L. ivanovii PALCAM; OXFORD,
3.14. Monoklonal Antikorlar ile Listeriaların Teşhis
3.16.2. Moleküler Tiplendirme
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Nessa luta pela organização, congregando vários segmentos sociais, bem como a população, a Rádio Mayrink Veiga e o jornal Panfleto foram veículos de comunicação para disseminar os discursos brizolistas. Na construção de um movimento capaz de uma mobilização nacional era imprescindível o comprometimento com as assinaturas, para o fortalecimento e unificação de pessoas em torno de idéias e ações. Nesse sentido de organização, o apelo era: “Apelamos aos companheiros que façam a sua assinatura de PANFLETO”.192
No jornal Panfleto foi realizada a divulgação da organização dos “Grupos dos Onze Companheiros” ou “Comandos Nacionalistas”. Este movimento de organização se constituía numa forma de luta armada, ativista, em oposição a uma “política imperialista”, que não expressava os “interesses da população”, bem como de afirmação do mito brizolista.
Os Grupos dos Onze Companheiros ou Comandos Nacionalistas193 começaram a ser organizados por Leonel Brizola num momento anterior a implantação do regime militar e tiveram respaldo dos militantes do PTB nas capitais e nas mais longínquas comunidades brasileiras. Esses grupos seriam compostos por dez homens e um líder, todos a serem 191 LEMOS, Paulo. Trincheira dos sargentos-cumpra sua promessa, ministro Jair. Panfleto, 1. ed., 17 fev 1964,
p. 13.
192Idem.
193 A organização conhecida popularmente como Grupo dos Onze teve a denominação também de “Comandos
Nacionalistas”, expressão encontrada nos documentos oficiais, bem como a preferida entre os componentes dos Grupos dos Onze. Podem ser encontrados Grupos de Onze ou G-11.
treinados para a luta de guerrilhas; assim, caso fosse deflagrada a guerra civil, os seus chefes comunicar-se-iam, formando núcleos combatentes mais amplos, de acordo com a necessidade. Os grupos, além do potencial guerrilheiro, desempenhariam o papel de conscientizadores políticos de um processo revolucionário. Entretanto, os grupos ficaram apenas no plano teórico de sua organização, pois nunca passaram à ação; mesmo assim, viria a ocorrer uma perseguição em massa àqueles que tinham se identificado como componentes ou líderes dos Grupos dos Onze Companheiros.
A referência ao número onze remete à organização de um time de futebol, no qual, além dos componentes, um líder organiza e comanda o grupo. Na época, 1963-1964, organizaram-se listas seguindo apelos feitos por Brizola pela Rádio Mairynk Veiga e pelo jornal Panfleto, quando, após ter sido governador do Rio Grande do Sul, foi eleito deputado pela Guanabara. Brizola fazia pronunciamentos conclamando o povo a se organizar para garantir a continuidade do governo de Jango, bem como para assegurar as reformas de base.
Conforme o jornal Panfleto,194 que divulgava a organização dos Grupos dos Onze Companheiros, ou Comandos Nacionalistas, eram três os princípios básicos que os orientavam; defesa das conquistas democráticas do povo brasileiro, reformas imediatas e libertação nacional. Para compor esses grupos, era necessário registrar em ata a organização, num procedimento padrão, a qual já impressa no documento, como a Cartilha, ou até mesmo no próprio jornal Panfleto, onde eram nomeados o comandante e o subcomandante. O objetivo dos grupos era
a defesa das conquistas democráticas de nosso povo, pela instituição de uma democracia autêntica e nacionalista, pela imediata concretização das reformas, em especial das reformas agrária e urbana e, sagrada determinação de luta pela libertação de nossa pátria da espoliação internacional.195
A sede do comando seria a residência de qualquer um dos seus membros; posteriormente, far-se-ia a formação do grupo registrado, dos nomes e endereços dos componentes. O registro do comando em ata deveria ser comunicado ao deputado Leonel Brizola, a cargo da Rádio Mayrink Veiga, localizada na rua Mayrink Veiga, nº 15, no Rio de Janeiro, estado da Guanabara.
194 ORGANIZAÇÃO dos Grupos de Onze ou Comandos Nacionalistas, Panfleto. 1. ed. 17 fev. 1964,
p. 14-15.
Para entender melhor como se organizaram os Grupo dos Onze, temos de compreender as justificativas elaboradas nos documentos distribuídos, os quais trazem : “Organização dos Grupos de Onze Companheiros ou Comandos Nacionalistas”. Neles se registra uma argumentação baseada no momento histórico decisivo pelo qual o Brasil estava passando e que se refletia na vida de cada cidadão. Apontavam-se nesses documentos também as razões que teriam levado à morte Getúlio Vargas, o qual, postulando seu sacrifício, deixara uma mensagem registrada em sua Carta-testamento. Segundo tal justificativa, Getúlio teria decidido morrer para que a nação despertasse; por isso, convocavam-se todos os brasileiros para a luta contra a espoliação internacional da pátria, o que seria a origem das injustiças, dos sofrimentos, das angústias e da pobreza, que tornavam a vida insuportável no país. É importante observar que todas as publicações, fossem impressas no jornal Panfleto, na
Cartilha, fossem veiculados através dos discursos na Rádio Mayrink Veiga, apelavam ao varguismo, conforme já exposto anteriormente, como fonte inspiradora das ações que seriam desencadeadas no movimento dos Onze. São palavras do texto:
Hoje, ninguém mais nos ilude, porque sabemos que os preços sobem, que a inflação se acelera, que não vêm as reformas, que nosso povo se marginaliza e tem de lutar desesperadamente para sobreviver e que a nossa própria soberania se degrada, em conseqüência do monstruoso processo espoliativo, do saque internacional que leva para fora de nossas fronteiras os frutos do trabalho e da produção do povo brasileiro. Uma minoria de brasileiros egoístas e vendilhões de sua Pátria, minoria poderosa e dominante sobre a vida nacional – desde o latifúndio, a economia e a finança, a grande imprensa, os controles da política até os negócios internacionais – associou- se ao processo de espoliação de nosso povo. Essa minoria é hoje o que podemos chamar de antipovo, de antinação.196
Esse controle, esses grupos e pessoas a quem o texto se refere também seriam obstáculos às reformas e não deixariam vingar os interesses nacionais, pois isso significaria a libertação da nação e o fim dos privilégios. O texto argumentava que a vida da população estava cada vez mais difícil, o custo de vida aumentava, a crise econômica e a elevação dos preços eram fatores do empobrecimento social brasileiro.
Essa situação social levaria a um desfecho singular. Começaria a partir das bases a promoção de intensas manifestações sociais de inconformidade, tais como protestos, lutas por reajustes salariais e vencimentos, greves, choques no campo, alastramento da luta nacionalista. O “antipovo”, como Brizola nomeava os que eram contrários aos interesses da maioria, reagiria às manifestações populares em defesa de seus privilégios, apertando o cerco 196 ORGANIZAÇÃO dos Grupos de Onze ou Comandos Nacionalistas, Panfleto. p. 14-15.
e procurando manter o controle da situação. Essa minoria que controlava a população classificava a maioria de agitadores, extremistas, radicais, subversivos, fidelistas, comunistas, entre outras denominações.
As autoridades estabeleceriam o estado de sítio, por meio do qual procuravam restringir as liberdades públicas e individuais, classificando-o como medida para um governo forte, para o golpe e a ditadura. Em seus discursos defendiam sempre que tais medidas se destinavam à defesa da ordem, da democracia, do desenvolvimento econômico, da liberdade, da família brasileira e da tradição cristã. O texto do documento trazia:
Ordem para esta minoria é a ordem dos cemitérios; democracia é o regime de minorias privilegiadas; desenvolvimento econômico é o enriquecimento dos grupos e empobrecimento do povo; em matéria de liberdade, a única que defendem mesmo é a liberdade de lucrar e fazer negócios; família, sim, desde que não se trate da família do povo, degradada pela crise, pela angústia, pela fome e a doença, pela mortalidade e pela injustiça social; e tradições cristãs, também como se cristo tivesse surgido no mundo como um homem de negócios ou com privilégios do patriciado romano e não de uma família de operários, como se o filho de Deus tivesse vindo à terra para confraternizar em festins e bons negócios com os espoliadores romanos que então dominavam e oprimiam o povo hebreu.197
Segundo o texto, para os brasileiros nada disso seria importante; eram tantas as injustiças que sofriam que nada poderia impedir que defendessem o país, bem como todos os seus direitos. Eram sabedores que, sem justiça social, somente ocorreriam a submissão, o atraso, a marginalidade, a exploração do homem pelo homem, e, sem emancipação social, não haveria uma verdadeira soberania nacional. Cada cidadão deveria, portanto, decidir se estava a favor das lutas populares, dos movimentos, ou se estava do lado daqueles que Brizola, em seus discursos, afirmava serem os traidores da pátria, os favoráveis ao imperialismo.
Todos os discursos brizolistas e ações realizadas durante o governo Goulart, ou pela própria oposição do PTB na época, eram no sentido de levar esclarecimento à nação, aos setenta milhões de brasileiros, sobre o momento histórico pelo qual o país estava passando. Naquele momento conturbado politicamente, todas as organizações expressivas, como sindicatos de trabalhadores, estudantes e camponeses, líderes populares, intelectuais e alguns militares que apoiavam Goulart, estavam empenhadas numa tarefa:
[...] milhões e milhões de brasileiros esclarecidos e inconformados estão mais do que prontos para agir e fazer alguma cousa, clamando por uma tomada de posição das lideranças e pela distribuição de tarefas, mas todos ou quase todos, sem qualquer articulação, imobilizados pela inexistência da organização, que viria justamente do impulso, e canalizar a força invencível que representa o povo mobilizado.198
A mobilização da população era a grande meta daquele momento e uma tarefa urgente e imprescindível, pois “povo desorganizado é povo submetido”.199 Cada um deveria assumir uma posição, e “organização” era a palavra de ordem naquele momento. O documento apelava para “a iniciativa de cada um, ao gênio criador de nosso povo, à sua própria capacidade de organização”.200
Com o acesso ao jornal Panfleto, à Rádio Mayrink Veiga, Panfletos e cartilhas explicativas, acompanhados de debates acalorados sobre a situação e a necessidade de organização pregada por Leonel Brizola, criaram-se os Grupos dos Onze Companheiros ou Comandos Nacionalistas, divulgados pela Rádio Mayrink Veiga e pelas demais emissoras da “Rêde do Esclarecimento”201 [sic]. Esses se reuniam numa organização simples, ao alcance de todos, mesmo nas áreas ou localidades mais isoladas e distantes. Assim, houve a articulação de imensos contingentes da população brasileira como:
FMP (Frente de Mobilização Popular), CGT (Comando Geral dos Trabalhadores), Sindicatos, UNE (União Nacional de Estudantes) e suas organizações, organização dos SEMTERRA, e “LIGAS CAMPONESAS” e outras organizações locais ou regionais, dentro do objetivo de consolidar e cimentar a unidade das forças populares e progressistas, de nacionalistas civis e militares, de todos os getulistas e trabalhistas que se consideram convocados pela CARTA DE VARGAS [...].202
Portanto, segundo o líder carismático Leonel Brizola, tido como um guia revolucionário no momento, homens e mulheres do Brasil aceitaram o desafio ao serem convocados a lutar pelas reformas de base e pela libertação brasileira da espoliação internacional, conforme ele afirmava em seus discursos.
A idéia da organização do Grupo dos Onze Companheiros emergiu em razão da situação pela qual estava passando o país. A organização popular deveria acontecer de maneira simples, conforme a compreensão da população e as possibilidades da unificação.
198 ORGANIZAÇÃO dos Grupos de Onze ou Comandos Nacionalistas, Panfleto, p. 14-15. 199 Idem.
200 Idem. 201 Idem. 202 Idem.
Nesse sentido, o futebol foi o exemplo de organização tomado, pois era conhecido e praticado em todo o território nacional:
Todos sabem que um time de futebol é composto de onze integrantes, cada um com suas funções específicas e, dentre eles, um é escolhido para capitão ou comandante da equipe; todos sabem, neste caso, deve haver uma ação coordenada entre todos e que a equipe pouco significa se cada um de seus integrantes age por si, isoladamente, sem comando, sem unidade de conjunto, sem adequada combinação entre todos.203
A força da expressão “equipe” era um exemplo, pois valia pela coesão, pelo trabalho de conjunto. A comparação com o futebol estava ao alcance de todos, pois tinha significação, funcionalidade e denotava ações organizadas; logo, as pessoas não poderiam mais falar, pensar ou agir individualmente ou em grupos reduzidos. Esses, por sua pequena composição ou por sua atuação restrita, não buscavam grandes objetivos, ao contrário, apenas aqueles a que se propunham os Grupos dos Onze Companheiros. Consta no texto:
Um grupo de onze companheiros pode parecer pequeno dado o grande número, os milhões e milhões de patriotas e nacionalistas existentes, em nosso País, e dispostos a cumprir as tarefas que a Pátria comum está exigindo de nós. Pode parecer pequeno, mas também pequeno é um simples tijolo. E é exatamente com pequenos tijolos reunidos, somados, interligados, cada um com sua função e adequadamente dispostos é que se fazem as construções ou se complementam os grandes edifícios de concreto armado [...] Assim, qualquer brasileiro que tenha sua consciência de patriota queimando de inconformidade com os sofrimentos e injustiças que aí estão esmagando nosso povo, onde quer que se encontre, pode e deve tomar a iniciativa junto aos seus companheiros e amigos de sua vizinhança (em primeiro lugar), de fábrica, de escritório, da sua classe, do rincão onde vive, pelas lavouras e pelos campos, para a organização de um “Grupo dos Onze”, reunir-se e fundar a organização. 204
Para Diunysio Cerutti,205 acusado de datilografar o cabeçalho das listas para formar o Grupo dos Onze, a definição sobre a organização poderia ser explicada assim:
203 ORGANIZAÇÃO dos Grupos de Onze ou Comandos Nacionalistas, Panfleto, p. 14-15. 204 Idem.
205 CERUTTI, Diunysio. Definição para a organização dos Grupos dos Onze, cujo embasamento teórico retirou
da revista O Cruzeiro, de 11 jul. 1964, o qual foi entregue para Elenice Szatkoski em 18 jan. 1996. O estado emocional de Diunysio Cerutti não permitiu que prestasse depoimento. Natural do município de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, é citado neste trabalho porque foi a partir destes depoimentos e deste movimento político “Grupos dos Onze” formado na cidade que surgiram as primeiras pesquisas referentes ao tema ora em estudo.
A Organização dos “Grupos dos Onze” era de base popular, de conteúdo fundamentalmente democrático, porque com uma finalidade expressa, aberta, pública, de lutar contra e qualquer golpe, qualquer interrupção da ordem constitucional e de bater-se por uma democracia autêntica e pelas reformas de base. Não era uma organização clandestina. Era uma organização aberta, pública. Não havia nenhuma organização escusa, nem uma organização secreta nacional ou internacional. Puramente de conteúdo nacionalista e democrático.206
Assim, seguiam-se as orientações e escutavam-se as palestras pela Rede do
Esclarecimento, cuja veiculação se transformou em tarefa obrigatória da Rádio Mayrink Veiga às sextas-feiras, a partir das 21h30min; após a meia-noite, também nas sextas-feiras, eram lidas as comunicações enviadas pelos companheiros dos Comandos Nacionalistas, bem como eram passadas instruções para as atividades da organização. A ordem do momento – final de 1963 e início de 1964 – era a organização da população civil e também dos militares, colaborando com o movimento a favor da construção de uma política democrática e da exigência das reformas necessárias à nação brasileira.
Nesse sentido, com fins de organização armada ou ativismo político, o Rio Grande do Sul constituiu-se em berço de inúmeros Grupos dos Onze, que se formaram em várias regiões, como na região do Médio-Alto Uruguai. Para fins de esclarecimento, primeiramente, a organização dos Grupos dos Onze teve duas denominações, pois o nome definitivo seria escolhido pelas pessoas que os organizavam e que enviavam as sugestões ao comando geral, a cargo de Leonel de Moura Brizola, no Rio de Janeiro. Na Rádio Mayrink Veiga, a preferência apontava para “Comandos Nacionalistas”, que passou a constar em alguns documentos oficiais, e “Grupo dos Onze”, como ficaram mais popularmente conhecidos.
Brizola pretendia com a organização desses Grupos obter o mesmo sucesso e apoio conquistados com a Campanha da Legalidade em 1961 no Rio Grande do Sul, porém os tempos tinham mudado e ele representava, por seu carisma de herói nacional, com sua continuidade trabalhista e seu discurso antiimperialista no jornal Panfleto e na Rádio Mayrink Veiga, uma ameaça para o sistema e, ao mesmo tempo, mostrava-se um revolucionário incendiário.
Com o movimento dos Grupos dos Onze, Brizola esperava poder atingir bem mais pessoas do que ocorrera com a Cadeia da Legalidade. Isso é evidente na documentação e nos
206 CERUTTI, Diunysio. Definição para a organização dos Grupos dos Onze, cujo embasamento teórico retirou
da revista O Cruzeiro, de 11 jul. 1964, o qual foi entregue para Elenice Szatkoski em 18 jan. 1996. O estado emocional de Diunysio Cerutti não permitiu que prestasse depoimento. Natural do município de Frederico Westphalen, no Rio Grande do Sul, é citado neste trabalho porque foi a partir destes depoimentos e deste movimento político “Grupos dos Onze” formado na cidade que surgiram as primeiras pesquisas referentes ao tema ora em estudo.
apelos por meio dos jornais e da Rádio Mayrink Veiga, que lhe dava possibilidades de atingir o Brasil todo. Em se tratando de organização e união para a resistência, Hélio Silva assinala:
[...] em maio de 1963, Brizola foi ao nordeste [...] O ex-governador gaúcho conclamou o povo a se unir em células de cinco pessoas, que por sua vez deveriam multiplicar-se. A finalidade das células seria uma resistência às insolências e abusos dos ‘gorilas’que, segundo ele, estariam por toda parte, tramando o golpe.207
A revista O Cruzeiro208 publicou uma matéria na qual explicou que os Grupos dos Onze teriam começado a se formar em 19 outubro de 1963, quando, por meio de um discurso radiofônico pela Rádio Mayrink Veiga, Leonel Brizola conclamara a população para se organizar e defender o nacionalismo, bem como as reformas de base. Nesse momento se falava em cinco elementos por grupos, porém Coriolano Vieira, da Guanabara, fez um estudo sobre “motivação e mobilização popular”, atendendo a uma solicitação de Leonel Brizola, e propôs que, em vez de cinco elementos, fossem onze.209 Essa seria a maneira de buscar a organização e a unificação popular em torno das idéias brizolistas veiculadas pela Rádio Mayrink Veiga e pelo jornal Panfleto, a fim de combater o imperialismo, exigir as reformas de base e sustentar politicamente o governo Goulart.
207 SILVA, Hélio; CARNEIRO, Maria Cecília R. 1964: Golpe ou contragolpe? 3. ed. Porto Alegre: L&PM.
1978. p. 268-269.
208 Dólares de Fidel para Brizola. O Cruzeiro, 8 ago. 1964, p. 6-7.
209 Para fins que registro consta no livro No fio da navalha, p. 49-51 , o coordenador nacional dos Grupos dos
Onze constituídos por Leonel Brizola era “Betinho”, o qual foi designado pelo próprio Brizola. “Betinho” em 31 de março de 1964, atuava como coordenador da assessoria do ministro da Educação, Paulo de Tarso, em Brasília. Informações contidas no livro No fio da navalha, p. 46-47.
Fonte: Panfleto 1. ed., 17 fev. 1964, p. 14-15.
Figura 10 – Ata para formação dos Grupos dos Onze
Brizola chamava à resistência. Num comício no dia 13 no Rio de Janeiro, afirmou que a violência não partira da oposição, mas das minorias controladoras do país e do governo; por isso, o povo deveria se organizar. “Organização” era a palavra de ordem do momento para Brizola, pois, assim, a “nação brasileira” teria liberdade e o país não seria vítima da espoliação internacional. Brizola afirmava que o caminho que estavam trilhando era pacífico, mas saberiam responder com a violência também. Nesse contexto, o presidente Goulart
deveria decidir se caminhava com o povo ou não, pois quem tinha a nação a seu lado nada teria a temer.
Esse pronunciamento de Brizola data de dias antes do golpe militar, que ocorreu no dia 30 de março de 1964, e nele faz uma dura crítica a Lacerda, que pregava regimes de exceção, principalmente o golpe de 61. Para Leonel Brizola, as minorias dominantes não poderiam falar em liberdade visto que sempre tinham se oposto a ela; ainda defendia que democracia não existe sem o povo e não pode ser praticada contra ele.A população brasileira deveria estar vigilante em relação àqueles que utilizavam a bandeira da democracia apenas como um pretexto; por isso, dever-se-ia apoiar João Goulart, que era democrático, e defender a democracia e a liberdade, que estavam ameaçadas.
Em 30 de março de 1964, o jornal Panfleto despedia-se de sua curta existência. Nele Brizola escreveu seu sétimo e último artigo, intitulado “A violência não partiu de nós”. No texto dizia que, diante de tudo que o país estava passando no momento – 1964 –, havia a necessidade de uma advertência, pois as liberdades políticas tinham entrado em colapso. Segundo Brizola:
O golpe ainda está em preparo – em preparo despudorado e sem rebuços. Mas a sua primeira conseqüência já a sofre o povo na própria carne, toda a vez que pretende