa da Manchúria, região rica de minérios, e, no início do século seguinte, em 1904, contra a Rússia.
O PCC pós-Deng Xiaoping na condução do Estado-nacional chinês desempenha um papel centralizador fundamental na expansão do poder político da China no capitalismo internacional. Dessa forma, é fundamental uma abordagem da divergência do modelo de desenvolvimento chinês, que é caracterizado por forte intervencionismo estatal nas forças produtivas, em oposição ao mainstream ocidental liberal.
Sobre a importância da formação social histórica na criação de formas de desenvolvimento, aponta Chavance2, a análise na busca de “lições gerais” do processo de transformação abarca o desafio da diversidade de experiências nacionais que se confrontam. O pensamento mainstream não está bem preparado para tal; há um sério risco de generalização infundada a partir de uma experiência parcial de um período de tempo limitado, sem ter em conta a especificidade histórica como componente essencial para estabelecer um olhar crítico.
Segundo Chen3, a China representa um estudo histórico que contraria o saber convencional liberal sobre a importância do Estado na questão do desenvolvimento. O território do país tem apenas 10% de terras cultiváveis, com aproximadamente 90% formado por montanhas e desertos. Além disso, historicamente a região foi palco de guerras camponesas e conflitos externos que eliminaram mais da metade da população por treze vezes em sua história até a tomada de poder pelo Partido Comunista, que uniu o país e estabeleceu uma política de desenvolvimento baseado na construção de uma identidade nacional em busca de melhor posição no mundo competitivo. Logo, a experiência da expansão chinesa contesta o desenvolvimento como fruto da demanda ou da liberdade individual do consumidor.
Como sublinhou Chavance4, a experiência chinesa colocou em xeque a doutrina de tradição econômica neoliberal:
Na China, um processo de prolongada reforma, com base em uma tentativa pragmática do regime comunista não reformado de acelerar a modernização econômica, gradualmente induziu um processo de mudança sistêmica cumulativa, associado com um crescimento elevado e sustentado, um excepcional aumento na renda per capita e uma redução da pobreza absoluta. A estratégia chinesa era uma espécie de antítese do Consenso de Washington e a trajetória seguida por este país entrou em conflito com as principais teses do mainstream, como as do carácter insustentável de qualquer reforma do sistema socialista, a perversidade da mudança gradual, a necessidade de abrir
2 CHAVANCE, B. The Postsocialist Experience and the Resistible Learning Process of Economic Science. Int.
J. Management Concepts and Philosophy, v. 5, n. 2, p. 159-170, 2011.
3 CHEN, Ping. Uma abordagem chinesa. In: BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos (Org.). Depois da crise: A China no centro do mundo. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2012, p. 189.
4 CHAVANCE, B. The Evolutionary Path away from Socialism: The Chinese Experience. In: MASKIN, E.; SIMONOVITS, A. (Ed.). Planning, Shortage, and Transformation: Essays in Honor of Janos Kornai, Cambridge: MIT Press, 2000. p. 249-268.
a economia e a mudança para a conversibilidade em um só golpe, a prioridade que deve ser dada à privatização e a extensão dos mercados financeiros.5
Neste trabalho, interpreta-se que o paradigma neoliberal escapa para o campo do idealismo, na medida em que a realidade do capitalismo internacional se constitui a partir de uma base composta pela variedade de trajetórias de desenvolvimento nacionais que se articulam no interior do capitalismo mundial. Dessa forma, a construção da legitimidade política está assentada no âmbito nacional, e se realiza através da articulação de relações sociais dentro de uma formação social histórica específica que assume compromissos formais institucionais. Nas últimas décadas, decorrente do processo histórico de “globalização” caracterizado pela internacionalização do capital, as grandes forças econômicas realizaram um movimento político e econômico de desmontagem das estruturas políticas de Estados nacionais, com o objetivo de facilitar o processo de acumulação do capital. No entanto, esse funcionamento acarretou um questionamento dos resultados obtidos, principalmente na esfera social. .
Chavance6 faz uma crítica ao pensamento neoliberal, à ideia do mainstream, que se baseia no princípio de planos de ajustes estruturais que teriam de ser essencialmente “o mesmo para todos”. O autor assinala que na dinâmica da economia mundial observam-se capitalismos nacionais, com formas próprias de organização, diferentes estruturas de propriedade do capital, interação entre a indústria e o sistema financeiro, e diferentes formas de governança empresarial. As estruturas são fruto do caráter de interdependências e complementaridades que se construiu ao longo do processo histórico em vários países7.
Na China, os dirigentes do PCC, responsáveis pela direção do programa de desenvolvimento capitalista, têm uma legitimidade de poder maior, devido ao caráter
5 “In China, a protracted reform process, based on a pragmatic attempt of the unreformed communist regime to
accelerate economic modernization, gradually induced a process of cumulative systemic change, associated with a high and sustained growth and an exceptional increase in income per head and a decrease of absolute poverty. The Chinese strategy was a kind of antithesis to the Washington consensus, and the trajectory followed by this country conflicted with the main theses of the mainstream, like those of the unsustainable character of any reform of the socialist system, the perversity of gradual change, the necessity to open the economy and to shift to convertibility at one stroke, the priority that has to be given to privatization and the extension of financial markets.” (tradução livre do autor)
6 Bernard Chavance faz críticas ao paradigma neoliberal baseado na confiança Hayekiana na auto-organização da ordem espontânea do mercado, e também ao “Consenso de Washington”, baseado na “Santíssima Trindade” de estabilização-privatização-liberalização. O autor assinala que os fundamentos da doutrina estão ancorados na tradição dominante neoclássica, na racionalidade do indivíduo, no paradigma do equilíbrio e da eficiência centrada no mercado e na abordagem da ação de busca da ação otimizada. (CHAVANCE, B. Why National Trajectories of Post-Socialist Transformation Differ? Journal of Economics and Business, East-West University of Thessaly, v. 5, n. 1. p. 47-65, 2002)
7 CHAVANCE, B. Why National Trajectories of Post-Socialist Transformation Differ? Journal of Economics
revolucionário de libertação nacional. Dessa forma, a burocracia estatal tem grande força política e maior estabilidade, que permite influenciar os rumos do desenvolvimento, podendo muitas vezes adotar medidas consideradas impopulares sem que esse ato crie uma crise institucional.
A defesa de valores coletivos tem maior peso nas sociedades asiáticas devido principalmente à influência de valores filosóficos que moldaram a formação social oriental, ao contrário das sociedades ocidentais constituídas historicamente sobre a importância do individualismo como valor de liberdade. Nesse sentido, a questão da propriedade privada representa um elemento crucial para a construção do ideal de liberdade no Ocidente, enquanto na China a burocracia estatal pode, nos termos da lei e por motivos de interesses políticos e públicos, expropriar terras a fim de pô-las ao seu uso. Conforme o Artigo 10 da Constituição8:
Os terrenos nas cidades são propriedade do Estado. Os terrenos, nas zonas rurais e suburbanas são propriedade de unidades coletivas, com exceção das parcelas que, de acordo com a lei, pertencem ao Estado; os terrenos para construção, as parcelas de terra cultivadas por particulares e as terras montanhosas também são propriedade de unidades coletivas.
Para o pensamento mainstream ocidental, a constituição da propriedade privada representa um fundamento do capitalismo, condição que a China desvaloriza na formação de sua estrutura social; esse fato, porém, não impossibilitou à China se constituir enquanto um país capitalista, porque o seu modelo de desenvolvimento está orientado a partir do Estado para a acumulação de capital, ou seja, as forças econômicas agem por meio de um movimento de cima para baixo, num movimento que foi constituído por meio do arranjo político dos dirigentes pós Deng Xiaoping e a burguesia chinesa.
Formalmente, a China é um país constitucionalmente socialista, conforme indica o capítulo 1 do Artigo 1 na Constituição9: “A República Popular da China é um Estado socialista subordinado à ditadura democrático-popular da classe operária e assente na aliança dos operários e camponeses. O sistema socialista é o sistema básico da República Popular da China.” A manutenção da condição legal da China na categoria de um país socialista está vinculada a laços históricos de importância que o PCC enraizou na formação da República Popular da China. Embora nas últimas décadas os dirigentes chineses tenham direcionado as forças produtivas do país para o capitalismo mundial, existe um legado político do socialismo
8 Constituição de 4 de Dezembro de 1982 da República Popular da China. http://bo.io.gov.mo/bo/i/1999/constituicao/index.asp
9 Constituição de 4 de Dezembro de 1982 da República Popular da China. http://bo.io.gov.mo/bo/i/1999/constituicao/index.asp
de capacidade de mobilização pelo Estado chinês, que está atravessado historicamente pela ideologia nacional.
Comparativamente a países ocidentais, os rumos do desenvolvimento chinês possui uma autonomia politica maior dos dirigentes políticos em relação às classes sociais. O que pode explicar a baixa importância da propriedade privada na China. Dessa forma, a máquina do Estado pode canalizar uma maior força produtiva no desenvolvimento capitalista.
Segundo Sawaya10, não há dúvida de que a China está construindo uma economia capitalista, porém sem qualquer relação com a lógica liberal. A reprodução do sistema chinês é constituída dentro da lógica do processo de acumulação do capital.
O planejamento estatal produziu um processo de desenvolvimento com características singulares, inclusive com maior eficiência que o modelo liberal. Na fase contemporânea do capitalismo mundial, o desenvolvimento está associado à internacionalização avançada do capital, a qual permitiu a expansão do investimento direto estrangeiro na China. Contraditoriamente, na sua inserção no capitalismo, o país beneficiou-se da estrutura mundial liberalizante no sentido de atrair capital para o interior de suas fronteiras, sem no entanto subordinar-se ao poder do capital internacional.
No capitalismo mundial, o processo de reestruturação produtiva que motivou a adoção de políticas de liberalização no âmbito comercial e financeiro escamoteava o interesse de grandes grupos internacionais no processo de mundialização do capital, que contou com a parceria política estratégica de Estados centrais e organizações internacionais subordinadas como o Banco Mundial e o FMI no sentido de pressionar Estados periféricos a adotar medidas de perda de soberania.
A história da economia mundial desde a Revolução Industrial tem sido de acelerado progresso técnico, de contínuo, mas irregular crescimento econômico, e de crescente “globalização”, ou seja, de uma divisão mundial cada vez mais elaborada e complexa de trabalho; uma rede cada vez maior de fluxos e intercâmbios que ligam todas as partes da economia mundial ao sistema global (HOBSBAWM, 1994, p. 92).11
No período contemporâneo, no contexto de avançado processo de internacionalização das forças produtivas representado pela capacidade produtiva das empresas transnacionais, há um movimento de enfraquecimento das fronteiras dos Estados nacionais, num processo de
10 SAWAYA, Rubens R. China: Uma estratégia de inserção no capitalismo mundial. Revista da Sociedade
Brasileira de Economia Política, n. 28, p. 5-35, fev. 2011.
11 HOBSBAWM, Eric. A era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.
deslocamento produtivo para regiões periféricas na busca de mão de obra composta por um contingente de menor custo. Esse quadro de avançado processo de internacionalização passa a impor uma condição de competição cada vez maior entre os Estados-nacionais com o objetivo de oferecer os menores custos de produção, sob pena de exclusão do sistema de divisão do trabalho internacional.
Entretanto, a defesa na redução do poder de Estado no processo na chamada fase de “globalização” significa negar a relação estrutural inerente que une os interesses do Estado e do capital na construção histórica do sistema capitalista. Além disso, o argumento presente da perspectiva liberal de que a economia capitalista global se realiza melhor no espaço de liberdade política e econômica condiciona de forma ideológica a noção de que o livre- mercado, quando realizado plenamente, permite melhores condições no processo de acumulação de capital. A interpretação liberal torna-se idealista porque relativiza a importância das relações históricas de disputa pelo poder; o processo de desenvolvimento constitui um encadeamento histórico decorrente da forma de inserção de uma região e segundo a formação social histórico de cada povo. Nesse sentido, apontamos que a análise liberal presente nas últimas décadas aponta para uma construção ideológica que impede uma leitura crítica da realidade; barra dessa forma a ação soberana de um Estado periférico e de suas classes sociais frente a poderosos interesses internacionais.
A estratégia intervencionista realizada pelos dirigentes do PCC na direção do Estado chinês serve como lição de que um Estado como protagonista no lugar das forças do mercado não representa necessariamente um distanciamento dos interesses de empresas privadas. O que o capital valoriza é a quantificação de acumulação que um determinado território pode proporcionar, independente do tamanho do Estado, fato comprovado nas últimas décadas, quando a China tornou-se a grande plataforma de investimentos das principais empresas transnacionais.
Embora na atualidade a nova dinâmica de internacionalização do capital ocorra com maior independência do Estado, pode-se dizer que o investimento do capital de grandes conglomerados internacionais está atrelado a estratégias pelas quais os Estados nacionais compõem uma peça fundamental na engrenagem da estruturação de acordos políticos que permitem a instalação de grupos nacionais capitalistas de forma a garantir condições de reprodução do capital.
Segundo Hirsch, a rivalidade entre os Estados do centro capitalista é circunscrita pelos processos econômicos e políticos de internacionalização, mas fundamentalmente continua existindo. Os capitais em concorrência apresentam-se frente aos Estados como mais flexíveis,
mas continuam relacionados com os seus potenciais de organização, legitimação e força, que podem ser usados, paralelamente, na aplicação de suas estratégias competitivas.12
Há uma relação de reciprocidade entre economia e Estado inerente ao sistema capitalista, afirma Hirsch:
Mercado e Estado não são assim opostos, mas, pelo contrário, referem-se um ao outro de forma inseparável. O Estado enquanto aparelho de força possibilita a existência do mercado, através da garantia da propriedade privada e das relações jurídicas apoiadas nela, e deve permanentemente intervir no processo mercantil paramantê-lo em funcionamento. Mas ele mesmo permanece dependente, em seus fundamentos, da existência assegurada do processo de valorização capitalista regulado pelo mercado.13
Nas últimas décadas, na busca de uma maior taxa de lucro, a China transformou-se no principal porto atrativo para a reprodução do capital, na medida em que a produção pode se realizar a um custo menor comparativamente aos outros centros do capitalismo mundial. Dessa forma, o desenvolvimento chinês representa um exemplo de que a acumulação de capital aceita e necessita de uma economia planejada; o processo de acumulação é uma construção social, política coordenada estrategicamente pela ação do Estado. A aceitação do Estado pelo capital ocorre quando sua atuação garante o processo de acumulação.14
Boyer15 assinala a importância do funcionamento dos burocratas do PCC no plano nacional, articulando uma troca permanente entre as esferas econômica e política. A economia chinesa não é um típico capitalismo movido pela busca exclusiva de lucro por empresários privados; a burocracia estatal controla o poder político e os recursos econômicos, a fim de monitorar a sociedade. Portanto, o critério de eficiência não é a maximização do bem-estar dos consumidores de acordo com uma variante consumista do capitalismo e nem a maximização de valor para os acionistas, mas sim a mistura de objetivos políticos e econômicos.
A expansão econômica do capitalismo chinês pós-Deng Xiaoping é resultado de uma forma singular de economia mista organizada pela sinergia entre política e economia, público e privado, local e global. Ao longo desse processo, construiu-se uma estratégia de Estado na qual os poderes central e local têm realizado fortes investimentos no sentido de fomento da produção, como a prática de isenção de impostos, promoção de infraestrutura e baixos custos
12 HIRSCH, Joachim. Teoria Materialista do Estado. Rio de Janeiro: Revan, 2010, p. 227. 13 Ibid., p. 34.
14 SAWAYA, Rubens R. China: Uma estratégia de inserção no capitalismo mundial. Revista da Sociedade
Brasileira de Economia Política, n. 28, p. 5-35, fev. 2011.
15 BOYER, Robert. How the Specificity of Chinese Capitalism Explains Its Position in the World Economy. Paris: Institut des Amériques, 2007, p. 4.
de mão de obra. Ao mesmo tempo, uma análise estrutural indica que o acúmulo de capitais do regime chinês ocorre em um ambiente altamente competitivo, no qual numerosas empresas com diferentes estatutos jurídicos e localizações concorrem permanentemente, com exceção de setores estratégicos, reservados para as empresas estatais. A lógica de concorrência empresarial aplica-se inclusive a grupos estrangeiros, que estão dispostas a fazer concessões em termos de transferência de tecnologia. A competição dessas empresas remete à capacidade de atração produtiva do capitalismo chinês para a reprodução do capital. A primazia do Estado chinês na arquitetura do desenvolvimento das forças produtivas associada à capacidade de estabelecer uma estratégia de promover um ambiente interno altamente competitivo entre as empresas implica a formação de um capitalismo altamente competitivo no sistema internacional.16
As reformas econômicas em direção ao capitalismo implantadas pelo governo Deng Xiaoping a partir de 1978 foram graduais. No entanto, como descrito em capítulos anteriores, sofreram freios quando as forças econômicas internacionais ameaçavam a perda de controle da burocracia estatal. O PCC conduziu os rumos da política econômica do país segundo os interesses do Estado-nação, no rumo da constituição de uma forma de inserção ativa no âmbito global, situação contrária à dos países do leste europeu na década de 1990, que