2. BU PROGRAMA İLİŞKİN KURALLAR
2.1 PROGRAMIN AMACI, ÖNCELİKLERİ VE PROJE ÖRNEKLERİ
Sintetizando, é possível constatar, pelos resultados desta pesquisa, tanto em seus diários, quanto pela análise dos questionários, que a psicoterapia grupal, voltada para o sofrimento gerado pelas desigualdades sociais, consegue dar um segmento diferente para as vidas dos que dela participam. Com poucas sessões, quando comparados aos pacientes do consultório convencional4,
atingem resultados surpreendentes, que, por sua vez, reafirmam que o principal problema deles é o sofrimento ético-político, gerado por formas de inclusão perversa (SAWAIA, 1999, p. 108), transversados por paixões tristes, muito mais evidentes que o comprometimento psíquico.
O efeito rápido da psicoterapia revela que as várias dificuldades que passam, devem-se à sua condição social (classe e gênero). No caso das pessoas submetidas a desigualdades sociais nas quais as injustiças sociais estão muito mais presentes, as privações e necessidades básicas fazem um diferencial qualitativo e quantitativo nas relações pessoais, profissionais, sociais e educativas.
Com brevidade, conseguem enxergar que suas realizações não estão no outro, mas em si próprios, assumindo o seu querer ou não, o seu desejo e a necessidade de se expandir, que é a base do sentido de mobilizar, modificar e transformar o seu mundo e a sua vida.
Em situação de servidão, as pessoas adoecem por terem idéias imaginativas, segundo Espinosa (1973) que leva a decomposição e se elas não se mantiverem vigilantes, pode levar a loucura . Para Espinosa (1973) imaginar é sentir a ação dos outros corpos sobre nós, por meio de idéias inadequadas,
4 Constatação, por experiência pessoal, adquirida em 30 anos de atendimento em consultório particular.
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que se sobrepõem as afecções. O corpo tem consciência dos efeitos que produz em si, mas desconhece as causas.
As idéias inadequadas não significam erros, mas sim, aquelas em que tomamos os efeitos como causa. Elas fazem parte da lei da natureza. Pensar significa encontrar as causas dos efeitos produzidos em nós.
Assim, nas sessões de psicoterapia grupal, conseguem, pelo entendimento e compreensão daquilo que lhes causa tanto sofrimento e dor, como, por exemplo, o medo de sair de casa, humilhações vividas, são efeitos de situações sociais das quais não tem culpa direta. Do mesmo modo, passam a ver a si e a seu mundo, de uma forma menos desqualificada, com mais integridade, tendo conhecimento de que, aquilo que lhe acontece, faz parte, na maioria das vezes, do sofrimento gerado pela desigualdade social. Muitas vezes, acreditam que tudo de ruim que lhe ocorre é de sua responsabilidade ou do outro próximo. Nesse trabalho grupal, tem a possibilidade de ver que não é de sua culpa ou atribuição os males de sua vida, mas sim, da forma como enfrentá-los para não adoecer. Conseguem, então, olhar para si, com menos tristeza e medo do que vêem, com mais coragem para enfrentar os encontros maus, geradores de servidão, sempre na relação com outras pessoas.
Assim, passam a buscar soluções para aquilo que achavam impossível antes e, o que é mais importante, não de uma maneira imaginada, mas fundamentada em sua realidade, que consegue enxergar, de forma mais compreensível e objetiva.
Considero que os sujeitos da pesquisa discordam da preocupação de Freud de que os pobres estão menos dispostos a renunciar as suas neuroses , porque eles não viam atrativos para voltar as suas pobres vidas, repletas de sofrimento e dificuldades de sobrevivência. Quando se conscientizam de que podem e têm condições de agir de outra forma, recuperam-se, pelo enfrentamento de suas dificuldades e, conseqüentemente, se potencializam para as mudanças de vida, não se sentindo atraídos pelo assistencialismo social, como por exemplo, os benefícios recebidos pelo INSS. Não que não recorram a eles, e que não sejam muito necessários, mas que, quando conseguem autonomia, preferem voltar às suas atividades profissionais.
A passagem de uma vivência passiva a uma ativa é possibilitada pelos afetos, junto com a das idéias. Os afetos são a mediação entre o mundo e a
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pessoa, e são eles que aumentam ou diminuem a potência de ação (liberdade e a criação). E como afirma SAWAIA (2006, p. 92), os afetos são espaços de vivência da ética, pois qualificam as ações e as relações humanas .
Na psicoterapia grupal, os sentidos se alteram a partir do encontro em grupo e da capacidade de potencializá-lo para a luta, quando os pacientes mudam seus sentimentos em relação a si e às suas vidas. Há, de maneira significativa, mudanças de sentido, que constituem a base afetivo-volitiva das falas e das ações.
Ser afetado pelo outro e afetar é a base da psicoterapia grupal. Mesmo quando alguns referem dificuldades para falar em grupo e publicamente, com o tempo eles aprendem a gostar, e esse espaço adquire um novo significado e sentido para suas vidas.
Os sentimentos de vazio, angústia e solidão, medo e humilhação são muito presente na vida dessas pessoas, frutos da ausência ou dos parcos encontros, resultando no padecer. Na ausência de outra oportunidade de participar de bons encontros, o grupo psicoterapêutico torna-se o único a lhes oferecer relações não servis. A cada descoberta de si e do outro, a cada sentimento trabalhado e refletido sobre suas causas, a cada sessão psicoterápica, há mudanças, transformações, crescimentos.
Após refletir e analisar os resultados desta pesquisa, elaboramos a configuração de uma psicoterapia do sofrimento gerado pela desigualdade social, que titulamos do sofrimento ético-político e que serão apresentadas a seguir.
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5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A felicidade não é o prêmio da virtude, mas a própria virtude; e não gozamos dela por refrearmos as paixões, mas ao contrário, gozamos dela por podermos refrear as paixões. (ESPINOSA, 1973, p. 306).