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BUDDHISM AND ITS MESSAGE OF PEACE

Belgede II. CİLT / VOLUME II / TOM II (sayfa 45-57)

Uma das questões essenciais para iniciar a discussão sobre Educação e Sistema Penitenciário é definir quem tem o direito de punir e qual a extensão desse direito nas sociedades modernas. O Estado exerce a competência de regular a conduta dos cidadãos por meio de normas objetivas – característica fundamental para viver e conviver em sociedade – estabelecendo regras para regulamentar as relações sociais entre as pessoas e com o próprio Estado.

Mirabete (1998) sintetiza o sistema de limites aos poderes e faculdades do cidadão:

Quem se afasta do imperativo das regras jurídicas fica submetido à coação do Estado pelo descumprimento de seus deveres, eis que seriam inócuas as normas se não estabelecessem sanções para aqueles que as desobedecem, lesando direito alheio, pondo em risco a convivência social e frustrando o fim perseguido pelo Estado. (MIRABETE,1998, p.23).

A sujeição de todos à normatividade estatal é expressa com a cominação – aplicação e execução de sanções previstas para as condutas proibidas cometidas – sendo a maneira de ressarcir os prejuízos causados pela conduta proibida, não significando afirmar que as punições fossem suficientes para ressarcir plenamente os danos ou para coibir determinados ilícitos.

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Capez (2004, p. 19) conceitua a pena como uma “[...] sanção penal de caráter aflitivo, imposta pelo Estado, em execução de uma sentença, ao culpado pela prática de uma infração penal”, consistente na restrição ou privação de um bem jurídico, cujas finalidades são aplicar a retribuição punitiva do ato ilícito do delinqüente, consistindo na diminuição de um bem jurídico, além de promover a sua readaptação social e prevenir novas transgressões pela intimidação dirigida a coletividade (SOLLER, 1970),

O Estado, no exercício do direito de punir, previu os fatos que constituem crimes e contravenções e as respectivas cominações das penas, instituindo sanções penais contra aquele que comete infração. A norma jurídica é formada complementarmente pelos institutos do preceito, que estipulam o que se deve ou não fazer em relação à conduta humana em sociedade e a sanção, que é a imposição da pena à pessoa em razão da infringência da norma.

O direito de punir é exclusivo do Estado – como titular desse direito e buscando o bem-estar coletivo – a quem comete conduta humana imprópria, contrária aos valores e aos princípios da convivência social. A pena é a sanção mais gravosa, composta pela privação e restrição de bens jurídicos, como o da liberdade, com o objetivo de prevenir e reprimir ações lesivas à sociedade.

Mirabete (1998, p. 359) define prisão como a “[...] privação da liberdade de locomoção, por motivo ilícito ou por ordem legal”, a pessoa fica privado do direito de ir e vir com a pena privativa de liberdade, mais comumente conhecida como prisão. A prisão, entretanto, tem outros sinônimos, como a reclusão, a detenção, a custódia, o cárcere, entre outras denominações etimológicas usadas na privação legal da liberdade de uma pessoa.

Como ensina Capez (1999, p. 212), o conceito de prisão é a “[...] privação da liberdade de locomoção determinada por ordem escrita da autoridade ou em caso de flagrante delito”. A prisão é decretada por sentença penal condenatória que priva a pessoa da sua liberdade, que Mirabete (1998) e Capez (1999) atribuem à finalidade repressiva.

Noronha (1990) classifica as correntes doutrinárias que fundamentam o direito de punir e a finalidade de punir em teoria absolutista ou retributiva, relativista ou mista. Para a teoria absolutista ou retributiva, a finalidade da pena é punir o autor da infração. Para a teoria relativista, a finalidade da pena é a prevenção por meio da intimidação individual e coletiva. Por fim, as teorias mistas ou unificadoras,

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fundamentam a natureza retributiva da pena, incorporando os fins da reeducação do autor do delito e da prevenção.

As penas privativas de liberdade são aplicadas a adultos, pessoas com idade superior a 18 anos, como reclusão ou detenção. O Art. 33, da Lei nº 7.209, de 11 de julho de 1984 (BRASIL, 1984), dispõe que a pena de reclusão, aplicada aos crimes mais graves, deve ser cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. A pena de detenção deverá ser aplicada aos crimes mais brandos, podendo ser cumprida no regime semiaberto e aberto. Já no regime fechado, a execução da pena é cumprida em unidade prisional. No regime semiaberto a pena pode ser cumprida em colônia agrícola e industrial, com possibilidade de cumprimento da pena em estabelecimento similar, no caso deste estudo, uma instituição educacional.

No regime aberto, a pena é executada em casa de albergado ou estabelecimento adequado. As penas privativas de liberdade são executadas progressivamente. O condenado a cumprir pena superior a quatro anos, até oito anos, não reincidente, se enquadra no regime semiaberto. O Art. 35 do referido diploma legal estabele regras para o regime semiaberto; o condenado ao regime semiaberto trabalha durante o período diurno, podendo frequentar cursos da modalidade de Educação Básica e da modalidade da Educação Profissional.

Para Aguiar (2009, p. 103) o “[...] cárcere é um espaço de desindividualização dos sujeitos, de perda de autonomia e de desaprendizagens", correlacionando-os às condições de desumanização das prisões brasileiras. Nesse sentido, a prisão é o locus da dialética de punir e de reabilitar.

Apesar da Lei de Execução Penal proporcionar as mesmas assistências para presos condenados e provisórios, nos regimes fechado, semiaberto ou aberto, o objetivo de analisar a modalidade Educação de Jovens e Adultos nos limitou a trabalhar exclusivamente com mulheres condenadas que cumpriram suas penas em regime fechado no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa. Tal escolha se justifica, também, pela significância que a mulher ocupa nos diversos setores em nossa sociedade, contudo, sentimos necessidade de elencar a relevância do contraponto social do perfil da mulher reclusa – com a progressão do regime prisional, que passaram a cumprir pena em regime semiaberto e participam regularmente das atividades educacionais do Projeto Aprendizes da Liberdade no Centro de Educação de Jovens e Adultos Professor Gilmar Maia de Sousa. Tal perfil será mais bem explanado no tópico 3.5.

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