• Sonuç bulunamadı

Post-Modernist Modeller

Belgede Selman Yılmaz (sayfa 74-109)

A área livre estudada é um espaço descoberto existente no centro do lote, constituído pelo mini-zoo, playground com alguns brinquedos, caixa de areia, laterais da lanchonete, duas árvores guarnecidas por banquinhos, além da rampa de ligação entre os lotes, e a entrada do bloco do Jardim (ver Figura 8). Como serão descritos BS verificados nesse local, a caracterização das pessoas e do ambiente, e a satisfação (geral) obtida serão apresentados antecipadamente. Serão descritos apenas dois dentre vários BS que acontecem durante o período de uso, os quais podem ocorrer tanto sucessiva quanto simultaneamente, costumando repetir-se várias vezes por semana.

As pessoas:

Durante o recreio todos os alunos de um turno podem usar a área do pátio descoberto central, embora sua ocupação esteja mais ligada a crianças entre 3 e 5 anos, pois a maiores preferem a quadra (sobretudo os meninos) Algumas auxiliares de ensino se revezam para cuidar das crianças, interferindo pouco nas brincadeiras.

5 Devido à grande repetição do termo Behavior Setting nessa seção do estudo, ele

poderá ser substituído pelas iniciais BS, ou simplesmente pela palavra setting, sem prejuízo do seu sentido original.

Nos casos descritos todas as pessoas envolvidas (indireta ou diretamente) podem ser substituídas sem que haja alteração do funcionamento dos settings.

O ambiente:

O pátio descoberto tem piso em lajotões cerâmicos, sendo delimitado por muros/paredes em três de suas laterais. Definindo seu perímetro ficam o mini-zoológico, a lanchonete, o play-ground (composto por brinquedos industrializados simples) e a caixa de areia.

Na quarta lateral encontra-se a rampa de ligação entre lotes (declive de aproximadamente 1,0m) com parapeito em grade de ferro, cuja continuação constitui a passagem de acesso ao bloco do Jardim. Essa rampa também separa o pátio e a piscina (contígua).

Quase no centro da área descoberta encontram-se duas árvores, guarnecidas por muretas baixas (círculos) que são aproveitadas como banquinhos.

Satisfações proporcionadas:

• Crianças: boas condições para seu desenvolvimento, exercício do convívio social, aprendizagem de rotinas e normas, trabalho de cognição, linguagem, hábitos de higiene, psicomotricidade, afetividade, etc.

• Pais: deixar os filhos numa escola confiável.

• Professoras e assistentes de ensino: remuneração; bom ambiente de trabalho; prazer de exercer sua profissão e trabalhar com crianças; oportunidade de realizar um trabalho mais leve e ao ar livre, que pode ser um momento de descanso na atividade diária..

• Equipes administrativa, manutenção, apoio-pedagógico: remuneração, prazer de exercer a profissão.

• Pesquisadora: observar as crianças e o desenrolar dos

22

-

BAMBOLEIO

(i)Behavior Setting Externo 1: Imitando Animais

Cena típica:

Crianças observam e imitam os animais do mini-zoo.

Limite temporal:

Das 10:00 às 10:15 horas.

Limite espacial:

Todo o contorno do minizoo.

Componentes humanos:

05 crianças (2 meninas e 3 meninos) com idade entre 3 e 4 anos; 2 meninas maiores (6 ou 7 anos); 1 auxiliar de ensino (não muito próxima, mas atenta às atividades)

* uma das meninas maiores é irmã e prima de 3 dos menores

Componentes não-humanos:

Mini-zoo e animais.

Programa básico (resumido):

As crianças circulam em torno do mini-zoo. As menores observam os animais e são dirigidas pelas maiores, que os “ensinam” a imitar os bichos. Neste dia foram imitados (sons e postura física) não só os animais observados (presentes) mas também vários outros, como gorila, elefante e leão. A assistente as observa para evitar algum imprevisto (como colocar o dedo na tela e levar uma bicada de passarinho).

Hierarquia de posições:

As duas meninas maiores foram líderes conjuntos, enquanto os demais foram participantes ativos. A auxiliar de ensino e a pesquisadora foram espectadoras.

Número de pessoas:

O número mínimo de pessoas, considerando essa brincadeira, é 3 (1 criança grande, 1 pequena e a auxiliar). Esse número pode crescer bastante, pois, sendo uma brincadeira sem muitas regras, qualquer pessoa próxima pode ser incorporada.

Satisfações proporcionadas pelo setting:

Para as crianças, acrescentar, o exercício de convívio social, e de atividade lúdica, ao mesmo tempo que são trabalhados o conhecimento sobre animais e a motricidade.

Sistemas auto-reguladores:

Durante a atividade 1 dos meninos se chateou (não queria ser um passarinho, queria ser um leão), sentou- se no chão e recusou-se a continuar (problema). Todos notaram o problema (mecanismo sensor) porque ele ficou bem no meio da passagem e atrapalhava o grupo de “passarinhos” que estava voando (mecanismo sensor) Um das meninas maiores logo se sentou perto dele para conversar (mecanismo executor, contra- desviante). Como não conseguiu convencê-lo a mudar de idéia, ela propôs que todos fossem leões. O jogo continuou naturalmente.

Sinomorfia:

A sinomorfia foi completa.

Ponto focal de comportamento:

Num primeiro momento, os animais do mini-zoo, depois a imaginação das líderes.

(ii) Behavior Setting Externo 2: Trocando o LANCHE

Cena típica:

Meninas lancham e conversam.

Limite temporal:

Segundo uma auxiliar de ensino, ocorre quase diariamente, durante o começo do recreio vespertino.

Limite espacial:

Setor de um dos banquinhos de alvenaria sob árvores (cerca de 1,5m).

BAMBOLEIO

-

23

3 meninas (1 das quais bem gordinha) com idade entre 5 e 6 anos

Componentes não-humanos:

Banquinhos, lancheiras e seus diversos conteúdos.

Programa básico (resumido):

As meninas saem o Bloco do Jardim e rapidamente vão para o seu “lugar” sob a árvore mais distante. Abrem as lancheiras, discutem seus conteúdos distribuindo-os sobre o banquinho, trocam entre si os elementos que não querem, lancham, guardam seus pertences, levam os restos para o lixo, e depois vão brincar.

Hierarquia de posições:

Todas comportam-se como líderes conjuntos. A pesquisadora e a assistente de ensino (que indicou a existência do setting) foram apenas espectadores.

Possibilidade de substituição de pessoas:

Todos poderiam ser substituídos, embora numa situação de amizade (como a que parece existir entre as meninas) isso seja mais difícil.

Número de pessoas:

A atividade de troca só é possível a partir de duas pessoas (número mínimo); por outro lado, o máximo de envolvidos é difícil de ser calculado, embora não deva ser muito grande, pois, embora a oferta de alimentos fosse maior, o processo de seleção, escolha e distribuição seria mais complexo. Nesses termos, talvez um grupo com 5 a 6 crianças ainda fosse adequado.

Satisfações proporcionadas pelo setting:

Além das costumeiras, para as meninas envolvidas há a possibilidade de escolher o alimento que preferem e exercitar sua sociabilidade.

Sistemas auto-reguladores:

Já no final da divisão do lanche um biscoito de chocolate recheado (com jeito de gostoso) caiu no chão (problema). Todas notaram imediatamente (mecanismo sensor) e uma dela baixou-se para pegar (mecanismo executor tipo contra-desviante), colocando-o novamente sobre o guardanapo que estava no banco (mecanismo executor). Uma das demais reclamou imediatamente dizendo que o biscoito estava sujo (problema 2, mecanismo sensor) e deveria ser jogado fora. Ela o levou para o lixo (mecanismo executor tipo veto). A gordinha, então, identificou um novo problema, pois elas eram 3, e agora só existiam 2 biscoitos de chocolate (problema 3, mecanismo sensor). Elas conversaram por alguns minutos, enquanto comiam e bebiam os alimentos trocados (suco/refrigerante/leite; sanduíche/biscoito-salgado/biscoito-doce-recheado). Ao final, duas não quiseram mais comer o biscoito de chocolate, e a gordinha acabou ficando com os dois.

Sinomorfia:

Sob o ponto de vista das crianças envolvidas houve total sinomorfia no BS, já que todas atingiram seus objetivos e ficaram satisfeitas. Além disso, a altura do banquinho foi perfeita para a colocação dos lanches.

No entanto, se encararmos o BS sob o ponto de vista dos pais, apesar da sociabilidade das garotas a sinomorfia fica comprometida, pois as trocas efetuadas impede que os mesmos tenham controle sobre a alimentação dos filhos. A intenção de um regime, por exemplo, ficaria totalmente impossibilitada. Sobre isso falou-se com a auxiliar de ensino que havia indicado o setting. Ela reconhece essa dificuldade, mas não a encara como problema. Num segundo momento conversou-se com a menina mais gordinha (ao mesmo a

24

-

BAMBOLEIO

maior beneficiária e também a maior prejudicada), que riu bem despreocupada e disse que sua mãe também já havia dito isso (Como é bom ter seis anos!...)

Ponto focal de comportamento:

O conteúdo das lancheiras.

Belgede Selman Yılmaz (sayfa 74-109)

Benzer Belgeler