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BÖLÜM 1: KURAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ ARAŞTIRMALAR

1.1.2 Planlama

Baseada nas teorias do desenvolvimento humano, nas vertentes da psicologia social e antropologia, Schlossberg (1981) analisou os impactos e características adaptativas de indivíduos adultos às diversas mudanças pelas quais passam ao longo da vida, chegando à conclusão de que os eventos de mudança são, para além de eventos, parte de um processo mais amplo e complexo que leva tempo, implica em fases críticas, desajustamentos e ajustamentos. Ela vai considerar que a dimensão etária é um primeiro elemento que concentra conteúdos simbólicos relacionados ao tempo e ao tipo de experiência a ser vivida em cada período da vida. Ser adulto, por exemplo, é assumir papéis específicos dentro da sociedade como esposo/esposa, pai/mãe, profissional; enquanto que a adolescência seria o período de preparação para o desempenho destes papéis. Entender esta dinâmica é extremamente importante à compreesão da transição humana, que embora seja um processo particular, não deixa de obedecer a certas sequências de acontecimentos dentro de processos de desenvolvimento comuns às diferentes faixas etárias e em especial a dulta.

Dentre os tipos de transição Schlossberg (1981) classificou: as antecipadas, as não-antecipadas e os “não-eventos”.

Transições antecipadas dizem respeito a eventos de mudança esperados e

vivenciados a partir de experiências e condições prévias de enfrentamento e adaptação. Relacionam-se às fases de crescimento, bem como a papéis que marcam determinados

estágios de desenvolvimento como a escolarização, a vida acadêmica, profissional, dentre outros. A adolescência, por exemplo, corresponde não só a uma fase do processo de crescimento e desenvolvimento biológico, mas a um papel social, com suas atribuições, ao mesmo tempo em que é um estágio de preparação para o desempenho de atividades e papéis correspondentes à fase adulta. Cerimoniais de formatura, o primeiro emprego, o casamento, a paternidade/maternidade e a aposentadoria são alguns exemplos de eventos de mudança para os quais existe processos preparatórios específicos, bem como rituais e ensaios (SCHLOSSBERG, 1981; SCHLOSSBERG, WATERS & GOODMAN, 1995).

Transições não-antecipadas são eventos inesperados e abruptos que mesmo

inerentes à trajetória de vida são vivenciados com baixos recursos de enfrentamento. Consequentemente, o processo de adaptação às novas circunstâncias resultantes deste tipo de evento tende a ser mais difícil e levar mais tempo. Uma demissão, um acidente ou uma doença crônica são alguns exemplos de situações que sugerem fases de enfrentamento e adaptação mais custosas e demoradas e, consequentemente, níveis de crise mais elevados. Quanto menos preparado o indivíduo estiver para a transição, maiores intensas são as crises (SCHLOSSBERG, WATERS & GOODMAN, 1995).

Não-eventos desencadeiam mudanças as quais não atendem expectativas ou

compreendem o mundo pretendido de quem os vivencia. A esperada progressão na carreira que não ocorreu, ou que ocorrendo, não representou mudanças significativas, é um exemplo. Um “não-evento” pode ser uma lesão que interrompeu uma carreira atlética impulsionada por aspirações de conquistas e por longevidade; a interrupção involuntária e abrupta de um ciclo olímpico, ou um final de competição que não resultou no tão esperado ouro.

Schlossberg (1981) considerou que a fase adulta se distingue das demais por reunir um conjunto de fases esperadas e ao mesmo tempo ser cercada por situações inesperadas de mudanças. A trajetória de vida é constituída por transições que ocorrem simultaneamente e que às vezes, ou quase sempre, concorrem entre si. Uma aposentadoria pode ser acompanhada ou implicar em um problema de saúde ou crise financeira, por exemplo; e embora sejam distintas, estas situações se somam às crises e características de adaptação.

Segundo Schlossberg, Waters & Goodman (1995), há uma adaptação

propriamente dita que diz respeito a um ajustamento do corpo e psiquê às novas dimensões

que a vida subjetiva e social toma; há uma renovação, quando o indivíduo encontra e explora novos horizontes, através dos quais redefine pressupostos sobre si e sobre o mundo; e uma

não-adaptação, marca um estágio de descontinuidade e estagnação no processo de mudança

Os significados atribuídos à mudança é um dos determinantes da maneira pela qual o indivíduo se adapta às transições. Como os recursos externos de enfrentamento e adaptação à transição são variáveis e nem sempre estão disponíveis, a avaliação que o indivíduo faz acerca do momento pelo qual está passando se apresenta como um primeiro recurso (interno) do processo de enfrentamento. Em uma situação inesperada de demissão, por exemplo, significados como a chance/oportunidade de explorar novos interesses e

projetos exercem forte influência sobre tomadas de decisões diante de dificuldades

(SCHLOSSBERG & LEIBOWITZ, 1980).

Ainda que o tipo de evento e o significado atribuído a este sejam cruciais à experiência de transição, as variáveis ambientais não podem ser ignoradas, pois assim como a disposição de recursos internos (características psicológicas e experiências anteriores) são importantes, recursos externos (apoio técnico, social e financeiro) vão influenciar níveis de crise e o tempo de adaptação à transição. Um aposentado, por exemplo, pode estar sustentado por estabilidade financeira e ao mesmo tempo sentir profundamente a perda da identidade profissional; ou fazer da saída do trabalho a chance de sua libertação, mas não ter condições para sustentar crises financeiras. Quanto mais equilibradamente disponíveis estiverem ambos os recursos, mais suave se torna o enfrentamento da transição (SCHLOSSBERG & LEIBOWITZ, 1980).

Uma das características que define a teoria de transição de Schlossberg (1981) é o pressuposto de que haveria no ser humano uma predisposição para a mudança, visto que os processos de transições também são correspondentes a expectativas pessoais e sociais. Em outras palavras, a trajetória humana seria impulsionada por desejos de emancipação e demandas sociais, e é a partir desta tensão que se originam as buscas por superação de inadequações, correspondência ou transposição de paradigmas socioculturais. O indivíduo é concebido como participante ativo do próprio desenvolvimento ao longo do tempo e, por tanto, mediador das experiências de transição pelas quais passa.

Segundo a autora, este modelo de análise não é e nem pretende ser uma estrutura fechada, cujas contribuições de outras teorias e aspectos da transição humana não possam ser acrescentadas. Como a transição não ocorre independentemente de outras fases e esferas da vida psíquica e social, compreendê-la também implica na adoção de abordagens suficientemente flexíveis à possibilidade de abandono de primeiras ideias, impressões e preconceitos, em virtude de perspectivas mais adequado ao tipo de transição vivido e ao grupo que a vivencia.

Benzer Belgeler