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A conquista e o encontro com outros povos suscitaram um número muito expressivo de relatos, como, aliás, já tínhamos verificado na produção de autores portugueses. Ao mesmo tempo que o Novo Mundo proporciona visões e narrativas de diversos géneros, envolvendo autores laicos e religiosos, também dentro de Espanha o combate ao que é diferente tem também a sua expressão escrita. É o caso da obra de Ginés Pérez de Hita (1544-1619) Historia de los vandos de los Zegries y
Abencerrages... que se situa no limite entre a novela e o relato histórico. Trata-se de uma descrição das guerras mouriscas que veio a influenciar escritores da época como
206 BNE. Autoridades XX1118238.
207 ESPADAS BURGOS, M. – Mariana, Juan de. In: Gran Enciclopédia RIALP. Madrid: RIALP, 1981,
574 Lope de Vega e outros mais tardios que abordaram este tipo de temática, como Chateaubriand208. Existe na BNP o exemplar que pertenceu à Graça, relativo a uma edição de 1633 e na Biblioteca Central da Marinha, um de 1727, com marca da casa do Espírito Santo. Pérez de Hita publicou uma segunda parte que o convento da Graça tinha também na sua biblioteca mas na primeira edição de 1619 (Lista nº 776). Um outro autor, o dominicano Damián (ou Damião) Fonseca (1573-1627) também se debruçou, pela mesma época, sobre a questão dos mouros, tendo publicado em Roma, no ano de 1612 duas obras, a Justa expulsion de los moriscos de España...209que existia no convento de S. João da Cruz e a Relación de lo que passo en la expulsion de los
moriscos del reyno de Valencia..., que o convento da Graça tinha (Lista nº 380).
Passando, então, às narrativas do Novo Mundo, temos Juan Ginés de Sepúlveda (1490-1573) que ficou conhecido pela sua visão sobre os índios da América que considerava povos inferiores e sem direitos210. Não encontrámos, porém, exemplares do De rebus hispanorum gestis ab Novum Orbem Mexicumque, mas sim da
Hystoria de los hechos del... Cardenal Don Gil de Albornoz… editada em 1566 (Lista nº 419). Do seu rival, o dominicano Bartolomé de las Casas (1474-1566), teólogo, cronista e bispo de Chiapas, no México, o convento da Graça tem a obra em que este autor defende os direitos dos índios e denuncia os abusos dos conquistadores mas numa edição de Paris, em francês, já de 1701. A verdade é que em resultado destas ideias Bartolomé de las Casas viu as suas obras proibidas, ao tempo211. O catálogo de S. Francisco da Cidade inclui uma edição em italiano, impressa em Veneza, no ano de 1630 (Lista nº 199).
208 http://www.biografiasyvidas.com/biografia/p/perezde_hita.htm.
209 V. a propósito desta obra e do seu autor, PESET, Mariano; HERNANDEZ, Telesforo M. – De la justa
expulsión de los moriscos de España. Disponível em: http://www.uv.es/dep235/PUBLICATIONS_II/PDF125.pdf .
210 BNE. Autoridades XX1018020. 211 BNE. Autoridades XX854811.
575 Figura 8 – H.G. 8373 P.
A polémica acerca dos índios está retratada nas obras de outros autores. Com uma vivência intensa nas Índias Ocidentais, o franciscano frei Juan de Torquemada (c. 1557-1624), cronista e historiador escreveu sobre esses territórios documentando-se em diversas fontes manuscritas e também em autores já publicados212. Defensor dos direitos dos conquistadores, acusado de maus tratos às populações, a sua obra mais importante, a …Monarchia indiana, com el origen y guerras de los índios ocidentales... surge na Lista, numa edição tardia de 1723 que pertenceu à casa do Espírito Santo (Lista nº 1043). O polémico tema foi tratado mais tarde pelo dominicano Gregório Garcia (?-1627) na obra Origen de los índios de el Nuevo Mundo e Índias occidentales..., onde afirmava que os índios americanos seriam de ascendência judaica dado que tinham
576 todos os defeitos dos hebreus213. A obra alcançou bastante sucesso existindo na BNP, de uma segunda edição, datada de 1729, um exemplar que pertenceu a S. Francisco de Xabregas (Lista nº 409).
Pertence, porém, a Garcilaso de la Vega, el Inca (1539-1616) o maior número de obras na Lista acerca dos territórios espanhóis da América. Nascido no Peru, é considerado o primeiro dos escritores do Novo Mundo, defendendo a soberania espanhola e a conversão dos índios ao Cristianismo214. A sua obra La Florida del Inca... foi publicada em Lisboa, no ano de 1605 e dessa edição a BNP possui o exemplar de S. Francisco de Xabregas que também tinha uma edição da Historia general del Peru..., feita em Córdova, 1617 e que se encontra na Biblioteca Central da Marinha. Esta biblioteca tem a Primera parte de los Commentarios reales que tratan del origen
de los Incas..., impressa em Lisboa, 1609, no exemplar que pertenceu ao convento de S. João da Cruz e, no catálogo de S. Vicente há menção a uma edição de Madrid, 1723, de La Florida del Inca (Lista nº 410).
Abrangendo a história das Índias Ocidentais mas também outros temas, verificamos na Lista que também o cronista-mor de Espanha e das Índias, Antonio de Herrera y Tordesillas (1559-1625) tem uma representatividade expressiva nas bibliotecas conventuais pela importância que, certamente, foi atribuída às suas obras, ainda que faltem outras que escreveu215. Assim, dos Commentarios de los hechos de los
españoles, franceses y venecianos en Itália, na edição de 1624, existiam exemplares na casa do Espírito Santo e conventos de Nossa Senhora da Conceição do Monte Olivete e S. Francisco de Xabregas que integram as colecções da BNP. O exemplar que pertenceu ao mosteiro do Santíssimo Sacramento está na Biblioteca Central da Marinha. Esta biblioteca tem a Historia general de las Índias Occidentales..., impressa em quatro volumes, na cidade de Antuérpia em 1628, tendo o exemplar, marca de posse de S. Camilo. Trata-se de uma obra de síntese que envolveu a consulta de documentos inclusive cartográficos e de publicações anteriores acerca de Colombo e tem a característica de incluir mapas da América e do extremo Oriente. Quanto à Historia
general del mundo... del tiempo del Señor Rey Don Felipe II (com interesse também
213 http://americaindigena.com/garcia09.htm. 214 BNE. Autoridades XX920136.
577 para a História de Portugal), está na Biblioteca Central da Marinha o exemplar de S. Francisco de Xabregas, referente à edição de 1606-1612 e consta do catálogo de S. Vicente uma referência à edição de 1601 (Lista nº 479).
Antonio de Solís (1610-1686) poeta, dramaturgo e historiador, foi nomeado cronista-mor das Índias em 1684 e, nessa qualidade, recebeu o encargo de escrever a
Historia de la conquista de Mexico... Usando um estilo de carácter literário mais consentâneo com a sua actividade de escritor e que pretendia suprir também o facto de Solís nunca ter ido ao México, ao contrário de outros cronistas, a verdade é que foi uma obra muito editada216. A BNP não tem exemplares de proveniência conventual de Lisboa mas o mosteiro de S. Vicente tinha duas edições, ambas do século XVIII, uma em espanhol de 1783-1784, em dois volumes e uma em tradução francesa de 1759. Na Biblioteca Central da Marinha está o exemplar que pertenceu a S. Bento de Xabregas, da edição em espanhol de 1684 (Lista nº 988).