2.3 FİZİKSEL VE FİZYOLOJİK ÖZELLİKLERİ
2.3.4 Postür
A inauguração do novo serviço, denominado de Clínica de Atenção Psicossocial, de sigla CLIPS, foi comemorada com uma grande manifestação novamente no Dia Nacional da Luta Antimanicomial.
No entanto, após o momento de celebração da vitória arduamente alcançada, inúmeros problemas começam a acontecer. O CLIPS inicia suas atividades oferecendo apenas consultas de psiquiatra e psicologia, algumas oficinas, e não prevê o pronto atendimento aos usuários em crise, nem a sua permanência-dia. Ou seja, o CLIPS é ambulatório especializado
em Saúde Mental e não como um CAPS II, como reivindicado pelo movimento.
No entanto, para um melhor entendimento do funcionamento da rede assistencial é preciso retomar brevemente o percurso de sua reorganização, ocorrida após o Seminário Regional de Saúde Mental, realizado em abril de 2001.
A secretaria municipal de saúde cumprindo acordo realizado neste seminário, convoca os trabalhadores de Saúde Mental do município – sete psicólogos, um psiquiatra e um assistente social – para repensar a organização da assistência oferecida em Saúde Mental. Coincidiu, nesse mesmo período, a implantação do Programa de Saúde da Família em diversas regionais de saúde do município.
A equipe de saúde mental, desta forma, implanta o acolhimento em saúde mental em sete unidades básicas de saúde, nos bairros Betânia, Canaã, Limoeiro, Jardim Panorama, Vila Celeste, Veneza e também na Policlínica Municipal. Este acolhimento tem como objetivos (1) identificar os casos que se “beneficiariam com o CAPS” e (2) “participar da preparação da
rede–CAPS, orientada no sentido de prover recursos substitutivos à internação psiquiátrica” (Organização da Atenção à Saúde Mental no município de Ipatinga: comunicado. Mimeografado, 2002, p.1)
Neste período, vê-se uma ênfase no que se convencionou chamar função-NAPS. Esta função visa “promover recursos de acolhimento da crise que sejam substitutivos ao modelo da internação psiquiátrica” (Documento SAÚDE MENTAL, OUTUBRO DE 2002)
uma parceria com o PSF no sentido de orientar e capacitar as equipes para atendimento em saúde mental de maneira comunitária (o tratamento é territorializado segundo a área de abrangência a que pertence o usuário), preventiva (em termo de prevenção à crise subjetiva), e tecnicamente resolutiva (refinando os equipamentos, procedimentos e o próprio saber clínico, construídos a partir da experiência). (ORGANIZAÇÃO..., 2002, p.1)
Posteriormente, a equipe busca também preparar o Pronto Socorro Municipal para “qualificar a internação psiquiátrica enquanto parte de um projeto terapêutico ampliado” (idem, p. 1).
Assim, a nova proposta promove a inclusão da Saúde Mental na rede de saúde geral de forma que seja sustentada fortemente pela atenção básica, composta pelas equipes de saúde da família e pelo acolhimento em saúde mental.
Esta reorganização estabelece o seguinte fluxo de atendimento:
- Toda a demanda de saúde mental, da parte da comunidade ou da própria secretaria de saúde, será encaminhada ao Acolhimento em Saúde Mental (excetuando os casos de Emergência Subjetiva, cujo primeiro destino seja o Pronto Socorro; cabe a este, na alta, referenciá-los ao Acolhimento)
- As Equipes de Saúde da Família encaminham ao Acolhimento aqueles casos que não puderam ser resolvidos com os recursos de que dispõem;
- O Acolhimento encaminha para o CAPS65 (atualmente em seu Núcleo-Policlínica) ou
Pronto Socorro os casos que precisem de acompanhamento especializado suplementar; - O Pronto Socorro Municipal passa a contar com interconsulta psiquiátrica para os casos de Saúde Mental ali internados; em condições de alta, contra-referencia-os ao Acolhimento segundo a área de moradia do paciente (idem, 2002, p. 3)
Assim concebido, com forte sustentação no PSF e no acolhimento nas unidades básicas de saúde, só é possível acessar o serviço especializado de saúde mental da Policlínica (denominado Núcleo-Policlínica) com o encaminhamento da Atenção Básica. Esta hierarquização que se mostrou funcional em um momento anterior à implantação do CLIPS, por acabar com as imensas filas que se formavam na Policlínica, tornou-se um caminho tortuoso que dificultava o acesso dos usuários e familiares nos momentos de crise a este serviço.
Isto é, mesmo após a implantação do CLIPS, foi mantida como única porta de entrada na rede de saúde mental a Atenção Básica. Ao avaliar o caso de saúde mental, o PSF deveria encaminhar o usuário para o Acolhimento em Saúde Mental das unidades de saúde (realizado pelos psicólogos) e, somente aí, proceder o encaminhamento ao CLIPS.
O CLIPS, por suas vez, destinava-se exclusivamente os casos de ‘urgência subjetiva’, quais sejam, neuroses e psicoses graves de curso instável, estado atual agudo, com
65 Neste momento, para clareza, não existe CAPS, apesar de citado no texto. O que existe é o que se denominou
isolamento” social. Excetuando-se os casos de “agitação psicomotora intensa ou passagens
ao ato destrutivas-agressivas” (ORGANIZAÇÃO..., 2002, p. 2, grifo nosso). O CLIPS também exclui de seu atendimento “todo e qualquer caso considerado neurológico”, mesmo em crise subjetiva. Segundo as normas do novo Programa de Saúde Mental, os casos de agitação psicomotora intensa e agressividade deveriam ser atendidos pelo SAMU ou pelo Corpo de Bombeiros e levados ao Pronto Socorro Municipal. Após devidamente contidos, o CLIPS realizaria o atendimento do caso no próprio Pronto Socorro. Nos casos do usuário não apresentar uma melhora do quadro em dois ou três dias, o mesmo é encaminhado para o Hospital Galba Veloso, em Belo Horizonte.
Diante desta situação, inúmeros usuários, familiares, e demais pessoas simpatizantes do movimento antimanicomial buscaram a associação para reclamar deste modelo assistencial, geralmente também questionando o tão desejado CAPS. O movimento buscou discutir com a coordenação de Saúde Mental e com a secretaria municipal de saúde esta situação, mas enfrentou inúmeras resistências dos profissionais.
Percebe-se, assim, que a questão do Modelo Assistencial tornou-se um tema fundamental para o movimento antimanicomial neste período. Afinal, após mais de cinco anos de intensa luta pela implantação do CAPS, o mesmo frustra uma série de expectativas tanto dos militantes mais próximos à associação quanto dos usuários em geral e da comunidade.
Os profissionais que estruturaram os serviços e que sustentam este modelo se tornam, agora, os principais antagonistas do movimento, com os quais este terá de discutir o modo de organizar o cuidado.
3.2 A FALA DOS USUÁRIOS E FAMILIARES: DO ISOLAMENTO À