3.3. Veri Toplama Araçları
3.3.1. Pazarlama Taktikleri Ölçeği
A entrevista com as instituições envolvidas na gestão dos monumentos em Belo Horizonte permitiu a coleta dos dados que auxiliaram na identificação e avaliação das condições e do cenário da conservação do patrimônio no município. Sua análise foi feita ao partir do cruzamento das informações, sendo possível sanar as questões abordadas nesta dissertação.
Das três instituições entrevistadas, uma delas é voltada para a gestão das atividades turísticas municipais e as outras duas são responsáveis pela gestão do patrimônio: a FMC - DIPC em âmbito municipal e o IEPHA-MG em âmbito estadual. Sobre a área de atuação das duas instituições culturais, percebe-se que, na resposta da DIPC, há um objeto mais específico, que é a gestão e o monitoramento dos conjuntos urbanos tombados. Já no IEPHA MG, essa atuação é mais ampla por se envolver nas políticas públicas de proteção do patrimônio. No primeiro caso, essa especificidade deve-se ao fato de que a DIPC não responde pela FMC como um todo. Se isso acontecesse, as resposta aos questionamentos propostos poderiam ser diferentes, já que no estudo da legislação municipal foi possível concluir que a FMC é a gestora das políticas públicas de proteção do patrimônio no município. As respostas obtidas nesta pergunta inicial já expõem as responsabilidades de cada órgão sobre os monumentos, o que dá indícios para sanar uma inquietação apresentada na formulação desta dissertação. A Belotur, em suas diretrizes iniciais, tinha como foco a área de eventos. Hoje, o cenário foi alterado devido aos trabalhos desenvolvidos para a captação de um público diferenciado. No caso da DIPC, a diretriz que norteia seus trabalhos é a de secretariar o conselho deliberativo do patrimônio, atividade mais específica do que a do IEPHA-MG, já que este possui como objetivo primeiro a conservação e a restauração, mas também uma política de educação preventiva mais ampla, subsidiada, principalmente, por meio do ICMS cultural. No caso da DIPC, vale ressaltar que essa especificidade é reflexo da própria abordagem da entrevista, já que foi selecionada uma diretoria da FMC.
Com exceção da Belotur, os outros dois órgãos possuem setores responsáveis por projetos relativos aos monumentos. No caso da Belotur, alguns projetos foram desenvolvidos antes da criação da FMC, variando de acordo com a demanda apresentada. A DIPC atua na elaboração de pareceres sobre as demandas de intervenções apresentadas ao conselho deliberativo, enquanto o IEPHA atua na elaboração de seus próprios projetos e acompanhamento e fiscalização de projetos desenvolvidos por terceiros.
Foram encontrados as seguintes medidas, instrumentos, ações e projetos voltados para os monumentos:
- DIPC: instrumento de proteção em três graus: interesse cultural, registro documental e tombamento; contrapartidas do conselho; e Programa Adote um Bem Cultural. Neste caso, o tombamento é o principal instrumento de conservação, já que protege o bem na questão documental e material. Nos casos das contrapartidas e do programa Adote um Bem Cultural, sua contribuição pode ser dada tanto na conservação quanto pela restauração. - IEPHA-MG: campanhas de educação patrimonial; e ICMS Cultural. As campanhas atuam como elemento preventivo e o ICMS cultural, como incentivador e motivador para as práticas conservacionistas nos municípios. Vale ressaltar que essas são as modalidades formais, mas pode-se encontrar outras, através das entrevistas, como a restauração dos monumentos, feitas tanto em âmbito municipal quanto estadual; o inventário dos monumentos desenvolvido pela Belotur; e a limpeza dos monumentos feita pela SLU, em conformidade com as orientações da DIPC. Ainda sobre a conservação dos monumentos, vale ressaltar que os monumentos tombados são aqueles que contam com a maioria das ações de conservação e restauração, o que pode ser percebido tanto no diagnóstico quanto nas respostas das entrevistas.
Uma questão levantada a respeito da gestão dos monumentos, neste caso atrelada a utilização do espaço urbano, é a forma como acontece a implantação desses objetos. Em pesquisa documental, foram encontradas
leis e decretos que devem aprovar a implantação de monumentos, o que foi respaldado pela Belotur. A DIPC informou que qualquer intervenção em objeto tombado deve ser comunicado à diretoria, até mesmo no caso de limpeza. Nos casos em que haja tombamento estadual, o IEPHA-MG deve ser informado. A DIPC e IEPHA-MG não mencionaram a necessidade de legislação que aprove este tipo de interferência no espaço urbano.
Ainda sob este aspecto de gestão, a Belotur e o IEPHA-MG indicaram a FMC como órgão responsável pela gestão dos monumentos em Belo Horizonte. A DIPC respondeu ao questionamento informando que as regionais administrativas (conforme exposto no capítulo que trata da formação da cidade) são as instituições responsáveis pela gestão dos monumentos encontrados nos limites geográficos propostos nesta divisão territorial e administrativa. Expôs, também, que uma questão importante é o fato de que algumas regionais não conhecem os procedimentos para estabelecer uma interlocução com a DIPC nos casos que se referem à conservação, restauração e proteção dos monumentos. Foi informado, ainda, que uma conscientização tem sido promovida pela DIPC junto às regionais. A existência da Belotur demonstrou que a competência de gestão dos monumentos, em algum momento da história da cidade, foi delegada a esse órgão.
Essa diferenciação entre responsáveis pela gestão e pela conservação foi estabelecida, já que essas tarefas podem ou não ser representadas pelos mesmos órgãos. Neste caso, a responsabilidade pela gestão, conforme exposto acima, é diferente da responsabilidade pela conservação e restauração e, até mesmo, manutenção. A Belotur indicou novamente a FMC como o órgão responsável. O IEPHA MG disse que a atribuição deve ser conjunta com a FMC em casos de proteção estadual. Já a DIPC informou que quando a proteção recai sobre a esfera estadual é o IEPHA- MG que cuida da restauração, pois a instituição conta com um laboratório de restauro, diferente da DIPC que não possui um. O entrevistado da DIPC disse que este é um problema enfrentado pela instituição e que a solução utilizada são as contrapartidas que o conselho estipula. Podemos considerá-
las como alternativas para a inexistência de recursos (humanos e financeiros) da FMC. Sobre a manutenção dos monumentos, a DIPC indicou como responsável a SLU que deve cuidar da limpeza de todos os monumentos dispostos nos espaços públicos de Belo Horizonte. Não foram encontrados nos órgãos de planejamento e políticas urbanas, departamentos, ações ou projetos ligados aos monumentos em Belo Horizonte.
Os entrevistados estavam em consenso com relação à inexistência de legislação específica para os monumentos, mas os três citaram a lei de tombamento como a mais próxima desse assunto. O entrevistado do IEPHA- MG ressaltou, ainda, as cartas patrimoniais que balizam a atuação no Brasil. A lei de tombamento está avaliada nos capítulos que abordam a legislação no cenário brasileiro e municipal. Na ausência de uma legislação específica, pode-se concluir que a legislação que aborda o patrimônio de maneira ampla tem sido utilizada como instrumento de proteção dos monumentos e como diretriz norteadora das ações dos órgãos públicos.
Buscar informações sobre os principais marcos na história da gestão e proteção dos monumentos em Belo Horizonte ajuda a compreender o momento em que essas discussões foram iniciadas e como elas são tratadas atualmente. A Belotur ressaltou o ano de 1937 (promulgação da lei de tombamento) como um marco no cenário nacional e fundamental para os municípios de modo geral. A DIPC e o IEPHA-MG citaram a implantação do obelisco da Praça Sete e traçaram a mesma consideração sobre a forma como fora implantado, buscando uma monumentalidade vertical semelhante àa verticalização do seu entorno, a partir da expansão e crescimento da cidade. Neste caso específico do obelisco, sua localização, sua história e a forma como ele tem sido tratado (nos aspectos de limpeza, resgate de sua identidade e apropriação pela população, principalmente como palco de manifestações) fazem com que seja reconhecido como um dos principais marcos quando fala-se sobre a criação de monumentos na capital mineira. A criação do IEPHA-MG também foi citada pelo órgão, assim como a década
de 80 em que o município criou novas leis sobre a proteção de seu patrimônio.
Para a DIPC, Belo Horizonte conta com poucos monumentos que realmente se sobressaem no cenário urbano, sendo esses, muitas vezes, negligenciados pelo poder público e pela sociedade.
As duas últimas perguntas buscavam uma percepção sobre os entrevistados para verificar qual seria a relação entre monumentos, cidades e turismo. A Belotur e o IEPHA-MG acreditam que os monumentos atuam como marcos, referências espaciais que contam a história do local onde estão inseridos, refletindo a estreita relação com o espaço e com o turismo. No caso do turismo, os monumentos são capazes de contar uma história, principal motivo de um deslocamento turístico. O IEPHA-MG acredita que os monumentos podem se tornar referências mundiais e representar uma cidade. Já a DIPC acredita que nos dois casos a relação é acessória já que os monumentos em Belo Horizonte estão sempre atrelados a algum espaço, alguma praça ou edificação. O entrevistado acredita que nenhum monumento da cidade tem força suficiente para ser considerado um atrativo turístico capaz de motivar um deslocamento dos sujeitos. Ele justifica sua explanação a partir do modernismo, sob o qual a cidade fora construída, que não engloba a arte e os monumentos sob seus preceitos.
As entrevistas foram importantes instrumentos de coleta de dados e informações que não foram encontradas em outras fontes. As perguntas que ainda estavam sem respostas ou que não estavam completamente respondidas foram respondidas. Após essa análise, é possível estabelecer algumas conclusões gerais, que serão expostas no próximo capítulo.