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Durante o trabalho de campo, realizado em dezembro de 2014, participaram, ao todo, oito trabalhadores, sendo cinco deles presentes no grupo de discussão e três entrevistados individualmente, em suas residências.

Dos 12 convidados para participar do grupo de discussão, cinco compareceram, sendo que três justificaram ausência por motivos de saúde ou ocupação com trabalho e o restante não se manifestou. Entre os participantes, a média de idade variou de 29 a 61 anos. Os trabalhadores foram resgatados entre 2007 e 2012.

Quadro 5 - Perfil dos participantes – grupo de discussão (dezembro/2014)

Nome Idade Local de origem Local de moradia Envolvimento com o

trabalho escravo Entrevistado 1

João81

56 João Lisboa (MA)

Açailândia (MA) Trabalhou durante cinco meses em fazenda de gado em 2011. Entrevistado 2

Pedro

29 Açailândia (MA) Açailândia (MA) Trabalhou em fazenda de gado 2009 a 2012, quando foi resgatado. Entrevistado 3

Paulo

31 Buriti Bravo (MA)

Açailândia (MA) Trabalhou em carvoarias e em fazenda de gado entre 2007 e 2012, quando foi resgatado.

79 As chamadas sanfoninhas são folhetos com histórias em quadrinhos produzidos pela Campanha

Nacional da Comissão Pastoral da Terra (CPT) intitulada “De olho aberto para não virar escravo” (1997)

que são impressos em grande quantidade e distribuídos a entidades de classe e movimentos sociais, espalhados pelo Brasil, que têm como público principal os trabalhadores rurais.

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A Estrada de Ferro Carajás, gerenciada pela empresa Vale, veicula, pela rede interna de televisão, vídeos institucionais e demais documentários aos passageiros durante o percurso de viagem originada na capital São Luís (MA) com destino a Parauapebas (PA). O trecho desta viagem tem duração média de 18 horas.

Entrevistado 4 Lucas

44 Lago da Pedra (MA)

Açailândia (MA) Trabalhou em fazenda de gado entre 2009 e 2012, quando foi resgatado. Entrevistado 5

Mateus

61 Vargem Grande (MA)

Bom Jesus das Selvas (MA)

Trabalhou em fazenda de gado durante quatro meses, em 2007, quando foi resgatado.

Fonte: trabalho de campo

Outra característica em comum entre eles é a de terem trabalhado em fazendas de gado ou em carvoarias na região de Açailândia e, nessas atividades econômicas, terem sido resgatados em regime de trabalho escravo.

Embora eles residam atualmente em Açailândia, alguns têm origem em outros municípios maranhenses, como Lago da Pedra e Buriti Bravo, localizados em regiões do estado distantes de Açailândia. O município de João Lisboa fica mais próximo.

Vale destacar que todos os entrevistados são homens82, mas estavam constantemente acompanhados por mulheres, sendo esposas ou familiares, tanto na ocasião do grupo de discussão, na qual um dos trabalhadores foi acompanhado pela esposa; e também nas residências, onde os familiares presentes assistiram às entrevistas83.

82 Vale destacar que segundo as estatísticas da fiscalização do MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), os trabalhadores submetidos a essas condições são, em grande maioria, do sexo masculino, apresentando algumas exceções, como no corte de cana ou em outras atividades que não estão diretamente relacionadas à realidade do Maranhão, cujas principais atividades econômicas envolvidas são o chamado roço da

juquira (limpeza de pasto para criação de gados) e atividades relacionadas ao carvoejamento (processo

produtivo do carvão). 83

O acompanhamento das mulheres no ato das entrevistas nas residências, bem como no grupo de discussão pode ser observada nas imagens que trazemos do trabalho de campo.

Figura 9 – Grupo de discussão – trabalho de campo dezembro/201484

Também durante a segunda etapa do trabalho de campo, tivemos a oportunidade de entrevistar individualmente três trabalhadores, em suas residências, o que possibilitou maior aprofundamento de algumas questões que estão detalhadas no Capítulo 5.

Quadro 6 - Perfil dos participantes – entrevistas individuais (dezembro/2014)

Nome Idade Local de origem Local de moradia Envolvimento com o

trabalho escravo Entrevistado 6

Tiago

54 Passagem Franca (MA)

Açailândia (MA) Trabalhou durante seis meses na quebra do milho na Fazenda Rio do Ouro, em Açailândia. Foi resgatado em 2012. Entrevistado 7 17 Açailândia (MA) Açailândia (MA) Trabalhou durante três

meses na quebra de milho na Fazenda Rio do Ouro,

84 As imagens são de Lucimar Oliveira, agente do Centro de Defesa de Açailândia, e Sávio Rodrigues, professor e pesquisador da UFMA, que me acompanharam durante o trabalho de campo e, gentilmente, fizeram o registro fotográfico. Nesta foto, em específico, o pesquisador Sávio encontra-se sentado na roda (do lado direito da foto, de blusa listrada), junto aos cinco trabalhadores e a esposa de um deles.

Sebastião em Açailândia. Foi resgatado em 2012. Entrevistado 8

Eduardo

84 Ceará (CE) Açailândia (MA) Foi resgatado do trabalho escravo em fazenda de gado em Açailândia, em 1996. Trata-se de um dos primeiros trabalhadores a denunciar ao Centro de Defesa.

Fonte: trabalho de campo

Figura 10 – Entrevista individual – trabalho de campo dezembro/2014

Dos três entrevistados, um deles é o primeiro trabalhador que teve contato com o Centro de Defesa de Açailândia, entre os anos de 1996 e 1997, no período de fundação da entidade. Por esta e outras razões, a entrevista deste trabalhador configura uma espécie de memória de um idoso de 84 anos, que conta sua história vivida há pelo menos 18 anos. Ele reside atualmente em Açailândia, mas é um migrante do Ceará (CE).

Embora tenhamos clareza da distinção que devemos fazer acerca da fala deste trabalhador em relação as dos outros entrevistados, mais jovens, o relato enriquece a

pesquisa, uma vez que preconiza e historiciza a problemática do trabalho escravo, da qual tratamos, a todo o momento, neste trabalho.

Interessante ressaltar que, por outro lado, outro entrevistado em sua residência, tem 17 anos e traz uma fala da “juventude”, que oportuniza nossas discussões acerca da esperança e da transição do rural para o urbano, bem como suas aspirações da cidade. Este entrevistado nasceu em Açailândia (MA).

Por último, o terceiro entrevistado individualmente em sua residência, de 54 anos, é de um trabalhador rural assentado, há dois anos, por intermédio do MST (Movimento dos Sem-Terra) em Açailândia, e que foi surpreendido, juntamente conosco, em se ver em uma das reportagens que exibimos durante o encontro, na qual ele concedeu entrevista. Este entrevistado nasceu em Passagem Franca (MA), região distante de Açailândia.

Figura 11 – Entrevista individual – trabalho de campo dezembro/2014

Tanto no grupo de discussão, ocorrido na sede do Centro de Defesa de Açailândia, quanto nas entrevistas individuais, realizadas nas residências dos trabalhadores, tivemos o acompanhamento de agentes do movimento social. Embora eles não se posicionassem com comentários durante as entrevistas, temos o entendimento de que a presença desses sujeitos no campo empírico pode ter influenciado, de alguma forma, as falas dos entrevistados. Para o bem ou para o mal, a presença deles também nos assegurou certa tranquilidade e segurança durante o trabalho de campo.

Diante dessa situação, deixamos claro nossas condições de pesquisa, principalmente explicitando o ambiente do campo empírico, e nos esforçamos para tentar interpretar essas influências no ato da análise.

Benzer Belgeler