1.2. ĐSLAM ÖNCESĐ ĐRAN’DA DĐN
1.2.1. Pers Mitraizmi
Para os entrevistados o contato com Nossa Senhora de Nazareth, conteúdo da tradição dessa comunidade, inicia-se, temporal-espacialmente, através do relacionamento com um “tu”. Este é representado, sobretudo, pelas figuras parentais e pela comunidade; a relação entre eles se encontra enraizada num contexto marcado pela religiosidade popular, expressa pela devoção à Santa e pela festa que comemora sua natividade.
Participando da vida da família e da comunidade, bem como dos gestos tradicionais, os entrevistados adquirem um maior conhecimento sobre a Padroeira. E por meio do compartilhamento desses momentos significativos para os parentes e a comunidade, eles descrevem como desse “tu” chegam ao relacionamento pessoal com Nossa Senhora.
5.1.1. Convivendo e compartilhando a vida com os familiares: a experiência de seguir A família se apresenta como a principal intermediária entre a cultura na qual se encontra inserida e os seus descendentes. Ela é uma instância fundamentalmente educativa,
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que comunica e doa à geração póstera algo de valoroso, através da forma como vive a responsabilidade na festa, os valores familiares, o trabalho e o cotidiano na vila.
A maneira como esses familiares vivem o dia-a-dia marcado pela devoção local é o primeiro aspecto que desperta a atenção dos depoentes. A preparação para a festa, bem como o momento de sua realização, as práticas para-litúrgicas, assim como as litúrgicas, o trabalho, os diálogos, são ocasiões que delimitam a convivência entre os parentes e os entrevistados.
A infância é o período no qual esse envolvimento se inicia. Os locais variam de acordo com a dinâmica familiar de cada um: a igreja, a própria casa, regiões de Morro Vermelho e ocasiões da festa são mencionadas como espaços através dos quais eles são tocados pela religiosidade popular vivida pelos familiares.
Nessa convivência, os entrevistados, vendo a maneira como os seus familiares se envolvem com a festa ou com outras atividades, identificam um valor naquelas formas diversificadas de participar das atividades locais, cotidianas e laborais, ou seja, reconhecem algo importante, que os estimula a seguirem os passos de seus familiares.
Assim, Biló, acompanhando o pai na festa, é requisitado para auxiliá-lo. Em diversas situações, com a ajuda do pai, ele aprende algo sobre as tarefas realizadas na festa, nas quais a companhia de seu genitor é fundamental para a aprendizagem daquelas funções. Seguindo-o, Biló sente-se provocado e fica muito curioso em descobrir o significado daquelas práticas.
Beatriz, por sua vez, crescendo em um ambiente familiar que evocava Nossa Senhora constantemente como Aquela que “ajuda” e “protege”, vê a disponibilidade de seu pai e de sua mãe para ajudar nos trabalhos da igreja: eles servem com alegria e incondicionalmente a igreja local. Ela se dá conta da prontidão de seus pais em oferecer-lhe “tudo de bom” e sente- se agradecida pela presença deles nesse momento da infância.
Paceli, convivendo com seus pais e avós, ajudando-os nas atividades nas quais era convidado, experimenta o carinho, a paciência e a escuta, quando ele os interroga. Ele se
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admira por aquela maneira de viver, que lhe mostra como sua avó cuida com zelo da Padroeira e como a fé de seu pai em Deus, em Nossa Senhora e nos Santos incide em sua vida, através dos milagres que lhe aconteceram.
Por meio dessa convivência e desse compartilhamento cotidiano com os familiares, os entrevistados são atraídos por “algo” presente naquela maneira de se envolver com a vida, que os estimula e os provoca a se dedicarem às tarefas nas quais os seus familiares estão comprometidos.
5.1.2. Envolvendo-se na vida comunitária, cresce a familiaridade com a vida da Santa Compartilhando a vida com os seus familiares, gradualmente os entrevistados são integrados à vida comunitária de Morro Vermelho, cujo modus vivendi está alicerçado na devoção mariana.
O contato com Nossa Senhora de Nazareth ocorre também através do convívio diário e freqüente com a maneira como seus parentes e os demais moradores se envolvem com a tradição local: por meio de serviços prestados à igreja, de celebrações litúrgicas, de reuniões que favorecem reflexões sobre a vida de Maria, de leitura das escrituras, de momentos festivos, os entrevistados relatam ser inseridos na vida cultural de Morro Vermelho.
Envolvendo-se cotidianamente com a comunidade, eles são impelidos a perguntar as razões de alguns gestos realizados pelos romeiros. “Mexendo com a festa”, Biló vê pessoas que se encontram em alguma situação difícil, pedem “graças” a Nossa Senhora e, alcançando- as, aumentam a sua fé na Padroeira. Assim, emerge a compreensão primordial de que aquele evento é “mais do que uma festa”.
Surpreendendo-se com a participação dos devotos na realização dos serviços da igreja, Beatriz vê como essa dedicação vale a pena. Para ela, isso se deve à presença da Santa, que atrai as pessoas para Si. Dessa maneira, a vida de Maria se torna um ponto de interesse para essa entrevistada. As ocasiões que chamam a sua atenção para a Padroeira são os momentos
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comunitários, tais como as celebrações litúrgicas, leitura das escrituras, reflexões no Círculo Bíblico, diálogos cotidianos com o pároco da vila. Percorrendo a vida da Padroeira, Beatriz começa a se dar conta daquilo que quer para a sua vida: “ser boa” e imitá-La.
Vendo o comprometimento de suas avós e de seu pai, Paceli se depara com o valor da festa do Natal e da maternidade de Nossa Senhora para eles. Experimentando o cuidado oferecido por seus familiares, aproxima-se da Santa, incrementando o seu interesse por conhecê-La. Posteriormente, a observação das atitudes de doação incondicional de certos moradores de Morro Vermelho permite-lhe realizar associações com as ações da Santa, fazendo-o sentir-se agradecido.
Através de observações na comunidade, perguntas e pensamentos gerados no contato com os moradores, bem como através do reconhecimento de exemplos a serem seguidos dentro de Morro Vermelho, os entrevistados começam a se familiarizar com a vida e a ação da Santa no cotidiano das pessoas.
Eles são atraídos por esse modo de viver o trabalho, a responsabilidade, os problemas, o sofrimento e a aflição, a construção da festa, os relacionamentos, o cuidado com o outro, que lhes parece diferente e orientado explicitamente pela presença de Nossa Senhora de Nazareth1, intercessora fiel daquelas pessoas que rogam a Ela.
5.1.3. Verificando a proposta na própria vida, acontece o relacionamento pessoal com Nossa Senhora de Nazareth
O envolvimento dos entrevistados com a festa e os costumes tradicionais, é, portanto, uma maneira de conhecer a Santa. No entanto, é através da verificação pessoal da Sua presença que esse contato transforma-se em um relacionamento.
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A ampliação da convivência dos entrevistados, integrando família, moradores, instrumentos tradicionais, já lhes favorece uma compreensão mais precisa do princípio orientador da vida das pessoas mencionadas pelos moradores como suas referências; ainda que não estivesse interiorizado, para eles, o ponto unitário da comunidade: Nossa Senhora de Nazareth.
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Reconhecendo os traços inconfundíveis de Nossa Senhora: a ação de rezar como sinal da Sua presença
Por meio da observação de bênçãos, de pedidos e das orações marianas feitas pelos moradores, pelos romeiros e do testemunho de graças e milagres concedidos pela Padroeira aos seus devotos, os entrevistados intuem que é Nossa Senhora de Nazareth que vem até eles, suscitando o pedido.
Diante de uma situação difícil, os entrevistados vivem uma necessidade premente ou um desejo, acrescidos da própria impotência para encontrar uma possível solução. Eles são impelidos a pedir ou a rezar, estimulados pelo reconhecimento de uma força que motiva a realização essa atitude.
Essa força súbita e intensa é reconhecida como “algo” externo a eles, levando-os ao reconhecimento de uma presença imediatamente relacionada a Nossa Senhora de Nazareth; uma vez que a tradição, permitindo-lhes uma familiaridade com a vida de Maria, facilita a distinção dos traços inconfundíveis da Sua presença e de Sua intervenção.
Arriscando na proposta da tradição, acontece a experiência da certeza: gratidão e satisfação A convivência com a tradição permite-lhes testemunhar as graças alcançadas por outras pessoas, que se encontram apoiadas na certeza de terem sido atendidas pela Santa. Entretanto, essa experiência se torna uma certeza pessoal quando, diante de uma dificuldade, mesmo sem compreender ao certo como esta se resolverá, os entrevistados arriscam-se na proposta que testemunharam: recorrer à Padroeira através de orações e preces.
A vivência de uma necessidade específica e concreta, por exemplo, a inconstância da saúde da filha de Biló, o desperta para a ineficiência das intervenções medicamentosas, uma vez que ela não melhora: “a menina só desmaiava”. Esse fato o faz afirmar que aquela
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estratégia não estava certa e o faz buscar um meio justo para a cura de sua enfermidade: “Fiz um pedido para Nossa Senhora [...]. Ela não vai mais ter esse problema”.
Tais ocasiões cotidianas, mediadas pelo contato com a Padroeira, através das preces e das orações, fazem emergir algo do qual se precisa. A resolução do problema em si passa para segundo plano, como exemplifica Paceli ao descrever o momento em que quase morreu afogado: mais do que ser salvo de uma situação de perigo, ele se percebe amado pela Padroeira, ao sair ileso de uma enrascada. O pedido atendido confirma a Presença, mas, sobretudo, afirma uma preocupação autêntica com a sua existência.
Dar-se conta da efemeridade da vida e da fragilidade humana e ao mesmo tempo compreender que a vida não passa e que tem um significado, como diz Beatriz, evidencia que a companhia da Virgem é correspondente. Essa certeza é alcançada na comparação que Beatriz realiza entre a vida de Maria e a sua própria, reconhecendo a excepcionalidade incomum de Sua doação a Deus, aceitando ser a mãe de Jesus Cristo e possibilitando que viesse ao mundo a Salvação para todos.
A dinâmica da certeza liga-se à consciência das próprias incapacidades e à mobilização em direção à Padroeira mediada não tanto pelas circunstâncias externas, mas pela maneira como estas despertam os entrevistados para as suas necessidades, imprevisivelmente, fazendo-os reconhecer a imprescindibilidade da Sua presença naquela situação. Dessa maneira, os entrevistados verificam pessoalmente a hipótese dada pela tradição: Ela é alguém que verdadeiramente está presente, de uma forma atenta, respondendo às suas reais necessidades, que não necessariamente coincidem com aquilo que os depoentes imaginam como uma possível resolução.
A certeza é atingida uma vez que, dirigindo-se a Nossa Senhora, os entrevistados sentem-se perscrutados em seus desejos, tomando conhecimento deles, ao mesmo tempo em que possíveis caminhos se tornam mais claros para as situações aparentemente insolúveis,
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quando recorrem à Padroeira. A expressão máxima dos depoentes se manifesta na gratidão à Virgem de Nazareth.
Dessa maneira, eles se sentem fortalecidos para enfrentar as adversidades, mediante a compreensão daquilo que lhes cabe como responsabilidade e dos limites situacionais e pessoais, vividos na certeza de que Nossa Senhora é uma companhia correspondente. Certas situações – impasses, injustiças, tribulações, incapacidades, solicitações, responsabilidades, necessidades – são encaradas na convicção de que Nossa Senhora está presente, ampara e intercede em seu favor. E o relacionamento com a Padroeira ocorre estimulado por esses acontecimentos súbitos e imprevistos, explicitando, para os entrevistados, suas necessidades.
A certeza alcançada na verificação da tradição coincide com uma maneira de conceber a si mesmo e gera um modo de conviver – “para mim e para o outro”
A certeza alcançada gera um modo de viver e de conviver plasmado pela gratidão e pela satisfação provocadas pela mudança que se introduz na vida dos entrevistados ao se relacionarem com a Padroeira.
Na convivência com Nossa Senhora, os entrevistados percebem o que mais precisam: que uma determinada situação seja justa, que a pessoa seja boa e amada. A consciência de que são constituídos por essas necessidades não apenas aumenta o desejo de realizar essas exigências em todas as dimensões do próprio viver – relacionamentos, trabalho, momento da festa, entre outros –, cada vez mais e com mais profundidade, como se transforma no parâmetro primordial com o qual manejar tudo o que está presente em seu dia-a-dia.
Assim, a relação entre as pessoas é conduzida pelo fato de que eles têm algo em comum: todos precisam de graças, de que a vida seja transformada e se torne melhor, de conhecer o amor. Esse modo de interagir torna-se explícito, sobretudo, na maneira como trabalham na festa da Padroeira. Esta é concebida, inclusive, como um momento em que se
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pode oferecer uma possibilidade de resposta – que é a própria Nossa Senhora de Nazareth – às pessoas que, em busca de um alento e de uma mudança de vida, podem encontrá-los, na sua forma mais autêntica, através da festa que comemora a natividade da Santa.
Trabalhar na festa coincide com a realização de um serviço que lhes traz uma grande satisfação pessoal. Testemunhar as graças alcançadas, os milagres, a conversão das pessoas pela intercessão de Nossa Senhora de Nazareth confirma como Sua companhia é correspondente às necessidades mais essenciais.
5.2. Do relacionamento pessoal com Nossa Senhora de Nazareth,