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KAVRAMSAL VE KURAMSAL ÇERÇEVE

II. BÖLÜM

2. BULGULAR

2.5. Dindarlık Ölçeği Sorularına ĠliĢkin Bulgular

referência obrigatória para as pinturas de edifícios históricos, e não históricos, em Lisboa e em todo o sul do país, sobretudo a partir de 1930/40 (Aguiar, 2005). Na região do Alentejo, no entanto, o branco já anteriormente tinha sido fixo como “cor padrão” pela legislação Municipal. No âmbito desta pesquisa, para se poder entender a importância histórica da utilização da cal – simples e em particular com cor - nos testemunhos localizados nos aglomerados urbanos, torna-se necessário mencionar alguns dos regulamentos das edificações que, desde o século XVIII, regeram a manutenção dos revestimentos com pintura nas várias sedes de concelhos.

4.1.1.1. Códigos de Posturas e Regulamentos Municipais (de 1728 a 1985)

O documento mais antigo consultado que se refere, de forma explícita, à manutenção das fachadas das edificações, é uma disposição Camarária da vila de Borba de 29 de Maio de 1728. Nesta é anunciado aos seus habitantes a obrigação de caiarem as suas frontarias para a passagem do cortejo da família real, aquando da troca na ponte do rio Caia das Princesas Maria Ana Vitória (filha de Filipe V de Espanha) com Maria Bárbara de Bragança, filha do Rei D. João V:

Nesta mandaram apregoar que toda a pessoa desta villa caiasse as suas casas pera as ruas e paredes de quintais que dissessem para as mesmas e travessas e tudo o que se visse das ruas com penna de seis mil réis o que fizer o contrário athé des de Mayo, digo athé des de Junho que vem10.

Até então, a preocupação mais vigente parece ter sido o varrer das ruas ou a limpeza de “imundices da via pública” (exemplo do código de posturas, de 1634, de Viana do Alentejo11 e de 1690 (?), de Fronteira12). Referências a caiações voltam a estar presentes no código de posturas de 1855 da vila de Fronteira13 e no de 1859 em Montemor-o-Novo14. Nestes dois documentos estão claramente diferenciadas as caiações a branco e a cores assim como as suas distintas obrigações.

10 Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Borba, Livro de Vereações de 1727 a 1731, fl.19 (concedido

amavelmente pelo Dr. João Miguel Simões)

11 Posturas de 1634. Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Viana do Alentejo, Ref. SR004/Posturas e

regulamentos: CMVA/B/A/004/Lz001-163410.

12 Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Fronteira, Ref. W1.

13 Tit.3, Art.1 do Código de Posturas de 1855. Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Fronteira, Ref. W4. 14 Art. 2ª do Código de Posturas de 1859. Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Montemor-o-Novo, Ref.

Na vila de Fronteira cada um dos moradores nas ruas das villas he obrigado a caiar uma vez cada anno no mes de junho, afrente de suas casas que habitam, com pêna de 500 reis, e sendo de côres de 4 em 4 annos, e no mesmo mes”15. Na vila de Montemor-o-Novo, em 1859, o prazo das caiações simples é alargado para dois anos, a multa da infracção sobe para o dobro, o mês em que se deve proceder a esta operação já não é especificado assim como o intervalo de tempo em que as frontarias com cores deveriam ser renovadas. Apenas é referido que “(...) Nas cazas, cujas frontarias não forem caiadas de branco, mas a outras côres, será determinada a renovação pela existencia da egualdade e viveza dessas côres”16.

Nas duas vilas, as caiações a cores eram, aparentemente, consideradas mais duráveis e por isso, ficavam sujeitas a regras menos rigorosas que as caiações simples. A renovação da camada cromática em Montemor-o-Novo só se tornava necessária com o desvanecimento diferenciado dos pigmentos.

Nas posturas municipais, de 1862 e 1886, da Vila de Moura (Mira, 1999) já não se encontra a distinção entre os dois tipos de caiações mas somente a referência genérica a “caiações e pinturas”. Seria o último termo sinónimo de pintura a cal ou seria utilizado para distinguir as caiações de pinturas efectuadas com aglutinantes orgânicos?

À data do regulamento mais antigo, não foram encontrados registos da existência de tintas industriais prontas para consumo. O fabrico de tintas a cola e a óleo, até cerca de 1880, era uma tarefa desempenhada pelos moedores de tintas (possivelmente serventes de pintores), a partir de pigmentos em pó ou em pedra (Cohen, 1880). Este era um trabalho laborioso e mais caro que as caiações e, por isso, devia ser reservado para os espaços interiores. Como mencionado no ponto 2.2.1.1, esta profissão desaparece com a disponibilidade no mercado de tintas pré-fabricadas. Em 1896, este oficio já não consta na tabela de honorários publicada nas Bases para Orçamentos (Cohen, 1896), sendo a presença de tintas a óleo, já preparadas, confirmada no manual prático de Acabamentos da Construção, da autoria de Luís Augusto Leitão (1896).

Cada Município parecia adoptar as suas próprias regras e nomenclatura17. Nas posturas de 1865, de Fronteira18 são mantidas as designações de caiações a branco e a cores. Neste

15 Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Fronteira, Ref. W.4. 16 Art. 2º, op. cit., Montemor-o-Novo 1859.

17Não foram encontradas posturas nos municípios de Arraiolos, Vendas Novas, Portel, Castro Verde, Ourique,

Barrancos, Almodôvar, Mértola, Elvas, Ponte de Sôr, Nisa e Castelo de Vide, o que não significa que não possam ter existido, ou mesmo que não as possuam. Muitos dos arquivos ainda revelam dificuldades que atrasam os processos de inventariação e, consequentemente, o conhecimento de todo o espólio existente. Noutros casos, obstáculos de ordem burocrática (elaboração de requerimentos e esperas de autorizações) eram incompatíveis com os prazos de trabalho em campo, levando à desistência da sua consulta.

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Alentejo 1: enquadramento histórico da tradição da cal

Benzer Belgeler