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1. GİRİŞ

1.1. Problem Durumu

Desenvolvimento sustentável, descentralização e participação social na gestão ambiental local são temas que vêm ocupando cada vez mais espaço no debate sobre políticas públicas em torno da questão ambiental. Com a promulgação da Constituição Federal de 1988 os municípios receberam mais autonomia, mas também mais responsabilidades, inclusive nas matérias relacionadas ao meio ambiente. Para atender a essa nova demanda muitos municípios criaram estruturas locais que incluem legislação própria, secretarias de meio ambiente e Codemas – Conselhos Municipais de Meio Ambiente.

Os Conselhos Municipais de Meio Ambiente são, teoricamente, espaços privilegiados para o debate democrático e participativo em torno da questão ambiental. De acordo com o que fora pesquisado, percebe-se que nos últimos anos, especialmente após a publicação da Resolução CONAMA 237/1997, houve um avanço quantitativo bastante significativo no número de Codemas nos municípios brasileiros. Todavia a criação dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente nem sempre se traduz em garantia da representatividade e participação da sociedade em suas deliberações.

O foco deste trabalho consistiu em investigar, através do estudo de caso dos Municípios da Microrregião do Médio Piracicaba - MG, o grau e a qualidade da participação da população local nos Conselhos Municipais de Meio Ambiente.

A análise dos dados mostrou que, a exemplo do restante do país, os municípios pesquisados vêm investindo esforços para criar uma estrutura institucional na área ambiental. Essa estrutura, contudo, ainda se mostra precária, principalmente nos municípios de menor porte, como Catas Altas, onde a carência de recursos humanos e de capacidade técnica demonstrou ser um fator que limita o trabalho voltado para a resolução de questões ambientais urgentes.

Todos os municípios selecionados para esse estudo contam com Conselhos Municipais de Meio Ambiente, mas o funcionamento dos mesmos se dá de forma heterogênea. Com base nas informações pesquisadas ao longo do trabalho, foi possível constatar que o município de Itabira, detentor do maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal – IDH-M e do maior Produto Interno Bruto –PIB, dentre os municípios investigados, foi o que apresentou o Codema mais organizado. Tal fato coincide com as estatísticas nacionais que evidenciam que municípios de maior porte tendem a estar mais bem estruturados, inclusive no que tange aos conselhos, para lidar com questões

ambientais. Todavia, para comprovação dessa tendência, que não é objeto de estudo desse trabalho, seriam necessários novos esforços analíticos.

Quanto à participação da população junto ao Codema, a análise documental e dos dados obtidos através de entrevistas e aplicação de questionários aos representantes dos conselhos, evidenciou que ela é pouco expressiva e, quando ocorre, se dá principalmente em função de interesses individuais contrariando o disposto no Artigo 225 da Constituição Federal de 1988 que preceitua o dever coletivo de defender o meio ambiente.

Dentre os fatores que contribuem para a baixa participação da população local nos trabalhos dos Codemas, foi possível identificar:

 O desconhecimento, por parte da população, acerca do papel e das competências do conselho, fato relacionado à falta de divulgação das reuniões e ações do Codema para os moradores das cidades estudadas;

 A dificuldade de acompanhamento e controle das deliberações do Codema que colocam em dúvida a credibilidade do conselho;

 A falta de interesse e disponibilidade de alguns membros que, além de afetar o cumprimento do calendário de reuniões, acaba por comprometer a representatividade dos interesses da população no conselho;

 A desigualdade de força e qualificação técnica entre os representantes dos diferentes segmentos do Codema, o que leva muitas vezes à predileção dos interesses de grandes empresas ou elites sociais, em detrimento das demandas da população ou da própria defesa do meio ambiente; e

 A negligência da população local no que tange os interesses coletivos sobre as questões ambientais e de desenvolvimento sustentável.

Embora os Codemas dos municípios pesquisados tenham apresentado um cenário desfavorável à participação da população no âmbito da questão ambiental, na formulação de políticas públicas locais é inegável que esses conselhos representam um instrumento potencial para a democratização das mesmas. Tal constatação é reforçada por Carvalho (2003, p.12) ao afirmar que a criação dos conselhos “constitui um primeiro passo no sentido de organizar a sociedade civil, introduzindo-a nas questões mais amplas que envolvem a administração pública”. A autora observa ainda que a consolidação dessa participação exige tempo e que os conselhos podem ser caminhos para que isso ocorra.

Fazer com que a participação da sociedade saia dos níveis mais baixos (onde, como observa Arnstein (1969), a participação tem caráter manipulativo, terapêutico ou

meramente burocrático) de modo a alcançar níveis mais elevados nos quais a população compartilha responsabilidades e realmente participa da tomada de decisões, é ainda um grande desafio.

Nesse sentido, faz-se necessário implementar estratégias que promovam o fortalecimento dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente, bem como uma maior integração destes com a população local. E essas estratégias passam inevitavelmente por um processo de educação que qualifique e estimule a sociedade a participar de forma ativa nos Codemas e, consequentemente, na formulação das políticas públicas de meio ambiente.

Além de um processo educacional que qualifique e estimule a participação cidadã nas questões que envolvam políticas públicas ambientais, podem ainda serem citadas as

seguintes propostas:

 Criação ou melhoria de mecanismos de diálogo e cooperação técnica entre os Conselhos Municipais de Meio Ambiente e os órgãos ambientais para facilitar a busca de soluções e a qualidade das decisões dos conselhos;

 Viabilização e estímulo à qualificação dos membros do Codema, através de cursos presenciais ou pela internet, a fim de garantir maior equidade de forças dentro do debate ambiental;

 Divulgação dos trabalhos do Codema nos meios de comunicação adequados e acessíveis à população; e

 Fortalecimento da articulação regional, pois as questões ambientais desconhecem os limites territoriais dos municípios. Portanto, uma integração, não só das secretarias municipais de meio ambiente, mas também dos Codemas, poderia garantir um espaço rico para a troca de experiências e o debate em torno de problemas regionais comuns que afetam diretamente os municípios.

É importante ressaltar que tais propostas não constituem uma solução estanque para as questões que comprometem o alcance dos objetivos dos Conselhos Municipais de Meio Ambiente, mas sim sugestões que podem ser adaptadas às características de cada município. Uma vez garantido o envolvimento da população na formulação e deliberação em torno das políticas públicas ambientais, abre-se um caminho não só para a solução de problemas na esfera local, mas também para a melhoria da relação entre Estado, sociedade e meio ambiente.

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