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Programda kazanılması ön görülen temel becerileri (problem çözme,

3.3. ÜRÜN BOYUTUNA İLİŞKİN BULGU VE YORUMLAR

3.3.1.5. Programda kazanılması ön görülen temel becerileri (problem çözme,

Motivado não unicamente pela “quebra” da rotina, mas também pela possibilidade de praticar esportes como surf e snowboard, é que o carioca Marc montou os roteiros de duas de suas viagens de longa duração sobre as quais mais conversamos. Na primeira, o litoral, ob- viamente, foi referência para visitação. Contudo, Marc esforçou-se por empreender uma jornada que proporcionasse a experiência de surfar não uma onda qualquer, mas lugares “consagrados” para a prática do esporte. Sua jornada, como se vê na figura a seguir,95 co-

meça pelo lugar considerado a “meca do surf”, segundo suas pró- prias palavras, o Havaí. A experiência no arquipélago, um dos 50

94 A partir de trabalho de campo efetuado na Espanha e na Índia, D´Andrea (2007) busca compre- ender a instituição de uma rede globalizada de experiências contraculturais que tomam forma a partir da adoção de um estilo de vida baseado em noções como as de espiritualidade, cosmo- politismo e individualismo. O trânsito de sujeitos “expatriados”, termo do próprio autor, entre os dois países, motivado pelo cenário da música eletrônica, é tomado como empiria privilegiada para se pensar aquilo que ele denomina de “neonomadismo” ou “nomadismo global”. 95 Nos mapas que representam os trajetos percorridos pelos interlocutores apresentados neste

livro, o balão verde indica a localidade em que a viagem se inicia, e o vermelho, por seu turno, sinaliza o lugar de término do deslocamento.

estados que compõem os Estados Unidos, foi tão significativa que o

bartender e professor de inglês tatuou um mapa, representando as

ilhas que o formam, em seu ombro. Dos oito meses em que passou em trânsito, quase quatro foram vividos no lugar.

O desembarque de Marc no estado do Havaí se deu após um curto período entre outros estados norte-americanos, onde o carioca procurou revisitar amigos que fez durante seu período de intercâmbio. Após tais reencontros, o surfista tomou um voo da Califórnia para Honolulu, capital do estado a ser visitado, e, a partir daí, começou seu périplo pelas demais ilhas em busca dos “picos”96 que anteriormente

só “conhecia” por meio de filmes e fotografias de surfistas famosos.

Figura 1 – Roteiro de Marc pelo Havaí

96 Por “pico” os surfistas entendem o lugar onde ondulações que favorecem a prática do surf podem ser localizadas. Uma localidade, bem como uma mesma praia, pode ser possuidora de vários “picos”, que diferencia-se entre si pela direção das ondas e pelo fundo do mar (pedra, recife ou areia), por exemplo. “Picos”, por vezes, são motivos de disputa, expressando uma reivindicação por exclusividade territorial que opõe “surfistas locais” e “sufistas de fora”. Alguns “Picos” são considerados secretos e tendem a permanecer assim pelo esforço dos poucos que os conhecem e a eles têm acesso; no jargão dos surfistas esses lugares escondidos são os secret spots.

Terminados os quase quatro meses em que Marc permaneceu envolvido pela atmosfera havaiana, o carioca resolveu dar continuidade a sua jornada, uma vez mais procurando estabelecer como destinos prioritários praias com constantes ondulações. Desse modo, a Austrália apresentou-se como destinação seguinte. O primeiro ponto de desem- barque naquele país foi a cidade de Sidney, mas depois de alguns dias ela foi “preterida” em prol de outra famosa região para a prática do surf: a Gold Coast.97 Passadas várias semanas em Queensland, Marc resolveu

visitar a cidade de Melbourne e depois retornou a Sidney para tomar um voo rumo à Auckland, capital da Nova Zelândia. Importante dizer que este país – por sua geografia diversa, composta de praias, montanhas e inúmeros rios e lagos – é considerado um paraíso para os amantes de esportes radicais, sendo o turismo advindo de tal reconhecimento uma das principais atividades econômicas da Nova Zelândia.98 A seguir,

mais um mapa representando a rota criada por Marc:

Figura 2 – Roteiro de Marc pela Austrália, Nova Zelândia e Indonésia

97 Assim como o Havaí, a Austrália é inquestionavelmente considerada um lugar privilegiado para a prática do surf e outros esportes aquáticos. Dentre seus variados destinos para prática desses esportes, a Gold Coast – localizada na região de Queensland – se destaca, sendo objeto de constantes publicações esportivas. Muito sugestivamente, a cidade comporta um subúrbio, que também é praia, chamado de Surfers Paradise, que se tornou destinação turística mun- dialmente conhecida.

98 A ideia de promover um “turismo mais ativo” é o carro-chefe das inúmeras agências turísticas presentes em solo neozelandês. Segundo Reis (2010), com mais de 30% de sua terra protegida em áreas de conservação e reservas florestais e detentora de uma topografia bastante diversa, de clima imprevisível, a Nova Zelândia, nos últimos trinta anos, vem tornando-se importante destino turístico do Pacífico. Interessante perceber é que “belezas naturais” do país e sua “vo-

Depois da experiência nos dois países da Oceania, Marc de- cidiu aproveitar a proximidade e explorar, especificamente, dois destinos localizados na Indonésia, país compreendido entre o citado continente e o sudeste asiático. As localidades escolhidas para visi- tação, como não poderia deixar de ser, novamente tinham relação com o surf, eram as províncias de Jacarta e Bali. A primeira, capital e maior cidade da Indonésia, na realidade, conforma-se quase que como uma parada obrigatória, haja vista que a maioria dos voos para o restante do país saem de lá. Bali, por seu turno, era o destino final para o carioca, uma ilha repleta de praias, segundo ele, com “ondu- lações perfeitas”. Bali também marca, para Marc, o término de sua primeira viagem de longa duração. Após o período em tal ilha, os deslocamentos são apenas os de retorno ao Brasil (Bali-Jacarta, Jacarta-Sidney e Sidney-Rio de Janeiro).

Embora os termos “novidade” ou “estranheza”, para alguns, não possam ser empregados à viagem de Marc de forma a não gerar ruídos – afinal, com a maturação dos meios de transporte e tecno- logia (O´REILLY, 2006) estas noções parecem ser difíceis de se sus- tentar –, a experiência do carioca levanta uma questão importante para se pensar a natureza do tipo de viagem em questão. Antes de apresentá-la, no entanto, não custa ressaltar mais uma vez a dispo-

sição criacional, o esforço inventivo, em relação ao roteiro, mobili-

zado pelo jovem surfista. Isso, por si só, já é considerado entre vá- rios sujeitos viajantes como uma forma distintiva presente em suas práticas de viagem, afastando-os do turista convencional ou institu- cionalizado ou ainda do turismo de massa (COHEN, 1972, 1973).

Feita tal menção, retorno à questão – por mim considerada de extrema importância – que a jornada de Marc suscita: a da relação entre o corpo e viagem. Conforme apontam MacCannell (1976) e Urry (1990), o turista até recentemente foi representado como um “con- templador”, um sujeito que consumia os lugares visitados apenas

cação para a aventura” são constantemente trabalhadas pelo trade turístico local, reforçado por políticas governamentais para desenvolvimento do turismo. Escaladas em rocha, caça e pesca, vela e mountain biking são apenas algumas das atividades apresentadas por uma plura- lidade de brochuras e anúncios criados por operadoras turísticas.

pela “observação”, pelo “olhar”. A disposição fotográfica e a passivi- dade diante dos monumentos podem ser consideradas, para J. Urry, exemplos dessa postura sightseer. No entanto, esse paradigma vi- sual, nas últimas décadas, vem dando lugar a um conjunto de refle- xões acerca das viagens e demais atividades turísticas que levam em consideração também a “corporeidade das práticas” (VEIJOLA; JOKINNEN, 1994). A jornada de Marc mobiliza sensações físicas, abre-se à busca do “extraordinário” em termos de sensibilidades cor- porais, faz-se calcada num ideal de atividade frente ao lugar e não de

passividade, o que impõe a citada relação – corpo e viagem – como

necessário objeto de reflexão.99

Em uma leitura apressada, a natureza poderia ser evocada como o único elemento de enlace entre o corpo e a viagem. Ou seja, o lugar-natureza seria privilegiado no sentido de estimular as di- mensões físicas e sensoriais dos sujeitos a partir, por exemplo, da caminhada por um relevo acidentado ou dos desafios propostos por esportes como o surf, caso de Marc, mas também montanhismo, canoagem etc. Entretanto, não gostaria de reproduzir aqui mais uma dicotomia: as experiências físicas e sensoriais também são elaboradas no lugar-cidade ou no lugar-urbano: é o que se verá debruçando-se sobre as narrativas de Benny e Ceci, a seguir. O que está em pauta, portanto, é um deslocamento de paradigma que cul- mina em apreciações sobre as atividades turísticas que igualmente

99 Para Reis (2010, p. 297), os estudiosos do turismo têm esquecido que “toda e qualquer experi- ência é vivida, sentida e apreendida por meio de nosso corpo”. Sendo a corporeidade uma parte fundamental da experiência humana, o turismo – de maneira alguma – poderia esquivar-se de refletir sobre questões concernentes ao corpo. Tal esquecimento, ainda conforme a autora, pode ser relacionado à manutenção de grandes dicotomias (sociedade/natureza ou sujeito/objeto) estruturantes do pensamento científico moderno. Assim, a apartação entre corpo e mente teria sido responsável pela posição de invisibilidade, até recentemente ocupada pelo primeiro termo. É importante destacar que a consideração da corporeidade no turismo acompanha o movimento reflexivo – iniciado ao final da década de 1960, com as críticas advindas do feminismo, da “revo- lução social”, do esporte e do body-art – que interpela a condição corporal dos sujeitos, pen- sando a corporeidade humana como um fenômeno social e cultural (LE BRETON, 2009b). Especificamente na seara dos estudos do turismo, é válido frisar que algumas reflexões sobre o corpo – como as promovidas por Hottola (2004) – também procuram relacioná-lo com as temá- ticas do gênero e da sexualidade. Tais enlaces conduzem a uma análise, por exemplo, dos encon- tros entre visitantes e locais que não se define apenas por relações econômicas.

reconhecem o corpo como elemento de dotação de significado no que se refere às experiências de viagem.