KAVRAMSAL VE KURAMSAL ÇERÇEVE
1.2. Toplumsal Cinsiyet ve Kadının Geleneksel Cinsiyet Rolleri
1.3.5. Psikanalitik YaklaĢım
originária da Herdade das Casas Velhas, situada a 12 km de Elvas.
No Alto Alentejo, as duas matérias naturais usadas para corar as louças eram (e continuam a ser) o ocre vermelho (almagre) e uma tinta branca feita com argila branca, proveniente, na sua maioria, da aldeia de Barro Branco e de S. Tiago de Rio de Moinhos (Município de Borba)64, duas localidades também produtoras de cal branca e parda (LePierre, 1912).
Outras jazidas importantes de argilas vermelhas para pintura localizavam-se perto de S. Pedro do Corval no concelho de Reguengos de Monsaraz e na Mina de cobre da Mostardeira, nas redondezas de Estremoz (Parvaux, 1968). Em 1968, Solange Parvaux com base no estudo de LePierre acrescenta mais alguns locais de extracção com indicação da forma de aquisição65 (Quadro 3.2).
Quadro 3.2: Resumo dos pontos de extracção de argilas vermelhas para pintura (Quadro retirado de Parvaux, 1968).
Para além dos ocres vermelhos e argilas brancas, outros materiais foram registados no início do século XX por Charles LePierre66, sobretudo na região de Coimbra, para a
64 Parte do barro era originário de Leiria. Este apesar de ser mais caro, era preferido por alguns oleiros do
Redondo e de S. Pedro do Corval, por o considerarem de melhor qualidade. (Parvaux, S., La Ceramique
Populaire du Haut Alentejo, Fundação Calouste Gulbenkian, Presses Universitaires de France. Paris, 1968, pp.
85 e 86)
65 Este tipo de argila era comprado pelos oleiros, excepto em Estremoz, e custava mais que as argilas figulinas
até porque os pontos de extracção eram, muitas vezes, mais distantes dos centros de olaria. Actualmente o termo argilas figulinas está, no geral, englobado na designação de argilas comuns ou argilas para cerâmica de “barro vermelho”. (LePierre, C., op. cit., 1912, p. 108)
66 Solange Parvaux, em 1968, limita-se a repetir os materiais referenciados por Charles LePierre.
Município Local de extracção Forma de aquisição
Nisa Pé da serra (15 km N.E)
Arronches (58 km S.) Comprada
Campo Maior 1 a 2 km da vila _
Elvas Propriedade Alcobaça (6 km N.) Comprada
Estremoz Mina da Mostardeira (8 km S.) Comprada
Évora Vendinho, perto de Reguengos (40 km S.) Dada Redondo Propriedade do Carrascal (20 km N.E.) Comprada Reguengos de Monsaraz
(S. Pedro do Corval)
Propriedade Pombal (7 km) d’Aldeia de
Montoito (19 km) 50 Escudos/300 Kg
Viana do Alentejo Localização desconhecida Comprada Borba Serra d’Ossa perto de Borba (49 km E.) Comprada
decoração de cerâmica vidrada. O esmalte (um vidro de cobalto) era empregue para as tonalidades azuis, misturado com safre (óxido de cobalto impuro) e morado, designação dada ao óxido de manganês do Bussaco (ex. na faiança Ratinha) ou então com fezes de ouro (PbO) e mínio ou zarcão (Pb3O4) (ex. na faiança Vandelli) (LePierre, 1912).
No Redondo havia quem, da profissão, chamasse, de forma incorrecta, zarcão azul a um outro pigmento feito com base em óxido de cobalto (Parvaux, 1968). Os amarelos e alaranjados podiam ser igualmente feitos à base de antimónio e os verdes eram normalmente óxidos de crómio ou sulfatos de cobre. Os castanhos e os pretos eram feitos com ferro, manganês e cobalto. Em 1912, muitos destes pigmentos já eram importados de Inglaterra (LePierre, 1912).
O carvão vegetal era também utilizado para dar cor às loiças pretas que eram fabricadas em diversas partes do país. Este não era adicionado à pasta mas penetrava na sua estrutura durante o processo da cozedura.
No distrito de Coimbra a louça preta é cozida em covas e da seguinte forma: abre.se na terra uma cova de forma cúbica de 1,50 a 2 metros de lado. A louça depois de seca ao ar, é colocada na cova, separando-se as peças por aparos de madeira e ramos de pinheiro. Cobre-se com terra, semeando-se de buracos a parte superior. (...) Comunica-se o fogo à lenha por meio de um conduto lateral (…) tapando-se depois. A combustão efectua-se lentamente e continua assim durante 8 a 10h. Como dispõe duma quantidade insuficiente de oxigénio, o carvão não é pois totalmente queimado; os produtos carbonados da destilação da madeira num espaço fechado condensam-se e, por uma serie de decomposições pirogenadas, a pasta do objecto fica pouco a pouco impregnada de carvão. 67
Actualmente, as únicas referências encontradas às aplicações de argilas, no fabrico de tintas, focam o papel que algumas, tais como o caulino ou argilas do grupo da esmecticte, desempenham na indústria das tintas plásticas como cargas e agentes suspensores (impedem a sedimentação dos pigmentos) (Velho, 2005). O grau de finura da argila e a forma lamelar das suas partículas conferem à tinta um elevado poder de cobertura. Por outro lado, em tintas com base de solvente, a argila é usada principalmente como extensor do dióxido de titânio (TiO2).
67 LePierre, C., op. cit., 1912, p. 28.
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Matéria-prima para pintura em Portugal3.1.2. Carbonatos básicos de cobre e o Azul de Aljustrel
Dos minerais que poderiam servir para a fabricação de pigmentos azuis só foi encontrado, até agora, o registo oficial de um azul descoberto por volta de 1521 nas minas de pirite e cobre do concelho de Aljustrel.
A sua importância é atestada pela atenção que lhe foi conferida em dois documentos régios no século XVI (Monteiro & Urbano, 20007; Martins e al, 2003).
O mais antigo, do reinado de D. Manuel, é do ano da sua descoberta e empossa um pintor de Beja de nome Francisco das Aves do cargo de “afinador”, ou seja, de atestar e aperfeiçoar a qualidade da “tinta azul” (Fig. 3.8). Sobre a sua natureza nada é dito de concreto mas pensa-se que seria talvez um pigmento feito com base em sulfatos de cobre ou em carbonatos básicos de cobre existentes nas jazidas de sulfuretos da região (Fig. 3.9).
O segundo documento data de 1552 (trinta e oito anos depois) e nele, D. João III confirma as contas da venda do dito azul por um pintor da corte de nome Jorge Afonso, que fora incumbido de o receber e, aparentemente também de o comercializar (Fig. 3.9) (Martins e al, 2003).
“Dom manuel etc. a quamtos esta nosa carta virem
ffazemos saber que por termos emformaçam de Francisco das aves pimtor morador na cidade de Beja ________ pera afynar o azull das nosas minas ______ que estam [fl. 57v.] jumto d’aljustrell e de sy por lhe fazermos merce avemos por bem e nos praz _____ lhe dar o carguo d’afynador do dito azull com o quall queremos que ele tenha para __ mantimento cada ano vinte e quatro mill reis e dous moios de triguo comprados e paguos na dita villa d’aljustrell _____ tall condicam que elle sera obrigado afynar o dito azull em toda prefeyçam e da maneira que compre pera _________ vender e ffazer delle ________ e pera elle dito Francisco das avees dar Razão de com mais vontade trabalhar na dita obra e fazer todo o posivell pello dito azull sair bem afynado e apurado pera se melhor ________ queremos que ele (?) aia o hum pro cemto de todo o _______ que _____ se fazer do preço pro que se vender e se caso for que o dito hum pro cento nam chegar a elle _______ Rezão ...dada em lixboa a xxx d’abrill amyonio afonso a fez ano de mill b xxj e comecara ______ do dia que começar a servir e apresemtar esta carta a martinz vaaz masquarenhas que temos provydo de oulhar e mandar oulhar por toda a dita feytoria e esto avemos por bem emquanto mandarmos tirar a dita tinta azull”
Fig. 3.8: IAN/TT, Chancelaria de D. J. Manuel I, Liv.39, 30.IV.1521, fls.57-7V. Transcrição realizada e cedida pela Historiadora Patrícia Monteiro.
Fig. 3.9: Reprodução e transcrição do fólio 111 do Livro de Privilégios da Chancelaria de D. João III (1552) que refere a existência à venda do “Azul Aljustrel”. O original encontra-se na Torre do Tombo (Lisboa) na Col.I.A.N.T.T. Em baixo, aspecto das estalactites de sulfato de cobre existentes numa galeria do jazigo do Moinho (cl. M.Gil 2004 com autorização do Dr. Artur Martins).
Dom Johão etc. A quantos esta minha carta de quitação virem faço saber que eu mandey tomar conta a Jorge Affonso meu pintor que foy que teve carguo deReceber o azul que se achou nas minas d’aljustrel o ano de quinhentos e vinta (sic) hum. E pella Recadação da dita conta se mostra carreguar sobre elle em Recepta de dinheiro vinta hum mil seiscentos e oitenta reis que Recebeo per venda d’azul. E de azul dous quinhentos vinta dous reis e tres quartos. E de cimzas duas aRobas dezasete reis tres quartos. E de jaspes de moer o dito azul hum. E de balanças tres com seus pesos. O qual dito azul e cousas que asy Recebeo despendeo e entregou per meus mandados e do Veedor de minhas obras sem ficar devendo cousa algua como se vio pella Recadação da dita conta que foy tomada pello contador Custodio d’Abreu com Mateus da maya escrivão E vista per Duarte d’abreu provedor de minhas cousas. E portanto dou por quite e livre ao dito Jorge Affonso e a todos seus herdeiros que nunqua em tempo algum per ello sejão Requeridos citados nem demandados em meus contos (sic) nem fora delles. E mando aos veedores de minha fazenda provedor moor dos ditos coutos E a todos meus officiaes corregedores Juízes e Justiças a que o contrato (?) pertencer que asy e se cumprão e guardem sem lhe ser posta duvida nem embarguo algum. E pera firmeza dello lhe mandey passar esta minha carta de quitação per mym asynada e asellada do meu sello pendente Mateus da maya a fez em Lixboa ao primeiro do mês de Dezembro Do anno do nasimento de nosso senhor Jhesus Christo de mill quinhentos cinquoenta e dous. E entrando na dita contia acima quatorze mil trezentos e quatorze reis de que lhe fiz questão (?) e mercê.