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BÖLÜM II. KAVRAMSAL ÇERÇEVE VE İLGİLİ

2.1. Kavramsal Çerçeve

2.1.2. Giyim Türleri

2.1.4.2. Plajlar

De acordo com Emerson Giumbelli (1998) existe uma nova tendência que se anuncia com a participação de uma liderança da USEERJ (União das Sociedades Espíritas do Estado do Rio de Janeiro) na Ação da Cidadania contra a Miséria e pela Vida, na Campanha Contra a Fome, na qual o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, assumia posição de articulador nacional. A partir de suas pesquisas e de dados do Projeto Filantropia e Cidadania no Brasil realizadas nos anos de 1993 e 1996 no Rio de Janeiro; Giumbelli aponta: a participação de instituições espíritas em conselhos de direitos humanos e sociais estabelecendo novas concepções de “envolvimento político” e novas ligações com a cidadania.

A participação de lideranças espíritas cariocas na Campanha Contra a Fome e Pela Cidadania se dá num contexto de novas demandas por mecanismos de relacionamento entre Estado e Sociedade Civil (originado pelos Movimentos Populares Pós 1970), marcado pela criação dos conselhos de direitos, e, neste caso, pelas reflexões de intelectuais de lideranças espíritas passando pelos temas política e cidadania, em aproximação com discussões desenvolvidas pelo serviço social na academia, incorporando suas preocupações e compromissos políticos.

Essas ligações, por sua vez, vêm acompanhadas de novas concepções, dentre elas uma nova definição de política: 1) a separação ou descontinuidade entre o político e o doutrinário deixa de existir a partir do momento em que os conselhos, entendidos como espaços de exercício político, passam a ser também um espaço que contém a oportunidade de expressão dos princípios e ideais espíritas. Assim, torna-se aceitável que alguém esteja no conselho em nome do Espiritismo (como representante); 2) a qualidade de “político” deixa de ser atribuída somente ao estatal ou partidário. Passa a ser uma dimensão que permeia a vida social e a posição diante dela, da política, não depende mais de um “sim” ou de um “não”, mas de “como”. “Nesse sentido e nesse contexto, as instituições espíritas podem sentir-se como integrantes ou participantes de uma ‘sociedade civil’” (Giumbelli, 1998: 162-3).

Por trás dessa mudança existem modificações substanciais na concepção e nas práticas da assistência social espírita, havendo uma “atualização da inserção do Espiritismo” no espaço público, com suas instituições e lideranças. Assim as novas propostas para o serviço assistencial espírita surgiram por uma conjunção de fatores resultando primeiramente em retirar das atividades assistenciais seu caráter de divulgação doutrinária, visando uma programação “de atividades integradas” para “atingir os indivíduos em sua totalidade” sem necessariamente excluir a evangelização65. Em segundo lugar para evoluir espiritualmente deixa de ser imprescindível a conversão doutrinária, não é esse o objetivo da assistência social e sim “uma transformação pessoal mais abrangente,

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Existem aulas de evangelização nas quais não são transmitidos conhecimentos específicos da doutrina espírita, mas somente ensinamentos evangélicos, ou seja, do novo testamento, a parte moral dos ensinamentos

[...] vinculada a um compromisso de construção de uma sociedade mais justa e igualitária e que, no limite, prescindiria da dimensão propriamente doutrinária” (Giumbelli, 1998: 139).

Dessa maneira também muda o entendimento da pobreza, assim como uma guinada na perspectiva da encarnação que ao invés de lugar privilegiado do sofrimento, passa a ser o lugar privilegiado do progresso66:

[...] a pobreza perderia totalmente a conotação de expiação ou provação e deveria ser encarada como um problema preferencialmente humano, explicando-se por relações sociais estruturadas pelo ‘sentimento de egoísmo’ e pelo ‘desejo de exploração’. A contrapartida desse entendimento da pobreza é a atribuição de uma positividade intrínseca à ‘encarnação’ –oportunidade de ‘evolução espiritual’ mais do que momento de ‘saldar dívidas’. (Id, ibid: 140).

É essa tendência anunciada por Emerson Giumbelli em 1998 que vemos concretizar- se na Orientação ao Centro Espírita de 2007, elaborada pela FEB e pelo CFN, na qual o nome “Assistência Social Espírita” mudou para “Assistência e Promoção Social Espírita”. Seguem alguns trechos:

FINALIDADES

a) “[...] Promoção social e crescimento espiritual.”

b) “[...] oportunidade de praticar a caridade pela vivência do Evangelho, junto às pessoas e famílias em situação de carência sócio-econômico-moral-espiritual.” O caráter religioso não se perde, mas tem seu significado transformado e ampliado. Coloca-se lado a lado carência sócio-econômica com moral e espiritual, dando possibilidade interpretativa de que quem está na primeira condição necessariamente carrega a segunda, como na acepção tradicional que vincula a pobreza ao resgate espiritual na presente encarnação de falhas do passado (em reencarnações passadas).

66 Encarnar significa na cosmologia espírita as duas coisas, sofrimento e evolução, entretanto na interpretação

ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO

a) “O Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita deve ser realizado sem imposições, de forma integrada, com orientação doutrinária e assistência espiritual [...].”

Respeito à liberdade do assistido de participar ou não das atividades religiosas, bem como de converter-se ou não a doutrina espírita.

b) “O atendimento a ser realizado pelo Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita deve ser precedido do estudo da realidade do beneficiário, salvo em situações de reconhecida necessidade imediata.”

A realização do diagnóstico é uma prática da assistência social como profissão e área de conhecimento que se vê aí incorporada.

d) “Nas atividades do Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita podem ser aplicados métodos e técnicas das Ciências Sociais, desde que compatíveis com os princípios doutrinários”.

Abertura/ aceitação da ciência ampliada das ciências médicas e da psicologia para as Ciências Sociais sinalizando a sensibilização para os problemas sociais e o papel da assistência social espírita nesse quadro.

g) “O trabalho especializado no âmbito do Serviço de Assistência e Promoção Social Espírita, desenvolvido por voluntário ou contratado, cuja profissão seja regulamentada, somente poderá ser exercido por profissional habilitado”.

Exigência de qualificação do trabalho é uma característica da nova concepção de trabalho voluntário desenvolvida no terceiro setor, especialmente na modalidade dos projetos sociais.

h) “Em todo processo de ajuda realizado pelo Centro Espírita, deve ser estimulada, sempre que possível, a colaboração efetiva dos beneficiários da ação, de acordo com suas possibilidades”.

Estímulo à cidadania ativa (Zaluar, 1997), continuidade do circuito da dádiva (dar- receber-retribuir) para que ela não seja humilhante, pois a dádiva que não pode ser retribuída (denominada “presente-veneno”) é humilhante (Mauss, 1974). Ou, nos termos do terceiro setor, formação de agentes multiplicadores.

RECOMENDAÇÕES E OBSERVAÇÕES

b) “Os Centros Espíritas, ao realizarem parcerias com órgãos públicos, empresas ou organizações não-governamentais, devem considerar sempre a ética e o bom senso, não aceitando compactuar, em nenhuma hipótese, com interesses políticos partidários e rejeitando contribuições, em espécie ou em serviços que desvirtuem ou comprometam, a qualquer título, o caráter espírita da Instituição”.

Admite-se como possibilidade a realização de parcerias nos mesmos moldes do terceiro setor.

g) “As Instituições Espíritas de Assistência Social devem ser dirigidas exclusivamente por companheiros espíritas que se eximam de receber qualquer tipo de remuneração.

‘O trabalho desinteressado sustenta a dignidade e o respeito nas boas obras” (Conduta Espírita67)’”.

Valorização do trabalho voluntário. A dádiva deve ser materialmente gratuita, mas ela continua sendo a tensão entre interesse e desinteresse, pois sabemos que nesse campo sabemos existe o interesse espiritual pela salvação.

67 VIEIRA, Waldo (psicografia), pelo espírito André Luiz. Conduta Espírita. 13ªEd. Rio de Janeiro: FEB,

1987. Esta mensagem demonstra o que Giumbelli diz sobre o posicionamento tradicional do campo espírita kardecista em relação à política (assim como sua concepção tradicional de política), oposta inclusive a de várias denominações pentecostais: “NOS EMBATES POLÍTICOS: [...] Em nenhuma oportunidade, transformar a tribuna espírita em palanque de propaganda política, nem mesmo com sutilezas comovedoras em nome da caridade. [...] Repelir acordos políticos que, com o empenho da consciência individual, pretextem defender princípios doutrinários ou aliciar prestígio social para a Doutrina, em troca de votos ou solidariedade

CAPÍTULO III

Benzer Belgeler