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BÖLÜM 2. ÖNCEKİ ÇALIŞMALAR

2.5. Portakal Suyu Üretiminde Isıl İşlem Uygulaması ve Etkileri

2.5.4. Portakal sularında renk ve ısıl işlemin etkileri

A relevância das questões sociais, econômicas e de infraestrutura presentes na caracterização dos territórios continua conduzindo a fala dos profissionais à medida que identificam estas questões também como as principais necessidades de saúde das comunidades. Indicam também: sofrimento individual e familiar, falta de transporte, de espaços de lazer e de atividade física, e pouca participação social e acesso às políticas públicas.

As questões de ordem clínica são citadas como elementos que contracenam com esse fundo complexo, entendidas também como resultado dele46. Considerando as 22 entrevistas, aparecem de modo mais frequente: hipertensão, diabetes e saúde mental; na sequência, gravidez na adolescência; e, de modo menos frequente: obesidade, hanseníase, tuberculose, problemas ortopédicos, respiratórios, dores crônicas, DST/AIDS e encaminhamento para especialidades. Os depoimentos de Pedro e Marisa podem ser referência nessa situação:

Se for motivo de consulta o quente nosso aqui são as doenças crônicas né, hipertensão, diabetes, obesidade, nem tanto doença, mas como fatores de risco e tal [...]. É... quando você começa cavar um pouco mais, você vê que tem muita coisa de ansiedade, sofrimento mental, sofrimento emocional em horrores. [...]. Aí a questão mais freqüente da comunidade que é a violência, que é claro e notório. Violência, questões com emprego, empregos mal remunerados que aí causa sofrimento emocional na pessoa e isso vai se refletir das mais variadas formas. Outro ponto de vista que você pode olhar também seria a maior necessidade do ponto de vista educacional em saúde, que é o conhecimento das pessoas sobre a vida, o próprio corpo, algumas questões propriamente técnicas tipo riscos de se fazer exames, necessidades de usar remédios pra se controlar fatores de risco. Pedro

[...] os problemas são... os problemas respiratórios em crianças de menos de dois anos e hipertensão e diabetes nos adultos, esses são os mais freqüentes,

46 Isso também pode ser percebido no período de observação no Centro Comunitário no grupo de hipertensão e

diabetes. Ao final do grupo, a equipe se reunia para discutir casos e encaminhar o trabalho. Neles sempre estavam presentes as especificidades encontradas nas visitas domiciliares realizadas pelas ACSs. A maioria delas estava relacionada à hipertensão, ao diabetes, aos cuidados destinados aos problemas de saúde e, como pano de fundo, aos problemas familiares. São exemplos as suspeitas de violência doméstica, da filha com a mãe; e de ex-marido com a mulher. Outro exemplo foi o caso de um senhor que estava com o diabetes sempre descontrolado, e perceberam que era devido à falta de cuidados, pois como ele era cego dependia da ajuda de alguém para tomar os remédios corretamente. No entanto, durante o dia, acompanhamento e administração do remédio ou mesmo da alimentação em horário corretos eram insatisfatórios por parte da família. Mais exemplos dizem respeito à dificuldade de conversar com as pessoas responsáveis das famílias para orientar os cuidados com a pessoa doente; e, quando conseguem, as controversas entre o que veem nas visitas domiciliares e o que os familiares dizem. Em outro caso, a preocupação volta-se à cuidadora e não para o “doente” em si. Observam, por exemplo, que a esposa não está bem devido à sobrecarga de ter que “cuidar de tudo”, do marido, da casa, das compras.

os problemas de saúde. Mas as questões de necessidade mesmo são as questões de inserção mesmo, tem muito desemprego e muita violência né, e isso então são as causas do desgaste maior que acabam fazendo com esse processo saúde-doença de hipertenso, diabético, problema respiratório seja só o resultado lá no final, mas a questão da violência e do desemprego aqui ou do trabalho informal ela é muito presente e isso interfere nessas outras questões.

É preciso observar também que a saúde mental (depressão, ansiedade, síndrome do pânico, entre outras) recebeu um destaque muito grande nas falas, percebido por dois motivos: primeiro, pelo crescimento que observam nessa demanda e, segundo, porque, diferente da hipertensão e diabetes, que também têm um número grande de casos, não há uma orientação ou recursos que podem ser empregados a priori pelas equipes. Chamam a atenção para a necessidade de profissionais específicos para ajudar nessa questão, por exemplo, com o NASF; e até mesmo rever as prioridades da ESF, em que a saúde mental passaria a ser contemplada.

Outra observação é que, se por um lado temos esse resultado em um panorama geral, por outro, o que aparece de modo mais frequente pode ser, em termos de relevância, o menos importante de uma área específica ou considerado de menor complexidade em termos de intervenção. Por exemplo, as DSTs/AIDS quase não são citadas, mas do ponto de vista da coordenadora Rosana é o principal problema a ser enfrentado na comunidade da sua equipe; ou da equipe da Cristina que, apesar de ter um número relativamente alto de gestantes na área, não identifica como um problema, pois no dia-a-dia do trabalho nota que as mulheres optam pela gravidez, diferente de outras áreas onde a gravidez muitas vezes é indesejada, como na adolescência; ou então, apesar de Maria e Julia considerarem que a hipertensão é muito frequente nas suas áreas, apontam como problemas que demandam mais atenção a violência e o abandono/maus tratos de idosos, respectivamente, devido à complexidade para lidar com essas questões.

Apontamento 3 - Caminhar entre a heterogeneidade e a singularidade

Esses dados são importantes, pois mostram a heterogeneidade em relação aos problemas de saúde e se, no geral, hipertensão e diabetes podem ser identificados sendo os principais. Quando se olha para o local, os relatos dos profissionais mostram que cada território apresenta suas singularidades e, mais, que diferentes problemas coexistem e na

prática do atendimento junto às comunidades eles não se dissociam. Portanto, fica difícil trabalhar apenas com uma questão em detrimento de outra.

Essas diversas demandas em saúde são percebidas por Massuda (2008) como decorrentes das transformações sociais do mundo contemporâneo e refletem-se nos modos de vida das pessoas, inclusive em relação ao processo de saúde e doença. A situação engloba questões sociais relativas, por exemplo, ao desemprego, às condições de moradia, às mudanças nos padrões de sexualidade e à estrutura familiar; de saúde, como a volta de epidemias como a dengue, o aumento das doenças cronicodegenerativas e de saúde mental. O autor também inclui nesse quadro alcoolismo, drogadição, isolamento social na velhice e sequelas de acidentes de trânsito, entre outros. Para o autor, as práticas clínico-sanitárias não estão dando conta de lidar com a complexidade desses problemas, particularmente porque o modelo tradicional de atendimento à saúde é restrito para compreender a dinâmica dos fatores envolvidos atualmente no processo de saúde e doença.

Nesse sentido, a fala dos profissionais expõe a dificuldade entre identificar uma necessidade de saúde e trabalhar com ela. Há uma distância quando falamos que é preciso “trabalhar com a real necessidade de saúde das pessoas”, imaginando quais serão, e a concretude do trabalho que se apresenta aos olhos dos profissionais, pois o contato com o cotidiano das pessoas, com as condições de vida e até mesmo com os conflitos familiares, mostra o quanto o profissional é solicitado em um saber-fazer que excede as queixas clínicas, as dores físicas, o pedido de receita e exames. Isso porque um levantamento objetivo sobre o que os usuários mais buscam nas UBSs pode indicar que o consumo por consultas médicas, receitas para conseguir remédios e pedidos de exames pode aparecer como a principal demanda de saúde dos usuários, ligada ao modelo tradicional de saúde.

A visão de saúde da população, e eu não digo que é da população do mundo, eu digo do Butantã da cidade de São Paulo, é uma visão de saúde muito deturpada do meu ponto de vista. Enquanto eu to querendo ver promoção à saúde eles tão querendo dipirona, porque eles têm uma visão medicalizada, enquanto eles não passarem com um médico e saírem com uma receita eles não tiveram acesso ao serviço de saúde. Luciana

A Demanda maior é por consulta médica, que eles querem, que eles procuram, é mais a consulta médica mesmo. Cristina

No entanto, a aproximação com as experiências dos profissionais, com as angústias que enfrentam ao lidar com as dificuldades das famílias, das comunidades, coloca em primeiro plano, ainda, o básico para se viver, em termos de moradia, saúde e educação. Tais profissionais percebem que estas condições acarretam desde o sofrimento mental e

emocional até doenças que seriam o resultado final desse processo. Lidar com essas questões acaba sendo o principal desafio e também o que impõe maior sobrecarga e limites à ação do profissional, daí os sentimentos de frustração, angústia e impotência.

Os relatos também indicam a dificuldade de escolher entre um lado ou outro, problemas clínicos ou sociais. Eles são vistos no todo e demandam ações abrangentes. Por isso, é preciso questionar as práticas de saúde sim, mas a diversidade e também a profundidade dos problemas apontados pedem reforço de políticas públicas, para cobrir situações de cunho mais amplo, e o trabalho intersetorial, especialmente com outras secretarias municipais, para agir em demandas mais urgentes. Portanto, não se descarta a necessidade de um “suporte”, além daquele disponível nas UBSs, que complemente as ações de saúde das equipes. Nesse contexto, percebe-se nas falas uma expectativa muito grande sobre a possibilidade das equipes do NASF contribuírem para melhorar o alcance das intervenções, sobretudo, naquelas que extrapolam o olhar físico sobre a doença, por exemplo, pelo apoio do assistente social, do psicólogo e também do profissional de Educação Física. Foi possível notar nas entrevistas com profissionais de Unidades em que o NASF estava começando a ser implementado que eles já se sentiam mais tranquilos só de poder compartilhar os casos considerados mais “insolúveis” com profissionais de outras áreas, e confiantes que, em alguma medida, conseguiriam maior resolutividade.

Levando-se em consideração todo esse contexto, as experiências dos profissionais corroboram a afirmação de Campos et al (2008) que, ao contrário da visão geral que costuma atribuir menor valor às ações na atenção básica por serem consideradas mais simples e requererem menor qualificação profissional, interferindo até mesmo no status dos profissionais, percebe-se que as intervenções na rede básica de saúde são complexas. Isso porque cada processo envolve diferentes variáveis, o que demanda uma intervenção também “variada” no sentido de contemplar as dimensões orgânicas, subjetivas e sociais. Os autores explicam que

Essas dimensões estarão presentes em qualquer trabalho em saúde, no entanto na rede básica atingem expressão maior sendo necessário considerar esses aspectos não só no momento do diagnóstico, mas também lograr ações que incidam sobre essas três diferentes dimensões. A proximidade com as redes familiares e sociais dos pacientes facilita essas intervenções, porém sem eliminar sua complexidade (CAMPOS et al, 2008, p. 138).

Assim, é preciso pensar em meios que possibilitem fazer essa aproximação à medida que se percebe as restrições de abordagens unilaterais sobre quadros complexos como esses. Vasconcelos (2010) nos mostra que a Educação Popular é uma das possibilidades de se

trabalhar com a heterogeneidade e a diversidade dos grupos sociais, pois valoriza “a intercomunicação entre os diferentes atores sociais, o compromisso com as classes subalternas, as iniciativas dos educandos e o diálogo entre saber popular e saber científico” (p. 30). Dessa forma, o trabalho é orientado para aproximar serviços de saúde e população, por meio de relações menos autoritárias e normatizadoras.

Há, então, um desafio diário para o trabalho multiprofissional, criativo e de adaptação não só dos conteúdos, mas também da forma como são propostos em cada realidade.

5.4 Participação: modelo tradicional X saúde da família

O tema da participação das pessoas nas atividades foi ganhando destaque no trabalho tanto nas entrevistas com os coordenadores de equipes como nas observações no Centro Comunitário, sendo considerada, de modo geral, baixa. Por parte dos profissionais a expectativa de que a participação seja significativa vem da “pré-concepção” de que se oferece algum atendimento ou serviço que as pessoas precisam, importante para a saúde e que, talvez, não teriam acesso a ele de outro modo. No entanto, observa-se uma dificuldade de participação da comunidade nos diferentes grupos ou, quando ela acontece, há pouca rotatividade ou ampliação de demanda, pois “são sempre as mesmas pessoas que participam”. Nesse momento também aparecem menções às prática corporais devido aos grupos oferecidos em algumas Unidades. De modo geral, a participação nos grupos de práticas corporais oscila de um grupo para outro ou então aparece menor ao que seria esperado. Nestes casos, alguns profissionais se remetem também à dificuldade de propor, acompanhar ou orientar, seja individualmente, seja nas consultas, seja nos grupos, devido à falta do profissional de Educação Física na UBS. Outro aspecto citado diz respeito ao “tempo de vida” dos grupos, que se iniciam, se desenvolvem por um tempo e depois acabam. Naquelas em que o NASF estava sendo implementado, havia uma boa expectativa nesse sentido.

As observações aconteceram em relação aos diferentes tipos de atendimento, desde consultas específicas, como as que acontecem com os enfermeiros, participação no conselho gestor e em grupos como: artesanato, práticas corporais, hipertensão e diabetes. Alguns casos relatam que há boa participação, mas depende do tipo de atividade oferecida, do