Present Continuous Tense (Şimdiki Zaman)
PRESENT CONTINUOUS TENSE ÖRNEK TABLO
A Justiça Restaurativa, apesar de ser uma idéia desenvolvida em tempos mais recentes, pode-se encontrar resquícios de seus princípios influenciando alguns ordenamentos jurídicos que tiveram vigência em um passado bastante remoto. Encontram-se vestígios do pensamento restaurativo no antigo Pentateu, em Israel, quando este especifica a reparação para os crimes contra a propriedade. Na civilização dos Sumérios, o Código de Ur-Nammu (2.060 a.C) exige a reparação para crimes de violência. Na Babilônia, o famoso Código de Hammurabi (1.700 a.C) prescrevia como sanção a reparação de crimes contra a propriedade.
Em Roma, a Lei das Doze Tábuas (449 a.C) impõe que os ladrões paguem o dobro do valor dos bens roubados, além de que se fizesse tentativas prévias de conciliação ao julgamento. As leis tribais promulgadas pelo Rei Clóvis (496), na Alemanha, apelavam à reparação como sanção quer para crimes violentos como para os
não violentos. Na Inglaterra, nos anos 600, as leis de Ethelbert de Kent incluíram programas detalhados de reparação.13
Além desses exemplos de leis que pregavam alguns ideais restaurativos, várias outras civilizações podem ser lembradas como praticantes de atos restaurativos para a solução de conflitos. Primeiramente, pode-se citar as comunidades da antiga China e do Japão, que faziam uso largamente da mediação. Nessas culturas, a religião e a filosofia sempre atribuíram grande importância ao consenso social, a persuasão moral e a obtenção de equilíbrio e harmonia nas relações humanas. Ainda hoje, a mediação é amplamente praticada na República Popular da China.
Na Grécia e Roma Antigas, os personagens em conflito procuravam freqüentemente um ancião (homem experiente, douto e culto) que os aconselhava e auxiliava a resolverem as suas diferenças segundo a eqüidade. As culturas ibéricas e hispânicas têm uma larga história na utilização de práticas restaurativas, em especial a mediação. Ocorriam exemplos disso no Tribunal das Águas , na Espanha; na aldeia de Ralu’a, no México, onde um juiz ajudava as partes a adotar decisões consensuais; e na sociedade barrosa, em Portugal, onde um mediador procurava as partes em conflito e fomentava a respectiva comunicação e negociação.
Na África, utilizam-se tribunais leigos (moot courts) ainda hoje para a solução de disputas, assim como em algumas aldeias árabes do Reino da Jordânia. Também podem ser citados os tribunais rabinos judaicos e os próprios rabis das comunidades
13 Dados históricos retirados do site http://doc.jurispro.net/articles.php?lng=pt&pg=376, resgatados em 20 de outubro de 2006.
judaicas européias, que sempre fizeram uso da conciliação e da mediação como forma de resolução de conflitos, pacificando os respectivos membros nas relações entre si, ao mesmo tempo em que exerciam uma certa proteção da sua identidade cultural.14
Contudo, apesar dessa extensa lista de dados históricos sobre a utilização de princípios restaurativos para solução de conflitos, foi apenas a partir da década de 70, na América do Norte, que se começou a reestruturação e expansão das idéias de resoluções alternativas para os conflitos e da própria Justiça Restaurativa. Isso ocorreu primeiramente nos Estados Unidos, através da prática de mediação entre réus condenados e as vítimas de seus crimes, promovidas por movimentos de assistência religiosa em presídios. Na década de 70, o Instituto de Mediação e Resolução de Conflitos norte-americano (IMCR) usou 53 mediadores comunitários e recebeu 1.657 indicações em 10 meses.
Em 1976, foi criado no Canadá o Centro de práticas restaurativas de Victoria. Em 1977, nasce, oficialmente, o termo Justiça Restaurativa, através de um artigo de autoria de Albert Eglash, intitulado “Beyond Restitucion: Creative Restitucion”. Na Austrália, em 1980, foram estabelecidos três Centros de Justiça Comunitária experimentais em Nova Gales do Sul; dois anos depois, no Reino Unido, criou-se o primeiro serviço de mediação comunitária do país.
Na Nova Zelândia, país onde a Justiça Restaurativa sofreu principal impulso, foram criados programas de mediação vítima-agressor por oficias da condicional do sistema penitenciário e, em 1989, foi incluído expressamente na legislação neozelandesa
sobre Crianças, Jovens e suas Famílias a previsão de que os crimes mais graves praticados por menores de idade (com exceção dos homicídios) passariam obrigatoriamente pelas “Family Group Conferences”, ou seja, por encontros restaurativos envolvendo réus, vítimas e comunidades.15
Na década de 90, a Justiça Restaurativa recebe especial contribuição de doutrinadores e formuladores teóricos, dentre eles o advogado norte-americano Howard Zehr, autor da obra “Trocando Lentes”, considerada seminal na deflagração do movimento restaurativo no mundo, submetendo o conceito de crime e o próprio conceito de justiça a uma completa reformulação. Em 1994, uma pesquisa nos EUA revelou a existência de 123 programas de mediação vítima–infrator no país.
Ainda na década de 90, diversas conferências de grupos familiares de bem-estar e projetos pilotos de justiça são postas em desenvolvimento na Austrália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Grã-Bretanha, África do Sul e outros países. Em 2001, uma importante decisão do Conselho da União Européia impõe diretrizes no sentido de uma maior participação das vítimas nos processos penais para implementação de leis nos Estados.
Finalmente, para encerrar este rol de principais acontecimentos referentes à Justiça Restaurativa, resta salientar o importante papel que a Organização das Nações Unidas (ONU) vem desenvolvendo em prol de uma prática de Justiça mais humana em todo o mundo, visando, recomendando e desenvolvendo práticas restaurativas em diversos países. Dentre as principais deliberações deste órgão, destaca-se uma resolução
15 Idéias extraídas do site
http://www.justica21.org.br/interno.php?ativo=JR&sub_ativo=ENTENDENDO_JC, resgatadas no dia 20 de outubro de 2006.
de 2002, quando o Conselho Econômico das Nações Unidas criou enunciados básicos, que ficaram conhecidos como Princípios Básicos sobre Justiça Restaurativa, que são os seguintes16:
Programa Restaurativo – entende-se qualquer programa que utilize processos restaurativos voltados para resultados restaurativos.
Processos restaurativos – significa que a vítima e o infrator, e, quando apropriado, outras pessoas ou membros da comunidade afetos ao crime participam coletiva e ativamente na resolução dos problemas causados pelo crime, geralmente com a ajuda de um facilitador. O processo restaurativo abrange mediação, conciliação, audiências e círculos de sentença.
Resultado Restaurativo – significa um acordo alcançado devido a um processo restaurativo, incluindo responsabilidades e programas, tais como reparação, restituição, prestação de serviços comunitários, objetivando suprir as necessidades coletivas das partes e logrando a reintegração da vítima e do infrator.
Após todo esse desenvolvimento acerca da gênese e da evolução da Justiça Restaurativa por todo o mundo, faz-se de extrema importância uma análise das principais experiências desenvolvidas, como da Nova Zelândia e da África do Sul, além de um estudo das experiências aplicadas nos países da América Latina.
16 Documentos disponíveis no site http://www.restorativejustice.org/resources/policy/inter/, resgatado em 20 de outubro de 2006.