L. ivanovii PALCAM; OXFORD,
5. BULGULAR 1 İzolasyon
5.7. L monocytogenes İzolatlarının HLWL74 ve HLWL85 Primerleri ile RAPD Tiplendirmes
No artigo sob o título “Lacerda subproduto da conciliação” observamos que Brizola questiona o processo desgastante que Goulart enfrentara para assumir a Presidência, após a renúncia de Jânio Quadros, mesmo sendo vice-presidente, ter obtido uma votação expressiva e possuir diploma da Justiça Eleitoral, conforme a ordem jurídica vigente no país. Apesar disso, fora necessária a mobilização popular:
Tornou-se necessário que o próprio povo, em impressionante unidade, se mobilizasse de fuzil na mão para que fosse respeitado o direito de o então vice- presidente assumir a Presidência. Foi preciso, enfim, que a nação se visse colocada diante do dilema: guerra civil ou posse ao Senhor João Goulart.221
Afirma Brizola em seu artigo que a ação impedindo o presidente Goulart de governar fora, sem dúvida, oriunda das classes dominantes, que viam seus interesses e privilégios ameaçados. Essas reações se deviam ao fato de que Goulart fora eleito com “a carta de Vargas na mão e que deveria representar, no Governo, as aspirações e a realização dos direitos das multidões espoliadas e sedentas de justiça social”.222
Vemos que Brizola novamente utilizava instrumentos políticos produzidos por Vargas, como a Carta-testamento, com o que justificava a sua preocupação com o governo Goulart, 220 VALADARES, Kátia do Prado. Rainha universitária vê patriotismo na agitação. Panfleto, ed. 4, 9 mar. 1964,
p. 31.
221 BRIZOLA, Leonel de Moura. Lacerda: subproduto da conciliação. Panfleto, Rio de Janeiro, n. 4, p. 2, 1964. 222 Idem.
que estava concedendo privilégios às elites, desprezando, assim, o compromisso que tinha com o povo. Assim, denominava as atitudes de Goulart de “política de acomodação”223, a qual o deixaria governar num sistema de parlamentarismo ilegítimo quando assumisse o governo. Esta política já se apresentava como um ato de acomodação durante a vigência do parlamentarismo no Brasil; fora a conciliação do inconciliável, num tipo de política extremamente prejudicial ao país. Para Brizola, Goulart tentava se desvencilhar da incômoda camisa-de-força, tendo, durante a vigência do parlamentarismo, “um certo apoio das elites econômicas”, mas, ao mesmo tempo, estava entre um governo que se instituíra com uma revolução em marcha, referindo-se à Campanha da Legalidade de 1961, e a nação, a qual se “mantinha inconformada” com o despojo que alguns líderes políticos e militares tentavam fazer em Brasília, tirando os direitos do presidente e, conseqüentemente, de toda uma população.
Esta unidade patenteou-se na exigência e, depois, na realização do plebiscito. Dez milhões de brasileiros, ofereceram impressionante demonstração de coesão, num pleito que a corrupção do poder econômico e a opressão das oligarquias não puderam desvirtuar nem viciar os resultados. A consulta plebiscitária de 1963 foi, decididamente, um pleito livre, onde o povo brasileiro manifestou sua vontade na plenitude de sua consciência cívica e de suas convicções. Pelo que se pregou e disse ao povo, no decurso da campanha para o plebiscito – volta ao presidencialismo, com Jango e as reformas.224
Essas manifestações populares mostravam o repúdio à assim chamada “política de acomodações” e às práticas do governo Goulart durante o período. Brizola afirmava em seu discurso que os brasileiros desejavam uma política popular firme e definida do que chamou de “seu governo”, fazendo referência ao partido PTB. Conforme verificamos, para Brizola, o governo Goulart deveria se redimir dos erros e sofrimentos pelos quais a população brasileira passava. Entretanto, a população não percebia uma posição firme do governo Goulart, pois fora restaurado o parlamentarismo.
Na mesma matéria, Brizola afirma que o ministério encontrava-se imobilizado por suas próprias contradições, bem como que o Plano Trienal225 privilegiava os interesses da 223 BRIZOLA, Leonel de Moura. Lacerda: subproduto da conciliação. Panfleto, Rio de Janeiro, n. 4, p. 2, 1964. 224 Idem.
225 O Plano Trienal foi criado pelo paraibano Celso Furtado para ser colocado em prática entre 1963-1965.
Furtano era um intelectual prestigiado e ex-superintendente da Superintendência para Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Era adepto das idéias desenvolvimentistas da Comissão de Economia para a América Latina (Cepal), órgão da ONU que estudava soluções econômicas para a América Latina. Furtado, como ministro do Planejamento, gostaria de acabar com a inflação (que tinha saltado de 33% para 55% em 1962). Para isso, propôs cortes nos gastos do governo, diminuindo subsídios sobre importações e aumentando os impostos sobre as grandes fortunas. Também previa a renegociação da dívida externa para poder continuar importando bens para a indústria alimentar e crescimento econômico. Quanto à reforma agrária, o Plano Trienal previa uma ampliação da produção agrícola e, com isso, o mercado consumidor.
“classe dominante”; por isso, surgiam os primeiros protestos, dentro e fora do governo, em virtude do rumo da política tomada por Jango, que, no entender de Brizola, significava o sofrimento do povo novamente. No Plano Trienal e na política financeira estaria em curso a compra das subsidiárias da Bond and Share,226 que eram políticas lesivas aos brasileiros, tudo em continuidade à “política de acomodação”. Essa política não estaria agradando à nação, nem, muito menos, a Brizola; assim, a política de Jango dava continuidade ao favorecimento às elites.
Dessa forma, o texto de Brizola deixa claro que o governo não conseguia realizar uma administração significativa, nem havia promovido qualquer reforma de impacto; logo, as perspectivas eram péssimas, não tendo havido nenhum avanço desde janeiro de 1963. O governo também não tinha conseguido impedir ou banir a espoliação que corroía os salários dos brasileiros nem tinha controle sobre a inflação, tanto que havia uma elevação brutal dos preços e um aumento do custo de vida. Ainda, o Brasil continuava cada vez mais aberto ao domínio internacional, e o governo tinha perdido a força que o unia a seus eleitores e àqueles que acreditavam em seu mandato. Brizola deixava claro que o governo Goulart estava se unindo aos “seus sócios”, os espoliadores internacionais, fortalecendo as minorias dominantes do país.
Nesse sentido, vemos que Brizola fala na política de acomodações e dá idéia, em seu discurso, do quanto o governo Goulart, já em março de 1964, estaria atrelado ao poder das elites locais, e mais, este vínculo com as elites dominantes levara a que as forças populares se dissipassem, podendo-se, pois, prever uma luta solitária. Esse distanciamento, para nosso personagem, “desnorteou e dividiu as forças populares, com as quais o governo, até pouco tempo, formava uma unidade invencível, sempre que acionada e dirigida para os caminhos de nossa libertação econômica e social, como está escrito e indicado na carta-testamento do Presidente Getúlio Vargas”.227
Brizola exemplificava a política de acomodações com Lacerda, político que, quando Goulart assumira o poder, fora derrotado politicamente. Essa política de acomodações fizera ressurgir Lacerda através de intermináveis entendimentos com o embaixador norte-americano Lincoln Gordon, com o governo e grupos norte-americanos. Assim, de fora conseguindo 226 A Bond and Share ou American Foreign era uma holding com sede nos EUA que comandava dezenas de
subsidiárias em inúmeros países. No Brasil operava através das Empresas Elétricas Brasileiras, que controlavam as seguintes empresas: Cia Paulista de Força e Luz; Cia Força e Luz de Minas Gerais; Cia Força e Luz do Paraná; Cia Brasileira de Energia Elétrica (Niterói); Cia Energia Elétrica da Bahia,; The Pernambuco Transways and Power (Recife); Cia Central Brasileira Força Elétrica (Vitória); The Riograndense Light and Power (Pelotas) – a subsidiária de Porto Alegre foi encampada por Brizola, por remessa ilegal de dólares para o exterior, Cia Força e Luz Nordeste (Maceió) e Cia Força e Luz Nordeste (Natal).
“oxigênio”, recuperara-se, fortalecera-se e passara a se entender com o governo Goulart e sua “política de acomodações”. O embaixador Gordon movimentava-se com freqüência entre os “bastidores do poder” – Palácio do Planalto, Câmara dos Deputados e Senado Federal – em Brasília e mantinha audiências com o presidente Goulart e assessores, os quais derramavam a “cornucópia de dólares” que Lacerda movimentava. O próprio governo Goulart financiara o retorno de Lacerda ao cenário político, com recursos, conforme denúncia da ala esquerda do PTB, que não tinham qualquer controle por parte do governo. Em seu texto escreve Brizola:
É verdade que existem muitas contravenções, muitos aproveitadores e oportunistas por aí a fora, muitos que ainda não conseguiram compreender esta triste realidade a que atingimos, mas é verdade, também, que a maioria do povo brasileiro esta sentindo e por isso em condições de compreender que foram outros os caminhos que nós traçamos, no levante de agosto de 1961, e no plebiscito, e não estes para os quais, infelizmente, fomos conduzidos. O quadro é este. Mas eu afirmo que o futuro é nosso, do nosso povo, e de nosso País, nessa luta de libertação. E embora considere possível que a lição de tantos erros conduza nosso Governo a uma revisão de seus rumos, devo dizer que é no povo, na sua organização e na sua capacidade de luta que devemos depositar a nossa fé.”228
A história da formação política de Brizola, a construção da imagem e até mesmo do mito, pautados no trabalhismo e no varguismo levaram-no a realizar discursos nos quais apontava os sérios problemas econômicos, políticos e sociais brasileiros. Assim, para fazer pressão sobre o governo Goulart, foi realizado o Comício pela Reformas de Bases no dia 13 de março de 1964. Contudo, o círculo do poder em que Goulart estava mergulhado revelou a profunda crise de identidade política do governo. Nesse evento, Goulart fez um discurso para agradar a multidão e atender à pressão do grupo da esquerda do PTB. Mergulhado nesse círculo político desastroso, a situação indicava que Goulart abandonaria o governo, deixando o país à mercê dos interesses econômicos, políticos e militares com os quais tinha compactuado na política de acomodações que estabelecera, segundo as análises feitas por Brizola. Este ainda afirmava que Goulart tinha esquecido as bases do trabalhismo, com as quais seu partido era identificado.