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É comum identificar na literatura que a tendência a concentração econômica das empresas capitalistas é um processo cíclico, que ocorre principalmente em períodos de profusão da atividade econômica dos países, alinhada diretamente a movimentos mais vigorosos de seus mercados de capitais.

Alinhado a esta afirmação, Parra de Más (1974) afirma que “A concentração empresarial, enquanto meio para obter maiores benefícios, é, sem dúvida, uma força latente no sistema capitalista, pronta a entrar em operação no momento em que as circunstâncias tornem-se propícias.”

Baseado nos pressupostos da teoria econômica pode-se imaginar que um grande mercado econômico cumpre adequadamente as regras da concorrência perfeita através de um grande número de players concorrentes e consumidores que a eles recorrem para satisfazer suas necessidades de consumo. Entretanto, verifica- se que, na prática, não é exatamente assim que as coisas acontecem por um grande número de circunstâncias que favorecem a ação de empresas concentradas, como ganhos/economias de escala, vantagens logísticas e de gestão de serviços compartilhados, etc.

Não obstante a este fato, é comum identificarmos diversas estratégias de crescimento organizacional que passam por processos de concentração empresarial.

Uma das expressões mais eloquentes deste movimento econômico são os processos de fusões e aquisições (F&A), figurando entre as mais comuns e dramáticas estratégias de crescimento e mudança organizacional.

Segundo Wood et al. (2004, p.42), alguns dos motivos mais citados para justificar os processos de F&A nas organizações, relacionam-se com “mudanças econômicas ou tecnológicas, necessidades de reunir recursos para pesquisa e desenvolvimento, potencial para ganhos de sinergias, corte de custos e economias de escala e escopo”.

Em seu trabalho, Matias et al. (1996), a partir de um profundo estudo sobre a ocorrência de F&A no mercado norte-americano, propõe que este processo acontece em ondas, que vem ocorrendo ao longo da história, em períodos de atividade econômica alta, expressivas taxas de crescimento e modificações no ambiente empresarial.

Os autores, compilando trabalhos de diversos estudiosos do tema, traçam um paralelo histórico e plotam na linha do tempo a ocorrência de cinco grandes ondas de F&A ao longo da história do mercado norte americano, sendo elas:

Tabela 02: Ondas de Fusões e Aquisições no mercado Norte-Americano.

Onda Evidências Históricas

Monopólios (1887 – 1904)

Período de rápida expansão econômica iniciada com a recuperação da depressão mundial de 1883, terminando em 1903 com o início da recessão e decisão da suprema corte norte americana em proibir F&A que limitassem o livre comércio. Período marcado por grandes modificações na infraestrutura econômica e nas tecnologias de produção, incentivando a formação de grandes monopólios a partir de fusões horizontais.

Oligopólios (1916 – 1929)

Iniciada com o reaquecimento da economia e terminada na severa recessão proporcionada pela crise de 1929, este período é marcado por um boom do mercado financeiro e promulgação de leis antitruste que impediam fusões de várias empresas em uma única. Maior profusão de fusões verticais que visavam o poder de grandes oligopólios motivadas por economias de escala.

Pós-Guerra (1940 – 1947)

Teve como cenário o rápido crescimento econômico devido ao esforço de guerra e reconstrução da Europa. Entretanto, devido a inexistência de grandes mudanças no ambiente econômico e tecnológico, esta onda foi menor expressão que as anteriores.

Conglomerados (Década de 60)

Predominância de fusões visando a diversificação de atividades, especialmente de extensão de produto, como resposta as restrições à fusões horizontais e verticais promovidas pelas leis antitruste de 1950. Os principais atores desta onda eram empresas de pequeno e médio porte. Esta onda terminou no final da década de 60 com a recessão econômica agravada pela crise do petróleo.

Internacionalização (1975 – 1989)

Caracterizada pela expansão empresarial alicerçada em aquisições de empresas já existentes pelo baixo custo de investimento em razão do baixo valor das ações no mercado de capitais. Com a quebra da bolsa de Nova York em 87, empresas estrangeiras ingressam no mercado Norte Americano através dessas aquisições, normalmente hostis. Período marcado essencialmente por transações de empresas

de mesmo porte. Esta onda visava principalmente a

internacionalização das grandes corporações multinacionais. Fonte: Adaptado pelo Autor.

Ao contrário da última grande onda, a partir da década de 90, os processos de F&A são marcados principalmente pela adequação das organizações a ambientes de negócio mais competitivos e em constante mutação.

Esta mesma proposição é referendada por Camargos e Barbosa (2003, p.17) que complementam informando que “As evidências sugerem que as fusões e aquisições ocorrem visando tanto a maximização da riqueza dos acionistas quanto a maximização da utilidade gerencial”.

Podemos agora encontrar explicação para os sucessivos processos de F&A que ocorreram na história recente da economia brasileira e mundial, devido aos vigorosos movimentos econômicos, principalmente em economias emergentes como os países que compõe o BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

Wood et al. (2004), pesquisando as F&A no mercado brasileiro descrevem que:

No Brasil, como em muitas outras economias emergentes, o crescimento do número de fusões e aquisições acompanhou o processo de liberalização econômica. Esse fator favoreceu os processos de F&A de três diferentes modos: primeiro, a desregulamentação dos mercados locais, associada às tendências internacionais em direção à globalização, permitiu que as empresas estrangeiras adquirissem empresas brasileiras; segundo, programas de privatização criaram oportunidades para que muitas empresas estrangeiras e brasileiras adquirissem grandes operações nos setores de energia, de telecomunicações e bancário; e terceiro, a elevada

competição internacional, associada à acelerada mudança

tecnológica, obrigou empresas domésticas a se fundirem ou a adquirirem umas às outras. (Wood et al., 2004, p.42)

Schardong, (2002, p.70) explica, ainda, que esta nova realidade econômica que se impõe às empresas capitalistas modernas contribui significativamente com "a tendência para a concentração das unidades empresariais em organizações societárias supra-ordenadas, sob a forma de holdings, uniões, concernes e outras, dominando amplos setores da economia nacional."

Deste modo, conclui que para o enfrentamento desta nova realidade de mercado, e seguindo a tendência capitalista da concentração empresarial, as sociedades cooperativas buscaram também, na integração vertical cooperativa, um instrumento estratégico de ganhos de escala para suas atividades.