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3. BALTALĠMANI-SARIYER SAHĠL KUġAKLAMA KOLLEKTÖRLERĠ VE BAĞLANTILARI ĠNġAATI PROJESĠ

3.1 Projenin Tanıtımı

Quando Davi é re-significado, a partir de Isaías, ocorre uma mudança essencial, pois ele evoca a tradição messiânica de Judá, no qual o davidismo não provém de instâncias de poder, mas da pequenez que é Judá. Ele é frágil, como a criança que nasce em 9,3.

Há uma destituição da casa de Davi no capítulo 7,16, mas também uma re-significação da mesma em 9,6. O trono de Davi será restabelecido para a

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paz sem fim a partir de uma criança. A fragilidade toma conta do palácio. Este que era restrito a um pequeno número de pessoas que tinham acesso ao “bem- estar”, enquanto o povo era espoliado, agora é espaço para habitação de uma criança.

Isaías, no “livro do Imanuel”, faz alusão ao Templo somente em 6,1. Quando do início de sua vocação. Isso se explica pelo fato de que o messias não necessariamente precisa dele (2Sm 7).

Se for observado todo o bloco do “livro do Imanuel”, 6,1-9,6, encontrar- se-á toda uma expectativa messiânica que culmina em projetos de salvação. Em primeiro lugar há a descrição do contexto (6,1 e 7,1-2), e todos os fatores que geram aquela situação.

Em segundo lugar, o profeta é vocacionado (6,1-13) para vaticinar juízo e salvação e, por último, nasce a criança que aponta para um novo momento, no qual não haverá mais a injustiça (9,5-6). O quando abaixo ilustra esse mecanismo que lança luz para os crentes em Javé.

Sinal oferecido (7,11)  Sinal recusado (7,12)  Sinal dado (7,14)  A promessa da criança (7,14) 

Fim da casa de Davi (7,17)

Luz em meio as trevas (8,23)  Fim da guerra (9,2)  Fim da opressão (9,4)  Nasce a criança (9,5) 

Re-significação da casa de Davi (9,6)

Neste panorama, das perícopes de 7,10-17 e 8,23-9,6, observa-se que há na primeira o anúncio de juízo e na segunda de salvação. Isso porque, em

7,10-17 à pessoa do rei é anunciado o fim de sua dinastia, ao passo que em 8,23-9,6 a criança que nasce, restabelece e dá um novo sentido ao messianismo davídico.

Quanto à paz sem fim, esta é demonstrada pelo fato de que haverá justiça para todos. Em Isaías encontra-se o uso de terminologias próprias de quem vive no campo, como o cântico da vinhas 5,1, ou quando há a releitura do messias em 11,1, que o apresenta como sendo do “tronco de Jessé”. Há, portanto, uma ligação deste profeta da cidade com o campo. Ele não é alienado a uma teologia que não fomenta a justiça.

Dessa forma, com a ruptura com a casa de Davi, através do soberano em exercício, a linha do davidismo isaiano se aproxima do davidismo de Judá, do qual o seu contemporâneo Miquéias é representante. Para Miquéias a imagem que sobressai de Davi é o do campo, que antes de suas empreitadas bélicas apascentava o rebanho do seu pai, Jessé. A imagem deste profeta é aquela cultivada pelos camponeses de Judá (1Sm 16-2Sm 5).

A respeito da semelhança do messianismo isaiano com o messianismo judaíta, Schwantes destaca que, “nos dias de Miquéias, Isaías – ainda que falando desde a ótica citadina, de Jerusalém – tinha uma visão semelhante sobre o futuro do davidismo. Relacionava-o ao menino (9,5), às crianças (7,14), ao rebento (11,1), ou seja: à pequenez, à fragilidade”.165 Estes aspectos apresentados por Schwantes, são claramente distantes da teologia jerosolimita, mas reflete à teologia judaita.

Em Miquéias 5,3, há a representação do messianismo do campo como aquele que “apascentará o rebanho pela força de Javé, pela glória do nome de seu Deus”. Em Isaías 9,5 a criança surge para que a justiça e o direito sejam estabelecidos num ambiente de paz proporcionado pelo próprio Javé. Assim, o texto apresenta o fato de que Javé é o provedor de uma nova cidade, no qual o

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messias surge, para dar continuidade aos projetos salvíficos de Deus para seu povo.

Embora, posteriormente, ao rei seja atribuído a função de

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pastorear (Is 40,11), na época de Isaías essa tipologia era anunciada por Judá, que via na proteção de Deus, através do seu ungido, a função de cuidar do seu povo, como eles o faziam com seu rebanho. Isaías também vê no anúncio da criança que nasce o sentido de cuidado, a saber, ele era o gestor de um novo período marcado pela justiça e pelo direito.

Dessa forma, há por parte do profeta Isaías um distanciamento da teologia da cidade e uma aproximação com a do campo. Não se trata de uma apologia aos campesinos, mas sim de um anúncio profético comprometido com a palavra de Javé e o bem-estar das pessoas. Quando Isaías anuncia a alegria do povo, o discurso perpassa a linguagem campesina (9,2b):

ll'v' ~q'L.x;B. WlygIy" rv,a]K; ryciQ'B; tx;m.fiK. ^yn<p'l.

Wxm.f'

Eles alegraram a tua face como a alegria na colheita

como celebram os que repartem o despojo.

A alegria do fim da opressão é semelhante a alegria na colheita. Esta tão importante para a região do campo em Judá. Da colheita subsistia tanto a economia de Judá quanto de Jerusalém.

Quando Isaías anuncia o fim da dinastia davídica ele se abre para uma nova perspectiva. Isso porque, segundo alguns autores, o livro do Imanuel se encontra no início da atividade deste profeta. Assim, é possível que ao longo dos anos haja uma ruptura com a corte.

Outro fator que corrobora essa aproximação, apresenta-se em 11,1. O messias que provém de um ramo que “sairá do tronco de Jessé, um rebento brotará de suas raízes”. Ou seja, não mais da raiz de Davi, mas do tronco de Jessé, a saber, uma nova proposta para um messias que nasce para a paz sem fim.

Conclusão

No texto de Isaías, como se observou, há uma releitura do messianismo à luz do “livro do Imanuel”. As perícopes de 7,10-17 apontam para o fim da “casa de Davi” e a de 8,23-9,6, para um messianismo que re-significa Davi, desvinculando-o do monarca que senta no trono em Jerusalém, para anunciá- lo como um líder carismático, que carrega a características de uma pessoa frágil como uma criança (9,5), e intensamente dedicado à justiça e ao direito (9,6).

A partir da proposta metodológica desta dissertação, a saber, assinalar uma tipologia messiânica nas perícopes de 7,10-17 e 8,23-9,6 no “livro do Imanuel”, é possível destacar alguns eixos nos quais se torna perceptível tal imagem.

Em primeiro lugar, foi constatado que há duas tradições messiânicas no Reino do Sul: uma de Judá e outra de Jerusalém. A de Judá evoca o Davi do campo, ainda nos primórdios de seu surgimento (1Sm 16). Os camponeses judaítas guardaram a imagem de um Davi pastor, pequeno entre os seus irmãos, de boa aparência, alguém do povo, mas também corajoso e valente, pois derrotou o guerreiro filisteu.

Judá torna-se o lugar pelo qual se cultiva um desejo messiânico aos moldes da “História da Ascensão de Davi” (1Sm 16 – 2Sm 5). Há toda uma trajetória que faz com que essa tradição relate Davi como um homem que preserva as relações sociais de justiça e direito aos marginalizados. É no relato de 1Sm 16, que ocorre a unção de Davi, o que lhe confere o vínculo com o messianismo. A saber, ele é ungido de Javé, e assim recebe o seu Espírito para tomar decisões a favor do povo.

Entrementes, em Jerusalém o que se acentuou do messianismo davidita foi a tradição de um rei guerreiro, político e estrategista. Um Davi mais próximo da “História da Sucessão” (2Sm 6 – 1Rs 2). Nela continua a tradição de que a realeza pertence ao âmbito divino, uma vez que Javé elegeu Davi e seus descendentes para governar o povo.

Neste sentido, há no messianismo jerosolimitano um aspecto “institucional”, pois, ele, o messias, sempre aparece ligado à monarquia. Isso porque, através da profecia de Natã, ocorre a institucionalização do ungido e perde-se a tradição do carisma. Uma vez que a sede do governo já estava estabelecida em Jerusalém, a arca, símbolo da presença de Javé, se encontrava no santuário da cidade conquistada, e Davi já possuía um histórico de vencedor, há por parte de Natã uma estratégia para consolidar o reinado davídico e apresentar uma ideologia palaciana como centro de detenção do poder através do rei.

A partir da confiança na dinastia incondicional, Jerusalém torna-se, ao longo do tempo, um ambiente marcado pela injustiça cometida por seus governantes. Ou seja, houve uma promessa de perpetuidade para a “casa de

Davi” e, assim, os reis acreditavam que a eleição era suficiente para mantê-los no trono. Contudo, o profeta Isaías demonstra que não é bem assim. O compromisso com a dinastia davídica é condicionado à demonstração de confiança em Javé, como exorta o profeta: “se não credes não permanecereis” (7.9b).

Em segundo lugar, apesar de Isaías ser um profundo conhecedor destas tradições de Jerusalém, ao ser vocacionado (6,1-13), ele reconhece uma tendência equivocada assumida pela corte jerosolimitana, a saber, confiar em instrumentos bélicos e não na proteção de Javé.

Com o chamado, o profeta se apresenta como aquele que “tem lábios impuros e habita no meio de um povo de impuros lábios” (6,3). Ele é então purificado para o anúncio do Imanuel, Deus-está-conosco. Mas, antes de chegar ao núcleo do “livro do Imanuel, (7,14), através dos relatos de 6,1-9,6, Isaías enumera vários motivos que levaram-no a criticar rigorosamente a “casa de Davi”. Dentre eles: o medo do rei e sua recusa em pedir o sinal (que seria a demonstração de confiança na providência divina), bem como a certeza de que a guerra e a aliança com Assíria eram necessárias.

Em terceiro lugar, como foi destacado no capítulo 2, ao oferecer um sinal ao rei, Javé se disponibiliza a reafirmar sua promessa para a “casa de Davi”. Contudo, Acaz recusa o sinal da presença de Javé naquele momento de alianças entre Síria e Israel contra Judá. Por isso, o profeta rompe com a “casa de Davi”, vaticinando seu fim:

fará enviar Javé sobre ti e sobre teu povo

e sobre a casa de teu pai dias os quais não vieram desde o dia que apartou-se Efraim de

Judá” (7,17).

A lembrança da divisão dos reinos faz alusão a separação que Javé promoveria na “casa de Davi” até aquele momento, e descreve que haverá

uma nova proposta de governo, que se concretiza com o nascimento de uma criança (9,5). Este projeto apresenta-se claro no versículo 6:

para aumento do governo

e para paz sem fim que há vir sobre trono de Davi e sobre o seu reino para o estabelecer

e para consolidar no direito e na justiça

de agora em diante e até sempre. (9,6)

O governo seria restabelecido sobre o trono de Davi, mas seria consolidado no direito e na justiça. O advérbio de tempo,

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agora mesmo, no presente

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e até sempre, indica que a ruptura feita em 7,17, é retomada na perspectiva do hoje. A dinastia foi rompida, e, a partir desse momento (9,6), haverá uma outra configuração, a saber, um reino para paz sem fim.

A posição de Isaías, então, é vaticinar juízo contra a “casa de Davi” e propor uma releitura do davidismo jerosolimitano. Trazendo à memória o Davi cultivado em Belém. Para esta tradição, o que importa é a pessoa de Davi e seu carisma, e não sua dinastia (1Sm 16). Esse messianismo, portanto, exalta as qualidades de um líder que possui o Espírito de Javé e que o consulta para tomar suas decisões (1Sm 23,2;4;9), diferente do rei Acaz. O messias tem características de um filho de Deus (“Maravilhoso conselheiro, Deus forte, Pai do tempo perpétuo e Representante da paz” 9,5), e que não se compromete com alianças que demonstram medo e incredulidade, mas confia inteiramente na providência divina.

Por fim, é razoável destacar que há uma tipologia messiânica em Isaías marcada pelo fim da “casa de Davi” até aquele momento (7,17), e o anúncio de uma re-significação do mesmo (9,6). Essa re-leitura só se torna possível pela chegada de uma criança que ilumina a vida do povo que andava em trevas (8,23) e coloca fim à guerra e à opressão (9,2-3). Este messias, portanto, é

para paz sem fim, contrário à teologia sionita que expressa o desejo messiânico através da guerra, e o auspício de uma era notadamente marcada pela superação de conflitos através de instrumentos bélicos.

Assim, observa-se que Isaías é sensível aos menos favorecidos, gerando a esperança no coração da população marginalizada pela elite da sociedade jerosolimitana. A esperança anunciada pelo profeta inclui a superação do davidismo militar pelo davidismo belemita, que se torna presente no governo de um frágil menino (9,5), que sabe associar as tradições com seu novo projeto de vida íntegra para todos, a saber, o estabelecimento do direito e da justiça para uma paz sem fim.

Benzer Belgeler