4. ARAġTIRMA SONUÇLARI VE TARTIġMA
4.10. Rüzgâr santrali ve PHES hybrit sistemi için çalışma stratejisinin belirlenmesi
4.11.1. Pratikte uygulanabilecek bir yer için PHES elemanlarının seçimi
4.11.1.1. Pompa ve Türbin Seçimi
As categorias que passamos seguidamente a analisar, relativas ao tema -
Necessidades de Formação Docente para alfabetizar letrando, dizem respeito às Necessidades formativas materializadas em objetivos de formação:
Compreender especificidades e relações entre os conceitos de alfabetização e letramento e suas implicações pedagógicas;
Definir conteúdos e metodologias de alfabetização na perspectiva do letramento; Dirimir equívocos teórico-metodológicos acerca das abordagens mecanicista e
interacionista de alfabetização;
Discorrer sobre o quadro conceitual da psicogênese da língua escrita e suas implicações na prática docente;
Planejar, desenvolver e avaliar situações didáticas que envolvam a apropriação da leitura e da base alfabética da escrita, em contextos de letramento.
As dificuldades e problemas vividos pelos professores se configuram como
indícios de necessidades, a partir das quais podemos enunciar os objetivos indutores da formação.
De acordo com Rodrigues (2006, p. 111), “uma prática de análise de necessidades de formação é sempre uma prática geradora de objetivos de formação, ou seja, fundamento de um projecto de formação”. Rodrigues e Esteves (1993) ratificam que a expressão de uma necessidade conduz a um produto específico - os objetivos para a ação dos indivíduos e dos grupos.
É importante sublinhar que na prática investigativa das necessidades de formação não é o pesquisador, individualmente ou em grupo, quem determina as necessidades dos professores, mas essa investigação requer um processo de construção social obtido mediante envolvimento e implicação num trabalho de pesquisa e reflexão do sujeito que as percebe e expressa no contexto da interação. Trata-se de um percurso de conscientização que ocorreu de forma contextualizada nas entrevistas individuais, coletivas e no próprio trajeto da formação.
A análise de necessidades foi se confundindo com a própria formação e a determinação dos objetivos dessa formação aconteceu no movimento das sessões reflexivas de estudo. Em relação à subcategoria necessidade de Compreender especificidades e relações entre os conceitos de alfabetização e letramento e suas implicações pedagógicas, os professores explicitaram que:
Adele - A gente tem que saber ler e interpretar o que está lendo; usar o que está aprendendo ali na escola e fora dela.
Vanda - É o domínio da linguagem escrita e falada.
Paulo - Uma pessoa alfabetizada é aquela que sabe escrever e ler. Ana Zélia - Alfabetização é ler, escrever e contar.
Fátima - Alfabetização é aprender a ler e escrever textos.
Em seus depoimentos, os professores manifestam algumas dimensões importantes do processo de alfabetização, como a idéia de processo e compreensão da escrita e da leitura. No entanto, não há referências em relação às especificidades da alfabetização como à apropriação do sistema alfabético de escrita, nem menção à inserção nas diferentes esferas sociais de interação envolvidas na alfabetização. O foco dos discursos é na produção de textos escritos.
Porém, na observação de suas práticas, pudemos verificar que essa idéia de “ler, escrever e contar” está atrelada a um trabalho que privilegia alguns aspectos relativos à apropriação da base alfabética da língua, em detrimento do eixo do letramento. No quadro a seguir, a professora Ana Zélia propõe que as crianças leiam e copiem um texto curto que “sabem de cor”.
A professora começa a escrever no quadro a letra da música o palhaço Picolé.
O palhaço Picolé:
Ele dança, dança, dança, lê, lê, lê, Viva! Viva! É engraçado dó... dó... Pé de Chulé!
Ele pula lá lá...
A professora pede que as crianças leiam e copiem no quadro a letra da música.
Em seguida, como nas aulas anteriores, a professora diz: - crianças, circulem as vogais, contem as letras das palavras e reescrevam no caderno as palavras que terminam e que começam com as letras a - e - o.
Quadro 3 Fragmento da aula da professora Ana Zélia - 1º ano do Ensino Fundamental. Fonte: Protocolos de observação da prática pedagógica dos professores
da escola lócus da pesquisa.
Apesar da professora não ter dado informações às crianças sobre a definição do gênero textual, nem ter explorado e refletido os sentidos do texto, o que revela a sua necessidade de formação em relação a esses aspectos, a atividade realizada possui pontos que merecem atenção. É importante realçar o fato de ter sido
apresentado um texto já conhecido pelas crianças e, a partir dele, ser solicitado um exercício de reconhecimento das vogais, de quantidade de letras das palavras e de posição das vogais dentro das palavras.
Há, portanto, por parte da professora, uma preocupação em relação ao aprendizado das letras enquanto unidades menores do que a palavra e essa é uma descoberta importante para os alunos construírem hipóteses iniciais sobre a escrita. O desenvolvimento da capacidade de delimitação das unidades gráficas é necessário para que a criança compreenda que a base de funcionamento do sistema alfabético são os signos gráficos e suas relações com os sons.
Durante as aulas observadas, percebemos uma regularidade nesse tipo de atividade trabalhada por alguns professores, evidenciando que, apesar do trabalho com essa dimensão essencial da alfabetização, eles têm dificuldades de promover atividades que equilibrem os diferentes componentes da alfabetização e do letramento. Os exercícios tendem a apresentar lacunas quando se trata de apresentar aos alunos um bom repertório de gêneros textuais e propostas de práticas de leitura e de produção de textos. É imprescindível que as situações didáticas que trabalhem com as relações entre letras, sons, formação de palavras e outras convenções, não percam de vista “que a leitura e a escrita são primordialmente atividades de construção de sentidos” (BRANDÃO; LEAL, 2005, p. 33).
As autoras citadas acrescentam que:
Assim, nas salas de educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental, podem e devem aparecer diversos gêneros textuais lidos pelo(a) professor(a), expostos nas paredes, “lidos” pelas crianças, produzidos coletivamente ou em brincadeiras de faz-de- conta, em que elas brincam de escrever. Através dessas práticas, as crianças vão se familiarizando com os diferentes usos e funções sociais de textos escritos, e não simplesmente com letras isoladas, sons, sílabas ou palavras soltas (BRANDÃO; LEAL, 2005, p. 33-34).
Em relação ao conceito de letramento, os professores consideram que:
Vanda - Letramento é interpretação...
Consuelo - [...] eu acho esse conceito muito novo e ainda preciso entender coisas sobre ele. Alfabetização é um trabalho que a gente já está acostumada a fazer, mas letramento é mais difícil.
Paulo - Uma pessoa letrada tem conhecimentos, sabe falar... Preciso entender melhor esse conceito.
Ana Zélia - Letramento é quando a criança não apenas lê, mas interpreta o que lê, entende o que lê.
Fátima - O letramento é você usar tudo que construiu e aprendeu na alfabetização.
Regina - Letramento é a compreensão da escrita.
Ivone - Letramento é quando o indivíduo tem muito conhecimento.
A julgar pelos dados, podemos referir que as falas dos professores revelam alguns equívocos relacionados a uma incompreensão do que venha a ser, efetivamente, o letramento, uma vez que no Brasil os conceitos de alfabetização e letramento se mesclam, se superpõem e, frequentemente se confundem, o que leva à perda das especificidades de cada um dos dois processos.
A idéia de letramento voltada para as noções de interpretação e compreensão da língua anuncia que o conceito não é assimilado pelos mesmos, que demonstram fragilidades sobre o entendimento do seu significado. Não há uma vinculação do conceito às práticas sociais de uso da leitura e da escrita, nem às relações de interação e discursividade que se materializam nos usos da língua.
Soares (2002) afirma que a necessidade que os professores, em geral, têm em compreender esse conceito, explica-se pela imprecisão que, na literatura educacional brasileira, ainda marca a definição de letramento; imprecisão compreensível se considerarmos que o termo foi recentemente introduzido na área da educação. Entretanto, não há, propriamente, uma diversidade de conceitos, mas diversidade de ênfases na caracterização do fenômeno, já discutidas no terceiro capítulo desta tese.
A fluidez ainda marca as definições a seu respeito: letramento, ora se refere às práticas sociais de leitura e escrita; ora designa eventos relacionados ao uso da leitura e da escrita; ora às determinações da escrita sobre os grupos sociais e,
finalmente, ainda faz alusão ao estado ou condição em que vivem sujeitos capazes de exercer práticas de leitura e escrita.
A autora acrescenta que a preocupação com o entendimento desse conceito não ocorre só em âmbito nacional; a preocupação com as habilidades de exercício das práticas de leitura e escrita está presente não só no Brasil, mas em todos os países da América do Sul, da América do Norte e da Europa. Nesse sentido, conclui que “o letramento é um fenômeno plural, historicamente e contemporaneamente: diferentes letramentos ao longo do tempo, diferentes letramentos no nosso tempo” (SOARES, 2002, p. 156).
Salientamos que quando a autora admite que o conceito de letramento é plural, está atrelando-o ao próprio caráter histórico e social e, portanto, mutável da linguagem. A linguagem como interlocução é um processo constitutivo e constituído por sujeitos que usam suas falas para os outros e com os outros, em um determinado contexto social.
Alguns teóricos não fazem distinção conceitual entre Alfabetização e Letramento, embora defendam que as práticas de alfabetização devem ser inseridas em práticas sociais de leitura e escrita. A esse respeito, Ferreiro (2003, p. 30) afirma que:
Há algum tempo, descobriram no Brasil que se podia usar a expressão Letramento. E o que aconteceu com a Alfabetização? Virou sinônimo de decodificação. Letramento passou a ser o estar em contato com distintos tipos de texto, o compreender o que se lê [...]. Letramento no lugar de Alfabetização tudo bem. A coexistência dos dois termos é que não funciona.
Ao negar a coexistência dos dois termos, Ferreiro preocupa-se com o reducionismo que pode ser dado à alfabetização, uma vez que se não tem função social, reduz-se à codificação e decodificação. Para Ferreiro (2003), a escrita pode ser entendida em função de três variáveis: das formas, da denotação dessas formas e dos contextos em que são usadas, o que leva a perceber que, embora não utilize o vocábulo letramento, compreende o processo da alfabetização em práticas de Letramento.
Dentre os teóricos que não usam a palavra Letramento, porém o defendem, mesmo que de forma implícita, em suas práticas de alfabetização, citamos Freire, que em seus estudos atribuía à alfabetização a capacidade do indivíduo organizar criticamente o seu pensamento, desenvolver consciência critica, e introduzir-se num processo real de democratização da cultura e de libertação (FREIRE, 1996).
Em relação aos pontos dos autores citados, é importante acrescentar que a noção de letramento em Freire tem uma dimensão política e filosófica voltada para a ideia de “leitura do mundo” e “leitura da palavra”, o que confere ao conceito uma natureza ampliada. Em contrapartida, Ferreiro não concorda com o uso dos dois conceitos, resgatando a especificidade da alfabetização e, em suas pesquisas, dá pouca atenção à inserção dos alunos em práticas de letramento, não oferecendo ao professor elementos para uma compreensão de quais seriam os objetos de ensino relacionados a esse eixo.
Nesta tese, o termo letramento não é utilizado como sinônimo de alfabetização. Em países desenvolvidos, onde o índice de analfabetismo é praticamente inexistente, é possível utilizar um único termo para a capacidade de ler e escrever e se inserir em práticas sociais de leitura e escrita. Porém, no Brasil, onde o analfabetismo ainda atinge um contingente significativo da população, a utilização de um único termo poderia se tornar ambígua, uma vez que podemos falar em analfabeto que lê e escreve e pessoas alfabetizadas, que dominam o sistema de escrita alfabética, mas têm dificuldades de produzir textos em situações específicas (MORAIS; ALBUQUERQUE, 2005).
Outra justificativa em relação ao uso da palavra letramento, diz respeito ao fato de que nas atuais demandas sociais e políticas, a questão não é, apenas, se as crianças sabem ou não ler e escrever, mas também o que elas são capazes ou não de fazer com essas habilidades. Isso quer dizer que, além da preocupação com a alfabetização, emerge a preocupação com a incapacidade de fazer uso efetivo da leitura e da escrita na vida social.
Conforme discutimos no capítulo 3 desta tese, a alfabetização e o letramento são processos interligados, porém separados enquanto abrangência e natureza. É de suma importância que os professores consigam compreender a distinção entre os dois termos, que embora sejam indissociáveis e interligados entre si, possuem suas especificidades, limites e possibilidades.