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PRİMLERİN KURUMCA RESEN SAPTANMASI

A pós-graduação no Brasil deu seus passos iniciais na década de 1930, com o mineiro Francisco Campos. Ele foi advogado, jurista e político, com vasta experiência na área da educação. Foiresponsável pelo Estatuto das Universidades Brasileiras e pela a implantação de uma pós-graduação nos moldes europeus. Os cursos de Direito da Universidade do Rio de Janeiro e da Faculdade Nacional de Filosofia na Universidade de São Paulo foram os primeiros a implantarem a pós-graduação nesses moldes (SANTOS, 2003).

A partir dos anos 50, o Brasil e os Estados Unidos começaram a estabelecer convênios entre as universidades dos dois países, por meio de intercâmbio de pesquisadores, de professores e de alunos. Segundo Amorin (1992), em função da expansão do ensino superior, foi fundada a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), com o objetivo de coordenar políticas de pós-graduação no sentido de melhorar o nível de qualificação dos professores. Mas foi somente nos anos 60 que a pós-graduação conseguiu movimentos expressivos, principalmente na área da engenharia, com a influência norte- americana.

De acordo com Santos (2003), a pós-graduação no Brasil foi marcada por duas grandes tendências, a europeia (principalmente no caso da USP), cuja principal vocação era a formação de pesquisadores, e a norte-americana (no caso da UFRJ e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica – ITA), mais voltada à aplicação dos resultados das pesquisas de acordo com as demandas sociais.

No ano de 1965, ocorreu a implantação de cursos de pós-graduação no Brasil com o parecer 977 do Conselho Federal de Educação, o qual estabelece que o modelo adotado é o norte-americano. Segundo Santos (2003, p. 630),

a pós-graduação stricto sensu dar-se-ia em dois níveis independentes e sem relação de pré-requisitos entre o primeiro e o segundo (mestrado e doutorado). A primeira parte dos cursos seria destinada a aulas e a segunda à confecção do trabalho científico de conclusão (dissertação ou tese). Os currículos seriam compostos conforme o modelo norte-americano, que compreendia o major (área de concentração) e o minor (matérias conexas).

A pós-graduação no Brasil, com base na universidade americana, é organizada em duas modalidades: a Lato Sensu e a Stricto Sensu. A expressão latina lato sensu significa sentido amplo e funciona de duas formas, o Aperfeiçoamento ou Capacitação, não exigindo a

produção de uma monografia de final de curso, e a Especialização, curso geralmente com uma carga horária superior a 360 horas, que requer a elaboração de um trabalho de conclusão, a monografia. O objetivo dessa pós-graduação é o aprofundamento da formação realizada na graduação e também uma iniciação à docência e à pesquisa. As normas para autorização e funcionamento são estabelecidas pelo Ministério de Educação e Cultura (MEC). Considero importante salientar que o corpus utilizado nesta pesquisa é composto pelas várias versões da monografia de conclusão de curso de pós-graduação lato sensu.

A expressão stricto sensu, por sua vez, quer dizer sentido estrito. Nessa modalidade, a pós-graduação está dividida em programas de mestrado e doutorado. Além do cumprimento de um número (que varia segundo o programa) de créditos em disciplinas, no mestrado há a exigência da escrita e defesa de uma dissertação. No doutorado também há disciplinas a serem cursadas, além da escrita e defesa de uma tese, um estudo novo e aprofundado dentro de um campo do saber.

Novas alterações foram feitas a partir da Lei 9.394/1996 – a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), mais especificamente, o artigo 66 que exige que os professores universitários tenham diploma de especialização, mestrado ou doutorado.

Art. 66. A preparação para o exercício do magistério superior far-se-á em nível de pós-graduação, prioritariamente em programas de mestrado e doutorado.

De acordo com a mesma Lei, há uma exigência de que um terço do corpo docente das universidades e centro universitários deva ser composto por mestres ou doutores. Na avaliação das instituições de ensino superior feita pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes), a titulação dos professores é levada em conta. O perfil do corpo docente tem implicações na nota do curso, a qual varia de um a cinco, sendo que para obter nota máxima é preciso que a instituição tenha 80% dos docentes com titulação obtida em programas de pós-graduação stricto sensu (mestrado e doutorado).

O investimento do governo federal na pós-graduação é feita por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Capes, os quais têm um papel fundamental na expansão e consolidação da pós-graduação stricto sensu em todo o país. A Capes tem desenvolvido planos de pós-graduação (PNPG) com objetivo de qualificar os programas de mestrado e doutorado. Segundo o site oficial2:

2 Disponível em: <http://www.capes.gov.br/sobre-a-capes/plano-nacional-de-pos-graduacao/pnpgs-anteriores>

O Plano Nacional de Pós-Graduação (PNPG) é um documento que sintetiza as diretrizes que norteiam as políticas públicas de qualificação de pessoal em nível de mestrado e doutorado. Editado a cada seis anos, o Plano faz um diagnóstico da pós- graduação nacional. A partir desta avaliação, apresentam-se propostas de diretrizes, cenários de crescimento do sistema, metas e orçamento para a execução de ações. A versão atual do PNPG compreende o período de 2005 a 2010. (CAPES, 2005)

Os cursos superiores sempre estiveram ligados às necessidades de desenvolvimento do país e, com isso, ocorreu a priorização da formação profissionalizante em detrimento de uma formação que contemplasse a pesquisa. Apesar de hoje existir um controle e fiscalização, por parte do MEC, dos cursos de nível superior, no sentido de primar pela qualidade e pela formação, a pesquisa não é um requisito para todos esses cursos.

Assim sendo, o desenvolvimento da pesquisa fica sob a responsabilidade das universidades, enquanto os centros universitários, institutos de ensino superior ficam responsáveis pela profissionalização. Esses últimos não são obrigados a desenvolver pesquisas, fazendo poucas contratações de professores doutores para dar conta das exigências feitas pelo MEC.

Nesse sentido, apresentamos dois dados relevantes para a discussão: Censo do Ensino Superior 2009 e o Projeto de lei 220/2010. Segundo o censo, os professores graduados representam 8% do total de docentes distribuídos em instituições públicas e privadas. Esse índice aponta para uma realidade anterior à LDB (1996), que a mesma não conseguiu alterar. Outro dado diz respeito ao Projeto do Senado quanto à contratação de professores universitários sem pós-graduação. A Comissão de Educação do Senado aprovou no dia seis de junho de 2011 a alteração do artigo 66 da LDB (artigo anteriormente citado neste trabalho). A redação aprovada permite a contratação temporária de profissionais com diplomas de graduação e de pós-graduação lato sensu, de modo que o artigo 66, após essa alteração, fica assim disposto:

Art. 66 . A formação dos docentes dos cursos de graduação e de pós-graduação de

nível superior será feita em programas de mestrado e doutorado, exigida, além do estudo e aprofundamento em área de conhecimento científico e tecnológico, capacitação e prática pedagógica, a critério do respectivo sistema de ensino.

§ único. O exercício da docência na educação superior obedece aos seguintes

princípios:

I - nas instituições públicas, o acesso à carreira depende de aprovação em concurso

de provas e títulos de doutorado ou mestrado, conforme a complexidade da função, a critério do respectivo sistema de ensino ou, em universidades, do colegiado superior;

II - nas instituições públicas e privadas, admite-se acesso a contrato de trabalho

docente temporário, mediante processo seletivo, a portadores de diplomas de graduação e de pós-graduação lato sensu, bem como a profissionais de notório saber na área de atuação;

III - os profissionais de notório saber a que se refere o inciso II, quando

reconhecidos e diplomados por universidades que tenham programas de mestrado ou doutorado em sua área de conhecimento e atuação, poderão se candidatar ao ingresso nas carreiras de docência em instituições públicas de educação superior (NR). (FEPESP, 2011)

Um dos argumentos para a contratação temporária de profissionais com diplomas de graduação e de pós-graduação lato sensu levantado pelo senador Álvaro Dias, da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado e relator do projeto, é de que “É preciso flexibilizar, porque faltam titulados” (Jornal O Estado de São Paulo3).

No entanto, segundo dados do MEC, apresentados pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, 56 % dos professores universitários são pós-graduados, e a meta é chegar a 75 % dos docentes. Em nota publicada no site do Ministério da Educação, tanto o ministro quanto a presidenta Dilma Rousseff não seriam a favor da redução das exigências quanto à titulação dos professores universitários4. A Academia Brasileira de Ciências e Associação Nacional de Pós-Graduandos (SBPC) considera o projeto um retrocesso no desenvolvimento científico do país, pois a exigência de titulação é um dos aspectos contemplados nas metas de avanço do campo da educação.

Com essas novas regras de contratação de professores universitários, os donos de instituições de ensino privado estão assegurados por Lei a contratar profissionais com um custo menor, pois a titulação implica em salários mais altos.

A partir dessa reconstrução histórica, é possível concluir que a função da universidade no decorrer dos tempos sofreu alterações em função de questões políticas e econômicas. No Brasil, e no mundo todo, essas influências são evidentes no processo de criação e nas transformações da universidade.

Benzer Belgeler