I. BÖLÜM
1.3. Problem Durumu
A Odontologia anseia, cada vez mais, por tratamentos estéticos que proporcionem restaurações imperceptíveis para os pacientes, tanto na região anterior quanto posterior da cavidade bucal. Para isso, técnicas restauradoras novas e, principalmente, novos materiais são lançados no mercado em velocidade grande, sem a análise laboratorial e clínica necessária. O comportamento do material ao longo do tempo de utilização na cavidade bucal, em relação aos desgastes oclusais e proximais, à infiltração marginal, à reincidência de cárie e à alteração de cor, deve ser estudado (MONDELLI, 1998). A melhoria dos materiais existentes e o desenvolvimento de novos materiais são necessários com o objetivo de se aproximar ao máximo das características e propriedades dos tecidos naturais (BLUNK e GOPFERICH, 2003).
Qualquer procedimento restaurador é incapaz de desempenhar as funções das estruturas dentárias destruídas de forma igual. Além disso, todos os procedimentos restauradores precisam de reparos ou substituições. A escolha entre os biomateriais restauradores para restaurações convencionais deve se basear nos seguintes fatores (SOUZA JR, 1995):
- idade do paciente;
- quantidade de estrutura dentária a ser restaurada;
- tipo de estrutura dentária disponível para a adesão (esmalte ou dentina);
- higiene oral e risco de cárie (controlar as lesões de cárie com fluoretos e selantes); - oclusão (desgastes presentes na estrutura dentária);
- habilidade do profissional (sensibilidade à variação de técnica); - apoio laboratorial;
- relação custo-benefício.
3.7.1 A PREVENÇÃO E A RESTAURAÇÃO DE LESÕES DE CÁRIE INCIPIENTE EM ESMALTE DENTÁRIO
A presença dos sulcos e das cicatrículas e fissuras favorece o aparecimento de lesões de cárie nos dentes posteriores (Fig. 3.49). Dessa forma, como procedimento preventivo, esses sulcos podem ser vedados através da técnica de crescimento de cristais. As lesões de cárie
incipientes e pequenas, em esmalte dentário, também podem ser tratadas por crescimento de cristais (YAMAGISHI, 2005).
Figura 3.49 Fotografia evidenciando os sulcos existentes nas superfícies oclusais em dentes posteriores humanos.
Fonte: CARVALHO, 1998.
3.7.2 O CLAREAMENTO DENTÁRIO
O clareamento dentário vem sendo enfatizado na literatura desde 1800, sendo a maioria realizada na câmara pulpar (interior do dente). As mais variadas substâncias são utilizadas na técnica de clareamento. Classicamente é utilizado um gel de aplicação caseira (clareamento doméstico) em moldeiras. É um tratamento seguro para profissionais e pacientes e, além disso, possui grande efetividade, praticidade, simplicidade e baixo custo. Normalmente, o peróxido de hidrogênio (H2O2 - água oxigenada) é utilizado pelo seu
potencial oxidante, que altera a integridade de moléculas orgânicas e inorgânicas, removendo o hidrogênio. A concentração mais comumente utilizada é 30%. Porém, a utilização de peróxido de hidrogênio em concentrações altas, 30% ou 35%, poderá causar queimaduras químicas, por ser uma solução bastante cáustica e apresentar o pH em torno de 3,5, caso entre em contato com tecidos moles.
Ele age via esmalte, liberando quantidades grandes de oxigênio nascente, pois flui livremente devido ao seu peso molecular baixo. Acontece uma oxidação quando dióxido de carbono e água são produzidos, liberados juntamente com o oxigênio nascente. A reação é lenta e apresenta produtos químicos intermediários. O peróxido de hidrogênio é bastante empregado como agente clareador dentário convertendo moléculas de carbono pigmentadas em moléculas menores que apresentam cor mais clara. Essa reação química altera o tipo, número e posição relativa dos átomos das moléculas. Os grupos pigmentados são transformados em grupos com ausência de cor (MONDELLI, 1998). As desvantagens ocasionais do clareamento convencional são quadros inflamatórios gengivais, dor (sensibilidade), ação desmineralizante dos agentes clareadores, melhora leve em casos de escurecimento antigos, reabsorção em dentes traumatizados, etc.
3.7.3 AS FACETAS LAMINADAS EM RESINA E EM PORCELANA
- As soluções estéticas na área de Dentística Restauradora vêm se tornando cada vez mais desafiadoras, tanto pelo nível de exigência dos pacientes quanto pela complexidade e número de materiais empregados nas técnicas disponíveis. A naturalidade da condição dentária inicial perdida como cor, textura, forma, posição e composição são almejadas. As porcelanas odontológicas, devido as suas propriedades ópticas, mecânicas e biológicas enquadram-se dentro dos materiais restauradores de alta qualidade. No entanto, o conhecimento aprofundado de suas características, propriedades e limitações, bem como o domínio das técnicas de trabalho e o conhecimento dos procedimentos cosméticos são fundamentais para a obtenção de resultados bons (SOUZA JR, 1995). A utilização das facetas vestibulares acontece em dentes anteriores que não tenham sua estrutura demasiadamente comprometida e que, por necessidade estética e funcional, necessitem da restauração de cor, forma ou tamanho.
Porém, os desgastes necessários para a confecção das facetas vestibulares são de 0,3mm a 0,6mm e em algumas situações um desgaste mais profundo é necessário (Fig. 3.50). Assim, grande parte de estrutura dentária sadia é destruída. Isso pode potencialmente ser evitado pela aplicação da pasta de F-HA.
Figura 3.50 Fotografias mostrando a seqüência de cortes extensos do esmalte dentário em preparação do dente para a colocação de faceta de porcelana.
Fonte: SOUZA Jr, 1995.
3.7.4 A COLAGEM DIRETA DE ACESSÓRIOS ORTODÔNTICOS
A maloclusão é uma situação que acomete a cavidade bucal com grande freqüência, porém o reparo dos dentes danificados por lesões de cárie é numericamente mais comum do que o tratamento ortodôntico. Os adesivos semelhantes aos que reparam cavidades de cárie também promovem a união da aparelhagem fixa aos dentes. Com o auxílio dos aparelhos ortodônticos fixos e removíveis, os dentes desalinhados são posicionados por forças originadas de fios especiais (IRELAND, 1997; NICHOLSON, 1998). A colagem direta de acessórios ao esmalte (Fig. 3.51) é um assunto crítico nas pesquisas ortodônticas. Os princípios biomecânicos requerem uma interface inelástica que transfira a carga aplicada no acessório (devido ao encaixe de um fio metálico ativado) ao dente e não exceda a resistência da colagem. Os clínicos descobriram logo que problemas com a resistência insuficiente resultavam na necessidade de repetir o procedimento de colagem (MAIJER e SMITH, 1986; BISHARA, 2000; ELIADES e ELIADES, 2001).
Figura 3.51 Fotografia de aparelhagem ortodôntica fixa com colagem direta de acessórios. Fonte: documentação de clínica odontológica particular.
A rapidez e simplicidade da técnica resultam numa uma grande popularidade entre os clínicos. Embora a técnica de ataque ácido para a colagem ortodôntica seja comprovadamente útil, apresenta desvantagens. Com a instrumentação necessária para a remoção da resina remanescente no esmalte após a descolagem, danos à superfície do esmalte podem acontecer. A descoloração do esmalte, descalcificação e retenção de placa pós-tratamento ortodôntico ainda acontecem. (MAIJER e SMITH, 1986). A existência desses problemas desencadeia uma procura pelo desenvolvimento de técnicas que reduzam o risco de danos iatrogênicos ao esmalte e a melhoria da descolagem e limpeza ao final do tratamento ortodôntico. Dentre essas técnicas, a colagem por cristais é a preferida por alguns autores (PIZARRO,1994).