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Managing Knowledge in a Competitive Environment

4.1. Theoretical Origin of Managing Knowledge

4.1.3. Process of Managing Knowledge

Para encontrar e descrever algumas das experiências institucionais que acontecem na 1ª instância da Justiça Distrital, foram realizadas entrevistas326 com 03 magistrados327 responsáveis, cada um, por uma das Varas de Fazenda Pública do Distrito Federal - VFP328. Às entrevistas e materiais ofertados pelos Juízes entrevistados, somam-se as experiências de vários anos de trabalho como servidor nos Juízos de 1º grau do TJDFT329.

O primeiro passo desse estudo é a contextualização das condições que os magistrados enfrentam para apreciar os diversos pleitos por medicamentos que todos os dias chegam aos seus gabinetes.

325 Isso pode ser observado nos dois casos estudados no item 2.2.3.3 desta pesquisa. Neles, os votos divergentes

se fundamentaram ou nas peculiaridades do caso concreto (o que demanda uma boa instrução processual) ou na decisão divergente tomada na 1ª instância.

326 A opção metodológica pelas entrevistas se faz por duas razões. A primeira, porque muito da experiência

vivida na prática judicial não fica registrada nas decisões e tampouco nos autos do processo. Ela é vivida pelo Juiz, partes, advogados, servidores, mas não é documentada. Entretanto pode ser alcançada, parcialmente, pelos relatos dos magistrados, que já trazem consigo, além da descrição dos fatos, as impressões destes intérpretes sobre os desafios de julgar e dizer o que é saúde. A segunda razão é de ordem prática, já que não existem estudos publicados sobre as decisões judiciais da 1ª instância do TJDFT. Convém destacar que uma extensa pesquisa sobre a judicialização da saúde, que envolve todas as Varas de Fazenda Pública, está em fase de finalização pela FIOCRUZ/PRODISA, contudo, seus resultados ainda não foram divulgados.

327 Os entrevistados foram os Juízes de Direito Luciana Pessoa Ramos (2ª VFP), Gislaine Carneiro Campos Reis

(4ª VFP), e Eduardo Smidt Verona (5ª VFP). Todas as entrevistas foram realizadas no mês de janeiro de 2009.

328 O estudo se restringe às Varas de Fazenda Pública, pois são os Juízos competentes para o julgamento de ações

ajuizadas contra o Distrito Federal e seus servidores, nos casos de mandado de segurança (excetuam-se apenas os casos de competência do Conselho Especial).

329 É importante destacar que trabalhei no TJDFT durante 5 anos (entre 2003 e 2008), dedicados quase

integralmente à assessoria de magistrados. Durante 03 anos trabalhei na 2ª Vara de Fazenda Pública, e no período de maio de 2007 a junho de 2008, desempenhei a função de oficial de gabinete do Juiz Alvaro Ciarlini. Nessa oportunidade, tive a experiência única de dialogar diariamente sobre a ‘judicialização da saúde’ com um magistrado que estudou a fundo o tema. A partir dessas ponderações, várias experiências institucionais nasceram, e pude acompanhar seu crescimento e a influência destas práticas na atuação de outros magistrados e dos advogados das partes. Além disso, também pude observar outras iniciativas dos demais magistrados atuantes nas Varas de Fazenda Pública. Essas experiências influenciaram profundamente as minhas escolhas metodológicas e as propostas que apresento nesta dissertação.

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Partindo dos aspectos macroestruturais, a primeira questão a ser destacada é que não há nenhuma ação institucional de iniciativa da direção do TJDFT (Presidência, Vice- Presidência e Corregedoria) ou do Governo do Distrito Federal para um enfrentamento conjunto dos problemas e conseqüências da judicialização das políticas de saúde. A falta de diálogo entre as instituições se reflete também internamente. Não há notícia de reunião convocada para debater o tema ou curso oferecido para capacitar os magistrados do TJDFT para o julgamento das demandas que envolvem duas áreas praticamente desconhecidas do ensino jurídico: o direito sanitário e as políticas públicas.

As poucas iniciativas existentes de contato institucional partiram de reuniões convocadas pelo Ministério Público, com pauta definida apenas por aquele órgão. Quanto à Procuradoria do DF, até o momento, atuou apenas em seu mister de defender o ente distrital no contencioso judicial.

Apesar desse ambiente desfavorável, entre os magistrados de 1ª instância existe uma fundamental troca de experiências que ocorre de forma não institucionalizada330. Ela ocorre especialmente entre os Juízes Substitutos331, uma vez que os titulares das Varas de Fazenda Pública com freqüência estão designados para outras funções jurisdicionais ou administrativas.

Essa troca de experiências é fundamental para a imaginação de alternativas voltadas para o enfrentamento das inúmeras dificuldades que o julgamento dessas demandas impõe. As peculiaridades se apresentam desde o início do processo, na postura apresentada pelos autores.

Na quase totalidade dos pedidos está presente o apelo moral pela preservação da saúde e da vida do autor da demanda. A tentativa de colocar o magistrado na incômoda situação de decidir entre a vida ou a morte, cria uma forte pressão psicológica. E a estratégia tem se demonstrado muito eficaz.

330 Isto porque não é estimulada ou intermediada pela direção do TJDFT, mas surge de iniciativas dispersas dos

próprios magistrados. Mas isso não significa que essa interação não seja, de alguma forma, organizada. Como importante exemplo, merece destaque um texto informativo escrito por três Juízas (Luciana Ramos, Priscila Faria e Gislaine Reis) no qual relataram suas experiências com as demandas por serviços de saúde e sistematizaram importantes informações/sugestões para os demais magistrados das Varas de Fazenda.

331 O contato entre os Juízes de Direito Substitutos é mais freqüente e fluído se comparado ao contato ente os

Juízes titulares. A troca de experiência é mais intensa e existe maior flexibilidade para mudanças de entendimento e uniformização de procedimentos. Ademais, é comum que alguns Juízes Substitutos acumulem o trabalho de mais de uma Vara de Fazenda Pública.

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O altíssimo sucesso que estas demandas obtiveram no decorrer dos anos, provocou, além do efeito multiplicador, uma fuga dos procedimentos administrativos do SUS. Muitos usuários do sistema público deixaram de percorrer os procedimentos administrativos ordinários para a obtenção de medicamentos e buscaram diretamente a tutela judicial.

Os problemas dessa postura vão além da esfera administrativa e orçamentária332, pois a falta de um ato administrativo concreto de recusa por parte da Administração inviabiliza o clássico controle jurisdicional dos atos administrativos333. Muitos magistrados passam a considerar o desabastecimento de medicamentos um ‘fato notório’, e dispensam a produção de provas nesse sentido. E esse é apenas um dos aspectos de uma tendência que se torna cada vez mais clara: as demandas por serviços de saúde recebem tratamento diferenciado das

demais questões que envolvem o controle jurisdicional da Administração Pública.

As dificuldades enfrentadas pelos magistrados continuam na fase de instrução processual. As partes pouco se esforçam para trazer aos autos provas suficientes para proporcionar uma decisão criteriosa e adequada às peculiaridades do caso concreto. Os demandantes geralmente se restringem à juntada do receituário médico e o Distrito Federal pouco contribui para esclarecer se o tratamento postulado está adequado ao quadro clínico descrito e às políticas públicas do SUS. A precariedade das defesas processuais do Distrito Federal reflete os graves problemas de comunicação entre os diversos órgãos envolvidos334 e o impasse criado pelos próprios médicos do SUS, que, freqüentemente, prescrevem tratamentos em dissonância com os protocolos clínicos e padronização de medicamentos feitos pelo SUS. A passividade das partes não é condizente com a complexidade da questão em julgamento.

Ao fim da demanda, a sentença também exige cuidados especiais, pois a redação do dispositivo deve ser cuidadosamente calculada para que não ‘engesse’ o tratamento dispensado ao usuário do SUS. A dinâmica clínica é muito superior à judicial, e o processo civil carece de instrumentos eficazes para acompanhar as constantes mudanças. A esta restrição normativa soma-se o acúmulo sobre-humano de trabalho que se impõe aos magistrados e servidores das Varas de Fazenda Pública.

332 As conseqüências dessa ‘substituição’ no orçamento e gestão da Secretaria de Saúde foram expostas no

capítulo anterior.

333 Sem ato administrativo, não há controle sobre os elementos de forma, competência, objeto, motivo e

finalidade.

334 Assessoria Jurídico-Legislativa da SES (AJL), PGDF, Farmácia Central, Farmácia Ações, Hospitais Públicos,

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Outro aspecto relevante no julgamento é o fato de a deficiente instrução dos autos, ao invés de prejudicar a parte autora – conforme as comezinhas normas de distribuição do ônus da prova (art. 333, I, do CPC) –, volta-se contra o réu. A dúvida sobre a adequação dos tratamentos pleiteados pelos demandantes normalmente conduz à procedência do pedido inicial, e os casos de improcedência são sistematicamente reformados pela 2ª instância.