3. MATERYAL VE YÖNTEM
3.2 Polimerik Örneklerin Hazırlanması
3.2.3 PEG İçeren Yarı-IPN ve Hidrojellerin Üretimi
Através de relatos históricos referentes ao século XX, observamos uma inequívoca dependência da juventude para com os processos políticos e econômico-culturais das nações subordinadas aos grandes conflitos bélicos. A juventude esteve sempre associada às perspectivas e esperanças do futuro; porém, notavelmente vinculada à educação, à força de trabalho, à obediência cívica e militar, à prestação de serviços para a comunidade e resguardo de valores morais, religiosos e familiares. Certamente, no início do século XX, ainda não havia espaço para a livre iniciativa do jovem que não estivesse associada primordialmente aos interesses familiares. Também, a relação que o jovem mantinha com o próprio corpo estava resguardada por uma continência justificada através das vestimentas e dos discursos morais e religiosos.
A transformação na cultura da juventude e na liberação da experiência corporal veio com o tempo, através da evolução do jazz, do cinema, das artes-plásticas, da dança, da arte dramática, da psicanálise e do pensamento existencialista, do feminismo, da contestação política e da revolução sexual, dos movimentos beatnik e hippie, do rock’n roll, do tropicalismo no Brasil, e evidentemente, do integrado consumo de substâncias psicoativas. O jovem passou a ser objeto do desejo, no sentido mais amplo, do que evoca a mudança, do que garante a experiência do presente e do que do passado ainda falta realizar, daquilo que preserva a continuidade. Assim, nada mais pertinente que o sonho da juventude para a manutenção dos anseios da civilização moderna. A juventude, se antes se caracterizava por ser relativamente cerceada e obediente às normas e valores sociais hegemônicos, tornou-se então insubordinada, conflituosa, militante, angustiada e
até certo ponto global e ativamente organizada. Depois foi respeitada, admirada, copiada, e finalmente virou a principal fonte pasteurizada dos produtos de consumo da atualidade.
As suas utopias não são para épocas mais ou menos longínquas, mas para agora mesmo. Porém, se ao homem do passado, face ao futuro, lhe incumbia a disciplina como virtude essencial para se preparar, aos jovens da chamada era pós-industrial, face ao presente, interessa-lhes desenvolver a capacidade de desfrutar. Tal capacidade, além do mais, foi promovida pela propaganda da sociedade de consumo, que também procura os prazeres imediatos, passageiros e constantes 65.
Evidentemente, o jovem enquanto modelo de espírito e corpo não alterou o comportamento no mundo dissociado dos acontecimentos cruciais do século XX. Foi antes o desenrolar dos fatos e a transmissão de imagens e idéias que culminou em fortes revoluções sociais, trazendo a juventude para as ruas, para o foco das mídias, e levando a uma transbordante disseminação de conceitos identificados com a multifacetada esperança de renovação. Até hoje [ século XXI ] , desvencilhando-se desses fatos e movimentos recentes, jovens e adultos carregam expectativas semelhantes, provavelmente pelo que ainda não foi realizado enquanto projeto humanitário. Se por um lado, infância e adolescência espelham-se na contestação da juventude, nas suas expressões agressivas, artísticas ou fictícias, imagens explosivas, atitudes libertárias e toda a sorte de indumentária, o mundo adulto ganhou um novo compromisso para com sua própria juventude. Também adultos e idosos se reportam, dramática e corporalmente, aos ideais juvenis de outrora na atualidade.
Seja pelo passado recente das vivências adolescentes, seja pela ênfase das mídias sobre preceitos educativos e experiências sexuais, seja pelos índices de violência entre grupos e consumo precoce de psicoativos, seja ainda pela invejável e sensual vitalidade, a juventude, sua atual identidade e seus supostos valores, tornou-se prioridade e motivo de constante atenção 66. Além disso, novas tecnologias aplicadas às análises laboratoriais e exames clínicos, à indústria farmacêutica, à genética e à medicina, aos métodos e disciplinas de rejuvenescimento e prolongamento da vida, trazem um forte parâmetro juvenil para as vivências na fase adulta e na senectude. Não raro, idosos impelidos pelo ideal de longevidade, competem com jovens no mercado de trabalho, nas decisões e tarefas domésticas, discutem assuntos dirigidos aos jovens, revelam anseios semelhantes a estes, vestem-se como trinta anos antes, procuram novas viagens,
65 CARANDELL, José Mª. A contestação juvenil. Rio de Janeiro: Salvat do Brasil, 1979, p. 91 (col.
Biblioteca Salvat de Grandes Temas).
aventuras e experiências que sustentam o espírito jovial 67. Nesse sentido é destacável na era da globalização uma cultura alicerçada na juventude que atinge fortemente as ações individuais e coletivas.
Como nossos corpos são efeitos dos discursos que dão consistência simbólica à vida social, a ânsia contemporânea pela eterna juventude produziu, de fato, corpos que permanecem jovens por muito mais tempo. A tecnologia, a medicina, a boa alimentação, os manuais de vida saudável, tudo isso contribui para o rejuvenescimento dos corpos; mas o apelo social para que permaneçamos jovens e a difusão de um ‘estilo jovem’ de vida para todas as faixas etárias têm mais efeito sobre os corpos do que todas as vitaminas e academias de cultura física 68.
Dessa contínua produção discursiva em torno do universo jovem, enquanto ordenação cultural disciplinar, criou-se uma forte definição de hábitos assépticos, rejuvenescedores e saudáveis, cuja extensão, a rigor, atinge aquelas classes sócio-econômicas que conseguem beneficiar-se dos mesmos. Entretanto, ao largo desses, a consciência crítica sobre diferentes fases da vida passou a considerar ou a estar subordinada a uma temporalidade elástica. Crianças e jovens projetam-se precocemente no mundo adulto, e idosos partilham desejos juvenis, favorecendo em certo grau um desregramento da ordem familiar tradicional. Que a função do sonhar nessas contingências dúbias tenha deixado de ser familiar e consensual, isso se complementa com a perspectiva individualista de prazer no consumo. Assim, conjuga-se cultura do corpo e da juventude com as máximas da satisfação atemporal, de onde se deriva uma incessante corrida pelas fontes imediatas de gratificação. Nesse sentido, consumir uma substância psicoativa qualquer preserva a particularidade da experiência, isenta, em tese, de qualquer subordinação aos discursos vigentes e às medidas cronológicas, o que constitui os limites das manifestações oníricas no inconsciente.
A partir desta suposta disposição para elaborar os lutos do passado e para a recriação de atual renascimento no mundo, não causa estranheza, então, a matéria de capa da revista Veja, publicada em setembro de 1999: A idade real 69. Que parâmetros nos são dados atualmente para pensar nos atributos de cada idade? I sso implica em aceitarmos a relatividade da experiência corporal a partir de uma idade geneticamente determinada ou culturalmente denominada real? Evidentemente, todas essas questões a respeito do tempo, da temporalidade da
67 Cf. Anexo b. Reportagens afins – item III.
68 KEHL, Maria Rita. “As máquinas falantes”. In: NOVAES, Adauto (org.). O homem máquina. São Paulo:
Companhia das Letras, 2003, p. 257.
vida e da experiência atemporal, da urgência e da aceleração pela satisfação e realização cotidiana empurram para o que constitui o campo das identidades no consenso do século XXI .
As novas formas de interação, mediadas por cabos de fibra ótica, por ondas eletromagnéticas, por imagens virtuais ou criadas em computação gráfica, constitui alvo científico e tecnológico ao que estamos impelidos a acompanhar no sentido de uma crescente atualização. Essa não diz respeito somente aos avanços objetivos da alta modernidade, prolongamentos sutis do corpo, mas também à exata definição da pressa [ em saber, em ganhar, em recuperar, em salvar, em responder, em encontrar, em experimentar, em falar, etc.] . A juventude revelada como modelo, também consiste na esperança de que essa pressa não redunde em fracasso do projeto moderno, ou que toda a mediação tecnológica permita uma continuidade dos parâmetros morais vigentes, apesar de tudo. É exatamente nesse ponto que os veículos de comunicação, assim como a mídia impressa, recria um tecido discursivo que se sobrepõe aos propósitos prescritivos, educativos e ordenadores dos mestres de outrora. A cultura do corpo e da juventude é manifesta e sedimentada por esses discursos. Porém, isso não representa necessariamente a realidade complexa dos diferentes segmentos sociais e seus meios de acesso, qualificando antes um modelo ideal e desejável de bem-estar.