2. BÖLÜM: TÜRK KOBĐ’LERĐNĐN YAPISI, ÖZELLĐKLERĐ VE AVRUPA
2.5. Pazarlama Stratejileri
Para o trabalho de confecção da mercadoria “livro”, participam também de seu processo de produção gráficos, digitadores, ilustradores, revisores, encadernadores, designers etc. Em se tratando de um livro infantil, em que as imagens assumem papel preponderante, o ilustrador deixa de ser um mero “prestador de serviços” e passa a ser um co-autor da obra (LINS, 2004, p. 40).
Nesse sentido, podemos também indicar na autoria da referida obra o escritor, jornalista e caricaturista Benedito Carneiro de Bastos Barreto112, Belmonte, responsável pela criação das ilustrações, incluindo a capa, que será posteriormente analisada.
Décadas depois, ao retratar sua própria infância, outro humorista e cartunista, Jaguar, enumeraria dentre seus objetos favoritos o livro História do Brasil para crianças, ilustrado por Belmonte:
Meus tempos de menino, em Santos. Meu pai era do Banco do Brasil, fomos morar lá quando eu tinha seis, sete anos [...].
Meus tesouros: uma coleção de estampas das balas Pan (que perdi num jogo de bafo-bafo), uma caneta-tinteiro Esterbrook, os livros de Viriato Corrêa (História do Brasil para crianças) e todo o Sítio do Pica-Pau Amarelo ilustrado por Belmonte. Era para mim o maior desenhista do mundo. Varava noites copiando os desenhos dele, sem poder dormir por causa da asma (JAGUAR, 2007, grifo nosso).
O depoimento acima revela o quanto as ilustrações ficam, muitas vezes, como marcas indeléveis na mente das crianças, ao ponto de serem lembradas quando de sua vida adulta.
Belmonte, pseudônimo pelo qual ficou mais conhecido no meio intelectual e artístico, foi
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Benedito Carneiro de Bastos Barreto (1897-1947) nasceu em São Paulo capital, e era filho de João de Carrero e Rita do Espírito Santo. Segundo a mãe, desde cedo, já mostrava pendores artísticos para o desenho, rabiscando as paredes de casa.
quem deu rosto para os moradores do Sítio do Pica-Pau Amarelo, de Monteiro Lobato, e, dentre as várias versões criadas para seus livros, foram dele as que mais agradaram o público leitor. Seu Jeca Tatu pode ser considerado como a versão oficial do personagem, quase se transformando, para desespero dos mais ufanistas, em símbolo nacional. Tornou-se amigo do grande escritor de Taubaté, que em suas cartas sempre o incentivava a continuar sua carreira literária [...] (CARRAL, 1996, p. 12).
Ele também ilustrou outros quatro livros infantis de Viriato Corrêa, todos publicados pela CEN: Meu Torrão (1935), A Descoberta do Brasil (1930), História de Caramuru (1939) e A Bandeira das Esmeraldas (1945).
Belmonte foi muito influenciado por outro cartunista de renome nacional – J. Carlos, considerado um dos mais importantes artistas gráficos da imprensa brasileira do século XX. Já em 1914, publicou seu primeiro desenho na Revista Rio Branco. A partir daí, não parou mais de desenhar para importantes periódicos, tais como Cosmos, Revista da Semana, Dom Quixote, Fon-Fon, entre outros. Para atender os apelos de sua mãe, que pretendia uma carreira mais sólida para o filho do que ilustrador de revistas e jornais, Belmonte iniciou a Faculdade de Medicina, mas logo viu que não era sua vocação, retornando ao desenho e à charge política.
Em 1921, foi convidado para integrar a equipe de jornalistas da Folha da Noite e sua primeira função foi substituir outro grande caricaturista da vida paulistana – Voltolino. Nesse jornal, criou o personagem “Juca Pato”, um baixinho careca, lídimo representante da classe média paulistana, que protestava contra o aumento dos preços, o arrocho salarial dos funcionários, os desmandos administrativos do governo e a corrupção. Juca Pato113 fez tanto sucesso entre a população que, das páginas do jornal ganhou notoriedade, sendo seu nome usado em bares, marcas de vários produtos de uso doméstico e até mesmo como nome de cavalo de corrida.
Tinha uma enorme paixão por São Paulo, a ponto de não aceitar o convite para uma carreira internacional nos estúdios da Metro Goldwin Mayer, nos Estados Unidos, optando
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Segundo Belmonte, Juca Pato era careca de “tanto levar na cabeça” e adotava o lema pessimista “podia ser pior”, que virou um verdadeiro bordão na cidade de São Paulo. Hoje, Juca Pato designa o prêmio conferido anualmente pela União Brasileira dos Escritores (UBE) ao intelectual do ano.
por permanecer em sua cidade natal. Essa paixão Belmonte traduziu também em livros, o que bem mostra que ele era, no dizer de Lobato,
[...] um artista integral. Tanto caricatura com o lápis, como por meio da palavra escrita. Quero dizer que é um escritor notável – desses cujas crônicas os jornais estampam em tipo de relevo. A mesma finura de humor que mostra no desenho ressalta dos seus comentários críticos (LOBATO apud LIMA, 1963, p.1372).
Belmonte também foi escritor, além de caricaturista e ilustrador. São de sua autoria os seguintes livros: Brasil de outrora (Edições Melhoramentos, com desenhos inspirados nos quadros de Rugendas); Angústias de Juca Pato (álbum de caricaturas); O amor através dos séculos (álbum de desenhos humorísticos); Assim falou Juca Pato (crônicas humorísticas publicadas pela Companhia Editora Nacional); Idéias de João Ninguém (crônicas humorísticas publicadas pela Livraria José Olympio Editora) e um único livro infantil – A Cidade de Ouro (CEN), que aborda o movimento das Bandeiras.
Figura 43 – Benedito Carneiro de Bastos Barreto - Belmonte (1897-1947).
Fonte: Disponível em <http://pt.wikipedia.org/wiki/Belmonte_(cartunista)>. Acesso em 20/11/2008.
Seu livro de maior sucesso, com várias edições, foi No tempo dos bandeirantes114, publicado pela Edições Melhoramentos. Segundo Fernando Carral, o livro
[...] é um retrato fiel e aprofundado dos primórdios da ocupação de nossas terras pelos desbravadores. Os desenhos e textos feitos para esse livro nos dão mostra de sua técnica impecável, assim como do rigor no levantamento histórico, evidenciados na precisão com que descreve o vestuário, a armaria e a ambientação do período retratado (CARRAL, 1996, p. 11).
Talvez por influência desse livro e por ser conhecedor do assunto, Belmonte tenha dado tanto destaque à figura do bandeirante, no rol das ilustrações do livro História do Brasil para crianças. De todo modo, segundo Herman Lima (1963), o traço de Belmonte destaca-se pelo seu esmero técnico e “cuidado histórico” na reconstituição dos fatos e personagens de nosso passado.
Para o ilustrador Rui de Oliveira, ganhador do Prêmio Hans Christian Andersen de Ilustração 2008, Belmonte foi um dos maiores ilustradores brasileiros de todos os tempos, “bastariam as charges contra o nazifascismo, durante a Segunda Guerra Mundial, para consagrá-lo como grande artista.” (OLIVEIRA, 2008, p. 52).
Ainda em plena atividade da pena e do lápis, Belmonte faleceu em 19 de abril de 1947, vítima de tuberculose, na sua São Paulo natal. Pela importância de seu traço nas ilustrações do livro de História do Brasil para crianças, considero que Belmonte faz parte do processo de autoria desse livro infantil, ao lado de Viriato Corrêa.
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Fora de circulação há alguns anos, o livro No tempo dos bandeirantes teve, recentemente, uma reedição pela Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (IMESP), na Coleção Paulística.