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O Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação é um programa estratégico no âmbito do PDE, que foi instituído através do Decreto nº 6.094 de 24 de abril de 2007.

Este plano tem como proposta central inaugurar um regime de colaboração entre a União com os Estados, Municípios e Distrito Federal, juntamente com o apoio das famílias e da comunidade, visando a melhoria da qualidade da educação básica.

A proposta do plano em análise foi criar um mecanismo interligado que garantisse o acesso dos entes federados às ações de assistência técnica e/ou financeira oferecidas pela União, desde que os Estados, Municípios e Distrito Federal aderissem, de forma voluntária, os critérios estabelecidos conforme destacado no Decreto nº 6.094/2007, capítulo III em seu artigo 5º.

Art. 5º. A adesão voluntária de cada ente federativo ao Compromisso implica a assunção da responsabilidade de promover a melhoria da qualidade da educação básica em sua esfera de competência, expressa pelo cumprimento de meta de evolução do IDEB, observando-se as diretrizes relacionadas no art. 2o. (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007)

Este estudo traz na íntegra o Decreto nº 6.094/2007, que versa sobre o Plano de Metas Compromisso todos pela Educação. Porém, dada a sua relevância para a presente pesquisa é oportuno discutir as disposições contidas no artigo 2º, posto se tratar das 28 diretrizes que são os pilares de sustentação de todo esse sistema.

Art. 2º. A participação da União no Compromisso será pautada pela realização direta, quando couber, ou, nos demais casos, pelo incentivo e apoio à implementação, por Municípios, Distrito Federal, Estados e respectivos sistemas de ensino, das seguintes diretrizes:

I - estabelecer como foco a aprendizagem, apontando resultados concretos a atingir; II - alfabetizar as crianças até, no máximo, os oito anos de idade, aferindo os resultados por exame periódico específico;

III - acompanhar cada aluno da rede individualmente, mediante registro da sua frequência e do seu desempenho em avaliações, que devem ser realizadas periodicamente;

IV - combater a repetência, dadas as especificidades de cada rede, pela adoção de práticas como aulas de reforço no contra-turno, estudos de recuperação e progressão parcial;

V - combater a evasão pelo acompanhamento individual das razões da não-frequência do educando e sua superação. (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007)

Com as ações previstas nas diretrizes IV e V, automaticamente já tem resultado refletido diretamente no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB) em função do foco específico no fluxo escolar. Outras ações são propostas no artigo supracitado.

VI - matricular o aluno na escola mais próxima da sua residência;

VII - ampliar as possibilidades de permanência do educando sob responsabilidade da escola para além da jornada regular;

VIII - valorizar a formação ética, artística e a educação física”. (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007).

O “Mais Educação” é um dos programas do governo federal que visam contemplar a diretriz de número VII, oferecendo, por meio do trabalho de voluntários selecionados pela escola a fim de oferecerem oficinas durante o contraturno.

Art. 2º. [...]

IX - garantir o acesso e permanência das pessoas com necessidades educacionais especiais nas classes comuns do ensino regular, fortalecendo a inclusão educacional nas escolas públicas;

X - promover a educação infantil;

XI - manter programa de alfabetização de jovens e adultos;

XII - instituir programa próprio ou em regime de colaboração para formação inicial e continuada de profissionais da educação;

XIII - implantar plano de carreira, cargos e salários para os profissionais da educação, privilegiando o mérito, a formação e a avaliação do desempenho;

XIV - valorizar o mérito do trabalhador da educação, representado pelo desempenho eficiente no trabalho, dedicação, assiduidade, pontualidade, responsabilidade, realização de projetos e trabalhos especializados, cursos de atualização e desenvolvimento profissional;

XV - dar consequência ao período probatório, tornando o professor efetivo estável após avaliação, de preferência externa ao sistema educacional local;

XVI - envolver todos os professores na discussão e elaboração do projeto político pedagógico, respeitadas as especificidades de cada escola (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007).

A diretriz XVI se vê contemplada no PAR de acordo com o Guia Prático de Ações do PAR Municipal. Tal proposta está consubstanciada na Dimensão 1 que trata da Gestão Educacional, subdividida na área 1. Gestão democrática: articulação e desenvolvimento dos sistemas de ensino. O Indicador número 4 reza o seguinte: “Existência de projeto pedagógico (PP) nas escolas, inclusive nas de alfabetização de jovens e adultos (AJA) e de educação de jovens e adultos (EJA), participação dos professores e do conselho escolar na sua elaboração, orientação da secretaria municipal de educação e consideração das especificidades de cada escola.”

Nesse aspecto tanto a diretriz XVI quanto um dos indicadores, especificamente o número 4, prevê a participação somente dos professores e do conselho escolar, deixando de contemplar outros seguimentos da comunidade escolar, tais como os alunos, os pais, funcionários da escola, etc. Nessa linha de pensamento convém citar os argumentos de Veiga (2012) em relação ao Projeto Político Pedagógico (PPP), no qual a autora enfatiza que a escola é um espaço democrático e que a organização do trabalho pedagógico deve superar relações competitivas, corporativas e autoritárias e a construção deste projeto deve ter relativa autonomia, bem como a participação dos educadores, pais, alunos e funcionários. É assim que, em suas palavras, se busca uma “nova organização para a escola” (VEIGA, 2012, p. 1).

Art. 2º. [...]

XVII - incorporar ao núcleo gestor da escola coordenadores pedagógicos que acompanhem as dificuldades enfrentadas pelo professor;

XVIII - fixar regras claras, considerados mérito e desempenho, para nomeação e exoneração de diretor de escola;

XIX - divulgar na escola e na comunidade os dados relativos à área da educação, com ênfase no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica - IDEB, referido no art. 3o; XX - acompanhar e avaliar, com participação da comunidade e do Conselho de Educação, as políticas públicas na área de educação e garantir condições, sobretudo institucionais, de continuidade das ações efetivas, preservando a memória daquelas realizadas;

XXI - zelar pela transparência da gestão pública na área da educação, garantindo o funcionamento efetivo, autônomo e articulado dos conselhos de controle social;

XXII - promover a gestão participativa na rede de ensino (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007).

A diretriz XXI, por sua vez, propõe a transparência na gestão pública e tal proposta se articula com a diretriz XXII, que é promover a gestão participativa, foco principal deste estudo, posto que se pretende verificar e analisar o trabalho do Comitê Local do Compromisso no município de Uberlândia/MG no que concerne ao PAR.

Art. 2º. [...]

XXIII - elaborar plano de educação e instalar Conselho de Educação, quando inexistentes;

XXIV - integrar os programas da área da educação com os de outras áreas como saúde, esporte, assistência social, cultura, dentre outras, com vista ao fortalecimento da identidade do educando com sua escola (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007).

Assim, novamente verifica-se uma diretriz, a de número XXIV, que preconiza a integração de programas da educação com o esporte, porém isto não está contemplado em nenhum dos 82 indicadores previstos no PAR municipal.

Art. 2º [...]

XXV - fomentar e apoiar os conselhos escolares, envolvendo as famílias dos educandos, com as atribuições, dentre outras, de zelar pela manutenção da escola e pelo monitoramento das ações e consecução das metas do compromisso;

XXVI - transformar a escola num espaço comunitário e manter ou recuperar aqueles espaços e equipamentos públicos da cidade que possam ser utilizados pela comunidade escolar;

XXVII - firmar parcerias externas à comunidade escolar, visando a melhoria da infra- estrutura da escola ou a promoção de projetos socioculturais e ações educativas (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007).

A participação da comunidade no espaço escolar é previsto nas diretrizes XXVI e XXVII, mas faz-se necessário criar mecanismos de controle do mesmo, bem como de estímulo a essa prática.

Art. 2º [...]

XXVIII - organizar um comitê local do Compromisso, com representantes das associações de empresários, trabalhadores, sociedade civil, Ministério Público, Conselho Tutelar e dirigentes do sistema educacional público, encarregado da mobilização da sociedade e do acompanhamento das metas de evolução do IDEB (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007).

A diretriz XXVIII faz menção a organização de um Comitê Local do Compromisso e aqui reside o principal elemento de análise neste trabalho, sobre o qual nos deteremos mais especificamente ao analisarmos a experiência do município de Uberlândia/MG.

Como última observação em relação a este plano observa-se que após o pacto feito entre a União e os entes federados restava estabelecer um referencial para mensurar a qualidade da educação básica perseguida pelo cumprimento das 28 diretrizes integrantes do Plano de Metas Compromisso todos pela Educação. No intuito de viabilizar isso, o Decreto nº 6.094/2007 assim determina:

Art. 3º A qualidade da educação básica será aferida, objetivamente, com base no IDEB, calculado e divulgado periodicamente pelo INEP, a partir dos dados sobre rendimento escolar, combinados com o desempenho dos alunos, constantes do censo escolar e do Sistema de Avaliação da Educação Básica - SAEB, composto pela Avaliação Nacional da Educação Básica - ANEB e a Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Prova Brasil).

Parágrafo único. O IDEB será o indicador objetivo para a verificação do cumprimento de metas fixadas no termo de adesão ao Compromisso (BRASIL, DECRETO Nº 6.094/2007).

Observa-se que o referencial de qualidade da educação a que se refere esse regime de colaboração entre os entes federados traz, como indicador, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB). Diante disso, faz-se necessário conhecer um pouco mais sobre esse indicador.