MESAFEYE GÖRE GÜRÜLTÜ DAĞILIMI
3. PROJENİN İNŞAAT VE İŞLETME AŞAMASINDA ÇEVRESEL ETKİLERİ VE ALINACAK ÖNLEMLER
Em seu livro intitulado Cultura da Convergência, Henry Jenkins (2009) aborda três princípios que regulam as novas tecnologias de produção e circulação de informações: a convergência dos meios de comunicação, a cultura participativa e a
inteligência coletiva. O primeiro diz respeito à produção de conteúdos por meio da cooperação entre diferentes mercados midiáticos, bem como pela exploração de diferentes plataformas de mídia que maximizam as formas de contato com uma narrativa, por exemplo; os dois últimos são elementos-chave para compreender as transformações que a cultura em rede implica nos modos de produção cultural e nas relações entre produtores institucionalizados e consumidores de conteúdo, cujas fronteiras vão se tornando mais tênues. Esses dois conceitos representam uma alternativa ao controle midiático, afastando,
8 As razões para isso variam, mas um aspecto relevante a se considerar é aquele relativo ao fato de que parte importante dos professores que atuam hoje em escolas públicas, tal como indicam dados de diferentes pesquisas, e tal como verificou Ceccantini & Pereira (2002) em sua análise de dados sobre um conjunto de professores de uma cidade do interior de São Paulo, eles correspondem à primeira geração de suas famílias a ter cursado o ensino superior, ou mesmo a primeira geração a ter concluído o ensino fundamental e médio. Isso implica que, grande parte de sua formação leitora e do contato com a cultura letrada, deu-se no ambiente escolar, o que explica os tipos e títulos de livros e autores declarados como lidos na pesquisa. Eles são, portanto, tal como os pesquisadores designaram, leitores ‘escolares’, cujo repertório conhecido, coincide relativamente com o repertório dos currículos escolares, e é por isso reiterado por eles junto a seus alunos.
relativamente, das grandes corporações o poder absoluto sobre a produção artística e midiática, e apontando para uma forma ativa, coletiva e colaborativa de produzir conhecimento.
Jenkins (2009) menciona dois casos exemplares dessa transformação ocorrida na indústria cultural, que se deu entre o fim da década de 1990 e início dos anos 2000. Trata- se da produção de conteúdos alternativos, em forma de mashups, sobre o universo de Star
Wars e a produção de fan fictions a respeito da série Harry Potter. A princípio, as corporações detentoras dos direitos autorais dessas franquias tentaram combater tais práticas por meios judiciais. Entretanto, as mudanças nas formas de interação dos leitores/espectadores/consumidores, inseridos numa cultura de “fãs”, eram inevitáveis. Desse modo, as empresas passaram a apropriar-se das práticas espontâneas dos produtores de conteúdo amadores, incentivando e explorando suas produções alternativas.
Esse fenômeno tem ocorrido de maneira significativa no Brasil, com a interação entre o mercado editorial e os blogs e “vlogs” literários de jovens, num relacionamento em que os jovens com papel influente porque insuspeito perante seu grupo, ao mesmo tempo em que leem, comentam e resenham obras, algumas delas que recebem diretamente das editoras, atuam também como divulgadores dos produtos dessas empresas. Ao serem criadas certas condições técnicas propícias não apenas para uma produção coletiva, mas também para o estabelecimento de redes de sociabilidade virtual de leitura9, que congregam os jovens em comunidades, conforme seus interesses, suas
competências, seus gostos, em geral bastante ecléticos quanto à leitura de livros de gêneros diversos, sobre os quais trocam comentários que indicam tanto o repertório de textos lidos quanto o modo como são lidos, além de apresentarem a ratificação ou a reprovação das escolhas de livros, da interpretação realizada pelos demais membros etc.
O reconhecimento dos membros dessas comunidades como seus pares e a necessidade gregária, no processo de constituição identitária, de pertencimento a grupos no interior dos quais possam partilhar gostos e práticas é viabilizada pelos recursos tecnológicos do universo virtual. Esses recursos lhes auxiliam ainda no exercício de certo protagonismo, quando podem produzir textos que contarão com leitores cujo objetivo não se restringe a avaliá-los, tal como ocorre com suas produções em contexto escolar; quando podem ‘jogar’
9 Sobre a análise de comentários de leitores jovens em sites de redes sociais voltadas para a troca de impressões de leitura, cf. Curcino (2014a).
com a forma de textos cuja leitura é comum a outros jovens que compreenderão esses jogos e com eles também se divertirão; quando podem se destacar por aquilo que constitui uma das etapas do processo de amadurecimento e passagem para a idade adulta, a saber, por meio do rompimento com normas e gostos que eles associam como próprio do universo adulto, em especial, daqueles cuja autoridade advém também do espaço institucional da escola, assumindo uma atitude derrisória frente a objetos sagrados da cultura do outro, do adulto, da autoridade do passado assumida como modelo.
O mercado editorial, antes da escola, tem buscado contemplar essas facetas do perfil do jovem leitor, apropriando dessas suas formas contemporâneas de acesso e produção de textos e de repercussão dos textos lidos. Tendo isso em vista, faremos a seguir um breve panorama do desenvolvimento do mercado editorial brasileiro, a fim de observarmos nesse traçado o lugar e o status da literatura infantil e juvenil. Buscamos observar a formação de uma literatura juvenil e de um mercado editorial voltado ao leitor jovem, acreditando que esse percurso nos fornecerá indícios do imaginário a respeito do leitor jovem e de suas práticas de leitura, que nos permitam compreender as formas de apropriação de alguns produtos editoriais como o mashup literário.