2. GENEL BİLGİLER
2.5. PROSTAT KANSERİNDE KLİNİK TANI
A idéia do Infinito é trazida por Levinas do método cartesiano, para demonstrar a possibilidade do Mesmo ter um relacionamento com um ser de uma exterioridade absoluta. Um ser que existe radicalmente fora da compreensão humana. A idéia do infinito é transcendente.
Desta maneira a exterioridade do Outro absoluto encontra se além do próprio ser, na face de Deus ou simplesmente na face do Estrangeiro. A exterioridade é o que está fora do alcance de qualquer concretização possível, e por isso mesmo, o que nunca se pode possuir ou dominar. Deste modo a compreensão do relacionamento ético entre o Mesmo e o Outro é realizada partindo da idéia do infinito, da idéia da exterioridade. O relacionamento ético aparece como face e como fala, é através da face que o Mesmo encontra fisicamente o Outro, um outro ser humano.
Um ponto decisivo na elaboração Levinasiana é a afirmação que o ético antecede o ontológico. Porém, ele fala não de um "dever ser", mas de um "ter de ser"; não da possibilidade de fazer escolhas, mas de uma disponibilidade de responder ao outro (responsabilidade) que antecede qualquer voluntarismo. Neste sentido, não há opção, não há decisão, só intimação pelo Outro. A face não se apresenta à compreensão.
Esta abertura ao Outro, mesmo significando uma responsabilidade radical para com o próximo, não é fruto de uma intencionalidade, mas antes de uma sensibilidade onde o Eu deixa-se impactar pelo estranho, pelo externo, pela alteridade - e torna-se refém do Outro. Esses são alguns dos elementos centrais da “ética Levinasiana” necessários para a compreensão de sua posição em relação à idéia de Deus e assim, possamos fazer deduções para a dimensão da religiosidade.
O pensamento de Levinas nos impõe esta evidência: Deus nos vem à idéia82. Levinas nos esclarece que a palavra Deus é uma palavra significante, independentemente do problema da existência de Deus. Aliada a isso, a idéia de Deus nos chega na forma cartesiana da "idéia- de-infinito-em-nós", cuja fenomenologia não se reduz a um ato de consciência 'tematizante' de um sujeito intencional. “Uma tematização e a impaciência de um aprender”83. Com isto Levinas exemplifica dizendo:
Na idéia do infinito e que, por isso, é a idéia de Deus, se produz, precisamente, a afecção do infinito, para além da simples negação de um pelo outro, para além da pura contradição que os oporia e os separaria ou que exporia o outro à hegemonia do uno entendido como um “eu penso”. Afecção que seria mister descrever de outro modo que um aparecer, de outro modo que uma compreensão. afecção irreversível do finito pelo infinito. [...]. A afectividade des-inter-essada em que a pluralidade à guisa de proximidade não tem que reunir em unidade do uno; não significa mais uma simples privação de coincidência, um pura e simples falta de unidade: excelência do amor, da sociedade e do “temor pelos outros”, que não é minha angústia por minha morte própria. A transcendência não seria mais uma imanência malograda. Ela teria a excelência própria do espírito, precisamente a perfeição ou o bem.84
Neste sentido a idéia de Deus, em Levinas, nada tem de teológica nem mesmo de teleológica. Diz respeito à idéia de Infinito, em sua anterioridade em relação à idéia de finito, e ao "des-inter-essamento" do ser pela pura passividade:
Que a idéia do infinito, na sua passividade, não deva ser entendida como a área da incerteza da finitude humana, preocupada consigo mesma e incapaz de abraçar o infinito e onde o fato de ser tocado por Deus nada mais seria que um expediente de finitude – é provavelmente, o desconhecimento da originalidade irredutível da alteridade e da transcendência e uma interpretação puramente negativa da proximidade ética e do amor, a
82 DVI. 2002 83 TI. p. 14 84 EN. p. 278/278.
obstinação de dize-los sem termos de imanência, com se aposse da fusão – ideal da consciência intencional – esgotassem a energia espiritual.85
Assim entendemos que se trata de uma súplica pela responsabilidade, contudo, que não exige reciprocidade, pois a responsabilidade de outrem é coisa dele. É, porém, pela face do outro que me chega o Infinito, conclui Levinas:
Com a colocação em mim da idéia do Infinito, acontecimento profético para além de sua particularidade psicológica: pulsação do tempo primordial em que por ela mesma ou de si, a idéia do Infinito deformalizada – significa. Deus-vindo-à-idéia, como vida de Deus 86
A idéia de Infinito em nós não é uma tematização, mas uma não-indiferença do Infinito pelo pensamento incapaz de englobá-lo, ou seja, uma passividade "traumática" diante do Infinito. Levinas se aproxima da questão da subjetividade a partir da idéia de Infinito. Esta não deve ser entendida, contudo, nem como teologia nem como teleologia. Também não se trata simplesmente da negação do finito pela idéia de Infinito, mas antes que a idéia de Infinito no pensamento precede ao próprio finito que ela nega. Esta negação, segundo Levinas, é a própria subjetividade do sujeito por trás da intencionalidade. Em suas palavras:
A diferença do Infinito e do finito, é uma não-indiferença do Infinito para com o finito e a segredo da subjetividade. A figura do Infinito-introduzindo- em-mim-conforme Descartes contemporânea de minha criação – significaria que o não-poder-compreender-o-Infinito-pelo-pensamento é uma relação de algum modo positiva com este pensamento; mas, com este pensamento como passivo, como cogitação quase desconcertada que não comanda ainda – o cogitatum, que não se apressa ainda em direção da adequação entre o termo da teleologia espontânea da consciência e este termo dado no ser – que é o destino da teleologia essencial da consciência, tendendo a seu termo intencional e conjurando a presença da re-presentação."87.
O pensamento não pode compreender - representar - o Infinito, pois esta é a incondição do pensamento. E Deus, o que é? Para Levinas é "outro que outrem", uma alteridade prévia à alteridade de outrem - a transcendência verdadeira. Quando ele diz:
O infinito não está “diante” de mim; sou eu quem o exprime, precisamente ao fazer sinal da doação do sinal, sinal “para-o-outro”, em que me dês-
85 EN. pp. 279/280. 86 DVI. p. 16. 87 DVI. p. 98.
interesso: eis-me aqui. Acusativo maravilhoso: eis-me aqui sob vosso olhar, obrigado, vosso servidor. Em nome de Deus. Sem Tematização! A frase em que Deus entra em jogo das palavras não é “eu creio em Deus”. O discurso religioso prévio a todo discurso religioso não é o diálogo. É o “eis-me aqui” expresso o próximo ao qual sou entregue, eis-me aqui que anuncio a paz, isto é minha responsabilidade por outrem. “Ao fazer desabrochar a linguagem em seus lábios...Paz, paz a quem está longe e a quem está próximo, diz o Eterno”88
Este é o discurso profético da revolta ética no testemunho da responsabilidade como pura obediência, onde não foi dada nenhuma ordem. A possibilidade de uma espiritualidade fundada na relação com o Tu e com o Deus invisível da invocação.
O sentido do humano estaria na responsabilidade irrecusável para com o outro, neste amor pelo outro que é, no limiar, Deus que vem à idéia - Revelação. Mas isso, nada tem a ver com uma "nova prova da existência de Deus", mas sim, com a significância que a palavra Deus tem para o homem. Encontramo-nos no âmbito da ética onde as noções de Infinito, de Absoluto e de Transcendência têm sentido. Assim pensava Emmanuel Levinas sobre a ética transcendental.
Com isto o encontro com a face e a fala do Outro é a única possibilidade que o Mesmo tem no seu caminho para a verdade, a sua única possibilidade de aprender a receber. Somente através da face e da fala pode o Eu chegar ao Outro como seu vizinho. Em Levinas o encontro entre o Eu e o Outro é uma separação ad infinitum, onde só é possível chegar ao Outro se o Eu se atirar de cabeça a uma arriscada procura da verdade. Uma verdade que não tem origem no Mesmo, mas sim na exterioridade do Outro.
A filosofia de Levinas insiste no fato de que o Outro absoluto e o Mesmo serem duas entidades diferentes, mas diferença não quer dizer aqui diferente de, já que para Levinas o importante é defender a existência autônoma do Outro. Dizer que o Outro é diferente do Eu seria o mesmo que dizer que o Outro só existiria a partir do pensamento do Mesmo.
Sua filosofia insiste, precisamente ao contrário, no fato de a exterioridade, isto é, a separação entre o Eu e o Outro, ser inevitável.
O resultado desta separação, desta exterioridade é que o Eu nunca poderá reduzir o Outro a uma imagem de si próprio, nem sequer defini lo, já que o Outro estará sempre fora do alcance do pretensioso Mesmo. A escolha de Levinas do termo rosto repousa certamente na tradição bíblica e judaica, onde Deus é geralmente definido como face ou como Olhar.