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4. YÜZEY İŞLEMLERİ VE ALAŞIMLAMA

4.1. Ergitme Esaslı Yöntemler

4.1.8. Plazma Transferli Ark Kaynak Yöntemi

4.1.8.1. Plazma

4.1.8.1.1. Plazma Arkının Tarihi Gelişimi

Ao completar 70 anos, Jean-Paul Sartre - nascido em 1905 - deu uma entrevista a Michel Contat, publicada no Nouvel Observateur e republicada pelos Cadernos de Opinião. A entrevista, intitulada "Auto-retrato de Sartre aos 70 anos", pretende ser uma "continuação de Les mots", fazendo um balanço de sua vida e obra.

O entrevistado revela que, a esta altura da vida, já não consegue ler ou escrever sozinho, em razão da visão diminuída. Sua atividade de pensamento, embora tão aguda como antes, não tem mais como ser expressa estilisticamente. O estilo pressupõe correções que só podem ser feitas adequadamente no trabalho da escrita - correções a partir de leituras em voz alta ou gravações não serviriam. Sartre introduz uma diferença entre fala e escrita em termos temporais: no caso de uma gravação, o tempo de audição é determinado pelo ritmo da fita (na época); no caso do texto escrito, é possível visualizá-lo como "livro mágico", indo e voltando no texto de acordo com as repercussões que cada correção inevitavelmente traz (1975: p. 10).

Negando a possibilidade de compor por meio de gravadores, Sartre se diz "antes de tudo um escritor" (p. 11): a escrita, portanto, tem relação com o trabalho, atividade manual de escrever. O trabalho (manual) do estilo possibilita a simultaneidade de sentidos em uma só frase, que é o que faz a escrita valer a pena. Há, por outro lado, dois tipos de escrita: a científica, que busca um sentido unívoco, e a literária, que traz diversos sentidos simultâneos em diferentes níveis.

Sua posição sobre a escrita filosófica, que não se encaixa bem em nenhum dos polos da dicotomia, é contraditória. Defende ao mesmo tempo que "em filosofia cada frase só deve ter um sentido" e que "não quero dizer que a filosofia, como a comunicação científica, seja unívoca" (p. 11).

Quanto à literatura, Sartre afirma que cada frase de uma obra literária, mesmo a mais prosaica, "contém todas as outras" da obra, que deve ser entendida como totalidade. O segredo do estilo, de escrever uma boa frase, é "ter no espírito" as totalidades da cena, do capítulo ou de todo o livro. (p. 11).

O entrevistado descreve o método de trabalho que teve que adaptar para sua visão prejudicada. Diz que não se importa de falar de si e que considera que não deveria em absoluto haver segredos entre pessoas, inclusive em questões da "vida subjetiva". Segundo ele,

É impossível admitir que mostremos nosso corpo como fazemos, e que ocultemos nossos pensamentos, considerando que, para mim, não há diferença de natureza entre o corpo e a consciência. (1975: p. 12)

"Mostrar o corpo" não significa necessariamente a nudez, mas o contato diário, visual, entre as pessoas. O que impede essa comunicação plena é a desconfiança em relação ao Outro: à espreita, em qualquer fala, está o Mal, ou seja, a possibilidade de que o Outro parta de princípios que desaprovo. Ainda assim, a transparência pode ser um objetivo válido e é o que Sartre busca, em especial em seus escritos. Ela também pode ser uma utopia, a ser realizada

quando as carências materiais de todos forem supridas: a transparência comunicativa torna-se parte da Revolução (p. 13). Perguntado se numa sociedade assim ainda haveria sentido para "os escritos" (a literatura), já que estes nasceriam do segredo e do antagonismo, Sartre responde que os escritos poderiam buscar "ocultar esse íntimo e mentir - então eles não são interessantes", ou podem "dar uma visão deste segredo, tentar até esgotá-lo, vis-à-vis aos outros - e, neste caso eles caminham no sentido da translucidez que proponho" (p. 13).

Neste ponto, Sartre se aproxima da questão que estamos seguindo, do engajamento. Suas duas respostas seguintes vão exprimir parte do sentido do engajamento em sua obra, embora sem mencionar o conceito.

Referindo-se ao plano que tinha - e não realizou - de escrever uma obra na qual diria "toda a verdade", o filósofo francês diz que, para conseguir o efeito necessário ao "testamento político" que planejara, seria necessário um mínimo de ficção. Justamente pela barreira comunicativa entre as pessoas, por essa falta de transparência da nossa sociedade, a única maneira de "encontrar" essa personagem - que seria ele próprio - seria por meio da ficção. Num ideal comunicativo, ele poderia começar seus textos com "Pego a caneta, eu me chamo Sartre, veja o que eu penso" - é o que ele diz ser a verdade de seus escritos.

O filósofo ainda defende que essa é uma verdade pessoal, união das verdades objetivas, compartilhadas, com a verdade subjetiva de quem vive a objetividade. Como a enunciação plena dessa verdade não é possível, "o desvio para a ficção permite alcançar melhor esta totalidade objetividade-subjetividade" (p. 13). O entrevistado chega a afirmar que sua autobiografia, As palavras, é também um romance - no qual ele acredita, mas ainda assim um romance.

A escrita, portanto, se encontra numa encruzilhada entre objetivo e subjetivo: o escritor "deve falar do mundo sem reservas, falando de si mesmo sem reservas". A relação subjetivo/objetivo na escrita se caracteriza como oposição ou contradição. Todo escritor acaba "em maior ou menor grau, de maneira mais ou menos perfeita", falando de si mesmo (p. 14).

Essa mediação do mundo pela subjetividade clarifica o papel não-partidário que Sartre sempre enfatizou que deve ter o engajamento na literatura. Conforme o texto que lançou a polêmica inicial sobre a literatura engajada, a "Apresentação" do primeiro número da revista Temps modernes,

Lembro que, na "literatura engajada", o engajamento não deve, de modo algum, fazer esquecer a literatura e que nossa preocupação deve ser servir a literatura infundindo-lhe um sangue novo, tanto quanto servir a coletividade tentando dar a literatura que lhe convém. (Sartre, 1999: p. 145)

O "sangue novo" vem por meio de o escritor se situar frente ao mundo, e se engajar livremente na ação da escrita. Sua liberdade pode apelar à liberdade de seus leitores, confrontando-os com suas escolhas (1989: p. 39).

Poderia parecer que toda literatura é engajada, por toda literatura ser escrita pela vontade livre de seu autor. De fato, parece que seria assim, se não fosse a má-fé. A má-fé, para Sartre, é uma atitude existencial, que equivale a negar a si mesmo a própria liberdade, evadir-se à questão de decidir livremente. Em termos comuns, seria uma forma de arranjar desculpas para si: colocar um peso maior nas circunstâncias que envolvem qualquer ação, para que o agente pareça, inclusive a

si mesmo, sem escolha. Uma literatura da má-fé, ao invés de confrontar o leitor com sua liberdade, o conforta com a falta dela. A literatura escapista ou formulaica seria um caso. Ou se pode pensar na fórmula da comédia romântica de Hollywood: a repetição da inevitabilidade do encontro amoroso ao final da história nega a liberdade do espectador de decidir sobre sua vida íntima, ao confortá-lo com o rumo "natural" das coisas.32

O dispositivo engajamento, paradoxalmente, atuaria no sentido de ampliar a atuação dos sujeitos. Seria um contradispositivo em relação ao dispositivo efetivamente repressor, a má-fé. Restaria saber se a imagem que Sartre faz do dispositivo corresponde a sua efetividade ou se o engajamento tem um papel mais ambíguo.

Benzer Belgeler