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PEACE AT HOME, PEACE IN THE WORLD IN THE CONTEXT OF SIKH THOUGHT AND TRADITION

Belgede II. CİLT / VOLUME II / TOM II (sayfa 135-155)

Com o propósito de contribuir com a discussão sobre a Educação de mulheres cearenses privadas de liberdade que cumprem pena em regime semiaberto, participando do projeto Aprendizes da Liberdade no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa, esta pesquisa buscou compreender o significado e as relações que a Educação de Jovens e Adultos no sistema penitenciário desempenha na ressocialização das apenadas. Tais relações serão identificadas e mais bem esmiuçadas no tópico 6 desta Tese.

Buscamos descrever e analisar, no entanto, as categorias conceituais com origem nas percepções das alunas, professores e gestores da unidade-escola, do sistema penitenciário e da execução penal sobre as relações entre as categorias conceituais de Educação de Jovens e Adultos, educação prisional e ressocialização no sistema penitenciário, mediante um estudo qualitativo, do tipo descritivo e explicativo, que orienta as técnicas de coleta de dados de grupo focal, entrevista semiestruturada e análise documental.

O locus da pesquisa foi o Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa, unidade escolar coordenada pela Superintendência das Escolas Estaduais de Fortaleza (SEFOR), pertencente à estrutura organizacional da Secretaria da Educação do Estado do Ceará, aplicando o instrumental metodológico do Estudo de Caso, sendo a unidade de análise por ser a primeira e única instituição que participa do Projeto Aprendizes da Liberdade.

O Projeto Aprendizes da Liberdade foi implantado no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa, no dia 27 de maio de 2013, por iniciativa dos Juízes de Direito da 2ª e 3ª Varas de Execução Penal da Comarca de Fortaleza, em parceria com a Secretaria da Educação do Estado do Ceará, com o objetivo geral de proporcionar Educação Básica (nível Fundamental e Médio) aos apenados em regime semiaberto. Assim sendo, de 2013 a 2015 já passaram pelo Projeto Aprendizes da Liberdade 199 presos cumprindo pena em regime semiaberto, sendo 159 alunos do sexo masculino e 40 alunas.

Adotamos como percurso metodológico para a investigação das questões e da temática proposta:

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a) análise da legislação, normatização e regulamentação produzidas pelos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, sobre Educação de Jovens Adultos, execução penal, assistência à educação;

b) análise do Projeto Aprendizes da Liberdade das Varas de Execução Penal da Comarca de Fortaleza, do Convênio de Cooperação Institucional do Projeto Aprendizes da Liberdade e dos Relatórios Institucional do Centro de Educação de Jovens e Adultos, Professor Gilmar Maia de Sousa;

c) Realização de grupos focais e entrevistas:

 06 alunas apenadas do projeto Aprendizes da Liberdade;  04 professores do Projeto Aprendizes da Liberdade;

 diretora do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa;

 secretário da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará; e

 juiz titular da 3ª Vara de Execução Penal da Comarca de Fortaleza. d) Análise das fontes orais: grupo focal e entrevistas semiestruturadas; e) Observação e acompanhamento das atividades do Projeto Aprendizes

da Liberdade, no Centro de Educação de Jovens e Adultos e da assistência à Educação no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa.

Os documentos de natureza jurídica e normativa dos Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo subsidiaram a análise das práticas sociais e educacionais da pesquisa sobre a Educação, a Educação de Jovens e Adultos, a execução penal e a ressocialização das apenadas.

Os documentos de natureza institucional subsidiram a análise da implantação do Projeto Aprendizes da Liberdade no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa, em parceria com as varas de Execução Penal da Comarca de Fortaleza; da relação institucional entre o Tribunal de Justiça do Estado do Ceará; da Secretaria da Educação do Estado do Ceará, da Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará e dos indicadores institucionais qualitativos e quantitativos do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa.

Na coleta de dados e informações dos grupos focais e das entrevistas, exceto na entrevista com o juiz titular da 3ª Vara de Execução Penal, contamos com

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a colaboração do Professor Doutor Wagner Bandeira Andriola, docente da Universidade Federal do Ceará, pesquisador que possui experiência na realização de grupos focais e entrevistas com os sujeitos investigados nesta pesquisa e na área de conhecimento de Educação Prisional.

Assim, as amostras a seguir caracterizadas foram empregadas de modo não probabilístico, isto é, intencionalmente, com base na facilidade dos pesquisadores em obter as informações necessárias à condução do estudo. Portanto, os grupos reduzidos de sujeitos assentam-se na dificuldade de composição de grupos maiores e mais representativos das populações de onde derivam. Por outro lado, em sendo este um estudo de caso, a representatividade da amostra estudada não é um princípio relevante, dado que não há preocupação com a generalização dos resultados (KERLINGER, 1979; RICHARDSON, 2009; YIN, 2005).

A amostra de alunas do Projeto Aprendizes da Liberdade foi organizada com nove apenadas, sendo que três delas resolveram não participar da pesquisa ao conhecerem seus objetivos. Portanto, de fato, o Grupo Focal de alunas apenadas foi realizado com seis alunas que, voluntária e explicitamente, consentiram participar do estudo, mas não permitiram a gravação. Destas apenadas, uma possuía idade inferior a 20 anos, uma de 21 a 30 anos e quatro possuíam idade de 40 a 50 anos. Metade das alunas apenadas exerce trabalho remunerado, enquanto uma possui atividade autônoma. Todas elas têm filhos, sendo que cinco possuem netos.

Todos os docentes da unidade prisional são licenciados em Pedagogia, sendo um homem e três mulheres, todos com idade inferior a 50 anos. Metade destes profissionais possuía especialização. Uma das professoras concluiu o Curso de Especialização em Educação de Jovens e Adultos (EJA), no Sistema Penitenciário ofertado pela Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com os Ministérios de Educação (MEC) e de Justiça (MJ), em 2010. Em relação ao tempo de exercício do magistério no sistema penitenciário do Ceará, a maior experiência é de nove anos, vindo em seguida, outra com três anos. Os dois professores com menor experiência, até a data da coleta de dados, possuíam somente quatro meses de exercício profissional. Todos os discentes possuíam vínculo empregatício por contratação temporária.

A Diretora do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa que, de forma voluntariamente, consentiu participar da entrevista do

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estudo – entretanto não aceitou a gravação – exerce a gestão da unidade escolar desde setembro de 2013. Profissional licenciada em Filosofia pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com habilitação em Orientação Educacional, e bacharela em Direito pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR), cursou Especialização em Gestão Educacional pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Atua como docente da Secretaria da Educação do Estado do Ceará desde 1998, portanto, há mais de 18 anos. Exerce cargos como gestora escolar desde 2005.

O Dr. Hélio das Chagas Leitão Neto que, espontaneamente, consentiu participar da entrevista do estudo – autorizando a gravação – ocupa o cargo de Secretário da Justiça e Cidadania do Estado do Ceará, desde janeiro de 2015, com 25 anos de experiência profissional como advogado formado pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Possui Especialização em Processo Penal e Mestrado em Direito Constitucional pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Foi Presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Seção Ceará, durante dois mandatos consecutivos, bem como Assessor de Assuntos Internacionais do Governo do Estado do Ceará, na gestão do governador Cid Ferreira Gomes. É, ainda, professor universitário.

O Dr. Cézar Belmino Barbosa Evangelista Júnior que, livremente consentiu participar da entrevista do estudo, autorizando a gravação, é bacharel em Direito pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR) e juiz titular da 3ª Vara de Execuções Penais. Exerceu a função de corregedor dos Presídios e Estabelecimentos Penitenciários da Jurisdição da Comarca de Fortaleza.

Caracterizando o processo de coleta de dados, relatamos que os grupos focais foram organizados e realizados nas instalações do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa. O grupo focal de alunas apenadas ocorreu no dia 27 de julho de 2015, dia de domingo, começando ás oito horas e concluindo as atividades às 12 horas, com duração de quatro horas. O grupo focal dos professores ocorreu no dia 02 de agosto de 2015, dia de domingo, começando ás 8 horas e concluindo as atividades às 11 horas, com duração de três horas.

As entrevistas foram realizadas em locais diferentes. Portanto, a entrevista com a diretora do Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa foi realizada na própria instituição, no dia 02 de agosto de

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2015, de 11h 10min às 12h 30min, com duração de uma hora e 30min. A segunda entrevista foi realizada no dia 26 de agosto de 2015, no gabinete do secretário de Justiça e Cidadania do Estado do Ceará, Dr. Hélio Leitão, de 14h às 15h 30min, com duração de uma hora e 30 minutos, registrando a presença do assessor Rodrigo Moraes. A terceira e última entrevista ocorreu no gabinete da 3ª Vara de Execução Penal da Comarca de Fortaleza, no Fórum Clóvis Beviláqua, com o juiz Dr. Cézar Belmino, no dia 02 de setembro de 2015, das 14h às 15h 30min.

Os grupos focais foram organizados com base em questionamentos acerca de aspectos relevantes do sistema penitenciário, direcionados às audiências (os sujeitos da pesquisa), conforme as especificidades de cada uma delas, a seguir:

a) principais resultados da participação das alunas nas atividades educacionais;

b) principais dificuldades enfrentadas pelas alunas para participar das atividades educacionais;

c) expectativa das alunas pela participação nas atividades educacionais; d) aspectos que podem ser aprimorados nas atividades educacionais; e) principais sentimentos das alunas resultantes da situação de privação

de liberdade;

f) oportunidades das alunas reincidirem nos crimes praticados;

g) necessidade de formação complementar para os professores e gestores de escolas do Sistema Penitenciário; e

h) dificuldades existentes no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa e no sistema penitenciário cearense que dificultam a atuação das alunas e dos professores da unidade escolar.

As informações coletadas dos grupos focais foram registradas por escrito por nós durante os diálogos com os partícipes. Registramos certa resistência na gravação dos discursos proferidos durante a realização dos grupos focais. Acreditamos que pudesse isto estar associado a uma cultura de receios de possíveis represálias pelo que se fala do sistema penitenciário.

Os grupos focais seguiram o mesmo padrão técnico, com vistas a aportar subsídios para análise da percepção dos participantes do conteúdo do discurso e de suas atitudes em relação aos significados das questões pesquisadas.

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As entrevistas foram organizadas em roteiros que procuram coletar informações acerca de dimensões relevantes da Educação no sistema penitenciário, a saber:

a) ressocialização das alunas apenadas; b) humanização do sistema penitenciário; c) educação para o exercício profissional; d) promoção de atividades lúdicas;

e) redução do excedente carcerário;

f) aproximação com as famílias das alunas apenadas;

g) formação de recursos humanos no sistema penitenciário numa perspectiva humanista;

h) oferta de atividades educacionais nas unidades prisionais; i) necessidades dos professores do Sistema Penitenciário; e j) influxos das atividades educacionais no Sistema Penitenciário.

As informações coletadas com a realização das entrevistas semiestruturadas foram registradas no momento do diálogo ou por meio do uso de gravador, nos casos em que houve o consentimento por parte do entrevistando, tendo sido posteriormente transcritas por profissional especialista nesta atividade.

Neste estudo, as entrevistas foram realizadas com a gestora da unidade educacional, com o secretário da Justiça e Cidadania e com o juiz da 3ª Vara de Execução Penal da Comarca de Fortaleza, porquanto eram grupos unitários, como tão somente um representante disponível para a cooperação com a pesquisa. Em razão desse fato, podemos obter informações relevantes com suporte na interação qualitativa entre o pesquisador e cada sujeito entrevistado, característica que realça a importância dessa técnica de pesquisa (DUARTE, 2004; MANZINI, 2004; PATTON, 1990; ROJAS,1999).

Para os dados recolhidos das entrevistas, foi utilizada a maneira de tratamento denominada Categorização, conforme a proposta de Minayo (2010). Consiste na leitura detalhada de todo o material transcrito, na identificação de palavras e conjuntos de palavras que tenham sentido para a pesquisa, assim como na classificação em categorias ou temas que tenham semelhança quanto ao critério sintático ou semântico.

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