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Projenin Kent Kimliği Üzerindeki Etkiler

ÜÇÜNCÜ BÖLÜM

4. ANKARA ÖRNEĞĠ

4.3. Projenin Kent Kimliği Üzerindeki Etkiler

Pode-se considerar que foi em decorrência do sucesso da experiência do SAEB que se difundiu uma cultura de avaliação em larga escala no país e que, dada à necessidade de se obterem informações menos agregadas e mais representativas de determinadas realidades, muitos estados brasileiros criaram seus próprios sistemas de avaliação, administrando seus testes de forma censitária. Seguindo essa tendência, Minas Gerais optou por implementar um sistema de avaliação próprio que, em última análise, seria a contrapartida para a autonomia escolar e viria a assumir o papel de prover diagnóstico do ensino público relacionado à qualidade de ensino.

Em 2000, o governo do estado de Minas Gerais, por meio da Secretaria Estadual de Educação (SEE), instituiu o Sistema Mineiro de Avaliação da Educação Pública (SIMAVE). Dentre as atividades que compõem o SIMAVE, estão o Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (PROEB) 24. Esse Programa realiza a aplicação de testes a todos os alunos da quarta e oitava séries do ensino fundamental e do terceiro ano do ensino médio da rede estadual. Além dos testes que avaliam as competências nas disciplinas de Língua Portuguesa e Matemática, o processo de avaliação inclui um

questionário aplicado aos alunos, com o objetivo de obter dados sobre o perfil socioeconômico e a trajetória escolar dos estudantes, e, ainda, informações relevantes sobre o professor e características da turma. A metodologia empregada para avaliação pelo PROEB é a mesma utilizada pelo SAEB, ou seja, um teste composto por itens elaborados a partir de uma matriz de referência criada a partir das Diretrizes Curriculares Nacionais. Os itens (questões de múltipla escolha) desses testes foram construídos por especialistas tendo

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como base a proposta curricular de Minas Gerais e as matrizes de competências utilizadas pelo SAEB.

Segundo informações apresentadas nos documentos da SEE/MG (2008), o estado de Minas Gerais tem os seus próprios indicadores, criados dentro do SIMAVE, composto pelos programas censitários de avaliação PROALFA25 (Programa de Avaliação da Alfabetização) e PROEB (Programa de Avaliação da Educação Básica). As avaliações são promovidas pela Secretaria de Estado de Educação e realizadas por instituições vinculadas às universidades federais de Minas Gerais.

O Programa de Avaliação da Alfabetização, PROALFA, foi instituído pela Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais com o objetivo de auxiliar o Governo Estadual, as diversas instâncias da administração educacional e os professores das escolas públicas de Minas Gerais a obterem um diagnóstico preciso da aprendizagem em leitura e escrita dos estudantes matriculados no segundo, terceiro e quarto anos do Ensino Fundamental. Para tanto, os diagnósticos são tomados com base em avaliações amostrais realizadas no 2º e no 4º ano de escolaridade, e em avaliações censitárias no 3º ano e entre os estudantes do 4º ano que obtiveram baixo desempenho na avaliação anterior.

Já o PROALFA, avaliação destinada aos alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental, no contexto de sua ampliação, vem sendo realizado desde 2005, com a coordenação e supervisão da SEE em parceria com o Ceale, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e com o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação (CAED), da Universidade Federal de Juiz de Fora. O programa tem o objetivo de verificar os níveis de alfabetização alcançados pelos alunos das redes estadual e municipal.

Ainda segundo informações apresentadas nos documentos da SEE/MG (2008), além de se buscar construir um retrato da educação básica por meio do uso de uma metodologia rigorosa e de critérios pedagógicos bem delineados, outro objetivo deste programa, que integra o SIMAVE, é o de fornecer subsídios para o planejamento de ações que visem à melhoria da qualidade do ensino nas escolas públicas de Minas Gerais. Para atingir esse objetivo, a Secretaria Estadual de Educação realizou avaliações anuais nesse período de 2006-2009, cobrindo todo o território mineiro, que possibilitaram o levantamento de informações que retratam o quadro de proficiência em leitura e escrita nos mais diversos níveis de agregação: desde as escolas individuais até o Estado como um todo, com atenção particular às Superintendências Regionais de Ensino (SEE/MG (2008).

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O PROALFA é uma avaliação em larga escala, universal, aplicada nas três primeiras séries do Ensino Fundamental: no 2º, no 3º ano, e 4º ano, através de amostra ou do censo escolar e verifica os níveis de leitura e escrita alcançados pelos alunos e indica a necessidade de intervenções para a correção dos problemas pedagógicos das redes municipais e estaduais.

Segundo consta no portal eletrônico da Secretaria Estadual de Educação26, além de avaliar os sistemas de ensino, o PROALFA gera indicadores que permitem a identificação do grau de leitura e escrita por rede de ensino, região do Estado, município, escola e até por aluno, o que possibilita a análise e intervenção pedagógica individual nas escolas. Esse diagnóstico permite também que a SEE apoie a multiplicidade de projetos de intervenção pedagógica nas escolas e defina políticas públicas mais adequadas a cada região do Estado.

A matriz de referência do PROALFA constitui-se em um conjunto de competências de leitura e de escrita que delimitam o objeto de avaliação dos testes, especificado para o 2º, 3º e 4º anos do Ensino Fundamental. Cada uma de suas competências se decompõe em descritores, que se relacionam com o conteúdo programático do teste e com o nível de operação mental necessário para se dominar o conteúdo proposto.

A escala de proficiência adotada pelo PROALFA associa os diversos estágios de aprendizagem das habilidades de leitura e escrita a uma métrica arbitrária que varia de 0 a 100 pontos. Percebe-se, por esses critérios classificatórios, que diferentes habilidades requerem diferentes níveis de proficiência para serem dominadas. Assim, na avaliação realizada para cada um dos anos de escolaridade avaliados, estabeleceu-se um critério que divide as proficiências em três níveis de desempenho: baixo, intermediário e recomendado. Segundo os especialistas envolvidos na avaliação (ROCHA 2007, 2008; CAFIEIRO et al, 2007), esta convenção tem a vantagem de proporcionar uma imagem sucinta da distribuição de proficiências de cada unidade avaliada no teste: escola, município, SRE ou o próprio Estado.

O PROALFA e o PROEB avaliam a qualidade da educação básica de Minas Gerais com metodologia específica e critérios pedagógicos, que convergem para a consolidação das políticas educacionais do Estado, do país e até mesmo mundial.

De maneira geral, pode-se afirmar que os resultados apresentados por essas e por outras avaliações têm sido bastante otimistas e que apresentam uma relação direta com a entrada de crianças aos seis anos no ensino fundamental, que tem sido positiva para o avanço da aprendizagem dos alunos. Segundo Silva e Cafieiro (2010), os resultados do PROALFA 2008, em Minas Gerais, por exemplo, evidenciam que a maioria dos alunos – 72,5% – já se encontram no terceiro ano de escolaridade, em um nível recomendável de alfabetização. Para as autoras, o aluno que está nesse nível apresenta o domínio, entre

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outras capacidades, de saber ler pequenos contos, localizando informações explícitas, reconhecendo assunto e finalidades deles.

Segundo documentos oficiais da Secretaria Estadual de Educação, a partir desses dados, considera-se que os resultados das escolas estaduais são positivos, embora 27,5% (13,7% do nível Baixo e 13, 8% do nível Intermediário) ainda não tenham alcançado o nível Recomendável (cf. BELO HORIZONTE, 2008, p. 20). Ainda segundo as autoras, isso significa que a secretaria considera que a meta instituída pelo estado de “Toda criança lendo e escrevendo aos oito anos” parece próxima de ser alcançada. As autoras também destacam que de 2007 para 2008, o percentual de alunos no nível Recomendável de alfabetização, em Minas Gerais, subiu de 65,8% para 72,5%. Por outro lado, chama a atenção o fato de que no grupo das crianças com os níveis de desempenho Baixo (18.9% em 2007 para 13.8% em 2008) e Intermediário (15,3% em 2007 para 13.7 em 2008), não houve queda expressiva. Assim, a princípio, pode-se concluir que refletir sobre o fato de esses percentuais estarem diminuindo, mesmo que em pequena proporção, é um indicativo positivo de que o ensino fundamental de nove anos tem trazido bons resultados no processo de alfabetização.

Por outro lado, cabe-nos perguntar, quais são as ações colocadas em práticas pelos gestores estaduais a partir do acesso a essas informações? Segundo Silva e Cafieiro (2007), a Secretaria de Estado de Educação tem procurado implementar diversas ações para promover o avanço das crianças com os desempenhos mais baixos, com destaque para a criação do Programa Alfabetização no Tempo Certo, que envolve professores, especialistas pedagógicos e analistas educacionais para atender necessidades educacionais das crianças. Também são citadas as ações de formação de professores, além de investimento em instrumentos de apoio ao professor, congressos e seminários. Contudo, as autoras concluem que essas ações não têm sido suficientes para evitar o surgimento de um novo problema nacional: as escolas não estão sabendo como promover o avanço das crianças de seis anos que não apresentam bons resultados nas avaliações sem que sejam reprovadas pelas escolas.

Isso significa que os dados obtidos com a avaliação não revelam os impasses vividos pelas escolas quando têm que se defrontar com os baixos resultados de seus alunos. Para isso, é necessário fazer uso de informações levantadas por outros instrumentos do MEC. Trata-se das informações obtidas pelos Censos Escolares. Silva e Cafieiro (2007) explicam ainda que as informações divulgadas pelos censos, referentes aos períodos de 2007 e 200827, divulgados pelo INEP, revelam que os sistemas de ensino têm

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O levantamento do desempenho das crianças pelo Censo Escolar, aprovação e reprovação em cada ano da escolaridade, é realizado com base em informações de todas as redes de ensino, públicas e privadas, do país.

adotado medidas avaliativas de reprovação para solucionar os problemas de aprendizagem de seus alunos. Isso significa que os sistemas têm encontrado grandes dificuldades, após diagnosticar os problemas no processo de alfabetização das crianças nas avaliações em larga escala, de propor alternativas pedagógicas e administrativas eficientes para alterar procedimentos de avaliação das escolas que se mostram inadequados para os alunos em dificuldade e têm adotado a estratégia de reprovação como uma ação pedagógica mais eficaz. Contudo, sabe-se, pela história da educação brasileira, que a reprovação só contribuiu para exclusão dos alunos mais desfavorecidos socialmente, sendo acusado, por isso, de ser mais um instrumento de reprodução das desigualdades sociais.