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1. BÖLÜM

1.4. Profesyonel Turist Rehberlerinin Görevleri

O quarto componente da política de territorialização do Governo estadual e complementar aos três anteriores era o amplo programa de introdução de imigrantes e a organização do mercado de trabalho assalariado. O estado de São Paulo, sendo o único estado que subvencionava a imigração, investiu maciçamente para assegurar o trabalho na lavoura de café. Sendo uma reivindicação dos interesses da lavoura, não foi consensual no Governo. Havia, é claro, no âmbito do projeto modernizador, o desejo de trazer o imigrante para a indústria agrícola. Já em 1896, o Secretário de Agricultura, Comércio e Obras Públicas, Álvaro da Costa Carvalho, comentava o ônus para o estado em ter que subvencionar a imigração, que deveria ser espontânea. Dizia que o fornecimento de braços à lavoura de café107, obrigando o Governo a dar

preferência à questão imigratória, estava retardando as providências precisas para o desenvolvimento da imigração espontânea. O problema só teria solução depois que a propaganda abrisse os portos de outros países que não a Itália, especialmente o da Alemanha, que poderia fornecer imigrantes espontâneos. O

107 Uma zona nova ou próspera que surgia, atraía maior quantidade de trabalhadores, que muitas vezes, abandonavam as terras

cansadas à procura de áreas mais prósperas. Em 1898, a zona cafeeira do denominado oeste do Estado continuava a ter maior atração de trabalhadores agrícolas, recebendo durante o ano, 79% dos que tinham ido para os municípios do interior. A zona da lavoura nova do café nos municípios de S. Manoel, Avaré, Botucatu, Rio Verde e Lençóis receberia 1.578 imigrantes, enquanto os municípios do norte recebiam apenas 146. Dentre os 23.713 imigrantes que tinham se destinado ao interior, estavam aqueles que tinham vindo com destino certo e os que tomaram destino na hospedaria, ajustando-se diretamente com fazendeiros, ou por intermédio dos agentes de colocação.

imigrante espontâneo, que pagaria a sua passagem, teria naturalmente aspirações mais elevadas. A existência de um pecúlio poderia significar o desejo comprar terra. E ressaltava ainda que as razões que desviaram a atenção do Governo da necessidade de fomentar a imigração para a pequena propriedade já estava desaparecendo. Esperava que, em prazo relativamente curto, poderia ser considerada terminada a missão do estado no suprimento de trabalho à grande lavoura.

Nas estatísticas criadas para o controle da imigração no estado, computavam-se sempre os imigrantes subvencionados e os espontâneos. As duas quantidades oscilavam ano a ano108. Pode-se dizer

que a própria Secretaria contribuía para isso, já que alternava a sua política, ora investindo na subvenção, ora estimulando a atração de imigrantes por conta própria. Em 1900, por exemplo, o Secretário de Agricultura dirigia-se às Comissões Municipais de Agricultura, pedindo-lhes que despertassem nos colonos satisfeitos na lavoura, o incentivo de convidarem os parentes residentes em sua pátria a virem também. No ano seguinte, o Secretário enfatizava que era chegado o momento oportuno de promover a transformação dos sistemas de imigração e colonização. Aliviados, o Governo, da preocupação do fornecimento imediato de braços à lavoura de café, e o tesouro, das despesas da introdução de grandes levas de imigrantes, o estado, poderia através de uma reforma, aproveitar os recursos para levar a efeito aquela transformação. Para tanto, propunha uma modificação da legislação concedendo vantagens aos imigrantes espontâneos e prevenindo a introdução de maus elementos, “sob os pontos de vista físico e moral”, criando uma Inspetoria de Imigração do Porto de Santos, com atribuições de polícia e comissões de Imigração, que auxiliariam nos serviços de chamadas de imigrantes por seus parentes já estabelecidos no estado. Poderiam também intervir junto aos patrões quando os operários tivessem queixas contra os primeiros.

Por outro lado, já em 1903, pressionado pela lavoura, o estado incrementou a imigração subsidiada, aprovando um Decreto introduzindo 10.000 imigrantes. Em 1904, outro Decreto subsidiou a fixação de mais 5.000. O Secretário Carlos Botelho afirmava que a Secretaria só tinha promovido a imigração, visando satisfazer o custeio da lavoura cafeeira, um benefício para a riqueza do estado, embora pudesse ter resultados mais vantajosos com a fixação do imigrante ao solo. A grande preocupação dos fazendeiros era o volume de emigrantes que deixavam o país. Para eles, as causas da evasão não eram as condições de trabalho e instalações nas fazendas, mas as “leis naturais” ligadas à economia. A crise econômica ligada à baixa do café era proporcional à saída de emigrantes. Neste aspecto, as críticas às políticas de imigração não foram poucas. Os críticos acusavam o sistema de ser oneroso e de não fixar os imigrantes ao solo. Este ponto se tornaria o motivo de embate entre Governo e fazendeiros de café. O Governo defendia uma política voltada a outro modelo do mercado de trabalho, que associasse a imigração à modernização dos processos agrícolas e introdução da ciência à agricultura. Nestes termos, o Secretário, Alfredo Guedes rebatia as críticas dos representantes da lavoura em 1900. Dizia que cada país tinha seu sistema de imigração. Justificava que, a exemplo de outros países que conseguiram fomentar a riqueza pública com imigrantes por conta própria, o Governo deveria fazer o mesmo em São Paulo:

“O estado de São Paulo tem a densidade de população suficiente para determinar a barateza dos salários, sem o grau de experiência e instrução agrícola indispensável para facilitar a aplicação dos processos científico capazes de reduzir o custo de produção, não dispondo de capitais baratos, não podendo ter meios

108 Entre 1827 e 1921, entraram em São Paulo 1.894.055 imigrantes. Desse número, 991.282 vieram subsidiados, 725.058 vieram

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de transporte módicos, já por sua topografia, que eleva o custo da construção das estradas de ferro, já por não ter vias de comunicação fluvial para a maior parte do estado, no sentido da exportação, não podia com êxito entregar-se a outra indústria que aquela a que se entregou e lhe assegurou na classe dos estados produtores do Brasil o lugar proeminente que ocupa.

Sendo isso certo, não podíamos como não poderemos por algum tempo ainda mudar de sistema de imigração, pois enquanto não se modificarem pelo menos algumas das condições atuais contrárias ao desenvolvimento de outras indústrias, a do café terá de absorver todos os braços que possamos importar, e estes não podem deixar de ser os que nos fornece a imigração assalariada, atento o regime do trabalho existente na lavoura do café.”(SÃO PAULO, 1900: 109)

Guedes acreditava que a melhoria das condições de trabalho dos imigrantes só ocorreria com a industrialização, com a fomentação do cultivo de novos produtos. Dizia também que era um erro pensar que o imigrante se fixaria e diagnosticava o problema:

“Quem conhece o nosso estado, sabe que é grande o número de antigos colonos estabelecidos por conta própria na lavoura, e não desconhece como tem crescido a população das nossas cidades do interior e se multiplicado os pequenos negócios e indústrias nelas existentes depois do estabelecimento da corrente migratória, que, aliás, é canalizada em seu primeiro estabelecimento, para a lavoura do café. O nosso sistema de imigração e colonização tem defeito, este consiste em não facilitar à grande lavoura por muito tempo a permanência nela dos braços que lhe são destinados. O defeito está principalmente no modo por que é localizado o imigrante. O remédio consiste em facilitar a este os meios de estabelecer-se por conta própria, sem tirar-lhe a condição de assalariado da grande lavoura, conciliando as necessidades desta com as legítimas aspirações do imigrante.

A fundação de núcleos em lugares apropriados, para servirem aos fins que se deseja, só muito lentamente daria resultados práticos, porque, à parte a dificuldade de encontrar-se sempre terras disponíveis em situação conveniente para a fundação de núcleos, ela exigiria, sem dúvida, maiores encargos para o estado, não só nas despesas de instalação como nas de custeio.” (SÃO PAULO, 1900: 109)

A fundação dos núcleos coloniais era, portanto, uma solução e traria várias vantagens: 1. a fixação do imigrante ao solo à disposição da lavoura do café; 2. aliviar ao fazendeiro do encargo de estender plantações de café só para facultar ao colono o plantio de cereais no café novo; 3. aliviar ao fazendeiro da obrigação de construir à sua custa casas para os colonos e formar ou cercar pastos para os mesmos; 4. habilitar a lavoura de café a ensaiar o regime de trabalho por camaradas para reduzir o custo de produção do café; 5. aliviar os encargos do Tesouro com a introdução de imigrantes pela fixação dos mesmos e a formação de “viveiros de trabalhadores para a lavoura do café”; 6. desenvolver no estado indústrias auxiliares a serem exercidas por pequenos lavradores, barateando o preço dos gêneros alimentícios e, por isso mesmo, contribuindo para baratear os salários.

A fixação do imigrante como uma nova política de colonização e trabalho era, portanto, uma possível solução, pois, ao contrário, o estado seria obrigado a ter sempre que custear a sua vinda. Além disso, estava claro para os republicanos que o Governo deveria atuar apenas auxiliando o particular na obtenção do trabalhador, estimulando a vinda, desde o início, por iniciativa própria. Com isto, o Governo passaria a ser o agenciador, facilitando o transporte, cuidando da imigração em um modelo mais interessante à colonização. Em 1904, Carlos Botelho insistiria na idéia da flexibilidade na fixação do imigrante, propondo o estabelecimento de serviço de transporte de trabalhadores agrícolas de uma para outras regiões do estado ou procedentes de outros estados, assegurando a eles o transporte a suas casas depois de terminados os trabalhos de colheita:

“Esta medida, facilitando a mobilização do braço dentro do país, seria de um alcance considerável, tanto para o fazendeiro como para o estado. Aquele, tendo facilidade de obter um suprimento extraordinário de braços, na ocasião da colheita, reduzirá bastante suas despesas de custeio, dispensando o pessoal permanente, que agora se vê obrigado a sustentar, para garantia do trabalho regular da fazenda.

Além disso, a facilidade do braço, por ocasião da colheita, é a condição sine qua non para a hoje imprescindível introdução do trabalho mecânico no tratamento dos cafezais, sem o qual não conseguiremos a redução do custo de produção, para assegurar a prosperidade da nossa lavoura cafeeira.” (SÃO PAULO,

1904: 118)

E Botelho ia além, na defesa dos Núcleos Coloniais, sugerindo que com asuacriação e o auxílio da iniciativa particular, o estado constituiria os necessários “viveiros de trabalhadores”, de onde sairia, na época da colheita de café, o trabalho nas fazendas. O colono nos núcleos teria trabalho remunerador, assegurando a prosperidade e o bom êxito da colonização em novos moldes. Parece claro que Botelho estava interessado em promover uma reforma no trabalho, evitando a rígida permanência dos imigrantes nas fazendas e estabelecendo contratos temporários. Estes teriam moradia fixa nas colônias, aonde poderiam se qualificar na utilização de técnicas modernas, na mecanização e nos ensaios que seriam realizados nos campos de demonstração e experiências.

As idéias de Carlos Botelho não eram consensuais, mas o seu esforço em empreender um novo modelo de imigração foi relevante, levando-o a instituir reformulações na política de imigração. Primeiro, em 1905, instituiu o Decreto 1.332, de 29 de novembro, concedendo às Companhias de Navegação, subvenção à entrada de imigrantes europeus e exclusivamente agricultores até julho de 1906. Posteriormente, em 1907, no âmbito da grande reforma que realizou na Secretaria, suspendeu, de início, a imigração subsidiada em grandes levas e reorganizou o serviço de introdução de imigrantes por chamadas para atender às necessidades ordinárias de suprimento às fazendas. Ao mesmo tempo, Botelho ponderava que a experiência indicava que enquanto não interviessem outros fatores, tais como o da fixação dos colonos - que se retiravam no fim de cada colheita das fazendas - o serviço de chamadas, por si, não poderia satisfazer ao desfalque de braços que a lavoura cafeeira periodicamente sofria, sendo necessário, portanto, em situações de emergência e como medida transitória nas colheitas maiores, restabelecer o serviço de imigração subsidiada em grandes levas. As maiores reformulações, entretanto, vieram com o Decreto 1.458, de 6 de novembro de 1907. Botelho queria criar um sistema de fixação dos imigrantes, apurando as suas aptidões antes de conceder-lhes todas as vantagens e favores para o seu estabelecimento:

“Em vez de atrair, desde o começo, grandes levas de imigrantes, pagos a tanto por cabeça e, portanto, sem nenhuma seleção, e de colocá-los nos núcleos, em casas construídas nos lotes à custa do estado, fornecendo-lhes o alimento e tudo mais, como se devessem tudo esperar do Governo, adotei a regra de não regatear nada do que seja preciso para satisfatória instalação dos imigrantes em seus lotes, concedendo tudo, porém, a pari passu que o imigrante vai dando mostras de sua firme intenção e de sua capacidade para fixar-se, sem ser um pensionista do estado.” (SÃO PAULO, 1907: 29)

No sistema de colonização proposto, o preparo do terreno para as primeiras plantações seria feito pela administração do núcleo, que facultaria ao imigrante recém-chegado, trabalhos nas culturas e outros serviços, até que este auxílio pudesse ser dispensado. O imigrante edificaria no respectivo lote a sua casa, recebendo materiais ou, se preferisse, depositando previamente a quinta parte do valor da edificação, sendo o restante reunido ao valor do lote, para ser pago, em igual número de prestações. Botelho enfatizava que só

199 auxiliaria àqueles que possuíssem aptidão para a permanência, sem constituir o imigrante em devedor de somas que não pudesse pagar. As medidas concretas foram: 1. reforma na Inspetoria de Imigração do Porto de Santos, recebendo a incumbência das informações aos imigrantes a bordo, cabendo-lhe acolher, desembarcar e fazer transportar para a Hospedaria da capital109 os que quisessem aceitar os favores que a lei

lhes assegurava; 2. reformas na Hospedaria dos Imigrantes, introduzindo vacinação obrigatória, dormitórios com camas higiênicas e compartimentos reservados às famílias, sala de refeitório e cozinha e instalações modernas a gás; 3. criação da Agência Oficial de Colonização e Trabalho, para que os imigrantes ou quaisquer trabalhadores encontrassem as informações de que necessitassem para a sua colocação na lavoura, nas indústrias ou núcleos coloniais; 4. criação de uma Lei de proteção e amparo dos trabalhadores rurais para garantir a defesa dos seus direitos nas dúvidas ou questões que pudessem surgir nas relações com os patrões, facilitado àqueles o contrato perante a Agência, que lhes forneciam caderneta com todas as condições estipuladas110.

FIGURA 85

Hospedaria dos Imigrantes da Capital – refeitório após a reforma. Fonte: SÃO PAULO, 1907

FIGURA 86

Hospedaria dos Imigrantes da Capital – dormitório de solteiros. Fonte: SÃO PAULO, 1907

FIGURA 87

Chegada dos imigrantes em Santos. Fonte: SÃO PAULO, 1911.

FIGURA 88

Chegada dos imigrantes à Hospedaria da Capital. Fonte: SÃO PAULO, 1911.

109 Pelo artigo 91 do Decreto 1.458, os imigrantes que se destinavam ao interior do estado tinham direito ao transporte gratuito desde o

desembarque até a Hospedaria da Capital ou outro alojamento que fosse designado.

110 Esta caderneta continha a lei Federal 1.150 de 05 de janeiro de 1904, que estabelecia o “privilégio de pagamento de dívida

proveniente de salários de trabalhador rural” e o contrato de trabalho, no qual se estipulava que ao fazendeiro cabia a responsabilidade de fornecer gratuitamente transporte, moradia, pasto para um ou mais animais em proporção aos pés de cafeeiros que o colono fosse tratar e terreno para a plantação de mantimentos, também em proporção relativa aos pés de cafés. A caderneta também estipulava multas ao fazendeiro que dispensasse os colonos sem justa causa e também aos colonos que abandonassem o trabalho antes do prazo estabelecido no contrato. Na caderneta, o fazendeiro preenchia mês a mês o salário pago ao colono, como demonstração e prova de que o pagamento estava sendo efetuado.

FIGURA 89

Edifício da Hospedaria dos Imigrantes sem. Paulo. Fonte: SÃO PAULO, 1911.

FIGURA 90

Fachada da Hospedaria dos Imigrantes em Santos. Fonte: SÃO PAULO, 1911.

Botelho também fez campanha a favor da imigração japonesa. Para isso, enviou um Comissário de Imigração de primeira classe, Edmundo da Fonseca a uma viagem para os países que tinham realizado esse tipo de imigração: Argentina, Chile e Estados Unidos, percorrendo a costa oeste, concentrando-se em S. Francisco para conhecer as experiências de introdução daqueles imigrantes. O encarregado voltou convencido que a imigração japonesa era um bom negócio, incentivando Botelho a realizá-la.

Os resultados desta reforma seriam logo visualizados. Já no mesmo ano de sua instituição, a Agência Oficial de Colonização e Trabalho oferecia trabalho para 2.397 pessoas, sendo 1.249 brasileiros, 306 portugueses, 285 espanhóis e 270 italianos. A tendência, nos anos seguintes foi regulamentar cada vez mais a questão do trabalho, que passava a tomar dimensão maior e o saldo migratório começava a melhorar. Em 1910 foram 40.478 entradas contra 30.761 saídas e, em 1911, 64.990 entradas contra 27.331 saídas, enquanto que os anos de 1903, 1904 e 1907, ao contrário, foram marcados por déficit migratório. Havia duas causas para este aumento: a alta do preço do café e as medidas do Governo, com o crescimento da imigração subsidiada, organizada pelo Governo, ao lado, conforme era de seu desejo, da entrada de imigrantes espontâneos: dos 64.990 imigrantes, 43.532 vieram espontaneamente e 21.458 foram introduzidos. Os números eram esperados, já que em 1911, a Lei 1.205, de 06 de julho criaria o serviço de Comissários do Estado de S. Paulo no exterior. Tratava-se de uma intensificação do serviço de propaganda das condições do estado de São Paulo para atrair novos imigrantes:

“Em lugar de simples agentes de propaganda da emigração, os Comissários devem ter por missão informar sobre as condições físicas, políticas, econômicas e sociais do Estado, seus diversos ramos da indústria, seu sistema de colonização, vantagens oferecidas aos emigrantes, preços das terras, meios e facilidades para adquirí-las, salários, preços dos principais artigos de consumo, cabendo-lhes também em geral o estudo e emprego dos meios que interessem ao desenvolvimento das relações econômicas do estado e a defesa dos seus produtos nos mercados de consumo.” (SAO PAULO, 1912: 15)

Porém, em 1912, estava consolidada a idéia de que o Governo não poderia abrir mão da imigração subsidiada. Dizia o Secretário Paulo de Morais Barros que não se podia deixar de subvencionar o imigrante que já era onerado para expatriar-se do seu local de origem. A propaganda no exterior e a chamada de parentes eram as metas do Governo para intensificar a imigração espontânea, mas já se sabia que pouco resultado traria. A década de 1920 começaria revigorando a idéia da imigração subsidiada, diante das

201 alterações e mudanças no mundo após o término da Primeira Guerra Mundial. Começava-se a colocar em prática a idéia que já havia sido ensaiada por Carlos Botelho, na sua reforma de 1907, de trazer japoneses à lavoura. Como se sabia que esta idéia não era bem aceita pelos fazendeiros de café, buscou-se introduzí-los no sistema colonial idealizado pelo Governo. Em 1924, ainda chegavam muitos imigrantes espontâneos111. Um

fenômeno começava a despontar: a vinda migrantes brasileiros de outros estados para São Paulo. Em 1923, já haviam sido contabilizados, desde 1913, 95.815 migrantes nacionais.