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PEYGAMBER VE İLAHİ KİTAP İNANCI Ünite Açıklaması Ünite Açıklaması

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6.1. PEYGAMBER VE İLAHİ KİTAP İNANCI Ünite Açıklaması Ünite Açıklaması

Nas décadas que se seguiram à 2a. guerra mundial, os estudos econômicos

ganharam impulso. Especialmente, os estudos do economista austríaco

1 Ontologia: parte da Filosofia que estuda o ser enquanto ser no mundo, a realidade como é vista

e vivida.

Schumpeter tornaram-se mais populares e dispararam o interesse em torno da teoria da inovação. A partir da formulação de sua teoria sobre os ciclos de

negócios, Schumpeter3 definiu um novo entendimento acerca do

desenvolvimento capitalista baseado nos conceitos de inovação, avanço técnico, competitividade, empreendedorismo, mudanças organizacionais e institucionais.

Schumpeter, ao desenvolver seus estudos sobre a influência do avanço tecnológico sobre a economia, enumerou cinco tipos de inovações: (1) introdução de um novo produto ou uma modificação qualitativa em um já existente; (2) novo processo para uma indústria; (3) abertura de um novo mercado; (4) desenvolvimento de novas fontes de suprimento de matéria-prima

ou outros insumos; e, (5) mudanças em uma organização industrial (SOUZA;

ARICA, 2006).

Em meio à difusão dessas idéias, havia a percepção de um intenso otimismo acerca das possibilidades da ciência e da tecnologia, reforçando a crença de que o desenvolvimento e o bem estar social viriam naturalmente. A pesquisa acadêmica, qualquer que fosse, resultaria em benefícios à sociedade.

A ciência seria produto do grau de diferenciação social, de tal modo elevado que se tornaria capaz de produzir as condições para o surgimento de uma ocupação distinta e especializada, uma ciência organizada, autônoma, especializada,

consolidada na comunidade científica (MERTON, 1945).

2.1.1 O pensamento e a ciência positivista

A ciência naquele momento era concebida segundo o pensamento clássico linear. Seguidora dos preceitos e escrituras de Descartes e Kant, esta ciência está baseada nos princípios da racionalidade e lógica dedutiva. Define-se a partir do realismo crítico (a referência da ciência é a realidade como ela “realmente” é), coerência interna (estrutura que permite explicar), consistência (resiste à

refutação), e objetividade (que intenta afastar do seu domínio todo o elemento afetivo e subjetivo).

O modo clássico de pensar assume que a realidade existe de forma objetiva, independente de como é percebida. Sendo assim, é possível descrevê-la, controlá-la, e medi-la com precisão. A cada causa corresponde uma conseqüência; é preciso identificar e descrever os fatores responsáveis pelas irregularidades e desordens. Para tanto, torna-se necessário conhecer as “leis naturais” que regem esta realidade, atividade esta que é essencialmente analítica e especializada, desenvolvida segundo o único método apropriado: o método experimental que, juntamente com as técnicas estatísticas, torna possível traduzir a realidade a partir da linguagem matemática (positivismo lógico)4.

O legado do positivismo se expressa na necessidade de leis e princípios que

explicam e dão sustentação à teoria (os axiomas). Dos axiomas5 é possível gerar

a teoria e construir modelos idealizados que procurarão explicar os fenômenos (Fig.2.1). A separação analítica é necessária ao estudo das entidades na busca

pela compreensão científica (DUDZIAK, 2004).

Fig. 2.1. Diagrama de fluxo de pensamento linear, baseado no racionalismo, centralizado em axiomas (McKELVEY, 1999).

4 Positivismo lógico: movimento cientificista que associa a tradição empirista ao formalismo

lógico matemático. (Ferreira, 1986).

5 Axioma: os matemáticos utilizaram a palavra para designar os princípios indemonstráveis,

mas evidentes, da sua ciência. Esta noção matemática e lógica domina o sentido da palavra: o postulado, aquilo que é assumido por convenção. (Fonte: Abbagnano, N. Dicionário de

Filosofia, 1998). Base Axiomática Fenômeno Modelo Teoria

A intimidade entre o mecanicismo racional da ciência e o individualismo liberal do capitalismo forjou uma ciência quase indiferente à deterioração do meio ambiente e das condições humanas e sociais. O cientista assumia que a missão da ciência era descobrir as leis naturais que regem seu funcionamento, para predizê-la, controlá-la e explorá-la, a partir do desmonte do todo em partes

analisáveis (SILVA, 2004a).

A fim de evitar sua contaminação, o método científico distanciava o pesquisador de seu objeto de pesquisa e, portanto, do contexto.

“O mito da neutralidade científica, que exonerava eticamente os cientistas das conseqüências negativas de suas realizações,... lhes permitia reivindicar para a ciência o crédito pelos impactos positivos”(SILVA, 2004a, p. xi).

A relação entre ciência e sociedade passou a ser intermediada pela tecnologia disciplinar, compondo o interstício existente entre o conhecimento científico e o processo produtivo. Percebida como aplicação prática dos conhecimentos (WOODWARD, 1965), a tecnologia viabilizou uma ciência para a sociedade: eficiente, quantificável, previsível, precisa, controlável e neutra. O inovador seria aquele herói visionário que predizia a transformação de novos conhecimentos em oportunidades comerciais, dentro de uma economia

idealizada (LENGRAND et al, 2002).

2.1.2 Modelo linear de pesquisa e inovação 2.1.2.1 Primeira geração – science / technology push

Segundo esta visão, a produção de conhecimento obedeceria a uma seqüência linear unidirecional, iniciada pela pesquisa básica (executada a princípio sem intenções de uso prático e direcionada à compreensão da natureza e suas leis), evoluindo até a pesquisa aplicada (direcionada ao uso). O pesquisador deveria optar entre a ciência pura e a ciência aplicada, já que entendimento e aplicação da ciência teriam objetivos conflitantes. Na origem deste modelo está o

emblemático relatório publicado por Vannevar Bush em 1945 Science, The Endless Frontier (BUSH, 1945).

Diretor do Office of Scientific Research and Development, ex-integrante do Projeto Manhattan de construção da bomba atômica, Bush argumentava que a pesquisa científica formava a base para o bem estar e a segurança do povo, sendo essencial ao conhecimento que só poderia ser obtido a partir da pesquisa básica.

Em outras palavras, a produção de conhecimento se iniciaria com a pesquisa básica (essencialmente realizada sem um objetivo prático em mente), contribuindo para a expansão do conhecimento e a compreensão da natureza e suas leis, ofertando tecnologia a partir da geração de conhecimentos aplicados. Após uma fase de desenvolvimento experimental, o novo conhecimento resultaria em um produto ou processo passível de comercialização, sendo capaz de atender e mesmo induzir ao aumento da demanda industrial.

Segundo esta visão, a pesquisa básica é precursora do progresso tecnológico (Figura 2.2). Determina-se assim um padrão seqüencial de estágios que se baseia na oferta de ciência e tecnologia, constituindo um modelo linear de ciência e inovação. Quanto mais insumos forem alocados no processo de pesquisa e desenvolvimento (especialmente a pesquisa básica), quanto maior será a produção de invenções e inovações. Justifica-se desse modo a alocação de grandes somas de recursos para a pesquisa científica sem maiores considerações sobre sua aplicabilidade ou justificação.

Ciência pura Inovação Instituições de pesquisa Empresas

Figura 2.2. Modelo linear de inovação de primeira geração – modelo linear de pesquisa –

science push (adaptado de VIOTTI, 2003).

Pesquisa básica Desenvolvimento experimental

Enfatizando o modo acadêmico de produção de conhecimento, privilegia-se a visão individualista do cientista e suas iniciativas autônomas voltadas a pesquisas verticais e altamente especializadas, sinalizando um descolamento da

realidade sócio-econômica (GONZÁLEZ de GÓMEZ, 2003a).

Ocorre um desenvolvimento endógeno das comunidades de pesquisa, com ênfase na dependência financeira do Estado e ausência de planejamento das atividades, evidenciando um comportamento reativo e dependente das estruturas públicas burocráticas institucionalizadas, sem qualquer preocupação estratégica. A relevância das pesquisas realizadas se baseia exclusivamente na avaliação pelos pares, assim mesmo com foco no ex-ante (intenções). Não se incorpora processualmente qualquer participação de outros atores, tanto na determinação das agendas de pesquisa quanto na avaliação de seus resultados.

O modelo de Bush estabeleceu as bases da política de C&T norte-americana no

pós-guerra, popularizando o modelo linear de inovação. Nas raízes intelectuais e políticas desse pensamento dois aspectos se sobressaem: a contraposição entre a racionalidade técnica e a racionalidade crítica, e entre a pesquisa básica e a

pesquisa aplicada (SILVA, 2005).

Conseqüentemente, as políticas inspiradas no modelo linear acentuaram a separação entre a produção científica e a tecnológica, criando desassociações

entre as políticas de C,T&I (VIOTTI, 2003). As críticas ao modelo linear de

inovação se concentram no entendimento do fenômeno como compartimentado, seqüencial e redutor, no qual as empresas são meras consumidoras de tecnologia e conhecimentos gerados nas instituições de pesquisa.

As políticas implementadas a partir da visão ofertista se concentraram no provimento de fundos e da necessária infra-estrutura ao desenvolvimento das atividades de pesquisa pública, tendo se tornado populares nas décadas de 50 e 60 (MOLAS-GALLART; DAVIES, 2006).

Até então, o modelo de desenvolvimento refletia o paradigma linear cujo centro emanante era a universidade: na origem do desenvolvimento econômico, que resulta naturalmente em bem estar social e se realiza a partir da tecnologia, está

a ciência que acumula conhecimento objetivo (LÓPEZ CEREZO, 2004). À política

pública e ao Estado caberia prover o suporte necessário à consecução das atividades de pesquisa.

A falha no modelo residia primariamente no fato de que nem toda descoberta científica resultaria necessariamente em uma inovação. Ainda, era impossível também prever em que tempo isso viria a ocorrer. Falhou ainda no não reconhecimento das múltiplas ligações e retroalimentações que inter- relacionam pesquisa, desenvolvimento, comercialização e a própria inovação (LENGRAND et al, 2002). A abstração do modelo ignorava a estrutura complexa entre o ambiente econômico e a direção da transformação tecnológica (CAMPANÁRIO, 2002). A mudança era questão de tempo.

Ainda nos anos 50, os economistas começaram a integrar ciência e tecnologia

com foco na mensuração do impacto gerado pela P&D (pesquisa e

desenvolvimento) (output) no crescimento econômico e na produtividade (GODIN; DORÉ, 2005). Originava-se a corrente econômica de pensamento com

foco no custo-benefício de investimentos públicos em P&D. Formalizava-se

assim a metodologia econométrica, desenvolvida inicialmente por Solow (1957)

e seguidores, cujos estudos se concentravam na relação input-blackbox--output entre ciência, tecnologia e economia.

Ao mesmo tempo, nos anos finais da década de 60 e início dos anos 70, importantes movimentos sociais e políticos transformaram o Estado tecnocrático em alvo de ataque, tornando necessária a revisão e a alteração do modelo político de gestão. Os reflexos deste novo direcionamento se fizeram

sentir também no mundo acadêmico, dando origem aos estudos de CTS (ciência,

A importância da iniciativa privada para o desenvolvimento das nações tornou- se inegável. Era preciso rever o modelo e incorporar a centralidade das ações no próprio mercado.

2.1.2.2 Segunda geração – market-pull

Conforme os pesquisadores e teóricos passaram a considerar o papel das demandas de mercado e das necessidades dos usuários (need pull, também chamada market pull ou demand pull), e a tecnologia assumia cada vez mais papel preponderante, um novo modelo começava a tornar-se popular. Neste modelo, a inovação era disparada por uma percepção e uma eventual articulação das necessidades dos consumidores, tornando necessárias pesquisas que viriam a satisfazer a estas necessidades. Nesse sentido, a ciência e a

tecnologia evoluiriam em reação ao mercado (Fig.2.3).

Ciência pura Inovação Instituições de pesquisa Empresas Fig 2.3. Modelo linear de inovação de segunda geração demand or market pull.

O modelo baseado na demanda do mercado logo se revelou incompleto. O papel passivo da ciência e da tecnologia que reagiriam mecanicamente era irreal e negligenciava a capacidade inovadora pelo acúmulo de conhecimento (CAMPANÁRIO, 2002). Outros fatores precisavam ser considerados.

2.1.2.3 Terceira geração – coupling model

No início dos anos 70, chegou-se ao consenso de que ambos os modos eram extremamente simplificados e, portanto, atípicos. Estudos empíricos revelaram que a inovação em nível industrial poderia ser mais bem descrita como uma amálgama de três elementos interativos: ciência, tecnologia e mercado. Surgia o

Pesquisa básica Desenvolvimento experimental

Pesquisa aplicada Produção Comercialização

Demanda do Mercado

Demanda de Tecnologia Oferta de Tecnologia

modelo casado (coupling innovation), onde ocorreriam trocas e retroalimentações entre universidade e empresa.

O processo de inovação passa a ter uma configuração circular (Fig. 2.4), tendo

por base os princípios do aprendizado construtivo, inspirando sucessivas

gerações aprimoradas do processo de inovação (ROTHWELL, 1994). O modelo de

aprendizado de Kolb (1976)6 passa a ser a base conceitual sobre a qual se

estruturaria processo de inovação (BUIJS, 2003).

Fig. 2.4. Exemplo de processo casado de inovação de terceira geração (Trad. de ROTHWELL, 1994)

A inovação foi definida como uma rede complexa de padrões de comunicação, intra e extra-organizacional, ligando funções internas da firma ao ambiente externo, representado por outras firmas e a comunidade científica-tecnológica. Considerando que em sua primeira e segunda geração o processo de inovação desenhou-se explicitamente sobre o paradigma linear, argumenta Rothwell

(1994) que o modelo de terceira geração, embora ainda essencialmente linear,

introduz a noção sistêmica por considerar a importância dos feedback loops. A inovação surge tanto de uma necessidade do mercado quanto a partir das pesquisas científicas, um movimento alimentaria o outro e vice versa. O processo é seqüencial mas não necessariamente contínuo.

6 De acordo com David Kolb, o aprendizado experiencial ocorre numa seqüência de quatro

estágios: experiência concreta, observação reflexiva, conceituação abstrata, experimentação ativa que fecha o ciclo.

Geração de idéias Política de produto Novas necessidades Novas tecnologias

Necessidades da sociedade e do mercado

Projeto de P&D

Protótipo Manufatura Marketing e vendas

Apesar do avanço, o modelo de terceira geração logo seria suplantado por outras gerações, ao mostrar-se incapaz de incorporar a emergência das novas bases tecnológicas de manufatura (encurtamento de processos e ciclos) e principalmente de comunicação, que levaram à noção do pensamento sistêmico estratégico.