O art. 41 da Lei 9.099/95 determina que “da sentença, excetuada a homologatória de conciliação ou laudo arbitral, caberá recurso para o próprio Juizado”. Como visto, o recurso não foi nominado pela legislação, razão pela qual a doutrina usualmente refere-se a ele como “recurso inominado”.
Esse recurso deverá ser interposto, por petição escrita, no prazo de dez dias, contados da ciência da sentença e na forma do art. 184 do CPC, ou seja, excluindo- se o dia do começo e incluindo-se o do vencimento.
Figueira Júnior29 afirma que o recurso inominado é ontologicamente uma apelação, por ser meio hábil para impugnar decisões extintivas dos processos
29 FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias. Comentários à lei dos Juizados especiais Cíveis e Criminais.
proferidas nos Juizados Especiais, com ou sem julgamento de mérito, nos moldes do art. 513 do CPC.
Diversamente entende Luiz Carlos Cercato Padilha30 que afirma ser esse recurso, um particular, ou seja “aquele de uso restrito aos Juizados Especiais Cíveis e limitado à manifestação do inconformismo e determinados e expressos pronunciamentos judiciais”
Ademais, apesar de esses recursos terem a mesma finalidade, eles têm algumas distinções procedimentais, tais como prazo para interposição, preparo, efeitos.
Caberá recurso à Turma Recursal somente das sentenças de acolhimento, rejeição do pedido ou de extinção do processo sem julgamento de mérito. Contra as homologatórias de acordo ou de laudo arbitral, é vedado esse tipo de apelo (art. 26 da Lei 9.099/95). Tratando-se de juízo arbitral, rejeitando o magistrado a homologação, ensejar-se-á a interposição de apelação dirigida ao Colégio Recursal.
O recurso deverá obrigatoriamente ser interposto na forma escrita. Essa regra é uma exceção ao princípio da oralidade. Na peça recursal, o advogado do recorrente deverá articular os fatos e fundamentos jurídicos através dos quais deseja ser reformada a decisão a quo, devolvendo à Turma o conhecimento da matéria impugnada.
Quanto ao preparo do recurso, adverte-se que tratando de sucumbência por parte da pessoa de direito natural ou pessoa jurídica de direito privado ou empresa pública federal, o preparo deverá ser feito nas quarenta e oito horas seguintes à
30 PADILHA, Luiz Carlos Cercato. Recursos perante os Juizados Especiais Civeis e turmas de juizes : Lei n. 9.099/95. AJURIS, Porto Alegre, v. 24, n. 70, p. 325-344, jul. 1997.
interposição do recurso, sob pena de ser declarada deserta. Esse também foi o entendimento adotado no XII Encontro dos Coordenadores de Juizados Especiais Cíveis, in verbis:
O recurso Inominado será julgado deserto quando não houver o recolhimento integral do preparo e sua respectiva comprovação pela parte, no prazo de 48 horas, não admitida a complementação intempestiva (art. 42, § 1º, da Lei 9.099/95).
Diferentemente se dará se os vencidos forem a União, autarquias ou fundações, as quais são isentas de custas, emolumentos e demais taxas judiciárias, bem como de depósito prévio e multa de ação rescisória, em quaisquer foros e instâncias, conforme determina o art. 24-A e seu parágrafo único da Lei n.º 9.029/95.
Recebido o recurso, deve o juiz de a quo abrir prazo para a outra parte apresentar suas contra-razões e só depois haverá o juízo de admissibilidade. É o que dispõe o Enunciado n.º 36 do TRF 4ª Região: “O momento para oferecimento de contra-razões de recurso é anterior ao seu exame de admissibilidade.”
4.2 Agravo
O recurso de agravo, conforme determina os arts. 522 a 529 do Código de Processo Civil, é cabível contra decisões interlocutórias, ou seja, decisões que não sejam terminativas (art. 267 e 269 CPC), bem como que não estejam incluídas no rol dos despachos de mero expediente, contra os quais é incabível recurso (art.504 CPC).
Duas são as modalidades de agravo previstas em lei: retida e de instrumento. De forma sucinta, na primeira hipótese, agravo retido, a parte que discordar da decisão interlocutória proferida, deverá interpô-lo mediante petição escrita ou oralmente durante na audiência, hipótese do § 3º do art. 523 CPC, expondo os fatos e o direito, bem como as razões do pedido de reforma da decisão, sendo que esta
petição ficará anexada aos autos ou inserta no próprio termo da audiência, sendo apreciada somente quando da interposição e julgamento do recurso de apelação, devendo a parte requerer expressamente nas razões ou na resposta da apelação sua apreciação pelo tribunal.
Com relação ao agravo de instrumento, destaca-se a alteração do CPC em virtude da Lei 11.187/2005, que tornou essa modalidade de recurso excepcional, admitido-o somente quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida. Nesse caso, a parte levará imediatamente para o tribunal o conhecimento da decisão interlocutória impugnada, observados os requisitos dos arts. 524 a 526 do CPC, podendo o tribunal atribuir efeito suspensivo ao recurso, como preceitua o inciso III do art. 527.
Diante dos princípios celeridade, da concentração dos atos processuais e da oralidade, que determinam a solução de todos os incidentes no curso da audiência, que é única e indivisível, ou na própria sentença, a doutrina majoritária sustenta não ser possível recorrer das decisões proferidas na fase de conhecimento do processo, é o que tem se denominado de princípio da irrecorribilidade das interlocutórias. Como decorrência, tais decisões não transitam em julgado e poderão ser impugnadas no próprio recurso interposto contra sentença, sendo por isso incabível o agravo de instrumento.
Sobre o assunto, Rogério Lauria Tucci31 afirma:
Nas causas que, sob procedimento sumaríssimo, tramitam perante os Juizados Especiais, previstos no art. 98, I, da Constituição Federal, são cabíveis somente embargos de declaração e, da sentença, recurso
31 TUCCI, Rogério Lauria.Manual do Juizado Especial de Pequenas Causas, Editora Saraiva, 1985,
inominado ‘para o próprio juizado’ (...) As decisões interlocutórias, que pela própria estrutura do rito sumaríssimo muito poucas hão de ser, são irrecorríveis. Em conseqüência, a matéria versada em decisão interlocutória ‘não restará coberta pela preclusão, podendo ser reiterada na impugnação da sentença, com o escopo de sua reapreciação pelo órgão colegiado ad quem’ (,)."
A jurisprudência amplamente majoritária também não admite o agravo de instrumento, merecendo destaque as seguintes conclusões:
A decisão monocrática referendada pela Turma Recursal, por se tratar de manifestação do colegiado, não é passível de impugnação por intermédio de agravo regimental32.
No Juizado Especial é incabível o recurso de Agravo e as decisões interlocutórias não precluem. (Unanimidade.)33
Nos Juizados Especiais não é cabível o recurso de agravo34.
Figueira Júnior (2002, p. 355/359) advoga a idéia que a aplicação do agravo não está totalmente excluída do microssistema. Segundo eles, alguns incidentes processuais podem ocorrer antes da instalação da audiência de conciliação, instrução e julgamento, exigindo do juiz instrutor uma decisão imediata da questão, a qual não pode ser postergada à decisão final, sob pena de causar prejuízo às partes. Conclui: “Pensar diferentemente, em homenagem exclusiva ao princípio da oralidade, significa, em outros termos, o desprezo aos princípios do contraditório, do duplo grau de jurisdição e, em geral, do devido processo legal.”
Humberto Theodoro Júnior, analisando os juizados especiais cíveis, escreveu:
A propósito das decisões interlocutórias, a lei 9.099/95 se silenciou. Isto não quer dizer que o agravo seja de todo incompatível com o Juizado Especial Civil. Em princípio, devendo o procedimento concentrar-se numa só audiência, todos os incidentes nela verificados e decididos poderiam ser revistos no recurso inominado ao afinal interposto. Mas, nem sempre isso se dará de maneira tão singela. Questões preliminares poderão ser dirimidas antes da audiência ou no intervalo entre a de conciliação e de instrução e julgamento. Havendo risco de configurar-se a preclusão em prejuízo de uma
32 Enunciado n.º 30 TRF- 4ª Região
33 1º Encontro Regional de Turmas Recursais - Juizados Especiais Foz do Iguaçu, PR, 27 e
28/03/98.
34 Enunciado 15 - XIX encontro nacional de coordenadores especiais do Brasil
– 31 de maio a 02 de junho de 2006-Aracaju/SE
das partes, caberá o recurso de agravo, por invocação supletiva do Código de Processo Civil.35
Cândido Dinamarco (2001, p.89) afirma que a Lei 10.259/01 acolheu a tese de cabimento de agravo nos Juizados Especiais Federais, quando as interlocutórias de mérito causarem gravame às partes, notadamente aquelas de caráter de urgência, tendo em vista o disposto nos arts. 4º e 5º da Lei Especial:
Art. 4o O Juiz poderá, de ofício ou a requerimento das partes, deferir
medidas cautelares no curso do processo, para evitar dano de difícil reparação.
Art. 5o Exceto nos casos do art. 4o, somente será admitido recurso de
sentença definitiva
Apesar de a lei não nomear o recurso, isso não seria necessário, em face da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil, na qualidade de macrossistema instrumental e da adequação específica do recurso de agravo por instrumento para servir adequadamente como mecanismo de revisão da decisão. Assim entende Figueira Júnior (2002, p.358), conforme trecho de sua obra:
Seja inominado ou com nome de reclamação ou qualquer outro que se lhes pretenda atribuir, a verdade é que as decisões interlocutórias (notadamente as de mérito) que causarem gravame a quaisquer das partes haverão de ser revistas pelo Colégio Recursal através de recurso incidental, comparado em sua essência ao agravo de instrumento. Em outros termos, o recurso admissível haverá de ser o agravo (por instrumento) ou assume-se uma posição radical e fiel ao princípio da oralidade, rejeitando-se qualquer impugnação às interlocutórias.
Cumpre ainda esclarecer que, como nos Juizados Especiais só serão admitidos recursos contra decisões interlocutórias que negarem ou concederem tutelas de urgência, não tem aplicabilidade, portanto, o agravo na modalidade retida.
A nosso ver, melhor a tese que afirma a possibilidade de interposição excepcional de recurso incidental quando houver possibilidade de causar à parte lesão grave e de difícil reparação.
35 Humberto Theodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 15ª ed., vol. III, Rio de Janeiro: Ed.
Ademais, com o advento da Lei 11.187/05, que redefiniu o conceito de agravo de instrumento, à luz do artigo 5ª da Lei 10.259/01, não há como se negar a admissibilidade de agravo de instrumento nos Juizados Especiais Cíveis Federais.
4.3 Embargos de Declaração
Podem ser conceituados, nas palavras de Vicente Miranda36, como “o recurso interposto contra despacho, decisão, sentença ou acórdão, visando a seu esclarecimento ou complementação, perante o mesmo juízo prolator daqueles atos judiciais".
Ovídio Batista da Silva37 afirma ser o embargo de declaração :
O instrumento de que a parte se vale para pedir ao magistrado prolator de uma dada sentença que a complete em seus pontos obscuros, ou a complete quando omissa ou, finalmente que lhe repare ou elimine eventuais contradições que porventura contenha. Os embargos de declaração oferecem o exemplo mais concreto e rigoroso do recurso com efeito apenas de retratação, sem qualquer devolução a um órgão de jurisdição superior. Para Antonio Carlos Silva38 "os embargos de declaração são o recurso destinado a pedir ao juiz ou juízes prolatores da sentença, da decisão interlocutória ou do acórdão que esclareçam obscuridade, eliminem contradição ou supram omissão existente no ato judicial."
Por fim, nas palavras de Padilha (1997, p.328)
Os embargos de declaração objetivam aclarar a sentença ou acórdãos as obscuridades, dúvidas ou contradições de que se recintam ou, ainda, quando ocorrer omissão de algum ponto sobre o qual deveria ter-se pronunciado o juiz ou o Colegiado, suspendendo o prazo para interposição do recurso particular
36 MIRANDA, Vicente . Embargos de Declaração no Processo Civil Brasileiro. São Paulo :
Saraiva ,1990, pg. 32
37 SILVA, Ovídio Araújo Baptista da. Curso de Processo Civil. 5ed. São Paulo: Ed. Revista dos
Tribunais , 2000.PG. 446 e 447.
38 SILVA, Antônio Carlos. Embargos de Declaração no Processo Civil, Rio de Janeiro: Ed. Lumen
A unanimidade dos doutrinadores afirma ser os embargos de declaração o recurso cabível para suprir a omissão, contradição ou obscuridade da lei. Vejamos o significado desses termos.
A omissão dar-seá quando o julgador deixa de se pronunciar a respeito da matéria suscitada pelas partes, ou porque se olvidou em dizer ou por descuido. Nas palavras de Figueira Júnior “a omissão nada mais é do que a não manifestação do julgador a respeito de matéria objeto da controvérsia, a qual não poderia deixar de afrontar diretamente.” (2002, p. 326)
A contradição significa a incoerência entre pontos fundamentais da decisão. Conforme José Frederico Marques39, "a contradição se configura quando
inconciliáveis entre si, no todo ou em parte, proposições ou segmentos do acórdão". Para Antonio Carlos Silva (2000, p. 134) "a contradição é um vício lógico, ou de
raciocínio, isto é, o erro decorrente do silogismo mal feito". Figueira Júnior (2002, p. 361) arremata:
é a falta de lógica entre o antecedente e o conseqüente, que pode ocorrer em três hipóteses, a saber: a) contradição entre proposições da parte decisória, por incompatibilidade entre capítulos da decisão; b) contradição entre a proposição enunciada nas razões de decidir e conseqüente dispositivo; c) contradição entre a ementa e o corpo do acórdão, ou entre o teor deste último e o resultado do julgamento (situações estas que podem ser apuradas pela ata ou por outros elementos);
Já a obscuridade significa a falta de clareza em algum ponto do julgado, capaz de provocar nas partes dúvida tornando-o de difícil interpretação. Para José Frederico Marques (1997, p.191) "O acórdão conterá obscuridade quando ambíguo
e de entendimento impossível, ante os termos e enunciados equívocos que contém".
39 MARQUES, José Frederico. Manual de Direito Processual Civil . São Paulo , Ed. Bookseel , vol..
Não há qualquer dúvida a respeito da possibilidade de interposição de embargos de declaração em sede de Juizados Especiais Cíveis Federais, pois diante da não manifestação da Lei 10.259/01, aplica-se o art. 48 da Lei 9.099/95, que determina: “Caberão embargos de declaração quando, na sentença ou acórdão, houver obscuridade, contradição, omissão ou dúvida”.
Sobre o assunto a Jurisprudência se manifesta:
Enunciado 63 - Contra decisões das Turmas Recursais são cabíveis somente os embargos declaratórios e o Recurso Extraordinário. (enunciado atualizado até o XIX encontro nacional de coordenadores especiais do Brasil – 31 de maio a 02 de junho de 2006-Aracaju/SE)
Questiona a doutrina se os embargos de declaração só poderiam atacar sentença e acórdão ou se também é possível sua interposição contra decisões interlocutórias. A posição majoritária, destacando-se os ilustres autores Pontes de Miranda, Figueira Júnior, José Carlos Barbosa Moreira entendem que qualquer decisão judicial, seja interlocutória, sentença ou acórdão, é passível de embargos de declaração, asseverando ainda Barbosa Moreira40 que "os embargos de declaração
podem caber contra qualquer decisão judicial, seja qual for a sua espécie, o órgão que emane e o grau de jurisdição em que se profira".
Salienta-se que o oferecimento de embargos em sede de Juizados Especiais, ao contrário do que ocorre no procedimento ordinário previsto no Código Processual Civil, suspende o prazo para interposição de qualquer outro recurso, ou seja, o prazo volta a correr do dia em que parou.
40 MOREIRA, José Carlos Barbosa. O novo Processo Civil Brasileiro,19.ºedição rev. e atual. São
Por fim, cumpre elencar algumas considerações sobre a correção ex officio de erro material, prevista expressamente no parágrafo único do art. 48 da Lei 9.099/95. Sobre esses o Superior Tribunal de Justiça orienta:
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE ERRO MATERIAL E OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. PRETENSÃO DE REEXAME. MANIFESTO PROPÓSITO PROTELATÓRIO. MULTA.1. Erro material, corrigível a qualquer tempo, é o decorrente de equívoco evidente, de erro datilográfico, aritmético, perceptível primus ictus oculi, porque se grafou idéia ou juízo diverso daquele pretendido, em nada se identificando com a pretensão de ver interpretados de forma diversa de como o foram no deslinde da questão federal, pelo órgão julgador, dispositivos de lei aplicáveis, que outra coisa não é que nítida pretensão de reexame meritório do decisum. (...) - [original sem grifos]
STJ, EERESP - 436168, Relator Hamilton Carvalhido, Dj Data:01/07/2005 Página: 642.
Figueira Júnior41 o conceitua como sendo: Aquelas espécies de equívocos ou inexatidões em que o julgador ocasionalmente pode incidir, sem causar qualquer efeito direto ou indireto no conteúdo do decisório, seja na parte da motivação ou na da conclusão.
Conclui-se que os erros materiais podem ser corrigidos a qualquer tempo, seja por requerimento das partes, ou de ofício pelo juiz.
4.4 Embargos Infringentes
Embargos infringentes, conforme dispõe o art. 530 do Código de Processo Civil, é o recurso cabível contra acórdão não unânime que houver reformado, em grau de apelação, a sentença de mérito, ou houver julgado procedente ação rescisória.
Para Humberto Theodoro (2005, 555):
41 FIGUEIRA JÚNIOR, Joel Dias e RIBEIRO LOPES, Maurício Antônio. Comentários à Lei dos
Juizados Especiais Cíveis e Criminais: Lei 9.099 de 26.09.1995. 3ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2000,p.360
Trata-se de recurso não-devolutivo, porque provoca o reexame do caso decidido, pelo próprio tribunal que proferiu o acórdão impugnado, inclusive com participação dos juízes que integram o acórdão fracionário responsável pelo primeiro julgamento.
Do texto acima extrai-se que a admissibilidade dos embargos infringentes está subordinada ao julgamento não unânime, ou seja, em que haja voto vencido, de decisão de mérito proferida anteriormente em apelação ou ação rescisória, somente.
Sobre a admissibilidade de interposição de embargos infringentes em outras decisões proferidas pelos tribunais, orientam os Tribunais Superiores:
Supremo Tribunal Federal
Súmula nº 211 -Contra a decisão proferida sobre o agravo no auto do processo, por ocasião do julgamento da apelação, não se admitem embargos infringentes ou de nulidade.
Súmula nº 293 -São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão em matéria constitucional submetida ao plenário dos tribunais.
Súmula nº 294 -São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão do Supremo Tribunal Federal em mandado de segurança.
Súmula nº 295 -São inadmissíveis embargos infringentes contra decisão unânime do STF em ação rescisória.
Súmula nº 296 -São inadmissíveis embargos infringentes sobre matéria não ventilada pela Turma, no julgamento do recurso extraordinário.
Súmula nº 455 -Da decisão que se seguir ao julgamento de constitucionalidade pelo Tribunal Pleno, são inadmissíveis embargos infringentes quanto à matéria constitucional.
Súmula nº 597 -Não cabem embargos infringentes do acórdão que, em mandado de segurança, decidiu por maior de votos a apelação.
Superior Tribunal de Justiça
Súmula nº 169 -São inadmissíveis embargos infringentes em processo de mandado de segurança.
Súmula nº 255 -Cabem embargos infringentes contra acórdão, proferido por maioria, em agravo retido, quando se tratar de matéria de mérito.
[originais sem grifos]
O Ordenamento jurídico brasileiro permanece silente no que tange aos efeitos dos embargos infringentes. Diante de tal omissão, entende a doutrina que devem
permanecer os efeitos nos quais foi recebida a apelação, nos limites do voto vencido objeto dos embargos.
Dessa forma, se a apelação foi recebida apenas no efeito devolutivo, os mesmo terão os embargos. Se, entretanto, foi recebida nos efeitos devolutivo e suspensivo, ambos persistirão para os embargos.
Em caso de embargos infringentes parciais, restritos a matéria objeto da divergência, não se operarão os efeitos da apelação sobre a parte onde não houve divergência na votação, sendo, ali, definitiva a decisão. É entendimento do Supremo Tribunal Federal, explicitado na Súmula 354, na literalidade: “Em caso de embargos infringentes parciais, é definitiva a parte da decisão embargada em que não houver divergência na votação.”
No que tange à possibilidade de interposição de embargos infringentes nos Juizados Especiais Cíveis Federais, verifica-se que as Leis 9.099/95 e 10.259/01 foram omissas, diante disso questiona-se: aplica-se subsidiariamente o previsto no art. 530 do Código de Ritos Civis?
A doutrina firmou entendimento em sentido negativo, fundamentando que não seria possível cabimento de embargos infringentes nos Juizados por contrariar os princípios da oralidade, simplicidade e celeridade. Nas palavras de Louri Geraldo Barbiero42: “Não cabem embargos infringentes, não só porque não previsto como porque este recurso cabe apenas contra julgado proferido em apelação e em ação rescisória (art. 530, CPC), recurso inexistente no juizado especial.”
4.5 Recurso Especial
42 BARBIERO, Louri Geraldo. Juizados Especiais: Colégio Recursal e Sistema Recursal Cível.
LEX : Jurisprudencia do Superior Tribunal de Justica e Tribunais Regionais Federais, Sao Paulo, n. 100, n. 100, dez. 1997.
Trata-se de recurso comprometido com a preservação da ordem jurídica nacional, a ser interposto em quinze dias, contados na forma do art. 506 do CPC.