4.1. Araştırma Analiz ve Bulguları
4.1.1. Pronet Reklam Filminin İncelenmesi
Do corpo atelier: relato de experiência
Poderíamos dizer que [a manifestação poética] é um chamado que engendra e dá forma às coisas. Estamos de novo através desse chamado diante da forma, é a forma na arte, a forma na vida, a vida é uma forma, a morfologia, a ciências das formas na natureza. A natureza nos oferece todas as formas, e quando a forma torna-se concreta pra nós? Quando alguma coisa surge e cresce. Isso pode nos ensinar também a ver o olhar.
Evandro Carlos Jardim
Desenhar de perto uma folha e considerá-la um como um organismo vivo gera um sentimento de empatia que mantém elevado o nível de interesse de crianças (e de adultos) durante longos períodos de tempo. Dá aos olhos umas lentes de solidariedade que, ao final, contribuem frequentemente com uma orientação às formas de ver e pensar, modificando os processos de compreensão da folha em questão e, ao mesmo tempo, da qualidade de compreensão de todo
o mundo vegetal 1.
Vea Vecchi
Existe reciprocidade entre o saber e a experiência. O desenvolvimento da segunda prolonga a aquisição do primeiro e aliás completa o saber adquirido por um saber novo, que corresponde, para cada indivíduo, a uma inscrição do passado, no depósito sedimentar das tentativas e erros, dos triunfos da vida.
Georges Gusdorf
96 O processo de criação de cada atelierista ganha forma no encontro com cada grupo de crianças, com cada professor de sala, com os temas e perguntas que norteiam as pesquisas da série e com a cultura que os rodeia. Para que estes encontros se deem é necessário que o atelierista se relacione com o mundo, professores e crianças, e instaure “experiências de diálogo”, em que são constituídos terrenos comuns entre o “eu” e “o outro” (FAZENDA, 2012, p. 56). Estas “experiências de diálogo” supõe abertura, receptividade, reciprocidade e a intenção de conhecer o outro (FAZENDA, 2012, p. 56) e é a partir delas que atelieristas buscam os “materiais” necessários para desenhar e redesenhar propostas, projetos e experiências.
É, pois, o diálogo, definido como relação comunicativa que se dá por meio da palavra entre dois ou mais interlocutores, como base das relações humanas (MATTAR, 2010, p.85) que ativa a escuta atenta, a imaginação e criação de atelieristas para proposições e encaminhamentos de pesquisas que vinculam os interesses percebidos nos grupos ao campo da arte/educação e, muitas vezes também, a demais outros campos do conhecimento.
Entendo ainda que atelieristas são “sujeitos da experiência” e, parafraseando o filósofo da educação Jorge Larrosa (2002), penso que podem ser definidos por sua passividade feita de “paixão, padecimento, de paciência, de atenção, como uma receptividade primeira, como uma disponibilidade fundamental, como uma abertura essencial” (LARROSA, 2002, p. 24). O “sujeito da experiência” também é entendido pelo autor como um sujeito “ex- posto”2 com “tudo o que isso tem de vulnerabilidade e risco” (LARROSA, 2002, p. 25) e tomando como base esta ideia, penso que é chegada a hora de “ex- por” minhas experiências como atelierista a fim exemplificar o modo como uma atelierista ouve, interage, se afeta, cria e pensa. Para pôr-me também à prova durante a travessia desse espaço ainda “indeterminado e perigoso”, onde busco a “oportunidade e a ocasião” de evidenciar o papel das atelieiristas.
2 Optei por manter a grafia apresentada no texto “Notas sobre a experiência e o saber de
experiência” em que Jorge Larossa destaca o prefixo ex. Conforme Larossa, o mesmo prefixo está presente na palavra experiência que “tem o ex de exterior, de estrangeiro, de exílio de estranho e também o ex de existência” (LAROSSA, 2002, p. 25).
97 Assim, apresentarei a seguir um relato que corresponde as minhas experiências como atelierista, vividas juntamente com o professor de sala Julio Di Giovanni e as crianças do 2ºD, no ano de 2015. Selecionei apresentar a trajetória específica deste grupo pelo fato de, ao longo do amadurecimento da pesquisa, me sentir estimulada em recolher novos dados e tecer descrições e reflexões acerca dos fenômenos em curso. Durante as leituras feitas para esta pesquisa acerca da documentação feita nas escolas municipais de Reggio Emilia, pude perceber o quanto as falas dos alunos eram registradas, transcritas e escutadas com cuidado, fato este que fez com que eu me empenhasse em recolher um novo material, já que meus registros de anos anteriores careciam de transcrições precisas em relação às palavras das crianças.
Deste modo, optei em registrar as ideias, os diálogos e as “rodas” deste grupo com maior rigor e profundidade, de forma a tentar realizar um exercício de imersão e distanciamento do fenômeno, justamente durante seu processo. Um exercício que buscou, ao longo deste primeiro semestre de 2015, a pesquisa viva, em movimento e que almejou reunir pesquisadora e educadora. Há ainda uma particularidade desta experiência que deve ser ressaltada: a abertura do professor Julio Di Giovanni em relação à instauração de uma verdadeira parceria, que envolveu muitos momentos de troca e reflexão conjunta. Será evidenciado, portanto, o relato de uma experiência que, a meu ver, “funcionou”, que encontrou em seu curso boas condições para fluir e acontecer.
A título de esclarecimento, considero relevante mencionar, também, algumas informações sobre a rotina do 2º D em relação à minha presença como atelierista em atelier e em sala de aula: no período da tarde, às terças- feiras, o grupo é dividido em dois subgrupos (chamados de Grupo 1 e Grupo 2) que durante os dois primeiros horários3, se alternam entre aulas de Artes Visuais (realizadas no atelier) e de Inglês (realizadas nas salas de inglês); às quartas-feiras todo o grupo tem mais uma aula de artes no espaço do atelier durante o último horário; às quintas-feiras todo o grupo tem aulas conduzidas
3 Neste segmento cada aula tem 60 minutos de duração. Portanto, os dois primeiros horários
98 pela atelierista e pelo professor titular durante os dois primeiros horários do dia no espaço de sala de aula.
Gostaria de relembrar que todas as aulas realizadas no atelier (em nosso caso, terças e quartas-feiras) são geridas por atelieristas e, por vezes, contam também com a presença das professoras de sala. Conforme foi apresentado no capítulo II, vale salientar ainda que as atelieristas, além de oferecerem as aulas para determinados grupos de uma mesma série, são responsáveis pelas aulas de Artes Visuais durante os momentos de “T.P.
atelier”4 e também têm previstas em suas rotinas uma ou mais horas destinadas à realização de reuniões de planejamentos, montagens de murais e preparação de materiais.
4.1. Metamorfoses: coisas que se transformam em outras coisas5
Semana 1 – 02/02 a 06/026
Considero que o projeto “Metamorfoses: coisas que se transformam em outras coisas”, teve início já na primeira semana de aula, mais precisamente, numa terça-feira, no primeiro dia de aula das crianças do 2º D no atelier7. Neste espaço, eu havia preparado para as crianças um primeiro contexto de investigação8: dispus pequenos espelhos e cones de papel (em forma de lunetas) nas mesas do atelier; minha ideia para esse encontro inicial foi propor que as crianças descobrissem os diferentes espaços da escola por meio dos espelhos e “lunetas”, e que depois elaborassem registros de suas percepções a partir de desenhos e pinturas com aquarela. Importante mencionar que as crianças ingressam no segmento do Fundamental I no 2º ano, e que, portanto, os espaços a serem percorridos e investigados por elas naquele momento, consistiam em grande novidade. Então, naquele dia, em ambos os subgrupos da mesma turma (durante as duas primeiras aulas do dia), recebi as crianças
4 Para mais informações ver página 90 no capítulo II.
5 Título do projeto desenvolvido com as crianças do 2º ano D em 2015. A escolha do nome foi
feita pelas crianças no mês de março, numa conversa em “roda”.
6 Optei por adotar a organização do relato por semanas, de forma a seguir a lógica de
organização do planejamento na instituição.
7 No ano de 2015, o grupo do 2º D é dividido em dois subgrupos (Grupo 1 e Grupo 2) que se
alternam entre aulas de artes visuais e inglês, durante as duas primeiras aulas das terças- feiras.
8 A terminologia “contexto de investigação” foi usada pelo assessor de artes, José Cavalhero
99 em “roda” no atelier e apresentei a proposta mencionada anteriormente. Pedi também que, depois que as crianças andassem com os espelhos ou lunetas pelos espaços, me contassem o que haviam descoberto.
Em ambos os subgrupos, as crianças saíram pela escola com os instrumentos escolhidos e se concentraram prioritariamente em duas áreas externas do Fundamental I, chamadas de “praça” e de “clubinho”. Eu as acompanhei e notei que muitas se interessaram pelos reflexos da luz do sol. Sobre o assunto disseram: “Aqui pega bastante luz, porque pega a luz do sol!”; “Eu descobri que ali, com o teto branquinho, fica uma luz muito forte”; “Olha, tá aparecendo uma sombra!”; “O que a luz do sol não pega, atrás fica sombra!”. Juntos também começaram uma brincadeira a partir da seguinte fala de um dos meninos: “Mira a luz do sol nessa folha! Se ficar bastante tempo, vai queimar!”9.
Figura 12. Crianças do 2º ano D usando espelhos e lunetas para olhar o espaço do Fundamental I. Foto tirada por Flora Figueiredo em fevereiro de 2015.
9 As anotações das falas das crianças foram transcritas em meu Diário de Bordo, em
100 Além do interesse nos reflexos da luz do sol, notei também uma atenção por parte de diferentes crianças em relação às plantas da escola. Sobre as plantas disseram: “Nós vimos flores rosa, roxas e amarelas. Como será que elas caíram?”; “Eu descobri que tem árvores que dão nó”; “Eu descobri que aqui tem um pé de amora”; “Sabia que um dia eu vi um pé de banana ali?”10.
Tais interesses apareceram também nos desenhos produzidos naquele dia no atelier, conforme podemos observar nas imagens abaixo onde é possível notar a presença de diferentes árvores, plantas e flores da escola.
10
Diário de Bordo, 03/02/2015.
Figuras 13 e 14. Crianças do 2º ano D investigando, com os espelhos, os reflexos da luz do sol. Foto tirada por Flora Figueiredo em fevereiro de 2015.
Figuras 15 e 16. Desenhos de alunos do 2º ano D. Imagens escaneadas por Flora Figueiredo em fevereiro de 2015.
101 Ao final destas aulas, pensei então que havia recolhido as primeiras “amostras” de dois temas que poderíamos desenvolver e trabalhar no atelier: “reflexos da luz” ou “plantas e elementos da natureza”. Pensei também que no decorrer dos próximos encontros poderíamos definir um destes focos para a realização de trabalhos coletivos e individuais. Mas mal podia imaginar que, no dia seguinte, por obra do acaso, teríamos novos indícios do caminho que iríamos trilhar juntos.
Na última aula do dia seguinte, numa quarta-feira, eu havia organizado o espaço do atelier com cantos de desenho e pintura, que ficariam disponíveis para todas as crianças do 2º ano D, já que neste horário todo o grupo tem em sua rotina semanal mais uma aula de artes visuais neste espaço. Porém, minutos antes da aula, notei que na varanda em frente ao atelier, funcionários da equipe de manutenção (responsáveis também pelo cuidado com as plantas da escola) estavam fazendo a poda de uma árvore devido à necessidade de aumentar o tamanho do toldo que recobre o espaço. Por isso, havia muitos galhos e folhas no chão e pensei que muitas das crianças poderiam se interessar pelo material, já que no dia anterior elas haviam demonstrado grande atenção às plantas da escola. Peguei então alguns destes galhos que ainda estavam repletos de folhas e os coloquei no chão do atelier, num local onde costumamos fazer as “rodas”. As crianças, assim que chegaram, Figura 17. Desenho de uma aluna do 2º ano D. Imagem escaneada por Flora Figueiredo em fevereiro de 2015
102 perguntaram-me o que iriam fazer e, ao notarem a presença dos galhos e folhas, fizeram uma “roda” ao redor destes. Contei então aos alunos que havia organizado diferentes cantos de trabalho e que havia pensado, inclusive, na proposta deles realizarem autorretratos, mas que tinha também encontrado aquelas partes de árvore na varanda... Disse-lhes, portanto, que em grupo eles poderiam decidir entre trabalhar com os galhos ou folhas fazendo, por exemplo, “tinta de folhas” ou nos cantos montados com a proposta de autorretrato. Rapidamente, muitas crianças começaram a falar “tinta de folha!”, “tinta de folha!”.
Naquele momento, o grupo se uniu com um interesse em comum. Duas ou três crianças mostraram interesse em fazer os autorretratos, mas, diante da vontade da maioria do grupo, rapidamente mudaram de ideia.
Não tínhamos os instrumentos necessários para fazer as tintas e realizar a extração de pigmento das folhas e para tanto, improvisamos. Primeiramente, com ajuda das crianças, recolhemos os materiais de desenho e pintura que eu havia disposto em variadas mesas e que não iríamos mais usar; em seguida, começamos a buscar instrumentos para a extração de pigmento das folhas da árvore. Ofereci três bacias para todo o grupo e as crianças se organizaram em três diferentes mesas, e começaram a picar as folhas nos recipientes. Pediram para adicionar água às folhas, e um dos grupos pediu também para colocar um pouco cola branca. Além do uso de água e cola, ofereci álcool e combinamos coletivamente que os três os grupos usariam diferentes substâncias para depois poderem comparar os resultados das diferentes tintas produzidas. Para amassar as folhas usaram as mãos e também ferramentas geralmente usadas no trabalho com argila, como o rolo de madeira e batedores. Ao longo da atividade as crianças falavam alto, e mostravam-se empenhadas e animadas com a extração de pigmento. Ao final da aula, coletei as diferentes bacias com as tintas produzidas e as guardei nas prateleiras do atelier para que pudéssemos usá-las em breve.
No dia seguinte a este, numa quinta-feira, teríamos duas aulas na própria sala de aula do 2ºD. Os primeiros dois horários das quintas-feiras são previstos na rotina deste grupo para as aulas em sala com a minha presença,
103 e, nesse momento, é concretizada a parceria entre atelierista e professor de sala no trabalho com as crianças. Eu havia combinado com o Julio Di Giovanni, professor titular do grupo, que levaria as bacias com as tintas feitas para a sala e que juntos poderíamos conversar sobre as hipóteses e procedimentos realizados para a extração do pigmento verde no dia anterior. Além das tintas, também levei para a sala alguns instrumentos do laboratório de ciências que favoreceriam o armazenamento das tintas feitas e viabilizariam novas tentativas de extração. Eram eles: potes de vidro, funis, peneiras, pilões e bandejas. Em sala nos organizamos em “roda” e com o auxílio das crianças passamos as tintas das bacias para os diferentes potes de vidro. Ao observar as tintas produzidas conversamos então sobre as diferenças notadas e sobre a percepção de que quanto mais se quebrava e amassava a folha, mais tinta verde saía. Segundo um dos alunos: “Quando você pica mais a folha sai um negocinho, tipo uma seiva”. E outra criança observou: “A tinta estava dentro da folha”11.
As crianças ao olharem as tintas, também fizeram muitos comentários relacionados ao que achavam que as tintas pareciam e durante a roda na sala falaram: “Olha, parece chá verde!”, “Parece que é leite de soja”, “Parece suco verde”, “Parece suco de folha”, “É tinta de folha!”, “É molho de folha”, “Parece uma poção mágica”, “Parece que tem terra”, “Parece um remédio de abacaxi”, “Pra mim, dá mais vontade de beber esse”, “Parece veneno de cobra!”, “Parece antídoto!”12.
Em roda, notamos também que o grupo que havia usado o álcool para a extração de pigmento tinha conseguido uma coloração de verde mais intensa. Neste dia, produzimos mais uma tinta de forma conjunta ao misturarmos as três tintas feitas no dia anterior e ficamos com o total de quatro tons de verde. E nesta mesma ocasião também contei às crianças que havia descoberto o nome da árvore que havia sido podada: era Schefflera. Expliquei que para descobrir a informação, eu havia consultado a assessora da área de meio ambiente da escola, a Sonia Marina, conhecida por saber distinguir diferentes espécies de plantas.
11 Diário de Bordo, dia 05/02/2015. 12 Idem.
104
Semana 2 – 09/02 a 13/02
Na semana seguinte, levei as tintas feitas para o atelier e propus, na terça-feira, que as crianças fizessem pinturas com estas e observassem suas cores. Algumas me pediram para continuar as extrações e fazer também “tintas de amora”, com as amoras que encontrassem na área próxima ao “clubinho”. Eu consenti e pedi para que, contudo, ainda naquela aula, conseguissem iniciar suas pinturas. Desse modo, pensei em implicá-los também no gerenciamento de seu tempo de trabalho para que assim, pudessem exercitar a autonomia também no espaço do atelier.
Observei que nesse dia foram produzidos trabalhos voltados a uma pesquisa de cor e textura (feita com pequenos pedacinhos dos frutos da amora) e, também, trabalhos em que as crianças imaginaram e registraram monstros, caveiras e venenos. Quando perguntei, dias depois, o porquê dos venenos aparecerem nos trabalhos um dos meninos, o Rodrigo, me respondeu: “Eram mensagens de pegadinha, do submundo pegando fogo. É que as tintas pareciam cores de veneno, cores tóxicas”13. Os “venenos” surgiram mais no trabalho dos meninos e observei que, durante aquela terça, no atelier, um dos alunos começou a pintar e falar sobre esse tema, ao que muitos se interessaram e também começaram a narrar histórias enquanto pintavam. Nesse caso, a elaboração das tintas e os resultados de suas cores ativou a
13 Diário de Bordo, dia 11/02/15.
Figuras 18 e 19. Crianças do 2º ano preparando uma tinta feita com amoras. Foto tirada por Flora Figueiredo em fevereiro de 2015.
105 imaginação dos meninos no sentido da criação de “poções”, “venenos”, “substâncias tóxicas”.
Ao final das aulas desta terça-feira, uma aluna, a Olívia, me perguntou num tom bem baixinho: “Flora, você já sabe qual será o tema do atelier?”. Eu respondi que ainda não sabia e perguntei o que ela achava, ao que ela respondeu: “Eu acho que o tema poderia ser: coisas que a gente descobre que
vira”14. O comentário de Olívia foi o estopim para deflagrarmos o caminho de nossas pesquisas e, para adiante, denominarmos nosso projeto.
14 Diário de Bordo, dia 10/02/15.
Figuras 20 e 21. Crianças do 2º D fazendo pinturas no atelier com as tintas produzidas. Foto tirada por Flora Figueiredo em fevereiro de 2015.
Figura 22. Desenho feito por um aluno do 2º D ano. Desenho escaneado por Flora Figueiredo em fevereiro de 2015.
106 Neste mesmo dia, outra questão surgiu no atelier: as crianças me perguntaram se havia lição de casa em artes visuais. Eu respondi que sim, que poderia ter, e algumas crianças reagiram estranhando meu retorno. Por isso, ao final das aulas, combinei com o professor Julio para que naquele mesmo dia ele anotasse na lousa uma proposta de lição de artes, que deveria ser entregue no dia seguinte pelas crianças, já que eu teria mais um momento de atelier com todo o grupo na quarta-feira seguinte. Eu e o Julio elaboramos juntos a proposta da lição de casa e pedimos para que as crianças trouxessem para o
atelier: flores, plantas ou sementes que encontrassem em suas casas, prédios,
parques ou nas ruas. Nesse momento, eu e o professor Julio conversamos acerca do interesse sobre plantas despertado no grupo e pensamos em dar continuidade a essas pesquisas conectando a área de artes e ciências. Nos 2ºs anos, um dos focos da área de ciências naturais é, justamente, o estudo de botânica e tradicionalmente, na série, as crianças costumam realizar desenhos de observação, estudar artistas que desenham e pintam plantas, e fazer uma visita ao Jardim Botânico. Estes dados também estavam subjacentes na condução e organização de nossas aulas e, nesse momento, pensamos então em articular os interesses vistos em artes (em relação às propriedades plásticas das folhas) aos conteúdos previstos na área de ciências. Planejamos então em propor no dia seguinte desenhos de observação para o grupo, a partir das plantas que eles trouxessem de suas casas.
Na quarta-feira, as crianças chegaram ao atelier com saquinhos, potes e caixinhas onde haviam guardado as plantas e sementes recolhidas. Para observarmos as plantas e possibilitarmos uma conversa sobre elas, nos