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O período escolhido para verificação dos documentos estão inseridos entre 1982 a 2011, como citado anteriormente, pelas particularidades da relação da Igreja Metodista com a sociedade neste período. Entre meados da década de 1970 e início da década de 1980, a Igreja Metodista passou por um intenso momento de reflexão sobre sua característica estrutural e missionária, algo que também refletirá sobre sua filosofia educacional. Em consonância com o contexto social e com as exigências de um novo tempo e novos desafios, a estrutura organizacional da Igreja começou a repensar a sua prática. Como resultado, surgiu os Planos Quadrienais de 1975-1978 e 1979-1982, bem como o Plano para Vida e Missão da Igreja aprovado no XIII Concílio Geral em 1982. Destaco este último, herdeiro dos Planos anteriores, enfatizando o compromisso de toda a Igreja para com a missão, documento que norteia a ação missionária do metodismo brasileiro. Tal documento tornou- se uma espécie de farol, pautando a vida e as ações missionárias da Igreja Metodista.

Aprovado em 1982, o Plano para Vida e Missão continua a perspectiva da ação “maciça da Igreja total” e do surgimento da Igreja de Dons e Ministérios, algo que também parece refletir o contexto social e político do país (IGREJA METODISTA, 1991. p.9). Politicamente, o país vivia um momento fundamental de participação popular em nível

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A Igreja Metodista organiza o trabalho com os juvenis classificando que estes estão entre as idades de 12 a 17 anos, considerando que: “O início da adolescência coincide com o começo da puberdade, ou seja, do

desenvolvimento fisiológico (corpo) e isto ocorre por volta dos 12 anos de idade. O término desse período oscila de acordo com a maturidade, equilíbrio psicológico e postura diante da responsabilidade. Geralmente isso ocorre por volt dos 17 anos” (IGREJA METODISTA, 2000. p.3).

nacional pelas eleições diretas e a preparação de uma nova Constituição brasileira,13 ou seja, a redemocratização do Brasil.

Tais anseios sociais também estão presentes no Plano para a vida e missão da igreja, e a participação leiga segundo a perspectiva dos Dons e Ministérios contribui para que isso seja visto em termos de mudança estrutural e política. Trata-se de mudanças profundamente essenciais para uma concepção da missão voltada para a libertação e para a justiça. Da mesma forma, é um dos princípios capazes de nos fazer ver a realidade como algo socialmente construído, não apenas em sua realidade concreta, mas também em sua dimensão ideológica e teórica.

Desde a sua aprovação, o Plano para a vida e missão tem sido um instrumento fundamental para direcionar a prática missionária da Igreja Metodista, justamente porque combina essa dimensão participativa de toda a igreja com os princípios e compromissos éticos que devem orientar a vida cristã. Dentro dessa perspectiva se situam algumas áreas de ação missionárias, definindo-se missão como:

Construção do Reino de Deus, sob o poder do Espírito Santo, pela ação da comunidade cristã e de pessoas, visando ao surgimento da nova vida, trazida por Jesus Cristo, para a renovação do ser humano e das estruturas sociais, marcados pelos sinais da morte (IGREJA METODISTA, 2011. p.81).

Dessas áreas de vida e trabalho da Igreja, destacamos a “Área de ação social” e a “Área de Educação”. A primeira, compreende que é papel de todo cristão se envolver em ações que visem a promoção da vida de maneira integral, digna e justa. Insiste no papel e responsabilidade do cristão em participar das soluções para as necessidades pessoais e sociais daqueles e daquelas que sofrem com as injustiças estruturais de nossa sociedade.

Recentemente a Igreja aprovou em seu XIX Concílio Geral o Plano Nacional Missionário para o período 2012 a 2016. Nele está presente o mesmo princípio do primeiro Plano para vida e missão de 1982, a saber, que à igreja cabe:

Denunciar, ao modo dos profetas no Antigo Testamento, os movimentos que promovem a morte, as políticas públicas que atendem a interesses de grupos comerciais em detrimento do interesse do povo em geral, especialmente dos empobrecidos. Denunciar o descumprimento da lei e da

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Sobre esse ponto, CASTRO, Clovis Pinto; CUNHA, Magali do Nascimento. Forjando uma Nova Igreja,

justiça, conforme apontados na Constituição Brasileira, bem como o movimento hedonista que tem caracterizado a sociedade e, desta forma, relativizado a vida plena e integral, referenciada no Reino de Deus (IGREJA METODISTA, 2011. p.10).

Da mesma forma, o Planejamento Estratégico Missionário para o decênio 2004- 2014 da 3ª Região Eclesiástica estabelece como uma de suas tarefas a preocupação social, isto é, um trabalho missionário caracterizado também pela atividade em prol do ser humano integral (IGREJA METODISTA, 3ª REGIÃO ECLESIÁSTICA, 2003 p.19).

Segundo essa perspectiva, toda ação missionária se concretiza a partir de uma visão do ser humano como ser integral, e nunca reduzido a apenas um aspecto, como o religioso, por exemplo. Socialmente, o compromisso missionário se faz em termos de ação cidadã, ou seja, por meio de uma participação política, um comprometimento ético pautado pelas verdades bíblicas e cujo parâmetro é a própria ação de Cristo.

Parece-nos que Jesus não agia reduzindo as necessidades do povo ou vendo-as de maneira isolada. Ele sabia que os aspectos religiosos também se ligavam aos políticos, ou ainda, éticos. Ao exortar seus discípulos mais próximos, incitou-os a visitar os presos, dar do que comer, cuidar do corpo (saúde dos enfermos), pregar libertação (rompendo com ideologias) e assim por diante. Da mesma forma, o Credo Social da Igreja Metodista afirma essa responsabilidade:

1- A Igreja Metodista afirma sua responsabilidade cristã pelo bem-estar integral do homem como decorrente de sua fidelidade à palavra de Deus expressa nas Escrituras do Antigo e Novo Testamento. 2- Essa consciência de responsabilidade social constitui parte da preciosa herança confiada aos metodistas pelo testemunho histórico de John Wesley. 3- O exercício dessa missão é inseparável do Metodismo Universal ao qual está vinculada a Igreja Metodista por unidade de fé e relações de ordem estrutural estabelecidas nos Cânones (CREDO SOCIAL, 1999. p.16).

O Credo Social também se constitui como um documento doutrinário em termos de ação social da Igreja Metodista, ou seja, pretende estabelecer o papel da Igreja e sua membresia diante da sociedade e seus problemas. Porém, é um documento que antecede ao Plano para Vida e Missão. Sua primeira versão data de 1930 e já indica seu comprometimento com uma ordem social mais justa. Ampliado em 1960, por conta do VIII Concílio Geral, a versão do Credo ganha contornos ainda mais comprometidos com os aspectos sociais do país.

De todo modo, estabelecer ações missionárias, portanto, é algo que no âmbito social significa agir visando o ser humano integralmente, e se pensarmos nesses elementos como parâmetros para a nossa prática educativa veremos que a educação também deve corroborar para uma visão mais integradora da vida. Deve estabelecer princípios éticos que envolve o outro, o diferente, o cuidado de si e assim por diante.

Como objetivo da educação cristã o Plano para Vida e Missão afirma no item 2.1 ter o objetivo de: “proporcionar a formação cristã da pessoa em comunidade levando-se em consideração as diversas fases de seu desenvolvimento” (2001, p.27).

Dessa forma, a educação sexual, não apenas no sentido reduzido das distinções orgânicas do ser humano, mas em termos de identidade, é algo que está atrelado ao compromisso cristão pelo: “bem estar integral do homem” (CREDO SOCIAL, 1999. p.16).

Essa é uma segunda área de trabalho e vida da igreja, presente tanto no âmbito geral do Plano para Vida e Missão, e do que dele resultou, quanto no domínio específico da 3ª Região eclesiástica em que se explicita a seguinte afirmação:

A educação, como parte da Missão, é o processo que visa oferecer à pessoa e à comunidade uma compreensão da vida e da sociedade, comprometida com uma prática libertadora, recriando a vida e a sociedade segundo o modelo de Jesus Cristo e questionando os sistemas de dominação e morte, à luz do Reino de Deus (IGREJA METODISTA, 3ª REGIÃO ECLESIÁSTICA, 2003 p.19).

Dentro dos campos de atuação da área de educação da Igreja Metodista está o lar, a igreja local, as instituições de ensino da igreja, escolas oficiais do estado e universidades, assim como também em grupos comunitários.

No que tange aos desdobramentos dessa visão enquanto parâmetro para a Igreja Metodista, na mesma época em que se aprovou o Plano para Vida e Missão (XIII Concílio Geral em 1982), também foi aprovado as Diretrizes para a Educação Metodista. Segundo Lazier, antes da aprovação desse documento, a questão da educação era um assunto tratado como periférico nos Concílios Gerais da Igreja Metodista: “o tema não ganhava a devida atenção e cuidado por parte das lideranças e dos conciliares” (LAZIER. 2010. p.30).

Além de colocar a temática no centro das discussões, esse documento também inovou com uma mentalidade educacional profundamente política e libertadora. Ainda segundo Lazier:

O DEIM é resultado da busca que a Igreja Metodista faz de uma educação que se insira na cultura e no ambiente social da sociedade brasileira e promova a construção do ser humano para atuar na realidade a fim de transformá-la. As diretrizes para a educação na Igreja Metodista surgem como balizadoras da educação desenvolvida pela Igreja Metodista (LAZIER, 2010. p.18).

Nitidamente se apresenta uma concepção educativa muito mais aberta, voltada para uma concepção humana participante do processo de libertação das injustiças, dos males sociais, da dominação e da morte. Segundo o documento:

A ação educativa da Igreja tem que estar mais firmemente ligada aos objetivos da Missão de Deus, visando a implantação do seu reino. A busca destes novos caminhos deve procurar a superação do modelo educacional vigente. Não se pode mais aceitar uma educação elitista, que discrimina e reproduz a situação atual do povo brasileiro, impedindo transformações substanciais em nossa sociedade. Também não podemos nos conformar com a tendência que favorece a imposição da cultura dos poderosos, impedindo a maior participação das pessoas e aumentando cada vez mais seu nível de dependência (DIRETRIZES. 1996. p.48).

Ora, nesse sentido, o confronto direto com os aspectos ideológicos que mascaram a dor e o sofrimento humano, chamado no Credo Social de “sistemas de dominação e morte”, também é essencial repensarmos, pois o ambiente religioso muitas vezes pode abrigar esses aspectos, seja no âmbito secular ou cristão.

É positivo todo o esforço por parte de leigos ou clérigos em se tentar compreender isso, vendo no interior de nossas práticas religiosas aquilo que perpetuamos sem nos darmos conta de que é algo injusto, preconceituoso e assim por diante. Através de perspectivas autocríticas, talvez possamos romper com as “cadeias” que nos prendem a velhos hábitos, construindo novas formas de viver e expressar nossa fé em acordo com princípios do Reino de Deus. Positiva ou negativamente, a igreja nunca é neutra. Sua posição política é clara, como nos mostra o educador Paulo Freire:

As Igrejas, de fato, não existem como entidades abstratas. Elas são constituídas por mulheres e homens “situados’, condicionados por uma realidade concreta, econômica, política, social e cultural. São instituições inseridas na história, onde a educação também se dá. Da mesma forma, o fazer educativo das Igrejas não pode ser compreendido fora do condicionamento da realidade concreta em que se acham (FREIRE, 2000. p.105).

Toda essa carga social, política, cultural está presente quando pensamos e agimos educativamente, por isso existe a necessidade de uma autocrítica, de uma comparação com parâmetros que não são nossos, mas do Reino de Deus.

Uma vez tendo exposto alguns elementos ligados à ação educativa da Igreja, precisamos considerar aqueles relacionados à infância. A Igreja Metodista em seus documentos aborda várias questões em relação ao “lugar” da criança na instituição. Em A Igreja Metodista e sua organização no trabalho com crianças, é abordado alguns pontos indicando o que a criança pode esperar da Igreja Local e do Ministério com Crianças:

1. Ser valorizada, participando sempre das atividades e celebrações; 2. Sentir-se querida e amparada; 3. Sentir-se segura como parte da grande família, que é a Igreja; 4. Poder partilhar sua própria fé, expressando-a da sua maneira; 5. Participar dos Sacramentos, Ceia e Batismo, como parte integrante do reino de Deus e do corpo de Cristo (COLÉGIO EPISCOPAL, 1999. p.8).

Ao tratar das atribuições do ministério local no que diz respeito à realização do trabalho com crianças, este mesmo documento (1999. p.6) coloca algumas atribuições, destaco abaixo algumas delas:

• Integrar todos os serviços locais de atenção à criança como creches, clube de mães e escolas;

• Estimular e coordenar atividades devocionais, sociais, esportivas, artísticas, recreativas, passeios, entre outras;

• Estimular e proporcionar a participação da igreja local nas iniciativas comunitárias de assistência, com estudos, reflexão e mobilização para ação e defesa do direito da criança;

• Priorizar as crianças em todas as classes sociais e idades, fazendo-as sentir-se parte da igreja e criando espaço nos cultos;

• Incentivar sua participação e promover a integração e conexidade entre as crianças. Seguindo essa mesma perspectiva o documento procede indicando o que se espera do ministério local que trabalha com crianças, mas nesse caso, aborda especificamente dois pontos relacionados à postura dos educadores (as):

Estimular a participação dos (as) professores (as) que trabalham com crianças nos encontros de capacitação distritais e regionais, palestras e

cursos promovendo a sua reciclagem e atualização, fundamentais para o desenvolvimento do seu trabalho. Despertar vocação para o trabalho com crianças, capacitando os interessados através de palestras cursos e palavras pastorais (COLEGIO EPISCOPAL, 1999.p.7).

Considerando ainda trechos de documentos que falam sobre a criança, é percebida como prioridade a educação de crianças em documentos oficiais, a pastoral da criança também ressalta a partir do XVI Concílio Geral da Igreja Metodista em seu plano nacional que:

As primeiras e principais vítimas das injustiças sociais são as crianças e os adolescentes, exigindo de nós compromisso prioritário, por ser esta a fase fundamental de formação de personalidade e identidade com grupos sociais (COLÉGIO EPISCOPAL, 2002. p.7).

Estes são alguns dos elementos que configuram os princípios do comprometimento da instituição em relação ao trabalho com crianças. Da mesma forma, colocando-as em um estatuto de igualdade com os demais membros da comunidade de fé, é possível perceber alguns tópicos importantes, como a sua postura em relação ao batismo e a ceia, por exemplo, em que a criança tem a possibilidade de participar. Assim, no que diz respeito ao batismo, segue a seguinte orientação:

Os bispos e bispa chamam a atenção da igreja para os dois eixos de extrema importância no desenvolvimento da pastoral: o primeiro é a importância da educação cristã. As crianças precisam, no contexto da fé cristã, serem nutridas na comunidade de fé e serviço. Por isso, consideramos, como colégio episcopal, a importância do batismo cristão e a responsabilidade dos pais, mães, familiares e comunidade de fé e serviço em dar-lhes o carinho necessário, a fim de que elas possam crescer arraigadas na fé, na esperança e no amor. A Igreja Metodista não abre mão do batismno da criança (COLÉGIO EPISCOPAL, 2002. p.8).

E ainda, canonicamente determina que:

O batismo não é somente um sinal de profissão de fé e marca de diferenciação que distingue os cristãos dos que não são batizados, mas é, também, um sinal de regeneração, ou de novo nascimento. O batismo de crianças deve ser conservado na igreja (CANONES 2007. p. 41).

É importante salientarmos que eles claramente explicitam como um de seus objetivos é a tarefa de: “ajudar a comunidade a saber o que é e o que significa sua situação

humana” (IGREJA METODISTA, 2011. p.11), nesse sentido, corrobora para uma inserção da educação como uma ação visando o estabelecimento do Reino de Deus e sua justiça.

Mesmo o Plano para Vida e Missão ou as Diretrizes para a Educação na Igreja Metodista estão ligados a eventos históricos que situam a igreja no interior de uma caminhada de autocrítica e de reconhecimento de sua responsabilidade social. São documentos antecedidos por um longo processo histórico que culmina em apontamentos gerais visando à missão como algo capaz de preservar a vida humana integralmente.

Nesse ponto temos uma grande margem para conjecturar a respeito da sexualidade como uma dimensão essencial do ser humano e, portanto, objeto para a educação. Esse é um ponto positivo, pois mostra a abertura e cuidado que esses documentos dão para a educação, a criança e o diálogo para o reposicionamento de temas julgados como fundamentais para a constituição humana.

De fato, praticamente todos os documentos e diretrizes oficiais da Igreja Metodista irão caracterizar a educação como um meio essencial para a missão, sobretudo, à luz de princípios éticos ligados ao Reino de Deus. Os elementos que constituem o ser humano, como os aspectos ligados à sexualidade, por exemplo, precisam ser inferidos pelos educadores a partir dessas orientações gerais, aplicando em níveis mais específicos essas orientações. É o que explicita o parágrafo único das Diretrizes:

As instituições educacionais da Igreja, de qualquer nível e grau, são regidas pelas Diretrizes para a Educação da Igreja Metodista, devendo toda a sua vida administrativa e acadêmica ser planejada e desenvolvida segundo seus ditames (DIRETRIZES, 1996. p.49).

Ao explicitar as orientações para o caso específico da Educação Cristã, e o posicionamento em relação às crianças, percebe-se um cuidado específico com diversas orientações de como devem ser reconhecidas e um valor ao trabalho realizado. As Diretrizes claramente indicam que os professores (as) deverão ser municiados pela Igreja com literatura e sugestões apropriadas para alcançarem o objetivo de uma ação libertadora através do Evangelho (DIRETRIZES. p.48).

Agora, suponhamos que ao realizar um trabalho pedagógico na ED com crianças, um professor ou professora se veja diante de questões relacionadas à sexualidade, como esse educador (a) deve proceder? Quais são as orientações em relação à educação sexual dentro da Igreja Metodista? Como líderes, a membrezia e educadores(as) devem abordam o tema e

proceder nesse caso? É uma questão atual que está em aberto e precisa ser analisada com todo o cuidado, pois os desdobramentos que esse tema gera são inumeráveis.

Nos documentos pesquisados sobre educação e sexualidade, foi encontrado uma “Carta Pastoral do Colégio Episcopal sobre sexualidade” 14 datada de 1997, lançada com o objetivo de contribuir para as orientações de questões ligadas a sexualidade. Um outro documento posterior a este, de 1998, intitulado “Afetividade e Sexualidade” é elaborado como fruto de uma promessa de que, depois da carta pastoral, teriam outras publicações nesta área. O objetivo traçado por esta publicação foi de trazer mais esclarecimentos sobre o assunto.

Na carta pastoral é abordado o motivo pelo qual é importante dialogar sobre a sexualidade, com tentativas de expor sobre o que é a sexualidade, sobre o que a bíblia fala sobre o assunto e como a sexualidade se manifesta nos diferentes momentos da vida humana. Algumas posições referentes ao entendimento da forma como deve ser compreendido o tema da sexualidade é explicitado no documento:

Assim sendo, a sexualidade deverá ser entendida numa perspectiva totalizadora do ser humano. A sexualidade não é parte isolada, mas elemento que integra toda a personalidade de homens e mulheres (COLÉGIO EPISCOPAL, 1997. p.5).

O documento ainda ressalta a importância do tema, esperando que:

O tema, de tão alta relevância, seja refletido da forma mais concreta possível. Não se pode estudar a questão da sexualidade de forma isolada ou fragmentada. A leitura da realidade interna da igreja aponta a urgentíssima necessidade de uma postura pastoral educativa sobre o tema (COLÉGIO EPISCOPAL, 1997. p.6).

Como é possível perceber, neste documento, é ressaltada a realidade urgente da abordagem do tema, sem fragmentar ou trabalhá-lo isoladamente, assim como o corpo e sua expressão, também aparece sendo valorizado no documento de 1998, como sendo lugar de afeto:

Na sexualidade, assim como em outras relações, o afeto vai ser o responsável pelo vínculo, seja amoroso ou não, e os sentimentos desempenham seu papel comunicador sinalizando o estado em que está a convivência de um casal. Os afetos podem funcionar como bloqueadores ou facilitadores da expressão sexual. Embora muitas dificuldades sexuais

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O Colégio Episcopal é o órgão responsável pela supervisão da ação missionária e pastoral da igreja Metodista (arts.86 e 88). É formado por bispos e ou episcopisas eleitos (as) pelo concilio geral, bem como dos bispos e ou episcopisas eméritos (as) e honorários (as) (COLÉGIO EPÍSCOPAL, 1998. p.31)

sejam expressas através do corpo (impotência e frigidez, por exemplo), grande parte delas não se deve a problemas orgânicos, mas sim a questões emocionais. O corpo é o lugar onde os afetos fixam suas mensagens sem palavras (COLÉGIO ESPISCOPAL, 1998.p. 20)

Ao tratar do tema e sua relação com a criança a Carta Pastoral sobre Sexualidade aborda ainda alguns aspectos importantes, lembrando da importância do desenvolvimento da criança em relação a sua sexualidade e expondo que a educação sexual por parte da família e demais pessoas que mantém vínculos com ela pode ser facilitadora ou não para uma sexualidade saudável:

Assim que nasce, a criança é rotulada com uma determinada identidade sexual (menina ou menino) e lhe é atribuído um papel que é considerado

Benzer Belgeler