4. Personel Güçlendirme
4.3. Personel Güçlendirmenin Kuramsal Boyutları
A Petrobras desenvolve vários projetos em diversas áreas, de modo a viabilizar sua estratégia empresarial no atual cenário da indústria de óleo, gás e energia, nos mercados nacional e internacional.
Para isso, a companhia dispõe de uma área corporativa de desenvolvimento de Novos Negócios, que tem como principais políticas: utilizar parcerias para alavancar posição de mercado, diluir riscos e atrair investimentos; buscar oportunidades de negócios no Brasil e no exterior que possam ser utilizadas como contrapartidas por empresas que desejem alavancar oportunidades no setor petróleo onde a Petrobras atua; e formar relacionamentos que possibilitem o aproveitamento de sinergias entre ativos.
“A Petrobras busca oportunidades no Brasil e fora do país (...) que possam ser utilizadas como: contrapartidas por empresas que
desejem alavancar oportunidades no setor petróleo onde a Petrobras atua; aproveitamento de sinergias entre ativos (...)” Oportunidades de
novos negócios com a Petrobras38.
Desde 1999 a ANP vem organizando rodadas de licitações de blocos exploratórios. Desde então, a Galp tem se envolvido em vários projetos de exploração onshore e offshore no Brasil, tendo participado em seis dessas rodadas de licitação (2ª, 3ª, 6ª, 7ª, 9ª e 10ª), sempre em parceria com a Petrobras. Estas parcerias possibilitaram à Galp entrada no mercado brasileiro.
Como resultado dessa política de formação de novos negócios, por meio das licitações da ANP, Petrobras e Galp Energia formaram grande quantidade de consórcios no Brasil para exploração e produção de áreas petrolíferas concedidas pela ANP. Atualmente, as duas empresas são parceiras em 69 blocos de exploração de petróleo. Desse total, a Petrobras é operadora em 37 blocos e a Galp, por meio de sua subsidiária brasileira Petrogal Brasil Ltda., é operadora em mais 32 blocos, todos terrestres (onshore)39
Nesse processo de formação do relacionamento focal, num primeiro momento nota-se a importância do papel da ANP, haja vista que o processo de licitação de áreas permite às empresas se associarem para dela participarem, explicando a facilidade da formação da rede entre as empresas analisadas no Brasil.
.
“Empresas nacionais e estrangeiras devidamente habilitadas podem participar das licitações para exploração, desenvolvimento e produção de hidrocarbonetos.” Informações sobre licitação da
ANP40.
Numa análise mais profunda, em relação a essas associações realizadas entre as duas empresas, nota-se que por parte da Galp, preferencialmente sempre buscou-se relacionamento com a Petrobras. Já pelo lado da companhia brasileira, verifica-se que o relacionamento tem
38 Disponível em http://www2.petrobras.com.br/negocios/portugues/novos_negocios/pop/p_oportunidades.htm. 39
Lista completa dos consórcios formados por Petrobras e Galp no Brasil consta do Apêndice 6.
ganhado relevância ao longo do tempo. No entanto, para ambas as organizações, os laços históricos e culturais pareceram ser relevantes.
“Os laços culturais e históricos facilitaram a formação dessas parcerias.” Consultor de Negócios – Área Internacional da empresa
brasileira.
Ao longo das licitações da ANP, a Petrobras atuou com diversos parceiros. No entanto, nas últimas licitações, tem havido uma preferência pela Galp, a ponto de na última licitação realizada pela ANP, todas as parcerias formadas pela Petrobras terem a participação da Galp, via sua subsidiária Petrogal.
“A Galp Energia participou dessas rondas de licitação, tendo adquirido direitos (...), sempre em parceria com a Petrobrás. Esta parceria com a Petrobras possibilitou a entrada no mercado upstream brasileiro, tirando partido do seu vasto conhecimento do potencial das áreas, dos seus sólidos conhecimentos técnicos e da sua rede de infra-estruturas locais.” Estratégia de internacionalização da
Galp41.
“No início, todas as grandes multinacionais queriam fazer negócio conosco, principalmente após a quebra do monopólio. A Galp também sempre quis fazer negócio conosco, mas permanentemente queria incrementar novos negócios conosco.” Consultor de Negócios
B – Gerência de E&P da empresa brasileira.
“A indústria do petróleo é um segmento que é caracteristicamente estratégico para as nações.” Consultor de Negócios B – Área
internacional da empresa brasileira.
41
Disponível em http://investor.relations.galpenergia.com/galpir/vPT/Business_Segments/ Exploration_Production/
Adicionalmente, de fundamental importância para a identificação de como e porque essa rede focal atua no Brasil, percebe-se uma relação de influência por parte das ações estruturadas no âmbito da supra-rede entre Brasil e Portugal.
“No que diz respeito à área de exploração e produção de petróleo e gás natural, o memorando de entendimento (assinado entre Petrobras, Galp e EDP nas áreas de biocombustíveis, gás natural, geração de energia elétrica, exploração e produção) prevê a avaliação da possibilidade da formação de parcerias que permitam à Galp atuar como operadora em águas rasas nas Bacias de Campos, de Santos e do Espírito Santo.” Detalhes do acordo firmado na Cúpula
Brasil-Portugal. Fonte: Agência Brasil (maio/2009).
“As parcerias formadas foram concebidas por causa do empenho governamental.” Consultor de Negócios – Área Internacional da
empresa brasileira.
As atividades de exploração de petróleo no Brasil ganharam maior relevância e destaque internacional entre 2006 e 2007, quando do anúncio das primeiros indícios da existência de uma nova província petrolífera brasileira, a chamada “camada pré-sal”.
As rochas do pré-sal são reservatórios que se encontram abaixo de uma extensa camada de sal, que abrange o litoral do Estado do Espírito Santo até Santa Catarina, ao longo de mais de 800 km de extensão por até 200 km de largura, em lâmina d’água que varia de 1.500m a 3.000m e soterramento entre 3.000 e 4.000 metros.
Os poços que atingiram o pré-sal e que foram testados pela Petrobras mostram, até agora, alta produtividade de petróleo leve e de gás natural. Esses poços se localizam nas bacias do Espírito Santo, de Campos e de Santos. Os volumes recuperáveis estimados de óleo e gás para os reservatórios do pré-sal, se confirmados, elevarão significativamente a quantidade de óleo existente em bacias brasileiras, colocando o Brasil entre os países com grandes reservas de petróleo e gás do mundo.
Evidentemente, a Petrobras, por ser a pioneira na exploração desses blocos, detém posição privilegiada nos investimentos e também nos benefícios da produção futura dos campos de petróleo localizados dentro dessa região, tendo em vista reservas estimadas em 28,7 bilhões de barris de petróleo.
Figura 11: Mapa de blocos da camada pré-sal Fonte: Website da Petrobras
No entanto, a Galp, presente em parcerias com a Petrobras em blocos dessa região42, também ocupa destaque, podendo adicionar às suas reservas um total de 3,8 bilhões de barris de petróleo, ficando atrás apenas de Petrobras e British Gas, empresa inglesa que pode adicionar 7,2 bilhões de barris às suas reservas43.
“Com base na sua experiência, a Galp privilegiou a operação e participação com a Petrobras em campos terrestres, no início de sua vida no Brasil. Posteriormente, alcançou participações importantes em blocos marítimos de águas profundas, principalmente no pré-sal,
42 A Galp detém participações nos blocos Iara, Júpiter e Tupi, todos na região da camada pré-sal, localizada no
litoral brasileiro.
43
Informações detalhadas sobre as estimativas de reservas para cada empresa atuante no pré-sal encontram-se no Apêndice 7.
o que deu visibilidade e relevância.” Consultor de Negócios A –
Gerência de E&P da empresa brasileira.
Figura 12: Participação da Galp no pré-sal Fonte: Website da Galp
No âmbito do segmento de biocombustíveis, Petrobras e Galp Energia assinaram recentemente, em Lisboa, Acordo de Investimentos para formação de uma joint-venture com objetivo de desenvolver projeto destinado à produção e comercialização de biocombustíveis.
Durante a IX Cimeira Brasil-Portugal, realizada no final do mês de outubro de 2008, na Bahia, diversos acordos foram celebrados, entre eles uma parceria entre Petrobras e Galp para estudar a viabilidade de implantação de um pólo para a produção de óleo de palma (o tradicional dendê baiano) e óleo de girassol, matérias-primas para a produção de biodiesel.
Este acordo é resultado do desdobramento de um Memorando de Entendimentos, assinado anteriormente entre as duas empresas, visando o estudo da viabilidade de implementação conjunta de projetos para aproveitamento de oportunidades futuras na
produção, comercialização e distribuição de biodiesel nos mercados brasileiro, português e internacional. O documento foi assinado durante a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Portugal, com a presença do Primeiro Ministro de Portugal, José Sócrates.
A criação da joint venture prevê a produção de 600 mil toneladas por ano de óleo vegetal no Brasil, destinado à produção de 500 mil toneladas por ano de biodiesel. Metade desse volume será produzido em Portugal, nas refinarias da Galp e a outra metade em local a ser definido, para comercialização na Europa, prioritariamente no mercado ibérico. O início da produção está previsto para 2010.
Os estudos e análises realizados em conjunto pela Petrobras e Galp, após a assinatura do referido memorando, apontaram para a viabilidade do negócio, originando um Plano de Negócios para o desenvolvimento do projeto. As empresas pretendem aprofundar os estudos visando confirmar as premissas utilizadas no Plano de Negócios e concretizar a parceria para implantação das operações e atividades previstas. Caso confirmada a viabilidade do projeto, a
joint venture será concretizada por meio da constituição de uma sociedade, com capital social
dividido entre Petrobras (50%) e Galp Energia (50%).
"A Galp vê com enorme confiança o futuro do Brasil, que considera ser um dos países em melhor posição para enfrentar os enormes desafios colocados pela profunda crise que a economia mundial atravessa. A petrolífera considera ter no Brasil, uma oportunidade histórica de crescimento". Fonte oficial da empresa citada pela
Agência Lusa (fevereiro/2009).
“A Galp Energia tem apostado nas parcerias petrolíferas em países de língua portuguesa porque não pode estar em todo lugar, e nestes Estados há vantagens culturais competitivas, por haver uma percepção mais clara do risco político dos investimentos.” Gestor da
Galp Energia. Fonte: Agência Lusa (maio/2009).
Nesse segmento, a Petrobras adota o modelo de parceria tripartite, na qual a companhia brasileira, com toda a sua visibilidade, imagem positiva no mercado, rede logística
e comercialização, trabalha em conjunto com produtores nacionais, que contribuem com o
expertise, e parceiros internacionais, que garantem mercado e participam da produção do
produto.
“Os entendimentos com a Galp continuam e deverão ser concluídos (...). É muito importante, porque pode facilitar a entrada do nosso produto no mercado Europeu.” Gestor da Petrobras. Fonte: Agência
Brasil (março/2009).
“Portugal tem uma posição geogáfica/logística estratégica na península ibérica.” Consultor de Negócios – Área Internacional da
empresa brasileira.
Com este acordo, para ambas as empresas torna-se possível a troca de experiências e de conhecimento. Ademais, a Galp Energia dá um passo decisivo na concretização da sua estratégia para os biocombustíveis e contribui para o posicionamento de Portugal na liderança na produção de biocombustíveis de segunda geração.
O que se depreende dos dados analisados e expostos nessa subseção é que, além de fatores pautados pelos interesses econômicos de ambas empresas e nações, fatores ligados à parte menos visível perante a literatura dominante em estratégia detêm relevância no processo de formação e construção da rede focal entre essas organizações híbridas. Nesse aspecto, revelam-se de grande importância os elementos presentes na supra-rede, os quais serão abordados em mais profundidade na subseção 5.2.3.