2. KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE ĠLGĠLĠ ARAġTIRMALAR
2.1. Kavramsal Çerçeve
2.1.8. Bilimsel Süreç Becerileri
A criança pode ler, simplesmente, um livro, mas, se este livro for escrito com características rítmicas, vai, a todos os níveis, aliciar mais a criança a lê-lo. Quando se refere características rítmicas entende-se os versos poéticos que ao serem lidos se assemelham a uma canção. Este capítulo foi aqui introduzido para sublinhar a relação que os textos literários têm com outras artes como o é a música. A introdução desta arte é extremamente importante no crescimento da criança. A música tem poderes de despertar sentimentos essenciais ao mundo da criança como são exemplo as canções de embalar.
Nos textos direccionados a um ouvinte específico, como o é a criança, é comum encontrarmos palavras ou frases com compreensões puramente musicais, sob uma multiplicidade de figurações e cobrindo-se de diversos significados, funcionalidades e valências expressivas. No contacto com os livros para crianças, somos, pois, envolvidos
57 Ver no site da Direcção Regional da Educação in: http://www.madeira-edu.pt/tabid/2226/language/pt- PT/Default.aspx
96 por melodias, em variados ritmos, aparecendo indirectamente na leitura do texto ou difundidas por instrumentos, ou até dispostas na voz de uma personagem, encerrando a possibilidade de se tornarem numa cadeia de sons cuja harmonia descende da escrita estética. Tanto nas produções de livros infantis como na literatura em geral, a música e as letras ou o texto estão numa grande maioria de vezes inter-relacionados. Estas duas artes têm laços que se concretizam quer nas recolhas do património oral, tantas vezes vivificado pela voz das crianças, até às rimas infantis, quer na poesia de autor até à referência explícita em títulos, quer ainda na presença de instrumentos animizados nos contos, à incidência puramente simbólica do motivo musical, à relação da música com a natureza, à recorrente introdução de canções em textos dramáticos, entre muitas outras.
Nos livros de Francisco Fernandes, A Madalena descobre o Basquetebol e O
Diogo Quer Ser Futebolista, o texto está disposto no papel de forma ondulada para dar a ideia de movimento ritmado, ao mesmo tempo usam-se onomatopeias para representar sons como o da bola ou o do apito ou simplesmente o da euforia dos espectadores do jogo.
Outra forma de representação musical, em alguns livros, é descrita pelos sons entoados pelos animais, especialmente pelos pássaros ou, por vezes, pelas próprias personagens. Freyja cantava tão bem que podia mover mundos com as suas canções, o
Universo parou de crescer durante aquele momento (…), sentiu-se revigorar. Fica aqui
patente o poder da música. Este poder está também associado com a natureza. Tal como os pássaros entoam sons e formam uma melodia, também outros elementos da natureza podem, através dos seus movimentos, formar uma melodia.
O som do mar é um exemplo muito característico nos livros de literatura na Madeira, que apresenta várias melodias conforme as ocasiões. O mar pode estar calmo ou revolto. O vento e as plantas também fazem sons. Para a criança, saber ouvir a natureza é como um dom.
Nos livros que falam da história da Ilha, é evidente que aparecem sons como os das espingardas ou gritos de um aglomerado de pessoas, apesar de serem sons pouco positivos são essenciais para a percepção destes momentos.
Outras músicas mais reais das quais apenas é feita referência, são as músicas tradicionais madeirenses. No livro de Maria Aurora, Uma Escadinha para o Menino
Jesus, é mencionado o «bailinho», música tradicional normal na época de Natal. Por outro lado, no livro de Octaviano Correia, O Menino dos Olhos Azuis de Água, o escritor associa uma das personagens a um instrumento típico madeirense, a
97 «braguinha».
A música é, desta feita, parte integrante nas nossas vidas. Encontram-se sons e referências a instrumentos e a músicos em vários livros. Contudo, é o Gabinete Coordenador de Educação Artística o principal responsável por publicações de índole musical. Este gabinete é autor de livros como A Viagem Encantada do Manel e do
Buginha: músicos madeirenses do século XX; Cantarolando…canções temáticas para os mais pequeninos e, ainda, outros livros pedagógicos próprios para aulas de música nas escolas. Estes livros são compostos por texto, por vezes acompanhado de pautas musicais, e vendido em conjunto com CD. Porém, não são só os livros deste gabinete que contêm pautas musicais, já que o livro Vamos Cantar Histórias de Maria Aurora também contém versos e pautas musicais para além dos contos. Assim, denota-se que muitos escritores percebem a importância da música na infância.
Não querendo prolongar muito este tema, finaliza-se fazendo referência a alguns nomes e poemas do universo cultural da Ilha anunciados através da música, no Festival da Canção Infantil da Madeira.
Mais uma vez se deve fazer referência ao nome de Maria Margarida Silva, pois esta dá-nos informações relevantes sobre várias matérias relacionadas com a literatura infantil. No seu livro, a escritora refere nomes de poemas de Luiza Helena que foram, a partir de 1984, musicados para o Festival da Canção Infantil. São estes: «A flor amarelinha»; «Estrelinha vem daí»; «O palhaço branco»; «Flor-Borboleta», que ganhou o primeiro prémio em 1985, entre outros. Para além desta conhecida escritora, também outros autores escreveram poesias que foram usadas em canções do festival, como é o caso de Irene Salomão, Irene Lucília ou Lígia Brazão.
A música representa, então, outra forma de arte inteiramente relacionada com a literatura, tal como o teatro e a banda desenhada. Existe música no texto, de variadíssimas formas, ou alguns poemas são mesmo pensados para serem cantados.
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