O homem possui como ato inerente à sua racionalidade ser capaz de comunicar-se. A fala articulada e o uso da linguagem o diferenciam dos outros animais, permitindo sua organização em grupos e a formação da sociedade236.
Não se sabe exatamente como era a comunicação verbal nos tempos mais remotos. A escrita, por sua vez, teve início com os desenhos em pedras, expondo simbolicamente237 a realidade e, até hoje, algumas se mantém como registros históricos, mas foi evoluindo de forma gradativa até se chegar à linguagem hodierna, organizada gramaticalmente e representada em papel238, facilitando a compreensão e possibilitando ser transportada no tempo239.
235 Fontes de pesquisa diversas: SCHULZ, Peter. Tão longe, tão perto: as telecomunicações e a sociedade. São Paulo: Fundação Telefônica, 2009. BORDENAVE, Juan E. Díaz. O que é comunicação. São Paulo: Brasiliense, 2007. CAIRNCROSS, Frances. O fim das distâncias: como a revolução nas comunicações transformará nossas vidas. Trad. Edite Sciulli e Marcos T. Rubino. São Paulo: Nobel, 2000. TOWERS, Walter Kellogg. Masters of
Space: Morse, Thompson, Bell, Marconi, Carty. Gutenberg EBook, 2004. Disponível em: <http://www.gutenberg.org/cache/epub/12375/pg12375.html>. Acesso em: 10 jul. 2012.
Salientamos que algumas datas sofrem pequenas distorções entre os autores quanto à indicação do ano das descobertas, o que entendemos não ser prejudicial à compreensão do Capítulo.
236 BOLAÑO, César Ricardo Siqueira. Economia Política, Globalização e Comunicação. In: BOLAÑO, César Ricardo Siqueira (Org.). Globalização e regionalização das Comunicações. São Paulo: EDUC: Universidade Federal de Sergipe, 1999, p. 81-82.
237 Sobre a definição do conceito de livro: “Usaremos a definição mais geral de livro – uma coleção de textos escritos. Com essa definição, podemos afirmar que os primeiros livros surgiram na Suméria, onde a escrita foi inventada há cerca de 5 mil anos, em tábuas de argila. Essas tábuas foram produzidas usando-se um código de escrita cuneiforme que era gravada com um estilete em argila úmida, posteriormente cozida para criar um registro permanente. Algumas dessas tábuas sobreviveram até hoje. Também na categoria geral de livros podem- se incluir textos que foram esculpidos em pedras, como as estelas jurídicas da Babilônia, o código de Hammurabi e os hieróglifos ou ‘escritas sagradas’ reproduzidas nas paredes e antigos monumentos egípcios”. LOGAN, Robert. K. Que é informação? A propagação da organização na biosfera, na simbolosfera, na tecnosfera e na econosfera. Trad. Adriana Braga. Rio de Janeiro: Contraponto: PUC-Rio, 2012, p. 215-216. 238 Quanto ao papel, embora ainda exista, vem sendo substituído por mídias por sua facilidade de transporte e armazenamento e, apesar de ser algo estranho à nossa realidade, acredita-se que ele desaparecerá com o tempo e, os existentes, passarão a compor acervos dos museus.
O ser humano, incansável diante de sua necessidade de comunicação, foi aperfeiçoando sua linguagem. A estrutura como ela se apresenta hoje revela um intenso trabalho em seu desenvolvimento, mas, além disso, ao mesmo tempo, ele buscou mecanismos mais bem elaborados para intermediá-la, objetivando comunicar-se de maneira ágil e à distâncias cada vez maiores. Foi desenhando modelos capazes de levar suas informações de maneira rápida e eficaz, por meio dos quais ele proporcionou a aproximação entre os povos, sem que para isso fosse necessário que a transmissão das mensagens tivesse que ser feita por algum transporte físico (um mensageiro a pé ou a cavalo, ou um pombo-correio, como ocorria naquele tempo).
Inicialmente, como exemplo das diversas formas de comunicação a distância – até mesmo antes do transporte físico das mensagens – está assentado que elas se davam por sinais visuais e sonoros, como da fumaça, dos tambores, do berrante, do gongo, dentre outros, todos dependentes de fenômenos naturais. Todavia, esses meios foram sendo trabalhados e requintados, culminando num acontecimento decisivo para assegurar a comunicação através dos tempos, que foi o uso da eletricidade. Ela permitiu “a invenção de meios eletrônicos que aproveitam diversos tipos de ondas para transmitir signos240” como o telégrafo, o telefone, o rádio, a televisão e o satélite, encurtando de maneira definitiva o espaço físico entre as pessoas.
Paralelamente a isso, deve-se acrescentar toda a tecnologia sempre em progresso, como a invenção da fibra óptica, a transmissão à distância não apenas de texto e voz, mas de imagem e vídeo, além da internet e do grande avanço da informática. Todos trabalhando em prol da união das redes, deram origem a uma nova ciência, a telemática (ou teleinformática ou teleprocessamento)241. Como explica PEDRO DE ALCÂNTARA NETO:
Telemática é o conjunto de tecnologias de transmissão de dados resultante da junção entre os recursos das telecomunicações (telefonia, satélite, cabos, fibras ópticas) e da informática (computadores, periféricos, softwares e sistemas de rede) que possibilitou o processamento, a compressão, o armazenamento e a comunicação de grandes quantidades de dados (nos formatos texto, imagem e som), em curto prazo de tempo, entre usuários localizados em qualquer ponto do planeta. [...] área do conhecimento humano que reúne um conjunto e o produto da adequada combinação das
240 Ibidem, p. 29.
241 “Quando foi possível um computador trocar informações com outro distante, passou-se a fazer informática à distância. Este processo foi denominado ‘Teleinformática’ pelos americanos, ‘Telemática’ pelos franceses e, para nós, ficou ‘Teleprocessamento’ (TP)”. BARRADAS, Ovídio. Você e as telecomunicações. Rio de Janeiro: Interciência, 1995, p. 199.
tecnologias associadas à eletrônica, informática e telecomunicações, [...]242.
Quando se explanar sobre os meios de comunicação, será possível observar que eles sofreram uma evolução gradativa nos últimos 200 (duzentos) anos e uma revolução nos últimos 15 (quinze), especialmente em termos tecnológicos, em que o incremento foi realizado de maneira até pouco tempo impensável. A telecomunicação, como se conhece hoje, é um fato recente, e tudo continua tão dinâmico que fica difícil fazer qualquer previsão do futuro.
Não se olvide que a globalização (ou mundialização243) também fomentou tudo isso. Desde 1980 ela vem exercendo grande influência nessa transformação: uma mudança brusca que não se deu pela força física, mas sim pela força dos negócios, dos desenvolvimentos tecnológicos e pelo aprimoramento das telecomunicações.
Atualmente os sistemas de comunicação em tempo real continuam realizando seu papel inovador, atuando positivamente no fenômeno da globalização, aumentando o contato entre as pessoas, ampliando circulação de bens materiais e imateriais, redesenhando as fronteiras físicas e intelectuais, auxiliando na organização da sociedade em grupos cada vez maiores244.
Nesse contexto, formou-se a Sociedade da Informação245 em vigor, onde os povos, cada vez mais, saem do isolamento (ou caem no isolamento?) para participarem de uma grande sociedade, mesmo que essa participação seja apenas virtual246. No entanto, para as
242 ALCÂNTARA NETO, Pedro de. A história das comunicações e das telecomunicações. Recife: UPE, p. 53.
Disponível em:
<http://www2.ee.ufpe.br/codec/Historia%20das%20comunicaes%20e%20das%20telecomunicaes_UPE.pdf>. Acesso em: 12 jul. 2012.
243 Globalização é a interconexão generalizada das sociedades, resultado do movimento de integração mundial iniciado na virada do séc. XIX. MATTELART, Armand. A globalização da comunicação. Trad. Laureano Pelegrin. 2.ed. Bauru, SP: EDUSC, 2002, p. 11.
244 Ibidem, p. 7-11.
245 JOSÉ DE OLIVEIRA ASCENSÃO, professor português, em sua obra Estudos sobre direito da internet e da
Sociedade da informação, critica a palavra “informação” agregada à Sociedade, para ele ocorre “[...] um óbvio empolamento do termo: o que há é a sociedade da comunicação integral, e não a sociedade da informação. O conteúdo da mensagem transmitida não é necessariamente informação – ou só o é se entendermos informação em sentido de tal modo lato que lhe faz perder toda a precisão. Quem acede a uma página erótica ou pratica um jogo não está a informar”. ASCENSÃO, José de Oliveira. Estudos sobre direito da internet e da Sociedade da
informação. Coimbra: Almedina, 2001, p. 150.
246 “Em oposição às opiniões de McLuhan, o qual afirma que os meios coletivos favorecem a ‘tribalização’ da humanidade, isto é, a volta ao senso de comunidade e aos vínculos mais estreitos, há pessoas que temem que os meios coletivos estejam contribuindo para aumentar mais ainda o isolamento recíproco das pessoas. O ‘papo amigo’ – segundo eles – está cedendo lugar a uma silenciosa e unilateral absorção das pessoas pelos programas de televisão.” BORDENAVE, Juan E. Diaz. Além dos meios e mensagens: introdução à comunicação como processo, tecnologia, sistema e ciência. 10.ed. Petrópolis: Editora Vozes, 2002, p. 64.
pessoas serem incluídas nessa nova realidade, elas necessitam ter acesso aos meios de comunicação modernos. Em busca disso, os países, inclusive o Brasil, e com resultados positivos, trabalham na Universalização das Telecomunicações, para que todos possam ser considerados incluídos “digitalmente”247.
Tendo em vista que os meios de comunicação são importantes para esse trabalho, porque é com o uso desses canais que os serviços de telecomunicações podem ser oferecidos de maneira onerosa, falar-se-á do seu surgimento no mundo. Nessa perspectiva, merece atentarmos ao que é realmente um novo meio de comunicação ou apenas nova tecnologia agregada ao que sempre existiu. O enfoque é histórico, mas além de interessante, é indispensável, pois traz dados técnicos do funcionamento das telecomunicações essenciais para a verificação de fatos geradores248 de tributos.