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O termo voluntariado vem do latim voluntarìu, o substantivo, designando, de acordo com conhecidos dicionários da língua portuguesa, a pessoa que se compromete a cumprir determinada tarefa ou função sem ser obrigada a isso e sem obtenção de qualquer benefício material em troca. Vários são os conceitos apresentados sobre o tema do voluntariado. Segundo a ONU:

O voluntário é o jovem ou o adulto que, devido ao seu interesse pessoal e ao seu espírito cívico, dedica parte do seu tempo, sem remuneração alguma, a diversas formas de atividades, organizadas ou não, de bem-estar social ou outros campos.127

O voluntário está por toda parte, em comunidades carentes, escolas, hospitais, creches, promovendo campanhas de arrecadação de alimentos, brinquedos, remédios ou defendendo o meio ambiente. Também atua com diversos públicos (crianças, jovens, adultos e idosos, entre outros) e em várias áreas (educação, saúde, habitação, meio ambiente e outras).

Segundo a Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, em uma das primeiras tentativas de definir o conceito de voluntariado no Brasil, em 1996:

O voluntário, como ator social e agente de transformação, presta serviços não remunerados em benefício da comunidade, doando seu tempo e seus conhecimentos, realiza um trabalho gerado pela energia de seu impulso solidário, atendendo tanto às necessidades do próximo ou aos imperativos de uma causa, como às suas próprias motivações pessoais, sejam estas de caráter religioso, cultural, filosófico, político ou emocional.128

Levinas diria que a solidariedade tem uma linguagem religiosa que estabelece uma relação cujo sentido é o de uma religião. A relação com alguém não é um conhecimento e sim uma religião. Mas isso não quer dizer nada além de uma estrutura formal que funciona em favor dessa filosofia. Ao dizer que a relação é uma religião Levinas evita recorrer novamente à via negativa, afirmando o que a relação não é. É preciso supor uma ingenuidade muito

127 disponível em http://www.davison.com.br/novembro/voluntario.html acesso em 15 mar. de 2006 128 Corullon, Mônica, & Wilheim, Ana Maria Voluntários: programa de estimulo ao trabalho voluntário no

grande e irresponsável para pensar que o uso da palavra religião se deve ao lado confessional do pensador, algo no mínimo desproporcional para quem sustenta que a “política se opõe à moral como a filosofia à ingenuidade”129. A palavra religião configura para Levinas uma categoria filosófica.

Nenhuma teologia, nenhuma mística se dissimula por trás das análises que acabamos de dar do encontro de outrem e onde nos importou sublinhar a estrutura formal: o objeto do encontro é ao mesmo tempo dado a nós e em sociedade com nós, sem que este acontecimento de socialidade possa se reduzir a uma propriedade qualquer se revelando no dado, sem que o conhecimento possa tomar o passo sobre a socialidade. (...). A religião permanece a relação com o ente enquanto ente. Ela não consiste em lhe conceber como ente, ato onde o ente é já assimilado (...). Nem consiste em estabelecer não sei qual pertença, nem em se chocar com o irracional no esforço de compreender o ente.130

A religião, diferentemente do conhecimento, estabelece uma associação, re-ligação. A teologia empresta a sua estrutura formal, como se fosse uma fotografia cujo negativo é revelado como filosofia. No discurso teológico falamos que a religião é uma associação com a divindade, a oração é um discurso que estabelece uma comunicação com Deus, a transcendência que se procura, então, é religiosa no sentido confessional. Apreendendo o esquema formal da teologia, diremos que a religião é a associação com outrem, o discurso, cuja essência é a prece, é a vocação comunicativa da linguagem que manifesta uma transcendência não confessional, mas ética. Se este esquema revela o judaísmo levinasiano, isto por si só não impede a construção e a autoridade filosófica do argumento utilizado. Trata- se, de uma inspiração cujo caráter é ilustrativo, não se prestando para nenhuma fundamentação.

A linguagem manifesta uma racionalidade que ainda não alcançou o objetivo das aventuras do pensamento filosófico tradicional. Entre a razão que autoriza o jogo da compreensão e o mergulho numa irracionalidade mística131 sem conseqüência filosófica, Levinas nos convoca a pensar o estatuto da racionalidade. Se a única alternativa à mística é a racionalidade do conhecimento, a filosofia deve reiniciar nem que seja para no final garantir a autoridade dessa alternativa tão naturalmente recorrente.

129 TI. p. 5 130 EN. pp. 29-30

131 Não estamos com isto negando a racionalidade da mística mas apenas lembrando que esta não tem

O racional se reduz ao poder sobre o objeto? A razão é dominação onde a resistência do ente como tal é vencida não em um apelo a esta resistência mesma, mas como por uma astúcia de caçador que agarra o que o ente comporta de forte e de irredutível a partir de suas fragilidades, de suas renúncias à sua particularidade, a partir de seu lugar ao horizonte do ser universal? Inteligência como astúcia, inteligência da luta e da violência feita pelas coisas – ela é que vai constituir uma ordem humana? Nós nos habituamos paradoxalmente a procurar na luta a manifestação mesma do espírito e da sua realidade. Mas a ordem da razão não se constitui mais em uma situação onde não estamos com isto negando a racionalidade da mística mas apenas lembrando que esta não tem conseqüência e nem validade para o argumento da racionalidade filosófica. ‘falamos’, onde a resistência do ente como ente não é quebrada mas pacificada?132

A razão que deixa-ser ainda não abandonou o lugar que justifica o pensamento que concebe a realidade como luta. Não é possível pensar na solidariedade e no voluntariado senão no seio de uma realidade essencialmente e eternamente em desigualdade.

Neste contexto o trabalho voluntário tem ganhado destaque nos últimos anos no Brasil. Freqüentemente os veículos de comunicação abordam o tema. A ampla divulgação de um fato pela mídia tem repercussões imediatas. Quando feito em prol do social, ganham as duas partes envolvidas: o veículo de comunicação, por apresentar um serviço de utilidade pública, e o trabalho abordado, por conseguir novos adeptos.

A Igreja é das que mais propagam este tipo de trabalho, assim sendo, segundo a Carta encíclica Deus Caritas Est do sumo Pontífice Bento XVI aos bispos, aos presbíteros e aos diáconos, às pessoas consagradas e a todos os fiéis leigos sobre o amor cristão, o parágrafo numero 31 diz o seguinte:

O aumento de organizações diversificadas, que se dedicam ao homem em suas várias necessidades, explica-se fundamentalmente pelo fato de o imperativo do amor ao próximo ter sido inscrito pelo Criador na própria natureza do homem. Mas, o referido aumento é efeito também da presença, no mundo, do cristianismo, que não cessa de despertar e tornar eficaz este imperativo, muitas vezes profundamente obscurecido no decurso da história. A reforma do paganismo, tentada pelo imperador Juliano o Apóstata, é apenas um exemplo incipiente de tal eficácia. Neste sentido, a força do cristianismo propaga-se muito para além das fronteiras da fé cristã. Por isso, é muito importante que a atividade caritativa da Igreja mantenha todo o seu esplendor e não se dissolva na organização assistencial comum, tornando-se uma simples variante da mesma. Mas, então quais são os elementos constitutivos que formam a essência da caridade cristã e eclesial?

a) Segundo o modelo oferecido pela parábola do bom Samaritano, a caridade cristã é, em primeiro lugar, simplesmente a resposta àquilo que,

numa determinada situação, constitui a necessidade imediata: os famintos devem ser saciados, os nus vestidos, os doentes tratados para se curarem, os presos visitados, etc. As organizações caritativas da Igreja, a começar pela Cáritas (diocesana, nacional e internacional), devem fazer o possível para colocar à disposição os correlativos meios e, sobretudo, os homens e mulheres que assumam tais tarefas. Relativamente ao serviço que as pessoas realizam em favor dos doentes, requer-se antes de mais a competência profissional: os socorristas devem ser formados de tal modo que saibam fazer a coisa justa de modo justo, assumindo também o compromisso de continuar o tratamento. A competência profissional é uma primeira e fundamental necessidade, mas por si só não basta. É que se trata de seres humanos, e estes necessitam sempre de algo mais que um tratamento apenas tecnicamente correto: têm necessidade de humanidade, precisam da atenção do coração. Todos os que trabalham nas instituições caritativas da Igreja devem distinguir-se pelo fato de que não se limitam a executar habilidosamente a ação conveniente naquele momento, mas dedicam-se ao outro com as atenções sugeridas pelo coração, de modo que ele sinta a sua riqueza de humanidade. Por isso, para tais agentes, além da preparação profissional, requer-se também e, sobretudo, a "formação do coração": é preciso levá-los àquele encontro com Deus em Cristo que neles suscite o amor e abra o seu íntimo ao outro de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma conseqüência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor (cf. Gal 5, 6).

b) A atividade caritativa cristã deve ser independente de partidos e ideologias. Não é um meio para mudar o mundo de maneira ideológica, nem está ao serviço de estratégias mundanas, mas é atualização aqui e agora daquele amor de que o homem sempre tem necessidade. O tempo moderno, sobretudo a partir dos anos Oitocentos, aparece dominado por diversas variantes duma filosofia do progresso, cuja forma mais radical é o marxismo. Uma parte da estratégia marxista é a teoria do empobrecimento: esta defende que, numa situação de poder injusto, quem ajuda o homem com iniciativas de caridade, coloca-se de fato ao serviço daquele sistema de injustiça, fazendo-o resultar, pelo menos até certo ponto, suportável. Deste modo fica refreado o potencial revolucionário e, conseqüentemente, bloqueada a reviravolta para um mundo melhor. Por isso, se contesta e ataca a caridade como sistema de conservação do status quo. Na realidade, esta é uma filosofia desumana. O homem que vive no presente é sacrificado ao moloch do futuro um futuro cuja efetiva realização permanece pelo menos duvidosa. Na verdade, a humanização do mundo não pode ser promovida renunciando, de momento, a comportar-se de modo humano. Só se contribui para um mundo melhor, fazendo o bem agora e pessoalmente, com paixão e em todo o lado onde for possível, independentemente de estratégias e programas de partido. O programa do cristão o programa do bom Samaritano, o programa de Jesus é "um coração que vê". Este coração vê onde há necessidade de amor, e atua em conseqüência. Obviamente, quando a atividade caritativa è assumida pela Igreja como iniciativa comunitária, à espontaneidade do indivíduo há que acrescentar também a programação, a previdência, a colaboração com outras instituições idênticas.

c) Além disso, a caridade não deve ser um meio em função daquilo que hoje é indicado como proselitismo. O amor é gratuito; não é realizado para alcançar outros fins. Isto, porém, não significa que a ação caritativa deva, por assim dizer, deixar Deus e Cristo de lado. Sempre está em jogo o homem todo. Muitas vezes é precisamente a ausência de Deus a raiz mais

profunda do sofrimento. Quem realiza a caridade em nome da Igreja, nunca procurará impor aos outros a fé da Igreja. Sabe que o amor, na sua pureza e gratuidade, é o melhor testemunho do Deus em que acreditamos e pelo qual somos impelidos a amar. O cristão sabe quando é tempo de falar de Deus e quando é justo não o fazer, deixando falar somente o amor. Sabe que Deus é amor (cf. 1 Jo 4, 8) e torna-Se presente precisamente nos momentos em que nada mais se faz a não ser amar. Sabe voltando às questões anteriores que o vilipêndio do amor é vilipêndio de Deus e do homem, é a tentativa de prescindir de Deus. Conseqüentemente, a melhor defesa de Deus e do homem consiste precisamente no amor. É dever das organizações caritativas da Igreja reforçar de tal modo esta consciência em seus membros, que estes, através do seu agir como também do seu falar, do seu silêncio, do seu exemplo, se tornem testemunhas credíveis de Cristo.

Assim, ser voluntário, diz-se que neste tipo de trabalho não há remuneração, porém sempre há benefícios. As pessoas, em geral, tornam-se mais pacientes, mais solidárias, mais conscientes, envolvem-se e desenvolvem a si mesmos e, acima de tudo, a comunidade. O voluntário sabe que o governo não consegue resolver sozinho todos os males existentes em uma sociedade e que cada indivíduo pode ser um agente de transformação da realidade.

Neste pensamento a LSCSP tem se empenhado em prol do pobre, do mendigo, do desamparado, seu desempenho tem sido em vários papéis sociais: o de pai, de mãe, de professora, de médica, de aluno, de amigo e, inclusive, de voluntário.

Desta forma a LSCSP acredita que ao atuar como voluntário, o indivíduo torna-se um agente de transformação, pois acredita que seu trabalho gera mudança social. Verifica-se que as pessoas que se interessam pela prática do voluntariado são das mais distintas classes sociais, etnias, idades e possuem diferentes motivações para o engajamento nos serviços prestados: alguns pela dor, outros pela gratidão, indignação, identidade com a causa ou pela vontade de transformar a realidade.

A solidariedade, que para Levinas seria a subjetividade, não é questão da essência, mas de cada voluntário na relação individual com a sua própria essência, ou seja, na exceção da essência no abandono de si da substituição ao outro como Levinas diria:

Substituição-significação. Não reenvio de um termo a outro - tal como aparece tematizado no Dito – mas substituição como subjetividade mesma do sujeito, interrupção da identidade irreversível da essência, na tomada do encargo que me incumbe sem fuga possível e onde a unicidade do eu toma somente um sentido: ali onde não é mais questão do Eu, mas de mim. O sujeito que não é mais um eu – mas que sou eu – não é suscetível de

generalização, não é um sujeito em geral, o que equivale a passar do Eu a mim, que sou eu e não um outro. 133

A solidariedade não é um registro passível de se inscrever como historia, nem sequer pela narrativa daqueles que oferecem sua vida pela vida do outro, pois, cada vida na dimensão da substituição será a única testemunha de si.

Por esta razão para a elaboração deste trabalho o voluntário é entendido como a pessoa que, motivada por valores de participação, de ajuda a uma causa e indignação com a realidade, doa seu tempo de maneira espontânea e não remunerada para a busca de soluções que levam à construção de uma sociedade mais humana e justa.

É alguém que deseja ver sua comunidade crescer, sua sociedade se desenvolver, procurando contribuir e fazer a sua parte. Entretanto, algumas distorções são feitas a respeito do tema em questão. Por exemplo, a palavra doação freqüentemente é confundida com o serviço voluntário. Um doador de sangue, ainda que todo ano faça sua doação, não é um voluntário. Porém, se um cidadão mobiliza um grupo de pessoas e participa de uma campanha para doar sangue, nesse caso, ele atua como voluntário. Ele não doou somente algo, doou de si mesmo, prestou um serviço, doando tempo em prol de uma causa.

Outra discussão com relação ao tema é que ações assistencialistas são erroneamente denominadas de serviço voluntário. A principal diferença entre esses dois perfis é que o primeiro costuma causar dependência e acomodação no público beneficiado, enquanto que o voluntariado estimula a emancipação e a transformação da realidade das pessoas e/ou comunidades atendidas.

O status que o trabalho voluntário tem conquistado nos últimos anos gera constrangimento nas pessoas que admitem não participar dessa tendência. Tal sentimento encontra-se no depoimento de uma estagiária de 23 anos que comenta, “Confesso que nunca o realizei por egoísmo. Minha maior preocupação sempre foi com o meu futuro profissional, por isso preencho todo o meu tempo com cursos. Mas, prometi a mim mesma que assim que tiver um tempinho, escolherei uma instituição para ajudar”,

E assim mesmo existe ainda muita confusão com relação à diferença entre o serviço voluntário e o estágio não remunerado. Em ambos os casos não há nenhum tipo de remuneração, porém a motivação é que distingue um do outro. O voluntário busca exercer sua atividade para gerar uma transformação na sociedade, fazer algo pelo outro; já o estagiário

está em busca de uma experiência profissional, conforme declarou a estagiária estar “preocupada com seu futuro profissional” de se aperfeiçoar, faz algo por si, não podendo desta maneira ser caracterizado como voluntário.

Na LSCSP há muitos estagiários atuando em um trabalho focado no desenvolvimento social, porém o interesse em realizá-lo, geralmente, é de cunho profissional, como mostra o depoimento de outro estagiário “não é o que se faz mas o que se pode ganhar com isso, eu aprendo muito com este estágio, vai servir para meu futuro”.

Não há interesse de desvalorizar este tipo de trabalho, mas o estágio não remunerado não se enquadra nos conceitos de voluntariado. Para os voluntários convictos, a falta de tempo é só uma desculpa. “Há tantos aposentados em casa assistindo à televisão e pessoas que, mesmo trabalhando fora, conseguem doar algumas horas a uma instituição”, exemplifica uma voluntária da LSCSP.

Assim, Relações Públicas e donas-de-casa se tornam vendedoras nos bazares mantidos pelas instituições. Advogados distribuem café aos que chegam cedo para fazer exames médicos. Professoras são guias que mostram aos visitantes como funciona a entidade. Muitos aposentados, mas também jovens e profissionais em plena atividade. Quem diz não ter tempo para realizar um trabalho voluntário, encontra opções em grupos mais recentes. São oferecidas vagas para fins-de-semana e para o setor externo, trabalho que não exige a presença do voluntário na instituição. A falta de tempo já não é mais empecilho. E a questão financeira? Para realizar um trabalho voluntário, onde a remuneração é inexistente, dinheiro é fundamental, poderíamos pensar. Engano. A maioria das pessoas que realiza essa atividade não pertence às classes abastadas, que preferem fazer doações em espécie.

Muito tem se falado em trabalho voluntário, mas o que ele significa realmente? Pessoas que dizem realizá-lo nem sempre têm uma noção exata do que a expressão representa. “É uma atividade não remunerada”. Assim ele é definido por muitos. Na pesquisa já citada, 40% dos questionados consideraram essas três palavrinhas suficientes para responder à pergunta. Tamanho poder de síntese acaba gerando equívocos. Atividades que não representam o trabalho voluntário são freqüentemente confundidas com ele.

Para Levinas se há voluntários (ser subjetivo) no mundo é porque no jogo das essências em que o pensamento do ser normalmente transforma a realidade há exceção à regra. É pela exceção ao ser que o voluntário testemunha no mundo o fenômeno

“extraordinário e cotidiano134 da solidariedade. É isto o que sugere e implica a estrutura da proximidade como diria Levinas, onde outrem me aparece sem mediação, como se da altura infinita de seu olhar viesse a exigência de uma resposta imediata, anterior a qualquer gesto que pudesse significar alguma espécie de vontade, de autonomia ou de liberdade. A situação extraordinária da solidariedade no mundo é o não-lugar da subjetividade que na imediatez do outro suspende a regra do ser, conforme Levinas aponta:

A responsabilidade por outrem não pode ter começado no meu engajamento, na minha decisão. A responsabilidade ilimitada aonde eu me encontro vem de aquém da minha liberdade, de um ‘anterior-a-toda-recordação’, de um ‘ulterior-a-todo-cumprimento’, do não-presente, do não original por excelência, do na-árquico, de um aquém ou de um além da essência. A responsabilidade por outrem é o lugar onde se coloca o não-lugar da subjetividade e onde se perde o privilegio da questão: onde? O tempo do dito e da essência deixa escutar ai o dizer pré-original, responde à diacronia ao desvio irredutível que navega aqui entre o não-presente e todo representável desvio que, ao seu modo – (...) – serve de signo ao responsável. 135

Assim os voluntários são vistos, na maioria das vezes, como pessoas benevolentes, que esquecem o retorno financeiro em benefício de excluídos, sejam minorias étnicas, crianças, velhos, doentes. Não deixa de ser verdade, mas considerar o voluntário numa esfera tão restrita é um erro. Há muitos outros aspectos a pautar a matéria: os conflitos existentes, diferentes campos de atuação, a nova filosofia incorporada ao trabalho voluntário.

Na LSCSP tem várias áreas em que o voluntário pode atuar. Na área da saúde, por exemplo, podem-se realizar ações de promoção da saúde e bem-estar, campanhas preventivas

Benzer Belgeler