• Sonuç bulunamadı

PROGRAMIN TR52 BÖLGE PLANI İLE OLAN İLİŞKİSİ

Nos resultados e análises desta pesquisa, pudemos observar algumas questões que transcorrem as sessões de psicoterapia.

98

Os homens apresentam mais dificuldade de falar dos seus sentimentos. A maioria, em seus escritos, atém-se às descrições de seus comportamentos, dificilmente refletem sobre suas emoções. Procuram menos, mas são mais constantes.

Porém, a resistência, tanto para homens como para mulheres, aparece, a princípio, com a indisposição de vir ao grupo, mas quando sentem seu benefício ficam aliviados e com vontade de continuar e enfrentar a vida, considerando que um dia por semana é pouco.

Nos primeiros dias cheguei a pensar que não iria resolver os meus problemas pois eram muitos. Pensando melhor comecei aderir às palavras ditas a psicóloga e assim estou sabendo lidar melhor com os problemas diários. Antes de começar a terapia me sentia angustiada, deprimida e achava não ter solução. Hoje posso ver com mais clareza. Sinto falta por não ter mais de uma vez por semana. (Mulher, 58 anos, parda, ensino fundamental completo, auxiliar de enfermagem, 1 a 3 salários mínimos) Outra dificuldade dos pacientes de enfrentar seu dia-a-dia. Apresentam dificuldades em perceber que, o que existe, é o aqui e agora, pois o que passou não volta e o que virá, ainda é desconhecido, embora provável ou possível de se supor, mas não real. É muito comum reportarem-se a tempos saudosos e nostálgicos, de um passado idealizado, achando que lá, naquelas épocas, é que as coisas eram boas e que não se apercebiam disso.

A dificuldade de encarar os problemas e ter que solucioná-los, levam as pessoas a sonhar com algo que, provavelmente, nunca viveram, apenas sonharam. Quando se fazem questionamentos sobre essas épocas, os relatos revelam, via de regra, que as dificuldades financeiras eram muito maiores e as privações, advindas destas, causavam tanto ou mais sofrimento que as atuais.

A medicação aparece, muitas vezes, como coisa ruim, eliciando medos de ficarem dependentes . Orientá-los para tomá-la com critérios médicos é uma batalha árdua, presente em quase toda a dinâmica psicoterápica, enfatizando que a melhor maneira de se libertarem da medicação, é o auto-conhecimento que a psicoterapia propicia.

Muitas vezes, quando optam por fazer aquilo que lhes dá mais prazer, quando conseguem eleger algo que os engrandecem e os beneficiam e não se sujeitam às vontades alheias, acham que estão agindo pela razão e não pela

99

emoção. Revelando a concepção ainda dominante socialmente de que a razão é a verdade, é o bom, e a emoção, o erro e o sofrimento. Assim correm o risco de bloquear a capacidade de sentir as afecções em vez de entendê-las, como nos ensina Espinosa (1973) que os dois fazem parte da natureza humana.

Espinosa (1973), no seu livro Tratado político (capítulo II, parágrafo 5) fala-nos exatamente sobre isso:

Se, portanto, a natureza humana estivesse disposta de tal modo que os homens vivessem seguindo unicamente as prescrições da Razão, e se todo o seu esforço tendesse apenas para isso, o direito natural, enquanto se considerasse o que é próprio do gênero humano, seria determinado somente pela capacidade da Razão. Mas os homens são mais conduzidos pelo desejo cego que pela Razão, e, por conseguinte, a capacidade natural dos homens, isto é, o seu direito natural, deve ser definido não pela razão, mas por toda a vontade que os determina a agir e através da qual se esforçam por se conservar. Confesso, na verdade, que estes desejos que não tem a sua origem na Razão não são tanto ações como paixões humanas. Mas, como se trata aqui do poder universal da Natureza, que é a mesma coisa que o direito natural, não podemos reconhecer neste momento nenhuma diferença entre os desejos que a Razão engendra em nós e os que têm outra origem: uns e outros, efetivamente, são efeitos da Natureza e manifestam a força natural pela qual o homem se esforça por perseverar no seu ser. Quer seja sábio ou insensato, o homem é sempre parte da Natureza, e tudo aquilo através do qual é determinado a agir, deve ser relacionado com o poder da Natureza, tal como este pode ser definido pela natureza deste ou daquele homem. Quer seja conduzido pela Razão ou apenas pelo desejo, o homem, efetivamente, nada faz que não esteja conforme com as leis e as regras da Natureza, isto é, em virtude do direito natural. (ESPINOSA, Tratado Político, 1973, p. 315- 316)

Segundo Espinosa (1973) uma emoção não desaparece por força da razão, mas, por causa de uma emoção mais forte. O que acontece com os pacientes é que, no decorrer da psicoterapia grupal, o amor por si torna-se mais forte do que o medo e a humilhação, por exemplo. Ela possibilita a rearticulação entre razão, emoção e ação, entre o pensar, o sentir e o agir.

Mas, como estão tão acostumados a se submeterem ao sofrimento, às humilhações, à vergonha, ao desrespeito e a serem desprezados, que, quando sentem-se potentes para superar o padecimento imposto pelo sofrimento ético- politico, sentimentos de servidão, acham que estão usando a razão, quando, na verdade, estão caminhando para o que Espinosa chama de felicidade, que o ser

100

é livre quando pensa, sente e age em ato. Há a servidão porque há quem se submete a ela.

Outro problema é a tendência do paciente deixar nas mãos do profissional as soluções de seus problemas. Apresentam dificuldades em encará-las como suas e assumi-las, para resolvê-las. Também, é o sentido de que a psicoterapia é um meio, para atingir o bom. Ela tem que ser sentida como um bem, algo bom em si.

Outra limitação observada nessa psicoterapia grupal é que não houve nenhum relato em que se referissem à busca da participação social mais ampla, em movimentos sociais. Apenas referências à melhora de situação social e econômica.