• Sonuç bulunamadı

DE⁄ERLEND‹RMELER ‘12

B- Performans Bilgileri

Com relação às respostas dos fonoaudiólogos e preparadores vocais pudemos destacar diversos conceitos para termos semelhantes. De acordo com as questões 4 e 5 será possível identificar e discutir as diferenças, semelhanças e relações entre os termos.

Para a questão cinco, que se propõe a selecionar apenas um dos recursos vocais primários que apresenta relação mais imediata com os termos descritivos da voz estudados, optaremos por discutir apenas um recurso primário com maior número de respostas para cada termo descritivo da voz (como destacado, anteriormente, no método).

Para a dupla de termos descritivos da voz, voz encoberta e abafada foi possível destacar convergências e divergências com a literatura e entre os questionários.

VOZ ABAFADA: Segundo a literatura, esta voz apresenta um foco baixo, ou seja, uma

ressonância de pescoço (GAYOTTO,2006). Relaciona-se à ressonância e à articulação (GAYOTTO, 2005)

Segundo as definições sugeridas pelos fonoaudiólogos (F1 a F11) e preparadores vocais (PV1 a PV6) foi possível destacar respostas coerentes com a literatura com relação as seguintes definições: sem brilho (PV1 e PV2); sem volume e escura (PV1); espaço posterior (PV4); voz pobre em harmônicos agudos, soando como "escondida", "tampada", fraca (PV5); é uma voz oculta (PV6); ressonância posterior ou mais hiponasal, menos equilibrada na máscara (F7); voz que não ressoa com facilidade (F3); ressonância posterior (F4); ressonância baixa,

articulação fechada e intensidade vocal reduzida (F6).

As definições propostas que não estão de acordo com a literatura foram: emissão

falseada (PV3); que não possui ar, quase sem ar, em que mal se respira (PV6); falta de propagação do som (F9); voz sem projeção (F5).

Alguns profissionais afirmaram semelhanças entre os termos definindo-os como: relação

entre respiração, intensidade, articulação e ressonância (F1). Foi possível notar duas respostas

antagônicas, nos seguintes conceitos para voz abafada dados por F9 e F4. Para F4 o trato vocal permanece aberto e parede faríngea não rígida (F4); já para F9 há uma constrição

mediana de pregas vestibulares, causando um efeito negativo.

VOZ ENCOBERTA: De acordo com a literatura apresenta foco de ressonância posterior

(GAYOTTO, 2006) e a língua apresenta papel importante nesse tipo de voz (ANDRADA E SILVA e DUPRAT 2004).

A voz encoberta teve como definição convergente à literatura: emissão vocal na

cavidade posterior do palato (PV3), espaço posterior da cavidade bucal para maior ressonância

(PV4); articulação fechada (F7) e efeito de constrição antero-posterior das pregas vocais (F9).

Também podemos notar respostas como: voz protegida, apoiada e sem rigidez (PV1);

produzida com liberdade de emissão, voz alta (PV2); amplificação de harmônicos e é um efeito positivo (F9). Estas três definições são referentes à música e, portanto, divergentes da literatura

fonoaudiológica.

Segundo o preparador vocal PV5, o termo encoberta ou coberta é utilizado, sobretudo no canto erudito, para designar uma emissão com a laringe em posição vertical mais baixa (trato

vocal mais alongado) e, portanto, rica em harmônicos graves. O objetivo deste estudo não é saber em qual canto este tipo de voz é utilizada, mas sim trazer a definição do tipo de voz; Portanto, consideramos de extrema importância estas contribuições, mas, nesta pesquisa, não podemos pretender um estudo de tamanha abrangência.

O preparador vocal PV6, conceituou voz encoberta de uma maneira a complementar a literatura, quando afirma que a voz encoberta é uma voz oculta, que teme ser ouvida, disfarçada talvez (PV6).

Os fonoaudiólogos deixam como recursos vocais primários mais diretos entre os dois termos: respiração, freqüência, intensidade e articulação. Além disso, afirmaram que os recursos vocais que diferenciam uma voz da outra são: ressonância e projeção (F11). Os

sujeitos F2, F8 e F10 vêem os dois termos como sinônimos.

Portanto, é esperado que em alguns momentos haja o mesmo conceito ou confusão na definição para ambas as vozes, já que são termos bastante semelhantes. Todavia, a maioria das respostas mostra que elas apresentam diferenças tanto em questões referentes a freqüência, ressonância e articulação quanto relacionado a esfera perceptivo-auditiva.

Podemos visualizar melhor as definições dos termos descritivos da voz, encoberta e abafada, no quadro 8 abaixo:

DEFINIÇÕES

Voz Abafada Voz Encoberta

- Relaciona-se à ressonância e à articulação (GAYOTTO,2005). - Sem brilho (PV1 e PV2). - Sem volume e escura (PV1). - Voz pobre em harmônicos agudos, soando como

"escondida", "tampada", fraca (PV5).

- Ressonância baixa, articulação fechada e intensidade vocal

- A língua apresenta papel importante nesse tipo de voz (ANDRADA E SILVA e DUPRAT 2004).

-Emissão vocal na cavidade posterior do palato (PV3).

-Espaço posterior da cavidade bucal para maior ressonância (PV4). -Articulação fechada (F7).

reduzida (F6).

- Ressonância posterior (F4).

das pregas vocais (F9).

Quadro 8. Definições da dupla de termos descritivos das vozes: abafada e encoberta

De acordo com a questão cinco, os recursos vocais primários com maior número de respostas para os termos descritivos das vozes, encoberta e apertada, segundo os fonoaudiólogos, tanto para a voz encoberta como para a voz abafada, o recurso vocal mais direto foi a ressonância (com 6 respostas para encoberta e 9 respostas para abafada). Para os preparadores vocais também obtivemos respostas que afirmam a ressonância como recurso mais direto para ambas as vozes voz (com 4 respostas para a voz encoberta e 3 respostas para voz abafada).

Segue o quadro 9 com os recursos vocais eleitos para a dupla de vozes discutidas acima.

Fonoaudiólogo Preparador Vocal

Voz Abafada Ressonância Ressonância

Voz Encoberta Ressonância Ressonância

Quadro 9. Recurso vocal primário mais relevante para as vozes abafada e encoberta

Tanto para a voz encoberta como para a abafada, para ambos os grupos de profissionais, o recurso vocal primário que mais se relaciona a esta voz é a ressonância, possivelmente pelo fato de que esse recurso é que dá mais fortemente a característica da voz ressoar numa posição mais baixa e posterior, como pode ser encontrado na literatura Porém, a maior diferença entre elas para a voz abafada encontra-se na ressonância, em que parece uma voz com pouca projeção, portanto, incapaz de expandir; já para a voz encoberta, os órgãos fonoarticulatórios parecem impedir que haja projeção, “cobrindo” sua capacidade de expansão.

Para a dupla de termos descritivos da voz, voz constrita e voz apertada foi possível destacar as seguintes respostas.

VOZ CONSTRITA: segundo a literatura este termo “identifica vozes que apresentam

constrição constante ou intermitente” (BRANDI, 2007, p.77). Apresenta foco de ressonância anterior e relaciona-se, mais diretamente à articulação (BOONE, 1996).

Segundo os questionários respondidos pelos preparadores vocais e fonoaudiólogos o que converge com a literatura foram as seguintes definições: comprimida (PV6); apresenta

maior tensão (F8).

Já as definições a seguir, mostraram-se divergentes à literatura, já que a constrição referida pela literatura envolve a articulação anterior e não ao nível laríngeo, como podemos ver nas respostas destes profissionais: som duro e apertado, na garganta (PV2); voz comprimida,

com estreitamento tanto no nível laríngeo como no supraglótico (PV5); envolve constrição de laringe (F7).

As respostas distintas da literatura, mas que ampliaram a definição foram: este tipo de voz que traz incômodo (PV1); alteração de ressonância, pouca projeção, ressonância prejudicada e intensidade prejudicial (PV3); pode ser benéfica ou não (F9); a constrição é um

efeito interpretativo (PV4).

VOZ APERTADA: vimos que, na literatura, este termo é utilizado para vozes mais

agudas e estão intimamente relacionadas à articulação e o foco de ressonância é nasal. (GAYOTTO, 2006).

Para a voz apertada encontramos as seguintes respostas, que apresentam convergência com a literatura: é quando a fala aparece comprimida pelos lábios, com eles quase cerrados,

com pouco espaço para a saída do ar da própria palavra (PV6); voz comprimida, com estreitamento tanto no nível laríngeo como no supraglótico (PV5).

O fonoaudiólogo F8 diverge da literatura quando afirmou que há uma menor tensão

relacionada à articulação, sendo que a literatura afirma esta voz relacionada à articulação e à

constrição laríngea.

Outras respostas encontradas nos questionários que podem ampliar a definição foram:

contração muscular indevida (PV4); envolve faringe (F7); resultado de tensão cervical ou vestibular (F9).

PV3 diverge da literatura no momento em que afirmou que esta voz apresenta uma

emissão encurtada, com fluência, ritmo e freqüência alterados, mas converge quando coloca

que é uma voz sem ressonância.

Houve profissionais que consideraram os termos constrita e apertada como semelhantes apontando que este tipo de voz traz incômodo (PV1); há constrição no plano glótico e

supraglótico (F1); designa tensão (F3 e F6); constrição no trato vocal, principalmente a articulação (F4); designa constrição (F5). E para F2 e F10 esses termos foram considerados

iguais.

A seguir, o quadro 10 com as respostas acima.

DEFINIÇÕES

Voz Constrita Voz Apertada

- Apresenta foco de ressonância anterior e relaciona-se, mais diretamente a articulação (Boone, 1996).

- Voz comprimida (PV6). -Apresenta maior tensão (F8). - Alteração de ressonância, pouca projeção, ressonância prejudicada e intensidade prejudicial (PV3).

- Relacionadas à articulação e seu foco de ressonância é nasal. (GAYOTTO, 2006).

-Quando a fala aparece comprimida pelos lábios, com eles quase cerrados, com pouco espaço para a saída do ar da própria palavra (PV6). -Voz comprimida, com estreitamento tanto no nível laríngeo como no supraglótico (PV5).

-Contração muscular indevida (PV4). Quadro 10. Definições da dupla de termos descritivos das vozes: constrita e apertada

De acordo com a questão cinco, os recursos vocais primários com maior número de respostas para os termos descritivos das vozes, tanto para a voz constrita como para a voz apertada, segundo os fonoaudiólogos, foi a ressonância (6 respostas para voz constrita e 5 respostas para voz apertada). Já para os preparadores vocais para as vozes constrita e apertada o recurso mais direto foi a articulação (4 respostas). Segue o quadro 11 com os recursos vocais eleitos para a dupla de vozes discutidas acima.

Fonoaudiólogo Preparador Vocal

Voz Constrita Ressonância Articulação

Voz Apertada Ressonância Articulação

Quadro 11. Recurso vocal primário mais relevante para as vozes constrita e apertada

Há uma discordância quanto à questão das vozes constrita e apertada, pois ambas são de articulação fechada, seja, respectivamente, a ressonância anterior ou posterior, mas carregam tensão ao nível glótico e supraglótico, portanto não chegamos a uma conclusão.

Para a voz constrita, os fonoaudiólogos apontaram a ressonância como recurso mais relacionado a essa voz, enquanto os preparadores vocais sugeriram a articulação. Dessa forma, esses recursos convergem com a literatura e com as respostas dadas por esses profissionais, já que esta voz apresenta foco de ressonância anterior e relaciona-se, mais diretamente com a articulação, já que há uma constrição anterior.

Igualmente para a voz apertada, os fonoaudiólogos apontaram a ressonância como recurso mais relacionado a essa voz, enquanto os preparadores vocais sugeriram a articulação. Dessa maneira, esses recursos convergem com a literatura e com as respostas dadas por esses profissionais, já que essa voz apresenta uma relação intimamente ligada à articulação e o foco de ressonância é anterior, nasal e agudo, segundo a literatura.

A voz apertada é uma voz aguda e nasal, portanto, relacionada mais à ressonância e,de outro modo, a constrição é mais relacionada à articulação. Já a voz constrita apresenta constrições, ao nível glótico ou articulatório.

Para F11 a semelhança entre os termos de voz constrita e apertada se dá ao recurso da respiração e da articulação. Já o que difere uma voz da outra é a intensidade e a ressonância. Quanto a ressonância pudemos verificar que há diferenças de foco entre estas vozes, porém em relação a intensidade este profissional não esclarece sua colocação.

Abaixo discutiremos as respostas observadas para a dupla de termos descritivos da voz, voz ríspida e voz cortante.

VOZ RÍSPIDA: de acordo com a literatura, como aquele que se aperta ou restringi, que

se deixou sem espaço (HOUAISS, 2001). O foco de ressonância é nasal (GAYOTTO, 2006).

Segundo as respostas obtidas nos questionários, os profissionais sugeriram que a voz ríspida seja uma voz com aspereza (F2); um som duro e raspado que não possui brilho, não

possui doçura, há pressão dos músculos intrínsicos da garganta. É uma voz senil e rouca.

(PV2); fala rápida, grosseira, considera o interlocutor adversário (F3); voz que agride os

ouvintes, tem aspecto não puro e ataque vocal brusco (PV1); forte intensidade e pouca entonação (F4); dura, normalmente ocorre excesso de pressão subglótica e posicionamento muito frontal do fluxo de ar (PV4); ausência de flexão e ressonância, articulação prejudicada, ritmo curto (PV3); voz severa, rude, grosseira, com um som áspero e cortante (som agudo, estridente) (PV6); e relacionada à expressividade (F8).

O sujeito F9 afirmou não utilizar o termo de voz ríspida. O preparador vocal PV6 também afirma não usar os termos, ríspida e cortante, mas lhe parecem sinônimos: ambos sugerem

uma voz dura, "pontuda", que "penetra" e "fere" os ouvidos.

VOZ CORTANTE: para a literatura o termo cortante apresenta foco de ressonância

misto e está relacionado à velocidade de fala. (GAYOTTO, 2006)

De acordo com as respostas obtidas nos questionários respondidos, a voz cortante é uma voz com picos de intensidade (F2), voz que ressoa no outro (F3), forte intensidade e

pouca entonação com componente respiratório envolvido (F4); ouve-se facilmente em local ruidoso (PV1); emissão abrupta, freqüência alterada, supressão na emissão e na fluência

(PV3); Os sujeitos F8 e F9 não utilizam esse termo.

Alguns profissionais afirmaram que esses termos, ríspida e cortante, são sinônimos sugerindo que esses termos referem-se a uma voz dura, penetrante e que fere os ouvidos (PV5); variação de freqüência restrita e maior nível de intensidade (F1); pitch inadequado e

alteração na qualidade vocal (F5); modulação restrita podendo apresentar intensidade mais forte (F6); modulação pouco flexível e intensidade aumentada (F7); mesma sensação auditiva no ouvinte (F10).

Para o fonoaudiólogo F11, as semelhanças dessa dupla de termo são em relação à respiração, freqüência e ressonância. Já as diferenças entre a dupla são em relação à intensidade, articulação, ritmo, velocidade e modulação. Este profissional deixa sua resposta muito ampla, impossibilitando compreendê-la de acordo com as vozes estudadas.

PV4 diverge da literatura dizendo que a voz cortante apresenta falta de harmônico grave

na emissão. Por sua vez, PV6 diverge de PV4 e também da literatura, pois definiu essa voz

contendo um pitch agravado.

De fato, as vozes cortante e ríspida apresentam alteração na freqüência, porém sua produção não está para o grave e sim mais direcionado para uma emissão aguda como podemos observar: são vozes que fere o ouvido, como colocado por PV6 para a voz ríspida, ou para a voz cortante, uma voz que ressoa no outro, apontado por F3, ou por PV1 ouve-se

facilmente em local ruidoso. Mostrando assim um tom agudo para essas vozes, pois ao chamar

uma pessoa que está longe, por exemplo, usamos de uma emissão aguda e, por sua vez, utilizada a todo o momento pode causar desconforto ao ouvinte.

Abaixo apresenta-se o quadro 12 de definições.

DEFINIÇÕES

Voz Ríspida Voz Cortante

- Característica positiva (Boone, 1996).

-Como aquele que se aperta ou restringi, que se deixou sem espaço. (HOUAISS, 2001). - voz com aspereza (F2).

-Um som duro e raspado que não possui brilho, não possui doçura, há pressão dos músculos

intrínsicos da garganta. É uma voz senil e rouca. (PV2). - Forte intensidade e pouca entonação (F4).

- Voz que agride os ouvintes, tem

- Característica positiva (Boone, 1996).

- Voz com picos de intensidade (F2). - Ouve-se facilmente em local

ruidoso (PV1).

-Emissão abrupta, freqüência

alterada, supressão na emissão e na fluência (PV3).

- Forte intensidade e pouca entonação com componente respiratório envolvido (F4).

aspecto não puro e ataque vocal brusco (PV1);

Quadro 12. Definições da dupla de termos descritivos das vozes: ríspida e cortante

De acordo com a questão cinco, os recursos vocais primários com maior número de respostas para os termos descritivos das vozes, ríspida e cortante, segundo os fonoaudiólogos para a voz ríspida foram: articulação (4 respostas), e para a voz cortante foram à freqüência (4 respostas) e intensidade (4 respostas). Para os preparadores vocais para a voz ríspida a ressonância (3 respostas) e para a voz cortante foram: freqüência e intensidade (com 2 respostas cada uma). Como pode ser observado no quadro 13, a seguir:

Fonoaudiólogos Preparador Vocal

Voz Ríspida Articulação Ressonância

Voz Cortante Freqüência/ Intensidade

Freqüência/ Intensidade

Quadro 13. Recurso vocal primário mais relevante para as vozes: ríspida e cortante

Para a voz ríspida, os fonoaudiólogos apontaram a articulação como recurso mais relacionado a essa voz, enquanto os preparadores vocais sugeriram a ressonância. Dessa forma, os recursos de articulação e ressonância convergem com a literatura e com as respostas dadas por esses profissionais, já que a voz ríspida apresenta uma voz que se aperta e o seu foco de ressonância é nasal.

Para a voz cortante, ambos os profissionais apontaram a freqüência e intensidade como os recursos mais relacionados a essa voz. Dessa maneira, os recursos citados com maior relação com a voz cortante ampliam a definição encontrada na literatura, possivelmente essa relação deu-se por refletir que esse termo descreve uma voz que seja forte, portanto a relação com a intensidade e também com alterações tonais que se agregam à intensidade: voz cortante, que “corta”, “atravessa” e “irrompe”.

É importante destacar que a intensidade completa a definição para voz cortante, pois esta relaciona-se à velocidade de fala, conforme a literatura e , conforme os resultados, há relação com a intensidade, como “ouve-se em local ruidoso”, “ataque vocal brusco”, “emissão abrupta”.

Veremos a dupla de termos descritivos da voz, voz metálica e estridente:

VOZ METÁLICA: De acordo com a literatura, em linhas gerais, a voz do tipo metálica é

caracterizada como positiva (BOONE, 1996). A metalização é relacionada a hipertonicidade de constritores faríngeos e com elevação de laringe, o que propicia ressonância de freqüência alta (HANAYAMA, TSUJI, PINHO, 2004).

Segundo as definições sugeridas pelos fonoaudiólogos (F1 a F11) e preparadores vocais (PV1 a PV6) foi possível destacar convergências com a literatura como pode ser visto nas seguintes respostas: relação com ressonância nasal e tensão durante a emissão (F3);

constrição do trato vocal principalmente faringe (F4 e F5); pitch agudo e componente ressonantal (F6); ressonância mais faríngea (F7); forte, constrição das paredes faríngeas e freqüência alta (PV2); falta harmônico grave e equilíbrio (PV4); harmônicos agudos (PV5).

Dessa maneira, foi possível identificar que o conceito dessa voz vincula-se às questões referentes a uma freqüência aguda, constrição de faringe e ressonância nasal, faríngea e de foco posterior como apontado na literatura.

Foi possível identificar respostas que ampliam o conceito encontrado na literatura como:

voz que lembra metal que ressoa, voz clara, forte e potente (PV1 e PV6); resulta em brilho, boa ressonância e projeção (PV3).

A resposta de F9 apontou que esta voz apresenta um pitch agudo e foco posterior, efeito

de estridor. O foco posterior pode estar relacionado à constrição de fundo de boca, de faringe,

mas não quer dizer grave, pois a constrição da faringe agudiza a voz.

O profissional F9 aponta essa voz com um efeito estridor e, portanto, parece classificá-la como efeito negativo, que diverge da colocação de Boone (1996), mas que condiz com Hanayama, Tsuji e Pinho (2004) que afirmam que a voz metálica pode constituir característica indesejável. Portanto, essa classificação vincula-se à esfera perceptivo-auditiva e sua

classificação depende, também, de impressões que o ouvinte tem sobre essa voz. Diferente da resposta supracitada, os preparadores vocais PV1, PV6 e PV3 apontam a voz metálica com características positivas. É, também, definida como voz forte e potente, já que possui uma ressonância mais nasal e, portanto, com uma freqüência mais aguda que facilita no momento da projeção.

VOZ ESTRIDENTE: Com o levantamento realizado na literatura, este termo apresenta

foco de ressonância alta, penetrante, que causa ruído, estridor, ruidoso, estrepitoso (HOUAISS, 2001), possui uma característica irritante e com tensão. Boone (1996) caracteriza este tipo de voz como sendo negativa.

Para a voz estridente foi possível encontrar convergências com a literatura nos seguintes aspectos: freqüência mais aguda na emissão do som (F3); pitch agudo (F6); voz mais intensa e

com pitch agudo (F7); relação com freqüência e intensidade (F9); voz aguda e penetrante, intensidade aumentada (PV1); desagradável (PV5); penetrante, com tom mais agudo, com maior intensidade e freqüência mais elevada (PV6).

Outros conceitos complementares a estes foram: constrição do trato vocal

principalmente faringe e freqüência elevada (F4, F5); rebatimento constante (PV3); contração muscular incorreta (PV4). É possível identificar que o conceito vinculado à constrição faríngea

está relacionado à definição de voz metálica e não estridente, mas podemos considerar esta colocação associada a ambas as vozes, as quais apresentam características semelhantes. Quanto à incorreta utilização da musculatura, embora seja diferente de todas as outras respostas, converge com a literatura, pois pode ser uma voz caracterizada por tensão e, portanto, com má utilização do trato vocal e da musculatura em geral.

O profissional F11 foi o único que definiu as vozes de acordo com suas semelhanças e diferenças de acordo com os recursos vocais primários e secundários. Quanto as semelhanças, os recursos são: respiração, intensidade, articulação, projeção, volume, ritmo, velocidade e modulação. As diferenças apontadas relacionam-se a freqüência e ressonância. Possivelmente, as diferenças apontadas refere-se a ressonância para a voz metalizada, já que este é o recurso vocal primário que mais o identifica e freqüência para voz estridente, já que por ser considerada uma voz negativa (BOONE, 1996), e que apresenta uma freqüência muito agudizada, causando ruído e incômodo diferente de sua dupla.

Desta forma, conforme os resultados, em termos de respiração, intensidade, projeção, volume, ritmo, velocidade e modulação essas duas vozes são semelhantes, a diferença entre elas é dada pela freqüência, porém ambas apresentam uma freqüência alta e pela ressonância: embora ambas sejam altas, na voz metálica a presença de constrição faríngea é apontada pela literatura, mas não significa que a voz estridente também não possa ter, a questão é que, no seu caso, é uma das possibilidades. É o que veremos a seguir.

Para os sujeitos F1 e F8 a voz metálica e a voz estridente apresentam o mesmo conceito como pode ser visto: constrição no plano supraglótico (F1); relação com ressonância (F8). Já os sujeitos F2 e F10 dizem serem termos iguais, porém não os definem.

Portanto, é esperado que em alguns momentos haja o mesmo conceito ou muitas semelhanças na definição para ambas as vozes, já que são termos muitos parecidos. Todavia, a maioria das respostas mostraram que elas apresentam diferenças tanto em questões referentes a ressonância, por exemplo, quanto relacionado a esfera perceptivo-auditiva. A voz estridente seria uma intensificação de qualidade, que pode ser metálica, o que causaria um efeito mais negativo. Já a voz metálica pode ser tida como qualidade vocal de bom alcance e

Benzer Belgeler